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E eu iria dizer que esta era a sopa mais famosa da política portuguesa, mas o Nelson já disse que é a melhor sopa da política portuguesa e, portanto, se o Nelson disse, não há razão para o desmentirmos. Boa tarde, a vichyssoise serve-se sempre à hora de almoço de sexta-feira aqui na Rádio Observador. E se o Parlamento fechou para férias, nós continuamos de portas abertas durante mais uns dias, até porque este pode estar a ser um verão ameno em termos de temperaturas, mas está bastante quente nos corredores da política. Eu sou o Pedro Gonçalves, editor de política do Observador. Como habitualmente, está aqui também o João Alexandre, editor da rádio e esta semana a Rita Tavares e o Rui Pedro Antunes. Ora, vamos começar com as habituais sopas da semana. A sopa que eu não quero puxar muito os galões, mas de facto a sopa que nós temos que começar esta conversa, e boa tarde a todos, é a sopa da casa, porque há que dizê-lo com frontalidade, esta semana, no espaço de uma semana, tivemos aqui os dois principais protagonistas da política nacional em entrevista. Uma delas foi feita por ti também, Rita Tavares, de António Costa. Achas que é uma sopa da casa bem atribuída?
Vou estragar tudo.
Então conta lá.
É porque eu não tinha esta como a sopa da casa.
Então tinhas qual?
Eu não sou como tu, que gosta de apontar para o próprio umbigo.
Isto não foi agora que vamos falar.
Guardo isso mais pro fim, só pra criar aquele ambiente. A minha sopa da casa são os incêndios, que infelizmente é uma sopa da casa, é um prato da casa nesta época do ano em Portugal. E parece que não há forma de não continuar a ser assim. Há sempre estas dúvidas sobre a rapidez dos meios de combate, das respostas às primeiras ignições. O governo que não quer dizer nada, mas afinal acaba por vir dizer mal dos autarcas, os autarcas a dizer mal do governo. E depois este caso, que foi avançado pelo Observador das golas antifumos, que é o caso deste ano. Há sempre um caso no ano, nos incêndios, que são feitos de material inflamável e agora até veio o ministro da Administração Interna dizer que quem é irresponsável e alarmista é quem divulga estas notícias, porque esqueçam os kits inflamáveis.
Foi um momento bastante surreal esse que acabamos de assistir. Foi agora esta manhã, dizendo que as notícias sobre as golas inflamáveis distribuídas pela Proteção Civil às populações, e essa é uma notícia que tem a assinatura do Rui Pedro Antunes e que nós pusemos em manchete logo esta manhã, durante a madrugada deste dia. É surreal que o ministro responda que o problema é da notícia e não do fato de uma entidade que tem como função proteger as populações, ter uma ação de sensibilização, e não teremos nada contra isso, mas que faça ações de sensibilização, mas que depois distribua materiais no que diz respeito à questão dos incêndios, que são materiais inflamáveis. Isto não cabe na cabeça de ninguém.
E não falamos de poucas golas. Eram 70 mil que foram distribuídas pela população. Portanto, há aqui muito material, se calhar havia muito material para escolher.
Se a notícia já é surreal, eu acho que a resposta do ministro esteve à altura.
Sim, esqueçam lá os kits, que isto foi tudo só uma ação de propaganda. Pronto, não interessa que aquela seja uma ação de propaganda para material...
São materiais perigosos e portanto se vocês não derem essa notícia, o problema é o alarmismo e a irresponsabilidade é de quem der. Portanto, eu presumo que Rui Pedro tenha se sentido atingido.
Não, em particular, é desconfortável estar a comentar uma notícia que escrevi.
Mas ninguém melhor do que tu para falar sobre a notícia.
Mas efetivamente, e esta era uma sopa que eu tinha aqui para servir mais à frente, mas aproveito e digo já, que é: na verdade, o ministro diz que é alarmista as notícias e irresponsável. Eu acho que irresponsável seria saber isto e não transmitir à população. E ainda bem que é alarmista, porque é preciso alarmar as pessoas que aquilo que têm em casa foi apenas uma ação de propaganda e não uma proteção efetiva. Ainda bem que foi alarmista, mas alarmista não no sentido pejorativo do termo.
Mas para chamar a atenção das populações para o perigo.
Exatamente. Pra alarmar as pessoas que têm em casa aquilo. Olha, afinal isso é meramente decorativo. Quando vos oferecerem guarda-chuva, guarda-chuva também não é pra chuva.
Sim, isto foi um disparate e às vezes é pena que o poder político não tenha essa capacidade de dizer que de fato foi um disparate. E é continuação também daquilo que já tinha sido, se calhar vamos ouvir também essa troca de argumentos entre Eduardo Cabrita e o autarca de Mação, Vasco Estrela, porque esta história de o governo meter a pata na poça na altura dos incêndios também já tinha começado há uns dias. Vamos ouvir esse registo.
