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Olá a todos, bem-vindos a mais um podcast JLL Café, desta vez em parceria com o Observador. Eu sou a Marta Lourenço, responsável pelo departamento de avaliações da JLL Portugal, e tenho o prazer de estar aqui com uma grande senhora do mercado imobiliário, a Filipa Arantes Pedroso. Olá, Filipa. Boa tarde.

Olá, Marta.

É um prazer tê-la aqui conosco.

Igualmente, um prazer pra mim também.

A Filipa, vou apresentá-la só um bocadinho. A Filipa Arantes Pedroso é a presidente da WIRE em Portugal e é sócia da JLL Legal também. Filipa, olá.

Olá, Marta.

Quem é a Filipa Arantes Pedroso e como é que surgiu a WIRE na sua vida?

Bom, eu sou advogada, como já disse. Estive muitos anos na Morais Leitão, uma grande sociedade portuguesa que eu acho que todos conhecem. E há um ano e meio, fui desafiada para um projeto mais pequeno, que é a JLL Legal. A JLL Legal tem sócios que vieram também de grandes sociedades, um veio da Oria, outro da Quatro & Casas, outro da Pricewaterhouse. E, portanto, havia ali uma lacuna na área de real estate e é diferente. É uma vida diferente, e gosto muito de estar na JLL Legal e acho que foi uma belíssima decisão, sem prejuízo de ter sido uma grande escola que eu tive na Morais Leitão, nomeadamente pelo João Morais Leitão, que foi o meu patrono. Quanto à WIRE. Estas Women in Real Estate, que é o que quer dizer WIRE, existem em todos os países europeus e ocidentais. Todos eles têm uma associação deste tipo. O Hugo Santos Ferreira, da APPII, cerca de talvez dois anos atrás, disse-me: "Tenho um grande desafio pra si." Eu disse: "Não, mas diga lá qual é o desafio." Em Portugal não existe o Women in Real Estate, por exemplo, em Espanha é uma associação fortíssima, com uma grande presença no mercado, muito considerada, e gostava de desafiá-la para criar esta associação. E eu disse: "Bem, deixe-me pensar". Eu ainda estava nessa altura na Morais Leitão, mas acho que nós devíamos ter tempo pra tudo e principalmente pra uma coisa que gostamos e que achamos que é importante pras mulheres.

Claro.

Eu já estou mais velha, mas há muitas mulheres mais novas que estão no início da carreira e que eu gosto sempre de ajudar. Treinei muitas mulheres na área da advocacia. Isto é uma coisa diferente e que me aliciou bastante. E, portanto, disse que sim. As primeiras pessoas com quem eu falei foi com a WIRES, portanto, Women in Real Estate Spain, elas têm o mesmo fim. E de fato falei com elas, perguntei como é que, porque eu penso que este ano elas fazem seis ou sete anos.

Já conhecia então a realidade da WIRE internacional.

Não há uma WIRE, não há uma espécie de confederação. Não há uma WIRE internacional. Há estas associações em cada um dos países.

Ok.

Elas têm contactos entre elas e estas mulheres têm contactos entre elas. Ainda agora estive no BIPIM e estive com várias WIRES de Espanha, associadas da WIRE espanhola, e também estavam umas associadas da, agora não lhe vou dizer em alemão, porque não sei, mas o Women in Real Estate alemã.

Claro.

Portanto, que interessante, que já contactámos, já fizemos contactos, gostavam muito de vir cá e de se aproximarem. Há uma relação que é muito fácil de fazer entre as mulheres.

Claro.

De cada uma das WIRES nos seus respectivos países. Ainda não existe, de fato, aqui um chapéu. Todas estas WIRES são independentes. Pode ser que um dia se crie uma coisa qualquer, como a WIRE Ibérica, mas neste momento não vejo isso como que faça sentido e necessário, porque a WIRE trabalha nos seus próprios países.

Certo.

E com as mulheres ligadas ao imobiliário e à construção nesta área, que estão em portuguesas, podem ser estrangeiras, óbvio, não implica ser portuguesa, mas pelo menos trabalham em Portugal. Que estão em Portugal e que estão a trabalhar em Portugal nas respectivas áreas. E portanto, foi assim que começou.

Estava a dizer que tinha falado com as colegas de Espanha.

Sim, falei com as colegas de Espanha.

E depois?

