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Este programa é da responsabilidade da S+A Saraiva e Associados. Este é o "Unlocker", o podcast da Saraiva Associados, produzido pela S+ Academy. Três convidados compartilham as suas visões sobre a transformação e sustentabilidade das cidades, as tendências econômicas e os avanços tecnológicos que se cruzam com a arquitetura, o design e o planeamento urbano. Neste "Unlocker", refletimos sobre a transformação da economia e das empresas impulsionada pela inteligência artificial. Uma conversa com os convidados João Filipe Torneiro, Pedro Siza Vieira e Nuno Santos.
Bom dia, Pedro. Bom dia, João. Bom dia a todos os que nos estão a ver e a ouvir. Antes de mais, agradeço este convite para estarmos neste "Unlocker". E hoje, vamos falar do papel transformacional que eventualmente a inteligência artificial pode ter nas empresas e na economia de uma forma geral. O meu nome é Nuno Santos, eu sou CEO da Pitagórica e professor no ISCTE e pedia já aos meus colegas de painel para se apresentarem. Pedro, podes começar.
Eu sou o Pedro Siza Vieira, sou advogado, sou também professor universitário. Fiz muita coisa na vida, entre as quais ser ministro em governos anteriores, onde tive, entre outras coisas, a responsabilidade pela transição digital e pela aplicação e conceção do plano de ação para a transição digital no nosso país.
João.
Eu agradeço também o convite. O meu nome é João Filipe Torneiro. Neste momento sou consultor, também sou professor em algumas universidades e noutra vida tive uma carreira mais ligada à gestão e à engenharia.
Muito bem. O tema que nos traz aqui é um tema que é incontornável, absolutamente incontornável, nos dias de hoje. De repente, com o aparecimento, com a popularidade da inteligência artificial generativa, nós temos toda a gente a discutir inteligência artificial generativa. E, portanto, cabe-nos a nós, e vocês no vosso papel e na vossa posição privilegiada, também de partilharem a vossa experiência. E até para dar o primeiro pontapé de saída para a nossa conversa. Nós hoje temos várias perspectivas face à inteligência artificial. Aqueles que têm acompanhado o fenômeno e que dizem que a inteligência artificial é um fenômeno com mais de 70 anos, e portanto uma realidade com mais de 70 anos, e que agora estamos a viver mais um salto estrutural. Aqueles que receiam e que portanto têm grande resistência a todas as novas tecnologias, em particular à inteligência artificial, e aqueles que neste momento estão a ver como uma oportunidade tremenda. Eu não posso deixar de citar, e trouxe aqui as minhas cábulas para citar o professor Arlindo Oliveira, que é absolutamente insuspeito, que no final de 2023, no livro que são as "88 Vozes sobre a Inteligência Artificial", retrata o que é, neste momento, o estado da inteligência artificial da seguinte forma: "Os atuais modelos estatísticos de linguagem, com a sua capacidade de conduzir diálogos de forma estruturada e coerente, levam-nos por vezes a pensar que são detidos de uma inteligência comparável à do ser humano, quando, na verdade, não são mais do que papagaios que decoraram determinadas características estatísticas da linguagem". Pedro, como é que tens vivido, até como cidadão, esta nova era da inteligência artificial?
Eu tenho vivido com muita tranquilidade e com a noção de que, de facto, pode ter um impacto transformacional, como dizias no início, mas com uma convicção de que é mais a oportunidade do que o risco e que provavelmente nós vamos adotar estas tecnologias muito mais facilmente do que estamos neste momento a pensar. E eu faço sempre a nota de pensar como é que era a minha vida, a nossa vida, há cinco, há 10 anos, quando não tínhamos smartphones, quando não tínhamos o desenvolvimento brutal que nesta última década ocorreu em matéria de capacidade de processamento de dados, com semicondutores cada vez mais capazes de processar grandes quantidades de informação, com computadores cada vez mais potentes, aquilo que é a capacidade de armazenamento de dados com o que houve de investimento em data centers por todo o mundo, com aquilo que é a capacidade de transmissão de dados, com redes 5G que já estão instaladas, embora ainda não plenamente funcionais. E a mudança que isso trouxe à nossa vida quotidiana, às coisas mais elementares, é absolutamente brutal. O relacionamento que temos com os bancos, com família, no trabalho, a forma como trabalhamos, como incorporamos, quase sem dar por isso, estas tecnologias, de uma forma que hoje em dia nos parece absolutamente natural, mas que era impensável há cinco anos. Isto deixa-me relativamente tranquilo quanto à capacidade que a sociedade vai ter de se adaptar a isto, mesmo os trabalhadores no posto de trabalho. E coisas tão evidentes da inteligência artificial como qualquer pesquisa no Google, qualquer escuta de uma música que nunca tínhamos ouvido falar no Spotify, qualquer filme que estamos a ver na