Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este podcast tem o apoio CUF. Nos Centros de Saúde CUF, encontra cuidados de proximidade com a qualidade e segurança de sempre, mesmo à sua porta. Quem tem CUF à porta, tem tudo. Centros de Saúde CUF, SA. NPC 509925332.

Acordar, virar-se na cama e sentir que o quarto está a girar é uma sensação muito intensa, muitas vezes assustadora. Falo a quem já sentiu isto e há quem diga logo: "Devem ser os cristais no ouvido". Doutora Vanessa Mendes, bom dia. Obrigada por este episódio dedicado a mim. Estou a brincar. Não desmaiem todos, sou eu. Bom dia, bem-vinda. O que são estes cristais, doutora, e por que podem provocar uma vertigem tão forte?

Aquilo a que habitualmente chamamos de cristais no ouvido corresponde, na maioria dos casos, a uma doença chamada vertigem posicional paroxística benigna, que é normalmente chamada de VPPB, em sigla. E é a causa mais frequente de vertigem. No interior do nosso ouvido interno, existem pequenas partículas de carbonato de cálcio, que chamamos otólitos, e que ajudam o nosso cérebro a manter o equilíbrio. Quando estes otólitos se deslocam para um dos canais semicirculares, que também estão dentro do ouvido, enviam informações incorretas ao nosso cérebro sobre a posição da nossa cabeça. E o resultado é uma sensação intensa de que tudo está a girar, apesar de estarmos paradinhos.

E como é que uma pessoa percebe que pode estar perante este problema, que pode ser isto que está a acontecer?

Sim, o sintoma típico é efetivamente a vertigem, que é desencadeada por alterações na posição da cabeça. Por exemplo, ao virar-se na cama, levantar-se, deitar-se ou até olhar para cima, pode desencadear esta vertigem. A crise normalmente é intensa, mas geralmente dura menos de um minuto. E pode, e aqui está muito frequentemente associada a náuseas e vômitos.

Confirmo tudo.

Regra geral, não provoca perda auditiva, não provoca acufenes, que são os chamados zumbidos, nem dor no ouvido, e estes factos ajudam-nos a distingui-la de outras doenças do ouvido interno.

Mas, doutora, uma vertigem pode assustar muito. Quando é que devemos pensar que pode ser algo mais grave?

Sempre que a vertigem seja acompanhada por défices neurológicos, por exemplo, diminuição da força de um membro, alterações da fala, a visão que fica dupla, dificuldade na coordenação dos movimentos ou até alterações do estado de consciência, ou até, por exemplo, uma cefaleia muito intensa e súbita, pode ser um sinal de alarme e nestes casos devemos procurar assistência médica de forma urgente para excluir, por exemplo, um acidente vascular cerebral.

Claro. Doutora, eu sei a resposta, mas diga-me como é que é feito o diagnóstico e se há tratamento.

O diagnóstico é essencialmente clínico, é importantíssimo ser avaliado por um médico, vai realizar manobras específicas, e aqui vou dizer um palavrão, mas a manobra é a manobra de Dix-Hallpike, que permitem confirmar o diagnóstico através da observação de um movimento que os nossos olhos fazem, que é de forma involuntária, que é o chamado nistagmo. A boa notícia é que na maioria dos casos o tratamento passa também por manobras de reposicionamento destes otólitos a nível canalicular, nos canais.

Aquilo a que nós chamamos os cristais, não é?

Isso, ou seja, os cristaizinhos devem ficar outra vez reposicionados no seu sítio e aqui fazemos a manobra de Epley, que basicamente vai recolocar na sua posição correta. Muitas vezes, uma única sessão desta manobra é suficiente.

É como se fosse um milagre. E depois de resolvido o problema, estes cristais, este deslocamento dos cristais podem voltar?

Podem. E cerca de metade dos doentes voltam a ter um episódio ao longo da vida, mas eu já não sei se é o caso.

Confirmo.

Mas aqui a boa notícia é que quando os sintomas são reconhecidos precocemente, o diagnóstico passa a ser bastante rápido e o tratamento também volta a ser, na maioria das vezes, muito eficaz.

Portanto, apesar de muito assustadora, esta é uma situação que tem tratamento.

Tem, confirmo que esta vertigem posicional paroxística benigna pode causar uma sensação muito intensa, mas felizmente tem um excelente prognóstico. O mais importante é fazer o diagnóstico correto, porque nem todas as vertigens têm a mesma origem. Algumas resultam de uma alteração benigna do ouvido interno e resolvem-se facilmente, que é o caso. Outras podem ser o primeiro sinal de uma doença neurológica e exigem uma avaliação urgente. É por isso que uma vertigem nunca deve ser ignorada, mas também não deve ser motivo para entrar em pânico. O importante é perceber a causa, porque um diagnóstico correto é o primeiro passo para recuperar o equilíbrio.

Bem dito. Foi mais um "Tratar da Saúde" com a doutora Vanessa Mendes. Obrigada, doutora. Até amanhã.

Obrigada. Até amanhã.