Depois perguntei-lhes como é que era, como é que elas tinham começado, o que elas achavam, o que elas não achavam, quais tinham sido as dificuldades que tinham encontrado. Enfim, tudo isto, como é que aquilo tinha começado a andar pra frente. Bom, elas foram muito simpáticas, sempre muito abertas. Deram-nos uma ajuda enorme, muito grande. E disseram, de fato: "Olha, isso dá muito trabalho". E têm toda a razão. Todas nós trabalhamos, tudo isto é um pro bono, nós não fazemos isto, nenhuma de nós é remunerada, nem as diretoras, nem associadas, seja do que for, não somos remuneradas. E fazemos isto para além do nosso trabalho, porque todas nós trabalhamos e todas nós, aliás, trabalhamos muito.

E trabalham muito, trabalhamos muito, sem dúvida.

Trabalhamos todas muito. Eu acho que depois de falar com elas, fiquei convencida que era muito necessário ter uma WIRE em Portugal. Era bastante necessário, que era importante e que devia avançar. Falei depois com várias mulheres desta área de imobiliário, fui falando com várias E juntei, logo no princípio, 19 mulheres que disseram assim: "Vamos embora, vamos pra frente, vamos fazer isto, vamos constituir esta associação". Ficamos todas bastante entusiasmadas. E depois fazer esta parte legal, de criar o nome, de fazer isto tudo por aí afora, fomos criando isso e fizemos em 24 de fevereiro de 2022, constituímos a Wire. É uma associação recente, 2021, desculpe. É uma associação recente, mas depois deste trabalho todo, este primeiro ano foi muito trabalho, da criação do site, da abertura de bancos, enfim, todas as formalidades que a constituição de uma associação implica, porque não é fazer uma associação e ir daqui pra frente.

Claro, como é óbvio.

Quanto é que íamos pedir, como é que íamos sobreviver? Temos que ter um contabilista, temos que ter alguém que nos ajude nestas áreas todas. Tivemos, de facto, uma enorme ajuda, não só da APPIi, como da Vida Imobiliária. O António Gil Machado também tem sido um grande patrocinador da Wire, tem nos ajudado imensíssimo, aliás, criou o site, e temos hoje em dia um protocolo com a Vida Imobiliária. E foi assim que começou. Fizemos o primeiro evento em julho, depois este ano estamos a pensar fazer outro evento ou mais dois ou três, e achamos que é importante. Vamos lá ver, a Wire não é uma associação feminista. Nós não queremos nem cotas, nem que as mulheres sejam promovidas sem mérito.

Com certeza.

Nada disso. Nada disso é o nosso objetivo. Nem queremos criar uma associação de mulheres para falarmos umas com as outras. Quer dizer, com certeza que há um networking fundamental, e que é importantíssimo na Wire, fundamental. Mas o que nós queremos é fazer eventos com interesse pro público em geral. Isto é homens e mulheres, não só mulheres.

Isso cola com a minha segunda pergunta.

Diga.

Filipa, só pra dizer que ainda bem que o Hugo Santos Ferreira a convidou para começar a organizar, porque eu acho extraordinário aquilo que nós estamos a fazer. E pra que percebam melhor, qual é o grande propósito e objetivos da Wire? Já começou a responder um bocadinho. O que nós estamos aqui a fazer e o que queremos fazer no panorama do mercado imobiliário português?

Como sabe, penso que sabe e que saberão, as mulheres são uma minoria. E nesta área de imobiliário, e então na construção, muito mais. Cargos, direção e C-level, somos 27% no mercado português. Eu acho que isto se traduz em todos os países. Quando eu falo com mulheres de outros países, com profissionais de outros países, até nos Estados Unidos. Nós queremos o quê? Nós queremos dar mais visibilidade às mulheres. Nós queremos representar as mulheres. Nós queremos que a associação seja uma voz, que seja ouvida. E isto não é de um dia pro outro. Há que acreditar que a Wire pode ser, de facto, representativa deste setor na área do feminino.

Claro.

Mas obviamente que o que nós pretendemos é chegar a um evento e ver mulheres nos painéis. Você chega a estes eventos, por acaso, ainda há pouco uma associada mandou uma fotografia a dizer assim: "Estou aqui num painel com três mulheres e dois homens". Extraordinário. Mas você vê, isto é a exceção. Isto é mesmo a exceção. E nós gostávamos que isto mudasse. E há mulheres tão competentes ou mais que homens. Em igualdade de circunstâncias, não se percebe por que se escolhe um homem. E muitas vezes isto acontece. Nós, na nossa vida, tivemos sim algumas discriminações pelo nosso caminho, cada vez menos. Cada vez menos, e cada vez menos haverá, não é? Porque há aqui uma tendência, uma mudança radical na maneira das pessoas pensarem. A diversidade começa a ser uma coisa muito importante.