Netflix, tudo isto são resultado da aplicação da inteligência artificial a coisas que são assim. Nós hoje somos capazes de marcar as nossas próprias viagens, nós hoje somos capazes de escolher a nossa roupa quase à medida. Tudo isso tem a ver com a disponibilização cada vez mais fácil de tecnologias que nós incorporamos muito naturalmente na nossa vida. E eu acho que isto vai acontecer, vai libertar bastante o nosso tempo, como já estamos a ser libertados do tempo. Quer dizer, há 10 anos nós ainda íamos escolher filmes em DVD ao Blockbuster Hoje em dia estamos em casa e já nem sabemos que filmes havemos de ver, porque aquilo nos parece uma infinidade de escolhas. Isso faz que vai acontecer e coloca desafios muito significativos, que eu diria que são desafios societários que carecem de regulação jurídica e que por isso também se acabam por tornar temas políticos. Coisas como o poder de mercado daqueles que têm agora a vantagem da escala e, portanto, da capacidade de investimento e desenvolvimento de tecnologias de que o resto do mundo vai tornar-se dependente. A capacidade de sermos capazes de regular estas tecnologias emergentes, como a inteligência artificial generativa, para não ficarmos na situação em que estamos relativamente, por exemplo, àquilo que é hoje em dia as grandes plataformas que cresceram sem regulação. E depois também uma outra dimensão que cada vez é mais significativa, que é como é que nós somos capazes de regular a forma como o acesso muito rápido e muito precoce a estas tecnologias pode influenciar o desenvolvimento das nossas personalidades e a forma como as crianças aprendem e se desenvolvem. Tudo isto são temas que são temas para enquadrar, mas de uma maneira geral, eu acho que isto são oportunidades magníficas para a humanidade.
Fantástico. João, partilhas o mesmo otimismo e a mesma perspectiva de que estamos no momento em que a sociedade no seu todo tem que definir todo um conjunto de opções?
Sim, eu acho que há um entusiasmo grande e é uma oportunidade muito grande. Há sempre duas formas de olharmos para estas transformações. Estamos a falar não de pequenos incrementos, estamos a falar muitas vezes de verdadeira disrupção, portanto, são novos modelos de negócios, são novas abordagens e isso para ser oportunidade e para ser valorizado, tem que ser trabalhado nessa dimensão. E nós sentimo-lo, como o Pedro dizia, no nosso dia a dia, portanto, é incontornável, é qualquer coisa que não é se vamos ou não adaptar, quer para os cidadãos, quer para as empresas, é quando e de que forma é que conseguimos fazer esse caminho com mais vantagem. E como o Pedro dizia também, são assinaláveis os ganhos, quer dizer, à medida que arriscamos, à medida que aprendemos, à medida que nos predispomos a descobrir novas formas, em termos de gestão do tempo, em termos do dia a dia. Fala-se muito, por exemplo, do Tesla, mas hoje a generalidade dos carros já tem incorporado muita inteligência artificial. Quer dizer, nós podemos falar com o carro. O carro só não é autónomo porque as cidades, e estamos num espaço que pensa as cidades, não estão ainda preparadas para essa dimensão, porque os carros de per si já têm tecnologia. E portanto, tudo isso é facilitar a vida. Agora, existe de facto um risco associado, porque todas essas transformações, e o Pedro referiu das grandes plataformas, há aqui um aspecto que eu penso que é transversal, e nós quando pensamos na Uber, quando pensamos nesses outros modelos, a inovação ou a disrupção vêm sempre antes da regulação. Nós não temos tempo, a regulação não consegue antecipar. Portanto, agora é o tempo de modelarmos e adaptarmos melhor. E algumas empresas que estão a fazê-lo. Por exemplo, eu ainda na semana passada tive nota que o IKEA tem já no seu governance esta preocupação de ter um tratamento e os algoritmos não serem discricionários, de haver uma abordagem ética ao mercado, a utilização dos dados ser feita de uma forma responsável. E portanto, tudo isso são dimensões que têm que ser exploradas, mas para as pessoas, para o cidadão e para as empresas, há uma grande oportunidade. Eu no dia a dia já aplico muito. Não me passa pela cabeça fazer um novo relatório, explorar uma nova temática, sem me servir daquilo que já está descoberto. Agora, há uma coisa que eu penso que é importante. O Henry Ford, quando descobriu o automóvel, a primeira massificação do automóvel, disse uma coisa que eu acho que é interessante, que é: se na altura perguntássemos às pessoas o que é que elas queriam, as pessoas iam dizer que queriam cavalos mais rápidos, porque é aquilo que conheciam. A inteligência artificial e as palavras do Erling dizem exatamente isso, ou seja, é aquilo que lá está dentro. E portanto, eu acredito muito na criatividade, acredito muito na capacidade humana, na empatia, para nós conseguirmos modelar e desenvolver as aplicações de uma forma que vão, essas sim, mais de encontro àquilo que nós humanos mais podemos beneficiar.
