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Sem falta na Rádio Observador. Nos próximos minutos falamos do trabalho da equipa de arbitragem, que foi liderada por Anzani Rodrigues no jogo entre Sporting e Estrela da Amadora. Os Leões venceram por 4 x 0. Anzani Rodrigues foi o árbitro principal, estava no VAR Manuel Oliveira e também Nuno Eiras. E vamos contar com a análise, como sempre, do nosso Pedro Henriques. Mais uma vez, boa noite, Pedro. Vamos aqui para um Sem Falta, que muito provavelmente será um dos mais curtos de sempre. Temos quatro, cinco lances para analisar. Vamos por partes. Minuto seis, o gol do Sporting.
Sim, o gol do Sporting, que é um gol legal, tem duas nuances naquilo que é o enquadramento da jogada. A primeira nuance é a questão do possível fora de jogo do Kenda, que não está. Quando o Max Araújo coloca a bola, há um livre, por uma falta sobre o Kenda, e é daí que depois resulta o gol. Mas o que está montante é isso que eu estou a querer falar. Primeiro, o Max Araújo quando passa para o Kenda, o Kenda não está em fora de jogo, está em jogo por 91 centímetros, que é bastante, e depois há mesmo falta sobre o Kenda. Portanto, o jogador da equipe do Estrela da Amadora vai ali um gente deslizante e acaba por tocar e rasteirar o pé direito do Kenda e, por isso, do livre, nasce o gol. E por que eu estou a dar ênfase a isso? Porque como foi até com o Sporting, aquela questão do canto e que depois originou o gol. Portanto, aqui uma vez mais, a situação de a partir do momento que o livre é batido, está tudo legal. A questão que se colocava era: e antes? Ou fora de jogo ou falta sobre o Kenda, tudo certo.
Vamos prosseguir para mais um lance neste encontro. Na primeira parte ainda, cartão amarelo para Maxi Araújo.
Pronto, esse é dos lances que andam aí nas redes sociais, porque a malta, em vésperas, já se sabe que é vésperas daquilo que vai ser o Sporting x Benfica, além dos possíveis muitos comunicados que ainda vão surgir esta semana, se calhar de parte a parte. Estão a tentar agarrar, já ontem fizeram isso em relação ao jogo Benfica, agora estão a fazer isso em relação ao jogo do Sporting, é normal, não devia ser assim. Estão a crer que o Max Araújo fosse expulso nesse lance porque acham que houve agressão do Max Araújo sobre o Lopes Cabral. É só perceberem e olhar para o lance, o Max Araújo realmente abre a mão direita e vai direito à zona do queixo e do pescoço do Lopes Cabral. Portanto, é aquela circunstância, como também há pouquinho falamos em relação ao jogo do Futebol Clube do Porto, a utilização das mãos, dos braços, cotovelos. Já sabemos que a zona da cabeça, do pescoço, do rosto, da nuca, é essa zona de proteção e que normalmente tem punição disciplinar. Amarelo e vermelho só quando há conduta violenta ou agressão. Não há aqui nenhuma conduta violenta, há, sim, a utilização da mão, que vai à frente quando vai abordar o lance e acaba por acertar no jogador do Estrela da Amadora. O árbitro bem assinalou o livre direto e mostrou também bem o cartão amarelo, porque era só mesmo cartão amarelo.
Vamos ao minuto 45. Há pedido de grande penalidade por parte do Sporting, uma queda de Luís Suárez.
Primeiro, quase no minuto antes, por isso é que este lance pode-se decompor em linha A e linha B. Era se o Sporting, que recuperou a bola, o tinha feito de forma legal. Aliás, até foi o Augusto Inácio que no decorrer do jogo falou sobre isso, depois foi preciso recuperar, depois aparece uma repetição em que se percebe que é o Ulman e com o Amado Ngom. O Ulman está nas costas do Amado Ngom, realmente há ali um ligeiro contacto das mãos nas costas, mas é o contacto de quem está a proteger a sua posição. O adversário está a recuar e tu colocas as mãos para proteger a tua posição e para não o deixares vir para trás, portanto para te protegeres a ti próprio. Mas não há agarrar, empurrar, nem carregar. E depois, a maneira como o Ngom cai, é até para o lado contrário daquele que cairia se fosse empurrado. Ou seja, a queda não é consequência de nada. É claramente a sentir o contacto e tentar ganhar algo desse contacto. Por isso, para dizer que o Sporting recuperou, através do Ulman, a bola de forma legal. Ato contínuo, entre o minuto 44 e 45, e agora já no minuto 45, há pênalti que fica por assinalar do Otávio sobre o Luís Suárez. E aqui uma explicação, também as pessoas: "Ah, mas aquilo é carga de ombro". A carga de ombro, para ser correta e legal, é quando tu, com o ombro, único e exclusivamente com o ombro, e o ombro é uma zona pequena, delimitada, carregas a zona de ombro ou omoplata do teu adversário. Digamos que aquilo que se costuma-se dizer que é quando carregas igual região. Igual região, por quê? Porque abrange