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Olá, bem-vindos a mais um podcast da JLL Café, desta vez em parceria com "O Observador". O meu nome é Carlos Cardoso, Managing Director da Tetris Portugal, e hoje tenho o enorme prazer de ter comigo o Paulo Gerville, partner da Openbook. Antes de começar, gostava de salientar, como a Mariana disse no último podcast, que a JLL tinha ajudado "O Observador" a encontrar este espaço, mas gostávamos de dizer que tanto a Tetris ajudou "O Observador" a fazer esta obra e a fazer o projeto. E por isso é muito bom estar aqui, por isso gostava de dizer mais uma vez bem-vindo ao Paulo, muito obrigado por ter aceitado este convite e vamos hoje falar um pouco sobre os espaços de trabalho e quais são os escritórios de hoje e de amanhã, e o que é que as empresas procuram para atrair talento. Antes de mais, Paulo, muito obrigado e pedia-te que falasse um pouco sobre o teu percurso e o percurso da Openbook.
Olá, Carlos, e muito obrigado pelo convite. É sempre um gosto estar aqui contigo e com a JLL. Eu sou arquiteto e iniciei o meu percurso numa consultora em Madrid, na área da arquitetura. Depois vim para Portugal dar continuidade a esse projeto e mais tarde fui desafiado pelos meus atuais sócios a criar um novo projeto e a criar uma empresa de arquitetura, a Openbook. E aqui estou eu hoje, em nome da Openbook.
Muito bem, muito obrigado. Devo salientar que eu e o Paulo conhecemo-nos exatamente nesta fase em que o Paulo foi o líder de uma consultora em Portugal, em que eu tive o prazer de trabalhar com ele e por isso hoje-
Há mais de 20 anos.
Há mais de 20 anos que andamos neste mercado. Paulo, a Openbook já trabalha na área de escritórios há muito tempo e ao longo deste ano tivemos muitas oportunidades de fazer projetos juntos. Temos um exemplo como a sede da Galp e a sede da CMS, advogados, e por isso temos assistido a uma grande tendência de procura de espaços colaborativos, coisas que antigamente não víamos e que os escritórios hoje em dia estão realmente a mudar e a vida das pessoas estão a mudar. E por isso gostaríamos que nos dissesses o que é que, na vossa opinião, faz com que o espaço de trabalho seja um fator fundamental e quais são as grandes tendências que vamos ter para as empresas e para os espaços das empresas no futuro.
As empresas hoje em dia têm um grande desafio, que é trazer as pessoas para o escritório. Com este modelo de trabalho remoto, durante e após a pandemia, um dos grandes desafios é claramente as empresas terem condições e oferecerem condições inovadoras, inspiradoras e condições que tragam os colaboradores para o escritório, que lhes permitam ter um conforto onde possam exponencializar todas as suas competências. Claramente, vemos que as empresas procuram cada vez mais espaços híbridos, flexíveis, que permitam conjugar o trabalho remoto com o trabalho presencial. E dessa forma, o foco no bem-estar e no espaço é cada vez mais uma peça importante para as empresas e para os colaboradores dessa empresa. Para além disso, espaços que possam também ter toda a componente de tecnologia associada, para exatamente permitir essa conjugação de um trabalho remoto, portanto, dos colaboradores que estão remotos e dos trabalhadores que estão presenciais. E também, conforme disse há pouco, o foco no bem-estar e na saúde dos colaboradores, seja através do conforto do espaço, de espaços com luz natural, com uma ventilação adequada e depois também, para além da flexibilidade dos espaços, espaços muito vocacionados e virados para a sustentabilidade, que é uma política que as empresas estão cada vez mais conscientes dessa necessidade e da adoção dessas práticas, para obviamente não só melhorar a operação em termos de eficiência energética do edifício, mas também para, de alguma forma, melhorar todo o entorno de trabalho dos colaboradores.
Paulo, uma das coisas que falaste foi a tecnologia e acho que hoje em dia é um fator crucial. Eu gostava de perguntar como é que tens visto a evolução da mesma e com a tua experiência e com os anos de carreira que tens, o que tem ajudado tanto o mundo da arquitetura, mas também o mundo dos escritórios?