Isso dá uma ótima deixa para voltar precisamente a ti, que pegando precisamente no ponto em que disseste que trata-se apenas de dizer quando e como é que vamos efetivamente adotar. E nos exemplos de empresas que deste e na própria forma como o próprio IKEA, a título de exemplo, está a fazer já de forma ética e responsável. Eu vou pegar num artigo recente teu, em que dizes que a aplicação de IA alinhada com marketing humanizado transforma a relação entre a marca e consumidores, combinando a tecnologia avançada com uma abordagem centrada no ser humano. E, portanto, todo este conceito, e nós até em preparação para este Unlocker, tu dizias que eu prefiro falar de inteligência autêntica e não de inteligência artificial. Explica-nos lá isso. O que é que as empresas já hoje estão a transformar ou adotar através da inteligência artificial?
Eu privilegio o conceito de inteligência autêntica porque é a aplicação da tecnologia com o cuidado mais humano, mais centrado no ser humano e, no caso das empresas, centrado no cliente. Isto tem a ver com o quê? Primeiro, não podemos usar os dados de uma forma não ética, não cuidada e não autêntica, não autorizada. Portanto, há toda uma dimensão de como é que nós exploramos o conhecimento que se pode gerar com os dados para chegar às pessoas. Depois chegar de uma forma que seja uma forma relevante. E isso tem a ver com chegar à pessoa certa, no momento certo, da forma adequada, senão não somos relevantes. E portanto, o marketing tem essa função, que é saber interagir, saber criar relação, salvaguardando esta. E portanto, quando nós utilizamos a tecnologia dessa forma, nós conseguimos a inteligência autêntica. Ao mesmo tempo Tirando esta parte ética, eu gosto do conceito de inteligência autêntica e acho que ele se aplica a algumas empresas, porque aquilo a que assistimos hoje muito é muito "talk the talk". Há muita conversa, há muita discussão e não há estratégia. Eu acho que as empresas para avançarem, a primeira coisa que devem cuidar é estratégia, e uma estratégia de dados, porque não há nenhuma empresa que vá ter a vantagem da inteligência artificial se não tiver dados, se não tiver consistência nos dados, se não tiver cuidado na forma como os trata. Se eu tiver o senhor António, que num sítio está com uma data de nascimento, no outro está sem data de nascimento, num sítio tem o telemóvel, no outro tem o nome completo, no outro não tem, dentro da mesma organização, isto não é uma visão única do cliente. E, portanto, nós temos que ter uma visão única, consistente, para depois chegarmos às pessoas e às empresas, em particular, para terem esta inteligência autêntica, devem cuidar de adquirir os dados, que já é um primeiro passo. Há empresas que são muito ricas em dados, mas depois não fazem nada com eles, portanto têm que os adquirir, têm que os tratar, têm que aceder, têm que os analisar e depois aí é que começa a história interessante. E esse é o fascínio do tempo que vivemos, que é como é que nós conseguimos fazer as perguntas corretas para, com base naquela analítica, fazermos coisas que sejam relevantes e coisas que sejam impactantes. E, portanto, há um caminho prévio para as empresas aplicarem a inteligência autêntica, que passa por antes de pensar a tecnologia, como é que eu vou ter dados e como é que eu vou estruturar, como é que eu vou desenhar minha estratégia para ter a vantagem e de preferência que seja uma vantagem diferenciadora, coisas que os outros não estão a fazer. E não aquilo que assistimos nalguns casos, que é: vamos fazer uma aplicação porque os nossos concorrentes têm uma aplicação. Vamos lançar um site agora desta forma, porque uma empresa não sei onde está a fazer. Portanto, a questão da autenticidade tem muito a ver com a dimensão ética e com esta dimensão mais estratégica, com base em dados.
Ou seja, numa casa de arquitetura, não começar a casa pelo telhado. Começar a casa precisamente pelas fundações. Fundações, se calhar, estou a dizer um grande disparate, mas é eu enquanto leigo. Pedro, pegando precisamente nesta dimensão do impacto que a inteligência artificial está a ter ou pode ter nas empresas, tu tens e tiveste uma visão privilegiada. O que é que efetivamente a IA está a fazer já hoje nas empresas? E particularmente podemos olhar para o que são os casos até mais nacionais, ou seja, que nos são mais próximos. O que é que tens testemunhado?
