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Este mês assinala-se o Dia Mundial da Alergia e quase todos conhecemos alguém que espirra sem parar na primavera, que não pode comer determinados alimentos ou quem tenha reações graves a uma simples picada de inseto. Mas afinal, por que o organismo reage a substâncias que para a maioria das pessoas são completamente inofensivas? Doutora Vanessa Mendes, bom dia.

Bom dia.

O que é realmente uma alergia?

Uma alergia é uma resposta exagerada do nosso sistema imunitário. O organismo identifica uma substância que normalmente é inofensiva, como pólen, os ácaros ou até determinados alimentos, ou até medicamentos, como se fosse uma ameaça. Como consequência, vai libertando substâncias como a histamina, que são responsáveis pelos sintomas. Ou seja, o problema não está no alergénio em si, mas na forma como o nosso sistema imunitário vai reagir.

E quais são as alergias mais comuns?

As mais frequentes são: rinite alérgica, como referiu logo no início, os espirros, o nariz entupido, aquele prurido no nariz ou até nos olhos.

Aquela comichão, não é?

Sim, isso mesmo. A asma alérgica também é muito frequente, o eczema ou dermatite atópica, depois as alergias alimentares e também as reações a medicamentos ou até picadas de insetos. Importa distinguir alergia de intolerância alimentar.

São coisas diferentes.

E uma intolerância alimentar não envolve o sistema imunitário, por isso tem um mecanismo diferente.

Mas se calhar é importante percebermos quando é que uma alergia deixa de ser apenas incômoda e passa a ser uma emergência.

Sim, uma reação que pode ser uma emergência é uma reação alérgica grave, a que chamamos de anafilaxia. Que tipo de sintomas é que podem surgir? Dificuldade em respirar, um edema da língua ou até da garganta.

Um inchaço.

Isso mesmo. Obrigada por descodificar às vezes. Pode também acontecer, por exemplo, uma queda abrupta da tensão arterial ou até mesmo, em casos mais graves, de perda de consciência. Nestas situações, deve contactar-se de imediato o 112, porque há uma situação emergente. E nas pessoas que já tiveram uma reação grave, pode estar até indicada a caneta de adrenalina, que pode verdadeiramente salvar uma vida nestas circunstâncias.

E quem tem alergias consegue fazer alguma coisa para prevenir?

Sim. O primeiro passo é identificar o alergénio, aquilo que desencadeia a reação e sempre que possível, evitar a sua exposição. Relativamente ao tratamento farmacológico, temos os anti-histamínicos ou os sprays nasais, que são os mais comummente utilizados e que são muito frequentes na nossa prática clínica e que aliviam temporariamente o desconforto que o paciente sente. Depois temos também a imunoterapia com alergénios, que é amplamente conhecida como a vacina da alergia, que é assim que se denomina, que é o melhor que se conhece na gíria. E que constitui o único tratamento que é atualmente capaz de modificar o curso natural das doenças alérgicas, porque vão atuar diretamente na causa e não apenas nos sintomas e que faz uma espécie de reprogramação do nosso sistema imunitário.

Mas a verdade é que muitas pessoas acabam por desvalorizar estes sintomas e é habitual andarem sempre com o lenço atrás para assoar o nariz.

Muito frequente, principalmente quem tem rinite alérgica, acaba sempre a andar com o lencinho. E há quem viva anos com nariz entupido, espirros ou até os olhos irritados e pense que é normal.

Faz parte desta altura do ano, é o que ouvimos.

Mas uma alergia mal controlada pode afetar o nosso sono, a concentração, nas crianças o rendimento escolar, nos adultos até a parte profissional também fica afetada e com isto tudo a nossa qualidade de vida. Portanto, além disso, controlar bem uma rinite alérgica pode contribuir para um melhor controle da asma, por exemplo, quando ambas coexistem.

Portanto, viver constantemente com sintomas alérgicos não deve ser encarado como inevitável.

Não, nem de todo.

Como é o tal faz parte que já aqui falámos noutras ocasiões.

Não. As alergias são doenças crônicas, mas hoje dispomos de tratamentos que são muito eficazes e o mais importante é reconhecer os sintomas, identificar a causa e procurar orientação médica, porque respirar melhor, dormir melhor e viver sem sintomas é, na maioria dos casos, um objetivo que é fácil e possível alcançar.

É mesmo. Foi mais um Tratado da Saúde com a doutora Vanessa Mendes. Se quiser enviar-nos as suas sugestões ou dúvidas: tratadadasaude@observador.pt. Também pode enviar a sua mensagem de áudio por WhatsApp para 910024185. Doutora Vanessa, até amanhã.

Até amanhã. Obrigada.