Carlos, eu ainda sou da época do estirador, da caneta e da lâmina. Obviamente, depois a transição para o computador, para o AutoCAD. Hoje em dia a tecnologia desempenha um papel muito importante na nossa atividade e nomeadamente na estratégia que definimos para a Openbook, que faz parte também, em termos estratégicos, uma aposta muito forte na tecnologia, não só na componente de design e na ferramenta de desenho. Nós trabalhamos num modelo de desenho tridimensional, que nos permite avaliar as opções de projeto durante o desenvolvimento do projeto e que também nos permite partilhar com o cliente e antecipar A visualização dos espaços com o próprio cliente e facilitar a tomada de decisão. Paralelamente, no que diz respeito à gestão do projeto, somos pioneiros na tecnologia BIM, do Building Integrated Modeling, que permite claramente uma maior eficácia na gestão do projeto, não só na integração de todas as disciplinas do projeto, desde as engenharias à própria arquitetura, e na identificação de conflitos durante a fase de desenvolvimento do projeto. E depois também de termos um modelo que não só nos permite fazer uma melhor gestão das medições e de desperdícios do projeto, como também na operação do edifício, em termos de não só componente operacional, mas também na componente de redução de custos na construção e na operação do edifício.
Nós sabemos, e porque temos trabalhado com vocês, que vocês estão sempre na linha de frente em relação a tecnologias. Uma das questões que eu gostava também de pôr para ela é em relação às tendências do futuro e os escritórios de luxo. Um dos assuntos que se fala pelo mundo afora é o que é que são os escritórios do futuro, mas o que é que são os escritórios de luxo? Qual é a vossa opinião, se em Portugal já existe, e quais são, na vossa opinião, os exemplos internacionais que deveríamos estar atentos e que mais tarde virão a ter uma grande influência no nosso mercado?
É claramente uma tendência, essa procura de escritórios altamente sofisticados, não só em termos de sustentabilidade, mas também em termos de qualidade do espaço e também de toda a componente de amenities que os edifícios oferecem, nomeadamente na conjugação de espaços de lazer, de espaços de hotelaria, de espaços de food and beverage. Toda essa componente tem sido altamente valorizada pelas empresas que procuram novos espaços ou novos edifícios. Claramente, é uma aposta não só internacional, mas hoje em dia também nacional, e é um fator diferenciador, obviamente, para os promotores. Posso te dar alguns exemplos de alguns ícones desse modelo. Recordo agora o edifício The Edge em Amsterdã, que tive a oportunidade de visitar, onde o próprio colaborador pode adequar o espaço à distância através de uma app no telemóvel, em termos de luz, em termos de qualidade do ar, em termos de toda a reserva de amenities que necessita para o seu dia a dia e o próprio edifício é um edifício altamente moderno, contemporâneo, oferece um conjunto de espaços diferenciados onde o colaborador pode usufruir durante a sua jornada. Recentemente, tive a oportunidade também de conhecer o The Edge dentro do enquadramento do novo projeto em Nova York, do Hudson Squares, que também é altamente sofisticado em termos de amenities e do edifício em si, juntando também uma componente cultural, um centro cultural, é extremamente, eu diria, complementar todas essas amenities que o edifício oferece. Localmente, posso dizer também que continuam a ser sempre um ícone projetos como o Vieira de Almeida, que foi um projeto da nossa autoria, um edifício que é a recuperação de um edifício industrial altamente rico em termos da sua arquitetura, a transformação desse edifício num edifício altamente tecnológico, sustentável e flexível na atual sede da VDA. Por exemplo, também o edifício da Deloitte, que foi um desafio altamente rico para nós, no momento em que foi realmente a transformação do que é o paradigma dos escritórios, um espaço altamente flexível, altamente amplo, altamente focado no colaborador. Quer internacionalmente, quer em Portugal, temos inúmeros exemplos do que é que são esses escritórios de luxo ou altamente sofisticados.
Eu gostava de fazer uma pergunta, porque era uma das questões e falaste em dois bons projetos, tanto o Vieira de Almeida como a Deloitte, que são uma referência no nosso mercado como escritórios de qualidade, acima de tudo, e de luxo, podemos chamar de luxo. Mas eu gostava de perguntar, aproveitar que estás aqui conosco, qual foi o grande desafio nessa grande história? E aqui o desafio não é tanto a nível de arquitetura, mas do que é que é fazer um escritório, que eu acho que foi um marco na altura, foi uma grande Havia o escritório antes de Deloitte, antes Vieira de Almeida e a seguir à Deloitte. Existe um escritório, existe uma nova procura e a realidade é que nós vimos a seguir à Vieira de Almeida, todas as grandes sociedades de advogados mudaram de escritório. E por isso gostava de perguntar a vocês qual foi o grande desafio, por exemplo, e começaria pela Vieira de Almeida, num projeto que quem é arquiteto conhece e quem está neste mercado conhece muito bem. Por isso, qual foi para vocês o desafio?