Tenho dois níveis muito interessantes. A primeira é que as empresas utilizam já muito mais a inteligência artificial do que aquilo que têm consciência. Todas as empresas que têm aplicações da Microsoft estão a usar inteligência artificial. Todos os postos de trabalho que neste momento já têm respostas, que pedem ao Outlook para preparar respostas aos e-mails, para ajudar a fazer relatórios, para ajudar a analisar textos, etc. Para completar uma frase que se está a escrever no telemóvel, já estamos a utilizar a inteligência artificial muito mais do que aquilo que temos a noção. Mas obviamente o nível a que o João se estava a referir é um nível muito mais avançado. Eu acho que há três ou quatro coisas importantes. A primeira é que o grande desafio é mesmo um desafio de gestão, porque não vale a pena fazer grandes investimentos em tecnologias, em sistemas, em aplicações, sem se perceber para quê. E por isso eu acho que a ideia de empresas cada vez mais capacitadas do ponto de vista da sua gestão, e que estejam também sensíveis às inovações que o mercado vai oferecendo, também têm muito mais disponibilidade para perceber de que forma é que podem ganhar com o investimento em tecnologia. A segunda coisa é esta: ela já está a ser utilizada em muitas coisas, e não é só na parte do relacionamento com o cliente, do conhecimento daquilo que são os clientes, da relevância e da melhoria de serviço que podemos dar aos clientes. Mesmo da parte interna de operações, de produção, é absolutamente impressionante o que já se vai fazendo. Aliás, em Portugal, por exemplo, no setor industrial, nós temos já muita capacidade instalada no setor acadêmico e mesmo no setor produtivo, em matéria de tecnologias de produção aplicadas à indústria, com ganhos brutais. Análise de dados sobre processos produtivos permite melhorar muito os processos industriais, etc. Processos da logística. É possível, com inteligência artificial, extrair muito mais dados daquilo que já uma empresa faz e melhorar eficiências de formas absolutamente brutais. E depois, finalmente, de facto, esta coisa de negócios novos que vão surgir por razão da utilização de tecnologia. E há algumas histórias que nós conhecemos, a Uber, quem funda a Uber não é um tecnólogo, mas percebe apenas que se calhar as tecnologias disponíveis permitem responder a uma necessidade de uma maneira que ainda não estava pensada. Essas coisas vão acontecer e, portanto, eu acho que isso é importante e tenho a noção que neste caminho, as empresas que não forem capazes de perceber de que forma conseguem tornar-se mais relevantes para os clientes e melhorar os seus processos utilizando as tecnologias, por um lado, e as empresas que continuarem agarradas a modelos de negócio e processos produtivos do passado, vão ficar para trás. É esse o impacto sempre que tecnologias disruptivas têm no contexto. Mas eu, pessoalmente, estou muito confiante na economia portuguesa, porque se há país europeu Que passou por choques brutais nas últimas décadas, foi Portugal. Os choques, porque a economia portuguesa foi passando choques de mercados externos, choques de financiamento, choques que levaram a uma alteração profunda do perfil de especialização e da forma como as empresas que sobreviveram nos setores tradicionais funcionam, preparou-nos muito bem para tudo aquilo que possa ser inovação.
Muito bem. Aliás, inclusive, mantendo aqui uma inconfidência, ainda ontem, partilhava com um colega, ontem à noite, e ele fazia a seguinte comparação, que é um pouco isso que dizias. Esta nova vaga tecnológica assemelha-se, por exemplo, a um grande choque estrutural, como foi a criação de novas vias de comunicação, novas estradas, que desviaram completamente o trânsito da Nacional Um. Os negócios que não anteciparam definharam, desapareceram. Portanto, a não adaptação ou não adoção, a não percepção do contexto em que nós estamos, e creio que partilhamos todos essa perspectiva. Um outro aspecto, uma vez que estamos a falar do impacto nas empresas, o impacto na economia no seu todo. Um outro aspecto que poucas vezes é abordado do ponto de vista acadêmico, é o impacto que a inteligência artificial pode ter numa perspectiva mais macro na economia e na sociedade. Aqui temos muitos pontos em que poderíamos discutir. Eu vou começar naquele que é o mais evidente e o mais popular, que é precisamente no emprego. Existem muitas conjecturas hoje em dia de que os empregos vão todos desaparecer. Temos muita ficção científica aqui à mistura e muita desinformação. E que as máquinas vão substituir o homem e isso já está escrito nas estrelas e nos filmes. A pergunta que eu, e que gostava que desenvolvessem agora, até para partilharem a vossa perspectiva, é um pouco esta: de facto, vamos ter uma revolução, por exemplo, no que é o mercado de trabalho, olhando apenas e só para o que é o mercado de trabalho, ou, na verdade, é um déjà vu? Porque a teoria clássica, por exemplo, de desenvolvimento de Lewis, de dois setores, em que eu tenho um setor muito tradicional, com produtividade marginal zero, e tenho um setor moderno, com produtividade elevada. Há uma transferência natural de força de trabalho de um setor para o outro. Que foi muito popular nos anos 60, 70, para justificar o desenvolvimento. Na verdade, nós estamos é eufóricos neste momento com algo que nos está a cair aqui de repente, e vamos ter uma revolução ou isto é um déjà vu, Pedro? Qual é a tua perspectiva?
Eu acho que é um déjà vu. Vamos ter uma revolução, obviamente, porque a maneira como nas profissões, nas atividades tradicionais, nós trabalhamos, vai ser profundamente impactada pelas tecnologias. E já está a ser. Eu estou aqui a olhar para um conjunto de equipamentos altamente sofisticados. Há 10 anos isso não se fazia assim.