Sem dúvida.

Já ouvimos falar disso se calhar há 20 anos nos Estados Unidos, mas em Portugal há pouco.

Ainda há pouco. Sim, já lá vamos. Há pouco estava a falar um bocadinho da organização e que demorou algum tempo em montar a estrutura. Eu sei que a Wire tem vários pilares de intervenção e há pessoas responsáveis por cada um desses pilares. Como é que vocês se organizam pra fazer com que tudo aconteça no dia a dia da Wire?

Pronto. Nós começamos por cinco diretoras. Depois temos três na assembleia geral, uma presidente e duas vice-presidentes. E depois temos três pessoas que estão no conselho fiscal. Começamos nós, com o apoio da Vida Imobiliária e da APPIi, mas não tínhamos ninguém que nos apoiasse e que fizesse. Isto tudo implica um trabalho enorme. As associadas querem entrar, o site, fornecer conteúdos ao site, não interessa pra nada ter um site se o site não tem conteúdos. Queremos que as Wire, cada uma nas suas respectivas áreas, falam em imensos eventos, fazem imensas entrevistas, fazem imensos artigos, fazem podcasts, e o que nós queremos é que esses podcasts, dentro das respectivas áreas de imobiliário, estejam também no site da Wire pra promover estas mulheres. É isto que é o objetivo da Wire. Hoje em dia somos sete, passamos a ser sete diretoras, cada uma com o seu poloro.

Que poloros são esses, Filipa?

Temos uma diretora que tem os patrocínios, que é importantíssimo. Nós estamos neste momento a lançar e a tratar desses patrocínios e estou muito satisfeita, porque já temos três ou quatro a dizerem que sim, e lançamos isto agora. E estou convencida que teremos mais a curto prazo. Temos outra associada que é responsável pelas associadas, as relações com as associadas, as novas associadas que querem entrar, que fazem perguntas, dizem: "Por quê a Wire? O que eu ganho com isso?" Ou "O que a Wire me traz?" Enfim, este tipo de perguntas, que é uma delas. Outras têm a comunicação, importantíssimo, e aliás, são duas na comunicação Porque a comunicação é uma parte importantíssima da WIRE e para sermos conhecidas no mercado. Felizmente, cada vez somos mais conhecidas. Porque um ano atrás eu falava na WIRE e perguntavam-me o que é a WIRE.

Claro.

"Women in Real Estate, mas por que querem uma associação de Women in Real Estate?" E teríamos que explicar por que, por que não, e qual é o nosso objetivo. E depois outra área importantíssima que é a formação e mentoring.

Sem dúvida.

Hoje em dia já estamos a fazer acordos com universidades para cursos de pós-graduação, que são importantes para as associadas, e muitas delas têm interesse em fazê-los, portanto já têm preços especiais, têm entradas especiais, tudo isso lhes permite. Vamos criar com as empresas de que fazemos parte, as associadas mais novas e já vindas da universidade, terem os estágios conosco. O que é importante para elas, para perceberem se querem esta área de imobiliário ou se não querem. Nós abrangemos todas as áreas.

Como é óbvio.

E é importante.

Portanto, há efetivamente benefícios, para além do networking e das experiências que trocamos entre nós, para pertencer a uma organização como a WIRE.

Sem dúvida. Depois, tanto a APPi como a Vida Imobiliária também nos dão condições especiais de acesso aos eventos, o que é extremamente importante.

Sem dúvida.

E tudo isso são benefícios. Quem é associada vem ter nesta associação, e é importante, porque temos que dar alguma coisa.

Como é óbvio.

Temos que dar alguma coisa e trabalhar para isso.

E à data de hoje, Filipa, quantas são associadas WIRE?

45. E a crescer.

E a crescer todos os dias.

A crescer todos os dias. Ainda hoje vi que estão mais três a querer entrar.

Muito bem.

Nós somos seletivas.

É isso, eu ia perguntar-lhe. Dessas 45, que setores de empresas estão mais representados dentro do imobiliário e os critérios para serem associados.

Certo. Eu acho que a primeira coisa é o critério.

Claro.

