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Hoje trazemos um tema que pode parecer apenas incômodo, mas que para muitas pessoas interfere profundamente com o dia a dia. Mãos sempre molhadas, pés que transpiram demasiado e situações em que o suor aparece mesmo quando não está calor ou quando ninguém está particularmente nervoso. Dra. Mariana Sobral, bom dia. Isto tem com certeza um nome.

Sim, tem um nome. É hiperidrose. É uma condição médica em que a pessoa transpira mais do que seria necessário para regular a temperatura do corpo. Não é simplesmente suar um pouco mais. Pode dificultar apertar a mão a alguém, escrever, segurar o telemóvel e naturalmente, quando envolve mãos e pés, pode ser particularmente constrangedor.

Mas o suor não aparece precisamente quando estamos ansiosos ou sob pressão? Como é que distinguimos o nervosismo de uma doença?

O nervosismo pode, de fato, desencadear ou agravar a transpiração. A diferença é que nesta condição, o suor é desproporcionado e pode aparecer sem calor, exercício ou ansiedade. A forma mais comum é quando o suor atinge mãos, pés, axilas, de uma forma relativamente simétrica e sem estar associado a nenhum tipo de contexto de ansiedade.

Portanto, uma pessoa pode estar sentada, tranquila, num ambiente fresco, por exemplo, e ainda assim ter as mãos a pingar?

Exatamente. E é importante as pessoas perceberem que não é timidez, ansiedade ou falta de controle. É quando o sistema nervoso, que regula as glândulas do suor, começa a enviar sinais excessivos. Ou seja, a pessoa não está a imaginar o problema, nem é necessariamente mais ansiosa do que os outros.

Existem situações em que o suor excessivo pode ser sinal de um outro problema?

Sim, naturalmente. É sempre importante também recorrer à atenção médica quando o suor aparece subitamente, quando é noturno, quando está associado à perda de peso. Nestes casos, temos mesmo que consultar para tentar perceber a origem.

E quem tem este problema deve começar por quê? Por fazer análises?

É mais pela história clínica e pelo exame médico. Perceber desde quando existe, que zonas é que estão envolvidas, se acontece dos dois lados. Dependendo da história, o médico pode pedir exames para excluir causas secundárias e cada investigação tem de ser individualizada.

Mas há tratamento ou é uma situação que a pessoa tem simplesmente que aprender a viver?

Não. Há muitas opções, mas o tratamento é sempre, mais uma vez, individualizado. Pode começar por usar uma roupa adequada, antitranspirante, entre outras medidas gerais. Mas hoje em dia já usamos também a toxina botulínica ou a cirurgia. O importante é realmente uma avaliação médica prévia.

Mas a cirurgia é uma solução para os casos mais graves?

Sim, pode ser ponderada em determinadas situações quando as outras opções já falharam. Naturalmente que às vezes há sudorese de compensação, ou seja, fazemos a cirurgia e voltamos a transpirar noutra zona. Por isso, tem que haver sempre uma conversa entre a pessoa e a equipa médica para perceber riscos e potenciais benefícios.

Mas para quem me está a ouvir neste momento e suspeita que pode ter hiperidrose, quais são os conselhos mais importantes, Dra. Mariana?

Em primeiro lugar, o mais importante é não desvalorizar. Se interfere com a sua qualidade de vida, tem que ir procurar ajuda médica. Observar o padrão antes de ir à consulta, perceber se é bilateral, se desaparece durante o sono. E tudo isso vai ajudar a um diagnóstico. E depois, naturalmente, aquelas medidas gerais. Manter as mãos e os pés secos, usar meias respiráveis e falar sempre com um profissional antes de iniciar tratamentos ou medicamentos.

Ou seja, uma forma muito resumida: mãos úmidas num momento de nervosismo são normais, mas mãos ou pés constantemente molhados, sem explicação e com impacto na vida, pode ser muito mais do que isso.

Claro. E a hiperidrose é tratável e não pode ser motivo de vergonha. O mais importante é reconhecer o padrão, tentarmos perceber outras causas e escolher o tratamento adequado.

Portanto, para quem nos ouve, se o suor está assim de alguma forma a condicionar a sua vida, não tem de aceitar como inevitável. É falar com o seu médico. Dra. Mariana Sobral, até amanhã. Obrigada.

Até amanhã. Obrigada.