E não tinha este tamanho.
E as pessoas, no entanto, foram fazendo. Há bocado estivemos a visitar a sala de maquetes aqui da Saraiva & Associados, que é uma coisa fascinante, quem puder ver, vá ver. E a maneira como se fazem maquetes hoje não tem nada a ver com aquilo que faziam há 10, 15 anos. E, no entanto, as pessoas foram se adaptando. E quem não se conseguiu adaptar, de facto, tem dificuldades, mas eu acho que as pessoas estão preparadas para isso. Vocês reparem, hoje em dia nós vamos a qualquer sítio e nós fazemos pagamentos com o telemóvel. Um vendedor na feira adaptou-se a isso muito bem, é capaz de fazer as coisas. Eu acho que as pessoas estão mais preparadas para incorporar na sua forma de trabalhar, na sua forma de viver, novas tecnologias e perceber até melhor que outros quais são os casos de uso que fazem sentido. E depois, de facto, é esta ideia de que o impacto que podemos ter no mercado é muito relevante. Por que eu estou tranquilo? Eu estou tranquilo, de facto, porque o momento em que vivemos, em todo o mundo ocidental, é um momento de enorme carência de pessoas e de recursos humanos. E nós não estamos numa situação em que tenhamos desemprego maciço. Nós estamos numa situação em que praticamente nos Estados Unidos, na Europa, etc, em todo o mundo, há necessidade de pessoas para trabalhar. E eu estou muito convencido que as empresas vão investir cada vez mais em automação de processos, e isso vai também ser uma oportunidade para os trabalhadores, porque quanto mais automatizados forem os processos, mais são capazes de poder produzir e, portanto, melhores condições temos para aumentar salários e para pagar melhor. E foi assim sempre a história. Quando tu tinhas as fábricas de há 30 anos, quando nós aderimos à União Europeia, crescemos muito porque tínhamos fábricas onde tínhamos pessoas muito pouco qualificadas a fazerem processos industriais muito básicos, muito mal pagos, para vender a baixo preço, "T-shirts" para a União Europeia, que foi o mercado que de repente abriu. O país cresceu imenso nesses tempos, até que entraram as "T-shirts" vindas da China ou do Bangladesh. E aí aquelas fábricas, de facto, não conseguiam escoar o seu produto, porque havia tão bom, muito mais barato a entrar no mesmo mercado. E o que aconteceu? Hoje em dia, a gente vai a uma fábrica de malhas e os moldes, ou a uma fábrica de fatos, etc, tudo está digitalizado. E às vezes são as mesmas senhoras que trabalhavam há 30 anos que estão a trabalhar no computador. Eu acho que isso vai acontecer, como aconteceu no passado, e eu estou absolutamente convencido que todos esses receios do fim do trabalho não fazem sentido num contexto em que o que falta ao mundo e à economia ocidental é mais gente. Aliás, por isso é que precisamos tanto de imigrantes.
João, partilhas também que vai ser um déjà vu, ou seja, é mais uma nova etapa, mas isto cria todo um conjunto e tem um conjunto de impactos e de lateralidades, externalidades na sociedade.
Sim, eu partilho da visão do Pedro, se bem que se nos deslocarmos um bocadinho, e é uma questão que eu não vejo ser muito abordada, eu penso que isto vai cavar ainda mais o fosso ou a brecha digital entre os países desenvolvidos e os países não desenvolvidos. Eu acho que Portugal tem uma posição privilegiada pelo seguinte: porque nós temos talento de qualidade. Aquilo que faz a diferença na adoção da tecnologia é a formação em áreas que os países desenvolvidos têm, que é a ciência, a tecnologia, a engenharia, a matemática e, nesta caso, eu tenho que dizer a arquitetura também, não me ficava bem se não dissesse a arquitetura. E há bocado vimos, ou seja, hoje em dia o projeto de um edifício, o projeto de uma cidade é feito em computador, é feito daqui a pouco tempo em computação espacial, que já junta a inteligência artificial com a realidade aumentada, com a internet of things, com realidade virtual, portanto, essa conjugação de tecnologias. Agora, quem é que mais facilmente consegue adotar essas tecnologias, essas novas soluções? É quem for mais ágil, é quem estiver mais bem preparado. Eu considero que Portugal tem muito boas escolas e está a fazer um desenvolvimento muito grande em termos de startups, em termos de aplicação do conhecimento. E isso é uma alavanca muito boa, porque nós temos boas escolas de engenharia, temos boas escolas de tecnologia, temos boas escolas de ciências e, portanto, temos capital humano. É só aproveitá-lo. Sabendo também que hoje, e isto é um estudo recente da PwC, eles verificam que já há uma diferença no pagamento entre quem aplica as competências que aplicam