o ombro e a omoplata. É a única possibilidade que tens. A partir do momento que carregas o teu adversário, e a bola estar a uma distância jogável, que estava. Normalmente a gente considera dois, três metros, porque se a bola estiver a 10 metros, mesmo que carregues com o ombro, é falta. Posto isto, esta explicação, quando nós paramos a imagem, em movimento normal percebemos que o jogador do Estrela da Amadora, o Otávio, vem completamente em corrida, em velocidade, com grande velocidade e com grande impacto. E quando paramos a imagem para ver qual é a zona de contacto, não é o ombro. Também lá está, é a perna esquerda, é a anca esquerda, é o braço todo e também o ombro e no fundo o corpo. Digamos que o Otávio usa o corpo todo para carregar, com todo o seu lado esquerdo, carregar o lado direito do Luís Suárez. E com isso, o que é que faz? Derruba o seu adversário com uma carga com zonas do corpo que não pode fazer e retira-lhe a possibilidade de discutir, disputar a bola que estava ali à sua frente no pé. E ficou um pontapé de pênalti por assinalar, que no meu ponto de vista, é claro e óbvio e que mereceria a intervenção do videoárbitro. Este aqui não há hipótese, no meu ponto de vista, de haver a tal interpretação que é uma carga legal, correta, é contacto físico. Não, o contacto físico é outra coisa. Isto é a utilização do teu corpo para varreres completamente um adversário, ainda assim me vens em velocidade e o limpas, no sentido contrário àquilo que é a tua trajetória. Portanto, para mim, de forma muito clara e evidente, não há falta na recuperação de bola do Sporting e depois fica o pênalti por assinalar a favor do Sporting.
Vamos para a segunda parte, para o minuto 51, para um lance em que se pediu cartão amarelo para o Jovane, mas não foi mostrado.
Sim, para manter a tal coerência com aquilo que foi a infração do Max Araújo com a mão na cara, aqui é um caso em que o Jovane, com a mão direita toda aberta, vamos dizer esta expressão que não é muito bonita, dá um calduço na cabeça do Morten Hjulmand. A mão aberta por trás, no momento de discussão, e acerta em cheio com a mão toda naquilo que é a cabeça por trás, portanto, a parte da nuca e a cabeça toda. O árbitro assinalou o Lis-Jet, mas hesitou em mostrar cartão amarelo.
Seguimos para o último lance, ao minuto 67. Discussão sobre a grande penalidade na área do Sporting.
Sim, não há. É com o Quaresma, em relação ao Lopes Cabral. O Lopes Cabral cai e fica até lastrado. E por que ele cai? Porque o Quaresma estica a sua perna direita e toca apenas com o pé na bola. Por que o Lopes Cabral então cai? Porque quando ele corta a bola, o Lopes Cabral também está a ajustar a bola e portanto, fica a bola prensada entre os dois pés. E quando tu vais tentar ajustar e tens uma bola que está parada, faz-se parede, é normal que desequilibre-se e caia. E até te podes magoar, porque de repente fica ali uma coisa dura que não te permite dar continuidade ao movimento do teu pé. Mas o Quaresma cortou única e exclusivamente a bola. Portanto, não há motivo para penálti, não há qualquer infração sobre o Lopes Cabral. Tudo certo nesta decisão.
Vamos então à nota final, a nota para a arbitragem de Anzani Rodrigues.
Eu vou dar cinco. Por quê? Porque quando há o penálti, e o penálti é sempre uma situação com alguma gravidade, e aqui também com alguma responsabilidade do VAR que devia ter ajudado, o Sport já está a ganhar 3 x 0. O que isso significa? Significa que acaba por não ter impacto naquilo que foi o desfecho de quem ganha ou de quem perde. É só por isso, porque pode eventualmente um penálti ser gol e depois mais gol, menos gol. Obviamente, o resultado pode ser diferente, mas sob o ponto de vista daquilo que é a distribuição dos pontos, quando está 3 x 0, já isso não tem praticamente qualquer impacto. Ainda por cima, o Sporting ainda marcou mais e ganhou o jogo. E portanto, sem impacto no resultado, falhou efetivamente num penálti, também num cartão amarelo, mas aqui também há alguns méritos. Também deixou jogar, está a ser uma conduta dos árbitros, permitiu o jogo de contato físico. Se no jogo do Porto houve 25 faltas, aqui houve 24. E se no jogo do Porto houve 62% de tempo útil, aqui houve 60%. Valores bem acima, por exemplo, do jogo do Benfica de ontem e da maior parte dos nossos jogos, que estão muitas vezes com 50, 51% de tempo útil de jogo. E esses são claramente os lados bons e positivos que ajudam a dar uma positiva baixinha, porque realmente há aqui uma falha num penálti.
Está feita a análise do Pedro Henriques. Pedro, muito obrigado. Marcamos encontro para quinta-feira. Há um encontro da Taça da Liga entre o Futebol Clube do Porto e o Vitória. Um abraço, Pedro.
Um abraço, obrigado.