Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Vamos ao Sem Falta, aqui na Rádio Observador, como sempre com o Pedro Henriques. Pedro, seja muito bem-vindo. Vamos olhar para o trabalho do árbitro, um juiz esloveno que esteve no comando deste encontro entre o Sporting e o Marselha, a contar para a Liga dos Campeões. Não há aqui muitos lances em si, mas os que há são importantes de analisarmos, Pedro. Mas vamos começar ao minuto três com o cartão amarelo que é mostrado a Balerdi.

Sim, é aquela falta sobre o Suárez. O que o Suárez estava a reclamar era que ele se isolava e ficava na cara do guarda-redes, a chamada clara oportunidade de gol. Portanto, queria a questão do cartão vermelho. A infração foi feita fora da área. A questão que se coloca é que para haver um cartão vermelho, chamada clara oportunidade de gol, tem que haver quatro fatores: o jogador em direção da baliza, a distância ser curta, ter a bola completamente controlada ou possibilidades de a controlar e mais nenhum jogador adversário, além do que faz a falta, poder intervir. E sendo muito no limite, porque é discutível, realmente a distância é curta, a jogada vai no sentido da baliza. Aqui a questão que se coloca é que o Luis Suárez quando faz a rotação, a bola digamos que foge, vai à frente. Ou seja, não há uma certeza absoluta de dizer: "Não, ele não tem a bola controlada", mas que pode vir mesmo a controlar. Se calhar sim, porque não sofrendo a falta, com a velocidade, fica-se na dúvida. E quando se para a imagem em vários momentos pra tentar perceber o início da falta, o meio, o fim, percebe-se que a bola está ligeiramente à frente e talvez isso seja um dos fatores que lhe tira essa possibilidade de controle. E, por outro lado, não sendo também tão claro quem faz a falta é o Balerdi, e daí ter visto cartão amarelo, há o outro jogador, que é o Agüero, que está à direita do Luis Suárez, que talvez àquela velocidade pudesse ainda também intervir no lance por estar praticamente lado a lado. Portanto, estes dois fatores da possibilidade de intervenção, neste caso do outro, que não faz a falta, o Agüero, e também da questão do controle da bola, fazem com que eu dê claramente o benefício da dúvida para cartão amarelo por ataque prometedor e não cartão vermelho, que foi isso que esteve aqui em análise.

Pedro, avançamos minuto 25, até porque no teu entender faltou aqui mostrar um cartão amarelo a Weah.

É aquele lance sobre o Umann, à entrada da área, que realmente o árbitro deu a lei da vantagem e o Pedro Gonçalves rematou à descontínua e mandou ao lado. Vamos olhar pro lance. O árbitro pode dar a lei da vantagem, porque realmente a bola sobrou pra um jogador que tem hipótese de tentar fazer o gol e, portanto, não tem que marcar aquela falta e deu a lei da vantagem. A questão é que sempre que as infrações são pelas entradas em si serem duras, negligentes. Imaginemos que era uma situação de força excessiva que partia ali a perna toda. O fato de ter dado a lei da vantagem, ou seja, tecnicamente já não é a falta, é a lei da vantagem e a sequência da jogada, disciplinarmente, a ação disciplinar não é anulada. Se fosse um jogador que agarrasse o outro, quando ele vai isolado e tu irias dar cartão vermelho porque era uma clara oportunidade de gol, como há outra a seguir, aí sim, se dás a lei da vantagem e segue, já não há mais nenhuma clara oportunidade de gol. E, portanto, já não haveria vermelho, haveria outro cartão que era o amarelo. Agora, neste caso, é a entrada em si, é a dureza, porque é um pisão do Timothy Weah sobre o Umann. Pé direito, pitons, sola. Portanto, essa parte, mesmo com uma ação subsequente técnica, que é a lei da vantagem e remata ao lado, em termos disciplinares, não é anulada. E, portanto, o árbitro tinha que mostrar aqui o cartão amarelo. De resto, eu percebi que o árbitro, e vamos ver isso mais à frente, muito inseguro ao nível do conhecimento das leis de jogo, por incrível que pareça.

E Pedro, vamos avançar, minuto 39, mais um lance de cartão amarelo aqui Emerson e este vai ser importante.