a inteligência artificial versus outras. Eles chegaram a uns 20%. Portanto, também há uma atração no talento para os mais capazes poderem ter vantagem. Eu tenho uma perspetiva otimista e acredito que as empresas, tal como nos anos anteriores, fizeram o salto de uma base mais primária para uma base tecnológica, hoje, o nosso país tem todas as condições para poder dar esse salto. Acho que é importante, do ponto de vista das empresas, pensarem em alianças e não reinventarem a roda. Ou seja, há parcerias, seja com instituições acadêmicas, seja com centros de investigação, seja com outras empresas, com startups. Porque a forma de, por exemplo, nós evitarmos uma disrupção como aconteceu nos táxis, não é dizermos que pedir ao governo ou pedir a uma instituição qualquer para tomar conta do modelo de negócio que existe. O Pedro há bocado tocou na questão, eu partilho integralmente da visão, como é que nasce uma solução como a Uber? É porque alguém se pôs a olhar para o mercado e ver insatisfações, não é em Portugal, é no mundo todo, não estavam a ser acauteladas. E portanto, havia um conjunto de pessoas que queriam soluções diferentes e aparece um modelo de negócio completamente diferente. E depois: "Ai, ai, ai, ai, o que é que vamos agora fazer?" E não estou a defender essa plataforma, pelo contrário, sabemos que há muita gente empregada nessas plataformas que é maltratada, que não é capacitada e que não é bem remunerada. Portanto, não estou a defender o modelo, estou a dizer que temos que nos preparar para, antecipadamente, darmos espaço à inovação e ao desenvolvimento de novos negócios. Eu acho que Portugal, pelas competências que tem, no que diz respeito, voltando à questão do emprego e do talento, acredito plenamente no potencial que temos.
Isso dá-me aqui já-- força. Pois, eu só ia dizer que todas estas realidades também vão exigir regulação diferente. Quando passamos a deixar de andar de carroça e passamos a andar de automóvel e de repente o número de automóveis explode, começa a ser necessário escrever o código da estrada para se saber se circula pela direita ou pela esquerda, como é que se fazem ultrapassagens, etc. E aquilo que nós estamos a ver também é que a regulamentação, a legislação que se adaptava a sociedades e a tecnologias que funcionavam a um outro ritmo, não são adaptadas para estas coisas que agora funcionam muito mais depressa e levantando problemas muito diferentes. E por isso, eu acho que aquilo que se passou no setor tecnológico foi que, na ausência de regras, um conjunto de empresas muito rapidamente ocupou o espaço do mercado, foi ganhando acesso cada vez mais a uma base de clientes, a uma base de dados, etc. E a partir daí, tornam-se digamos assim, dominantes no mercado. E hoje em dia, aquilo que se começa a perceber é que é preciso regular isso, porque eles acabam por fechar o mercado, quer dizer, um operador económico que queira contactar com os seus clientes, não pode deixar de passar por algumas destas grandes plataformas ou de recorrer aos serviços de algumas destas grandes tecnológicas que oferecem soluções e que são sempre soluções melhores do que aquelas que qualquer empresa consegue desenvolver por si. Portanto, o controle do acesso ao mercado, o controle da forma como se utilizam os dados por parte dessas empresas, o controle da forma como determinados conteúdos podem ser feitos, as relações de trabalho que se podem gerar. Tudo isto vai exigir nova regulamentação e isto vão ser problemas. Quando nós temos que regular coisas novas, problemas societários tão grandes, obviamente, isto são problemas políticos. Dizer como é que regulamos o trabalho para as plataformas, dizer como regulamos, digamos assim, o acesso de empresas e operadores econômicos às plataformas, os marketplaces que dominam efetivamente o mercado. Tudo isso
Passam a ser problemas que o poder político tem que legislar e está a fazê-lo nos Estados Unidos, está a fazê-lo na Europa, e aí com grande tensão entre aqueles que entretanto se instalaram em posições de mercado fortes e aqueles que se sentem também perdidos no meio de um mercado que não controlam. Eu acho que esse é um problema muito crítico, que as novas tecnologias vão exigir e que nós vamos ter que estar atentos. Portanto, para encerrar este ponto, a legislação e uma outra coisa que cada vez vai ser mais exigida quando estamos a ver estas mudanças, que é a capacidade de pensamento crítico, de reflexão ética, se quiseres, de pensamento filosófico, também vão ser competências muito importantes no futuro.
E eu ia pegar-
Ou no presente, se calhar, já.