Eu diria, Carlos, que acima de tudo, o grande desafio e o grande motor dessa transformação foi, por um lado, a mudança do paradigma do que é o espaço de trabalho. Estávamos habituados a espaços de trabalho, inclusive nas sociedades de advogados e nas consultoras, de espaços mais compartimentados, mais fechados. Aqui tivemos exatamente um motor e um drive de criar espaços muito mais colaborativos e muito mais flexíveis, muito mais orientados para o trabalho em equipa e não o trabalho individual. São dois projetos que realmente marcaram o mercado dos escritórios em Portugal e a arquitetura dos escritórios em Portugal. Obviamente também por orientação em termos de materiais, em termos de mobiliário, em termos do próprio programa do espaço, de criar zonas de encontro, zonas relacionadas com a parte de food and beverage, lounges de encontro, com também a componente toda inspiradora e colaborativa e ao mesmo tempo também de dar ao colaborador todas as condições em termos de espaço para desenvolverem as suas tarefas ao longo do dia. O aparecimento das phone booths, o aparecimento das salas de reuniões multidisciplinares, as chamadas team rooms, ou seja, uma componente de programa e ao mesmo tempo uma componente de orientação arquitetônica do espaço. No caso da Vieira de Almeida, teve um desafio adicional que foi realmente a transformação de um espaço industrial completamente obsoleto, num ícone do que é a reabilitação de um edifício na zona ribeirinha e transformar esse espaço num lugar extremamente agradável, sofisticado, quer para o colaborador, quer para receber clientes, quer para ser uma amostra do que uma boa reabilitação de um edifício pode trazer de mais-valia para uma sede como a Vieira de Almeida.
Eu já tive o prazer de visitar as duas e dou-vos os parabéns. Acho que tem aqui um ponto também muito importante que é a própria empresa e a mudança de mentalidade destas sociedades, e acredito que isso terá sido um dos grandes desafios ou inspiração. E aí era uma das perguntas, a próxima pergunta que te fazia era: ao longo da tua carreira, qual tem sido ou quem tem sido parte da vossa expressão ao nível da arquitetura e ao nível de, eu não diria mentores, mas referências que tens no mercado da arquitetura e no mercado da arquitetura de escritórios? E algo que te ajudou a fazer este percurso na Openbook e a chegarem onde estão hoje?
Eu particularmente tenho uma escola suíça de arquitetura, portanto uma orientação muito pragmática, muito focada no programa do projeto, linhas muito sóbrias e muito orientada para o detalhe. E essa inspiração, também tive a sorte ao longo dessa escola na Suíça de ter mentores como o Herzog & de Meuron, que continuam a ser uma referência para mim enquanto arquiteto. E para além disso, um foco muito no cliente, conforme disse, uma orientação de uma arquitetura empresarial. E diria também que todos os clientes da Openbook são motores de inspiração, quer para mim pessoalmente, quer para a Openbook. A diversidade, componente multicultural, toda a componente internacional com que trabalhamos são altamente inspiradores e motivam-nos a cada vez fazer mais e melhor e sermos cada vez mais criativos e inovadores.
Paulo, para terminar, eu gostava de perguntar qual era o escritório ideal para ti e se não tivesse limites, se não houvesse um budget, qual seria o espaço ideal para ti?
Eu acho que o escritório ideal para mim seria uma conjugação de todos os projetos que temos vindo a fazer ao longo destes anos e que assentam em alguns princípios que eu diria que seriam os ideais, nomeadamente alguns temas que já falamos nesta conversa. Um escritório que pudesse conjugar elementos clássicos com elementos mais sofisticados, espaços altamente focados na colaboração, um espaço que tenha lounges, espaços exteriores, vegetação, funcionalidade aliada à flexibilidade, espaços de encontro e obviamente também a conjugação de materiais mais vibrantes, mais clássicos. Essencialmente, acho que é por aí.
Paulo, muito obrigado por esta entrevista. É o fim do podcast JLL Café e muito obrigado.
Obrigado eu. Um abraço, Carlos.
Um abraço.