Aqui a questão não é por jogar a bola com a mão. As pessoas: "Ah, ele jogou a bola com a mão, tem que ser sempre amarelo". Não é verdade. Quando ao jogar a bola com a mão, que foi o caso, que baixou o braço direito e com a mão direita interceptou aquele passe do Geny Catame. Quando fazes isso, anulas um ataque prometedor, uma jogada de perigo, então aí é que é cartão amarelo. E o que acontece? Se o Emerson não joga a bola com a mão, o Fresneda iria receber a bola à frente e tinha o corredor todo livre pra correr. Portanto, não é como já foi há uns anos atrás, que o corte de uma linha de passe que era sempre punido com cartão amarelo. Não, não é só por jogar a bola com a mão, é por jogar a bola com a mão e anular um ataque prometedor. E aí, sim, o cartão amarelo é muito bem mostrado.

Vamos avançar, Pedro Henriques, até porque agora sim começa aqui a apertar. Minuto 44, o VAR anula um penalti contra o Sporting e a decisão acaba por ditar a expulsão de Emerson.

Exatamente. Inicialmente, o árbitro assinala penalti do Marcus Eduards por Emerson, porque entende que o Marcus Eduards quando estica o seu pé esquerdo terá rasteirado ou pisado o Emerson. Depois, todos nós vimos, o VAR também, percebe-se que não há qualquer infração e há uma simulação. É que nem sequer é aquele lance que a gente pode dizer assim: "Não, não há simulação, há um contato, ele cai". Não, é que o Emerson, o auditor também erra, o Marcus Eduards estica o seu pé esquerdo, coloca o pé esquerdo no chão e o Emerson tem o pé direito bem longe. E depois o que o Emerson faz? Com o pé direito, dobra-o pra frente, digamos que leva a arrastar o seu pé direito e ele próprio vai provocar o contato e a queda. Portanto, estamos perante uma situação de simulação. E a simulação, em qualquer parte do terreno de jogo, é sempre punida com cartão amarelo, ainda mais sendo na área e na tentativa de ganhar um penalti, como até conseguiu ganhar. Depois o VAR é que emendou. E por isso o árbitro muito bem mostra, não só anula o pontapé de penalti, como mostra o cartão amarelo por simulação, que neste caso é o segundo e expulsa. Só que mais um pormenor que revela que o árbitro estava perdido, no meu ponto de vista, desconcentrado e que não sabe as regras. É que ele quando explica aos dois capitães e depois vai correr na direção da baliza, dizer com os braços que não é, a seguir com a mão direita, faz três vezes o gesto de bola ao solo, que era mais um erro que ele ia cometer, porque se tu marcas um penalti e depois não é penalti, porque há um erro, aí, sim, começa o jogo com bola ao solo. E ficam a saber, como a bola ao solo é dentro da área É sempre para o guarda-redes dessa baliza o penálti. Não é para essa equipa, para outro jogador qualquer, é para o guarda-redes dessa equipa, porque acabou-se com as bolas ao solo dentro das áreas a favor de quem ataca e é sempre para quem está a defender e o guarda-redes dessa baliza. Mas como o árbitro anula o penálti por simulação, e a simulação é punida com livre indireto, o árbitro recomeçou com o livre indireto. Não review na televisão, depois tive a oportunidade de falar com quem estava lá e até em termos televisivos, e que foram ver a imagem, sim, recomeçou com livre indireto, mas recomeça com livre indireto porque alguém, deduzo que os árbitros assistentes, o ajudaram, porque ele uma vez mais completamente perdido, ia recomeçar o jogo com uma bola ao solo quando tinha que ser com livre indireto. Mais importante do lance: não é penálti, ponto número um. Ponto número dois, Emerson expulso por acumulação de amarelos, porque realmente simulou.

Vamos avançar para a segunda parte, minuto 70, o VAR valida o golo do Sporting, aqui lance de fora de jogo com Geny Catame.