Não, e eu ia pegar precisamente nisso, até com a vossa deixa. Eu fui recuperar aqui, de um livro do final do ano passado, 2023, o Michio Kaku, que é um futurista, que diz muita ficção científica e muitas coisas muito interessantes e bem estruturadas, tem uma narrativa muito interessante, mas essencialmente no seu livro "Supremacia Quântica", diz que nós ainda não estamos bem a ver o filme que aqui vem. Isto não é a história do bispapão, mas é uma realidade, que é: a computação quântica não aprende por si, mas quando combinarmos e quando começarmos a combinar a capacidade computacional que a computação quântica vem trazer com a inteligência artificial, vai haver um salto estrutural absolutamente tremendo. Isto só vai acelerar. Tudo o que nós possamos fazer de perspetivas a três anos, sequer, são conjecturas, por aí, simplesmente. E a minha questão é se nós hoje, e pegando precisamente neste cenário de futuro, se hoje, a nível de iniciativa privada, a nível micro, de empresas, se até a nível de políticas públicas, nós estamos a criar o quadro, se estamos a fazer as coisas certas. Mais importante do que fazer bem, é fazer as coisas certas. Estamos a criar um quadro de desenvolvimento para capitalizar precisamente esta vaga tecnológica? Sim ou não? De forma simples. João, o que as empresas deviam estar a fazer já hoje, onde é que deviam estar a apostar ou o que é que nós, enquanto sociedade, de uma forma geral, devíamos estar a discutir?
No que diz respeito às empresas, aquilo que eu acho que hoje é, eu diria até atrevo-me a dizer, mandatório, é fazer mais perguntas e perguntas mais relevantes. O Pedro há bocado falou na Blockbuster e na Netflix. Não havia ninguém que chegasse à segunda-feira em Portugal, numa terça, que fosse entregar um DVD, que não fizesse a mesma pergunta: "Olhe, eu vou entregar, tenho que pagar €2 de taxa. Mas por que eu tenho que pagar €2?" Toda a gente fez esta pergunta. E houve um senhor, fundador da Netflix, que além desta pergunta, fez outra: "E se eu descobrisse um modelo de negócio, que é eu ter um clube de vídeo que se gere como um ginásio? Está aberto 24 horas, as pessoas entram as horas que querem, veem, tal como no ginásio, utilizam as máquinas que quiserem, fazem e acabou. Pagam uma mensalidade por mês". E nós sabemos o que é que aconteceu à Blockbuster e o que é que aconteceu à Netflix. Por quê? Graças a essa pergunta e construiu um modelo totalmente diferente. Portanto, para as empresas, trata-se muito mais de não ficarem agarradas ao seu sucesso e às vezes as empresas que têm os melhores produtos, os melhores serviços, são aquelas que estão mais agarradas, porque têm confiança, porque o mercado é bom, os nossos engenheiros são bons, os nossos designers são bons. Têm vendido, pronto. E o cliente é que não está a perceber. E sair dessa perspetiva conservadora-
De uma área de conforto.
Não, exatamente. E ir para o mercado e ouvir. Ouvir o que as pessoas querem. E lá está, partimos outra vez. Não é pura e simplesmente opiniões, estamos a falar de perceber as atitudes. Outro exemplo: por que que, por exemplo, as empresas de desporto, as Adidas, as internacionais, a Nike, passaram de vender apenas aparelhos desportivos ou de vestuário e calçado, para disponibilizar todo um conjunto de gadgets e todo um conjunto de aplicações? Porque eles hoje sabem as vezes que as pessoas correm, em que sítios é que correm, que distâncias, com que tempo, e depois criam um incentivo e criam uma gamificação, criam toda uma relação e constroem uma fidelização muito pela experiência. E essa é outra questão que eu acho que é muito importante. É as empresas perceberem que a proposta de valor de qualquer empresa, obviamente, que é a sua marca, e falamos do têxtil. O têxtil não tinha design e não tinha marca, só fazia produto. Nós temos que ter uma marca, a empresa tem que ter um produto e um serviço, ninguém vende só produtos. Se vender só produtos e se esquecer do serviço, está a deixar espaço para alguém absorver. E principalmente a experiência. Qual é a experiência que eu dou? E é através da experiência que as empresas se podem diferenciar nos mais variados setores. As grandes plataformas o que nos dão é uma experiência fantástica. Eu não tenho especial admiração nem afeto nenhum pela Amazon, porque é uma empresa multinacional e que ameaça muitas empresas portuguesas, mas obviamente nós temos muita coisa a aprender com aquilo que a Amazon faz. Não é só na experiência online, não é só no site, mas se formos ver a logística e toda a inteligência e todos os processos que estão por trás, traduzem toda a eficácia, todos os ganhos, toda a produtividade que conseguiram ter. E é aí que eu acho que as nossas empresas podem dar um salto. É partir para o mercado, perceber que necessidades é que não estão identificadas e depois dar um outro passo que para nós, em termos culturais, se calhar, é um pouquinho mais exigente, que é as parcerias, porque nós, de facto, não somos um país, somos um país de PMEs e importa ter uma capacidade de aliança e de parcerias com outros para darmos respostas que os mercados pedem.
Muito bem. E Pedro, como o João dizia que o mais importante é fazer perguntas De um ponto de vista de sociedade, que perguntas é que a sociedade devia estar a fazer neste momento, relativamente a esta realidade da inteligência artificial? Estamos a fazer as perguntas certas?