Nós queremos um nível, à semelhança das outras associações. Nós queremos ter um nível de associadas em cargos de direção ou C-level. Portanto, só podem ser associadas da WIRE as mulheres que nas suas respetivas empresas, áreas onde estiverem, têm cargos de direção ou são C-level. Porque senão teríamos um menor número, principalmente agora com este boom que houve, vamos ver se continua, do imobiliário. Com este boom que houve, há muitas que fazem uma empresazinha, vendem uma casa, fazem isto, fazem aquilo. Não é bem o nosso objetivo. O nosso objetivo é criar, de facto, uma associação com um determinado nível, com profissionais excelentes, que a maioria é impressionante, nós temos, de facto, profissionais excelentes em todas as áreas. E este é o primeiro critério de entrada na WIRE. Fizemos aqui um apanhado do que é que nós temos. E temos, dentro dos cargos, 41% diretoras, responsáveis de departamento. Depois temos 32% que são managing partners ou fundadoras, funds, porque nós também temos funds, temos capital de risco, temos tudo. Abrangemos todas estas áreas ligadas ao imobiliário. Temos 12% CEOs, que normalmente acham sempre que o CEO é um homem, mas há mulheres.

Há mulheres, sem dúvida.

E 15% os outros. Dentro disto, nos setores, o que é que nós temos? Temos investidores, asset management, developers, promotores. Isto aqui são 37%, a maioria.

Certo.

Depois temos 29% consultores e profissionais imobiliários, na área da JLL, por exemplo.

Sim.

Temos 10% na banca em seguros e temos 7% de advogados. Aqui nos profissionais imobiliários, o que é que nós também queremos? Queremos gabinetes de arquitetos, queremos gabinetes de engenharia, queremos também pessoas que estão na área da construção.

Claro.

Isso diferencia-nos também um bocadinho da APPi. A APPi está ligada aos promotores imobiliários, não está ligada à construção. E nós queremos também abranger esse setor. Esse setor é muito masculino.

Claro. É verdade, sem dúvida. O imobiliário já é um bocadinho. A construção, eu arrisco dizer que não tem quase mulheres.

Deve ser 95%.

Exato.

Deve ser por aí, nos cargos de direção. E até no resto.

Sim.

É verdade, não há dúvida nenhuma.

Na construção, sim.

E nós queremos também abranger essa área e promover as mulheres nessa área, porque há engenheiras extraordinárias, como há homens.

Como é óbvio.

Não faz sentido nenhum ser um mercado só de homens. E essa também é uma área onde estamos a trabalhar.

Mas já temos aqui uma representação muito alargada.

Já.

Sem dúvida. Filipa, e vivemos num mundo onde se fala muito de sustentabilidade e inclusão. Aliás, dentro da JLL, estes dois pilares estão sempre centrais na nossa estratégia. Como é que a WIRE pode promover a sustentabilidade, por um lado, e a inclusão? Também faz parte do seu ADN, certo?

Com certeza, faz parte. Não se pode viver no mundo hoje sem a ESG, faz parte o ambiente social e o e-governance. Portanto, é óbvio que isto faz parte das nossas vidas. Qualquer uma de nós que trabalha na área do imobiliário sabe que isso hoje em dia está na frente, no bimbi, e isso foi muito claro.

Foi claro.

Foi muito claro. Está-se a dar uma grande importância à construção também, que tem uma pegada de carbono muito grande.

Claro, sem dúvida.

E nós temos que alterar tudo isso. Neste momento, todas nós dentro das nossas áreas e dentro das nossas profissões, temos essa preocupação. Queremos, mas nunca se sabe, talvez um dia seja qualquer coisa, mas dentro dos nossos eventos públicos, é uma área da qual queremos falar, da qual queremos ter até pessoas, a JLL.

Claro!

Quem tem essa formação e que sabe, pode dar formação a outras associadas e também falar publicamente em eventos que sejam para homens e mulheres. Mas é bom e talvez seja interessante, porque nós também temos eventos só para mulheres. Almoços entre mulheres, networking, pedir a pessoas para virem falar com as associadas da WIRE. Isso pode ser um tema interessante, pedir a alguém que venha de fora e que fale sobre isso numa destas conferências da WIRE, porque nós estamos a preparar também eventos dentro da WIRE, internos.

Claro.

Esses eventos internos que vamos ter regularmente e que queremos ter regularmente, até para nós nos conhecermos melhor umas às outras, sabermos as áreas em que estamos e o que é que nos podemos ajudar.

Muito bem.

Acho que isso é fundamental e essa área é inultrapassável.

Sem dúvida, está completamente na agenda, assim como a inclusão, não é? Aliás, a própria WIRE.

A própria WIRE é isso mesmo.

É isso mesmo.

Faz parte.

Claro. Portanto, está presente em vários países. Quantos exatamente?