Exatamente. Uma vez mais o VAR, porque senão era mais uma desgraça completa, porque o árbitro assistente, no momento que faz o passe o Pedro Gonçalves para o Geny Catame, entendeu que o Geny Catame estava adiantado e, portanto, anulou por fora de jogo. Percebe-se que o Benjamin Pavard, na zona central, o tal 28, que também esteve ao nível do árbitro em vários lances, estava a colocar em jogo o Geny Catame e uma vez mais o VAR a validar o gol. O que é estranho é que, sendo a tecnologia tridimensional, sendo tão importante cada vez mais o comunicar, o ver-se, o explicar às pessoas, por que não passou nenhuma repetição com essa tecnologia tridimensional? Não faz sentido absolutamente nenhum. As transmissões da UEFA é uma coisa incrível. Parece que não percebem que mostrar é que é fundamental. Ficamos com as imagens televisivas normais. Por acaso, é daqueles lances que se percebe que sim, que o Geny Catame está em jogo, fica logo a olho nu, mas fosse daqueles lances do limite, lá estaríamos aqui a ter, se calhar, mais ganha e mais polémica. Portanto, não percebo esta transmissão, mas o mais importante é que o gol foi validado porque realmente não havia fora de jogo Geny Catame.

Pedro, vamos avançar, acelerar um pouco, até porque ainda temos dois lances, sendo que o primeiro é o minuto 86, o segundo gol do Sporting.

Sim, se não fosse gol, tinha que ser penálti, porque quanto mais não seja, seria o VAR a dar, porque já não digo nada em relação ao árbitro. O Alisson Santos remata, o Benjamin Pavard claramente com a sua mão intercepta a bola de forma ostensiva, deliberada, intencional. A bola de continente entra na baliza, não há a lei da vantagem, o árbitro não aplicou a lei da vantagem, não esticou o braço, até porque normalmente isso não se faz nos penáltis. O que se faz é um compasso de espera, não se estica os braços, aquela da vantagem, espera-se se a de continente for gol, valida. Se não for, tem sempre dar o penálti. Mais importante, gol legal, mas se não fosse gol, era penálti.

Pedro, último lance, novamente decisão do VAR que anula a expulsão de Max Araújo.

Sim, porque o árbitro, não sei como é que ele viu ali a expulsão, se calhar entendeu que houve ali uma cabeçada, não sei se foi por indicação do assistente. O fato é que as posições são muito claras. Tanto o Max Araújo como o Pavard agarram-se mutuamente e empurram-se. É que nem sequer há aquele gesto que podia dar dúvida de uma cabeçada. Nada. É completamente incorreto e desportivo. Para ambos, o árbitro tinha dado amarelo ao Pavard, e bem, e vermelho ao Max Araújo, e mal, e uma vez mais, o VAR a salvar a situação e o árbitro a reverter a situação, retirou o vermelho e deu-lhe só amarelo.

Estou a prever aqui uma nota menos positiva.

Não, eu vou dar nota cinco, é positivo, porque repara uma coisa. Resumindo isto tudo, as decisões foram todas corretas da equipa de arbitragem com o VAR. Ou seja, o vídeo-árbitro foi decisivo, anulou o penálti que o árbitro deu ao Marselha, expulsou, e bem, o Emerson, validou o gol do Sporting, do Geny Catame, e evitou a expulsão do Max Araújo. Portanto, se fosse uma nota para arbitragem, era zero. Como é uma nota para o conjunto da arbitragem, vou dar o positivo abaixo, porque é tudo para o VAR. Nota cinco, porque realmente os árbitros assistentes estiveram todos mal dentro de terreno, safou este jogo foi o vídeo-árbitro. E termino com isto: se as pessoas tiverem dúvidas, alguma vez mais na vida, qual é a importância do vídeo-árbitro num jogo de futebol, é agarrarem neste jogo e reverem, e depois venham falar. Portanto, nota cinco, sobretudo toda esta nota cinco é dada para o VAR, que safou completamente uma arbitragem que era um autêntico caos se tivéssemos uma arbitragem só com árbitros assistentes.

Nota cinco, dada pelo Pedro Henriques ao trabalho deste árbitro esloveno que esteve no comando do jogo entre o Sporting e o Marselha. É desta forma que fechamos mais uma edição do "Sem Falta". Pedro Henriques, muito obrigado, é sempre um gosto. Fica, como sempre, disponível em podcast.