Eu acho que estamos a fazer muitas perguntas. Havemos de as fazer. O grande receio que tu vês é o potencial que a tecnologia tem de um crescimento exponencial da capacidade de processamento de dados e com isso replicar ou até ser mais sofisticado, mais capaz do que a própria inteligência humana, é um medo horrível. É um medo que nos assusta desde há várias décadas, desde que começámos a pensar como possível a ideia de que robôs inteligentes podem dominar o mundo. E essas questões levantam depois todas as exigências em matéria de regulamentação da inteligência artificial, quer de autorregulamentação por parte de empresas, quer mesmo a exigência que os Estados estão a fazer. O regulamento de inteligência artificial da União Europeia, a reflexão que nos Estados Unidos está a fazer, a muito estrita regulamentação que a China faz da inteligência artificial, tudo isso são preocupações de evitar que o desenvolvimento da tecnologia nos conduza a pontos que nos assustam enquanto espécie, enquanto sociedade, etc. Mas é obviamente estar a correr atrás do prejuízo. Aliás, vocês lembram-se que ainda há uns tempos atrás, o ano passado, um conjunto de cientistas e tecnólogos associados à inteligência artificial fizeram um apelo à paragem do desenvolvimento para se poder refletir e perceber quais eram as coisas. Eu acho que essa pergunta é importante e temos sempre de ter essa consciência. A outra é como é que nós, como sociedade, criamos as condições para que todo este potencial tecnologia acabe por servir a humanidade e as nossas aspirações básicas como seres humanos. E nesse sentido, eu acho que nós precisamos de nos preparar como sociedades e como economias, para criar as condições base para que isto seja o melhor aproveitado por todos. Muito investimento na educação, muita reflexão sobre como educamos as pessoas, como educamos as crianças e como nós continuamos a formar-nos ao longo da vida para coisas que estão a mudar tão rapidamente e vão continuar a mudar. Muito investimento em energia, porque esta sociedade vai consumir muito mais energia do que aquela que nós neste momento consumimos. E também investir bastante naquilo que é mesmo a nossa capacidade de reflexão crítica, não perdermos de vista o que é ser humano. Vamos ganhar tempo disponível, o que é que vamos fazer com isso? Vamos ficar parados à frente de um ecrã, vamos ficar fechados na nossa bolha sem interação ou vamos ser capazes de aproveitar este tempo livre para fazer outras coisas? Deixe-me só aproveitar 30 segundos para recordar que há quase 100 anos, um grande economista chamado John Maynard Keynes, dizia o seguinte: nós vamos chegar ao final deste século XX e a tecnologia vai evoluir tanto que para produzir aquilo que é necessário para a subsistência da sociedade, as pessoas vão precisar de trabalhar apenas, provavelmente, só 15 horas por semana. Isso vai libertar imenso tempo para as pessoas e nós devemos estar a preocupar-nos com a forma como, de facto, vamos utilizar esse tempo livre. Vamos utilizar para cultivar o espírito, as relações sociais, etc. Era uma preocupação que ele tinha. A verdade é que aquilo que aconteceu é que, de repente, nós temos muito maior produtividade do que tínhamos há 100 anos, mas não estamos a trabalhar 15 horas por semana.
Não.
Mas esta ideia de que isto liberta tempo, é saber se usamos o tempo libertado pelas tecnologias para produzir ainda mais ou se usamos para outros fins e quais e que sociedade queremos ter, também são perguntas que temos que nos fazer a nós próprios e como comunidade.
O nosso tempo chegou ao fim. É uma pena, porque estávamos aqui a falar deliciosamente durante horas. Fazendo assim numa sinopse, num resumo muito simples. Eu julgava que era uma pessoa otimista, vocês batem-me aos pontos, de facto, porque as perspectivas são muito positivas e acho que todos partilhamos a ideia otimista de que esta nova vaga tecnológica traz mais oportunidades do que ameaças e riscos. Falamos de muitas coisas, dos monopólios de dados em que temos que refletir sobre eles. De facto, na transição que estamos a falar de muitos déjà vus, que não vão ser necessariamente alterações estruturais da forma enquanto nós, agentes económicos, funcionamos. Eu não resisto, aqui mesmo em jeito de fecho e antes de nos despedirmos, de fazer outra citação. Fui recuperar, uma vez que estamos a falar de inteligência artificial, um livro absolutamente hilariante do Victor Rodrigues, dos anos 90, que é a "Teoria Geral da Estupidez Humana". E fui à definição. Não sei se conhecem, mas a definição é a seguinte: a estupidez não é a ausência de inteligência, é a resistência ativa à inteligência. Lá está, com isto nos ficamos. Eu não resisto a passar esta citação. Quero agradecer uma vez mais a vossa presença, à Saravia & Associados e até ao próximo "Unlocker".
Este foi o "Unlocker" de hoje. Outros episódios estão disponíveis no Spotify, YouTube e na Rádio Observador. Obrigada por nos escutarem.