Isso não lhe sei dizer. Eu já conheci de vários países, de Inglaterra, da Alemanha, dos Estados Unidos, da Finlândia, Suécia, mas pouco a nossa ideia é ter contactos com estas WIRES todas. Por exemplo, a da Alemanha, a primeira coisa que me disse: "Gostaríamos imenso de conhecer, de termos um encontro, nem que seja por Teams." E eu disse: "Com certeza."

Portanto, nunca houve um encontro internacional, digamos assim, a juntar as várias WIRES?

Não.

Que eu saiba, pelo menos, ou nunca houve mesmo?

Não. Juntar as WIRES todas, não. Isso não houve, de certeza. Há vários eventos relacionados com mulheres, de vários setores, fazem-se imensos. Enfim, falar sobre esta situação, mas de WIRE, Women in Real Estate, propriamente de específico para o real estate, não. E para as WIRE. Porque muitas vezes os nomes não são só WIRE.

Claro, é verdade.

Mas são relacionados com o imobiliário.

Portanto, hoje em dia há pouca interação ainda entre as WIRES que estão espalhadas pelos vários cantos do mundo e a nossa aqui em Portugal, certo? É um ponto a melhorar, então.

É com certeza um ponto a melhorar. A WIRE que nós temos maior relação e uma grande relação é com as espanholas.

Claro.

Com essas temos. Estamos muito perto, é o país vizinho. De facto, elas fizeram um trabalho extraordinário.

Em que sentido extraordinário?

Em Espanha, não há nada que se passe no setor imobiliário, em termos de implementação de qualquer legislação, seja do que for, que não oiçam a associação da WIRES.

Extraordinário, de facto.

Quer no Parlamento, quer nas autarquias. Eles têm um regime político diferente do nosso, têm aquelas autonomias regionais.

Claro.

Mas são ouvidas, elas são de facto ouvidas e têm uma importância grande. Mantêm as suas áreas profissionais, mas isto é importante e para nós seria importantíssimo sermos ouvidas. Por exemplo, nisto, mais habitação.

Sim, como é óbvio.

Cada uma de nós falou, cada uma de nós escreveu. Mas como associação e sermos ouvidas e chamarem-nos para darmos a nossa opinião como associação de mulheres no imobiliário, porque as mulheres têm uma visão um bocadinho diferente dos homens.

Ah, sim.

Isso é que é o interesse desta diversidade que estamos a falar.

Claro.

Porque nós temos uma visão, de facto, diferente, temos uma sensibilidade diferente, as nossas carreiras são diferentes por variadíssimas razões.

Claro, sem dúvida.

Porque se calar, temos as nossas casas, temos os nossos filhos, temos os maridos. Portanto, tudo isto muda um bocadinho.

Só o facto de sermos mães já é diferente de um homem. É diferente.

Ser mãe e ser pai é diferente, embora hoje em dia cada vez eles estejam mais viris.

Como é óbvio, mas logo à partida é um bocadinho diferente. Muito bem, e o futuro? Estávamos já aqui a falar, podemos ambicionar isso, por exemplo, da WIRES de Espanha, podemos ambicionar que a WIRE em Portugal tenha essa força como associação? É esse o nosso futuro?

Esse é o nosso futuro, de certeza. É isso mesmo que nós queremos e vamos chegar. Eu não tenho uma dúvida que vamos chegar. Nós temos mulheres extraordinárias, que fazem parte da WIRE, extraordinárias. Temos mulheres.

É verdade.

A Marta sabe isso. Mas muita gente não sabe. E portanto, temos todas as condições para chegarmos ao mesmo ponto em que chegou a WIRE Espanha. Estamos neste momento a divulgar a WIRE, estamos neste momento a tentar e a fazer com que a WIRE seja mais conhecida. Isto prova-se também pela quantidade de pessoas que estão a querer aderir.

Sem dúvida, todos os dias me fazem perguntas da WIRE e como é que eu posso entrar. É verdade. Estávamos a falar isso há pouco.

Isso é extraordinário. Tenho a certeza que vai ser um sucesso esta associação.

Também eu.

E agradeço a Hugo ter-me feito este desafio.

Também eu. Também agradeço, e agradeço imenso ter aceitado aqui conosco. Acho que foi extraordinário ouvi-la e muito obrigada pelo seu contributo para a WIRE, para o mercado imobiliário português. Uma grande senhora. Obrigada.

Eu é que lhe agradeço, Marta. Uma grande senhora também.

Obrigada.

Obrigada.

Terminamos assim o nosso podcast, JLL Café, com o Observador. Fiquem atentos aos próximos. Obrigada.