Optou por não promover a ativação do plano municipal de emergência, não dar qualquer cooperação ao esforço de proteção civil e ser verdadeiramente um comentador televisivo.
Não tenho pretensões de comentador, nem qualificações, nem essa capacidade, mas realmente fiquei desagradavelmente surpreendido. Eu lamento profundamente que o senhor ministro tenha proferido essas declarações. A primeira coisa que o senhor ministro devia ter feito era demonstrar pelo menos uma palavra de solidariedade para com a população da nossa Nação, mesmo que não fosse sentida.
Uma troca de palavras entre o presidente da Câmara de Mação e o ministro Eduardo Cabrita, que tem tido aqui algum protagonismo esta semana, não sei se pelas melhores razões. Só de colocar aqui uma questão é O que as populações directamente afectadas por este drama que se tem repetido acharão quando veem os responsáveis políticos a trocar acusações em pleno incêndio?
No mínimo chocadas, que é o que isto aqui suscita, é choque. É realmente o prato da casa, políticos a combaterem-se quando o combate devia ser outro. E é um prato da casa daqueles que já cansam um bocadinho, porque já se tirava definitivamente do menu, porque já basta o que basta. As pessoas estão a passar por dificuldades, a ver propriedades a arder e a verem que os problemas de base continuam sem ser resolvidos. Ainda esta semana o Presidente da República, por exemplo, criticou a lentidão para a reforma do regime do cadastro, que agora foi alargado a todo o país, o regime simplificado, e que é uma coisa que é decisiva para, por exemplo, a questão da limpeza das propriedades. E está atrasado e foi agora só alargado depois desta reprimenda do Presidente da República. Portanto, já basta o que basta.
A verdade é que, pelo que se vai sendo dito, o processo não é propriamente fácil e há regiões do país em que o processo é muito complicado de fazer.
Mas quanto mais atrasa, pior.
Mas a verdade é que começam a ser incompreensíveis estes atrasos.
É desde 2017 que se reativou isto tudo e de repente estamos em 2019 e ainda não foi alargado a todo o território. É no mínimo esquisito.
Vamos ter a oportunidade de falar também um pouquinho sobre isso na segunda parte com o nosso convidado que, de resto, também ocupou aqui algum espaço nesta discussão pública e entre políticos sobre as responsabilidades. Duarte Marques estará aqui na segunda parte da "Vici Suave". João Alexandre, a tua sopa da casa também são os incêndios ou terias outra proposta?
A minha sopa da casa tem que ver aqui com a nossa casa, com o Observador e com a Rádio Observador e com a entrevista de Rui Rio.
Obrigado. Finalmente alguém que pensou como eu.
E pedia também para ouvirmos então um som de Rui Rio. É um som em que Rui Rio fala. Vamos ouvir primeiro. Nelson, vamos ouvir esse som de Rui Rio.
Vi muitos comentários, como quem diz: "Ele é tolo," que às vezes acham que eu sou tolo, que não faz sentido, não penso nas coisas. Apareci aqui, caí aqui de paraquedas, não percebo nada disto. A cópia é, por exemplo, quando nós começamos a falar na questão da natalidade e na questão das creches, é o Partido Socialista agora vir também propor soluções, no quadro da natalidade, ligada às creches. Não é agora se o apoio é dado da forma mais A ou da forma mais B. É isto que eu estou a dizer que é copiar. Nem do lado do Partido Socialista são tão primários para fazer copy paste daquilo que nós dizemos.
Ora bem, ouvimos Rui Rio, presidente do PSD, nesta entrevista ao Observador, em que falava sobre um caso sobre o qual também fomos falando nos últimos dias, que é o caso do plágio do PS ao programa do PSD. Ora bem, temos um líder da oposição que vê o Partido Socialista apresentar propostas para o programa eleitoral e a primeira reação de Rui Rio, em vez de criticar algumas das propostas, porque em princípio terá aqui algumas alternativas a essas propostas, outra via de resolver os mesmos problemas, mas o que Rui Rio diz, o primeiro ataque que faz é: "São propostas que o PSD também poderia fazer, são propostas copiadas pelo Partido Socialista." Depois acaba por recuar um pouco, diz que afinal não são bem propostas copiadas, os temas é que são semelhantes. Ou seja, Rui Rio acaba também por atirar a pedra e depois esconde um pouco a mão, dizendo que afinal não era bem isso que queria dizer e isto também vai sendo recorrente. Mas eu pedia-vos também que comentassem um pouco este caso da cópia. Pedro Bruno Vides, também tinhas esse tema aqui para esta sopa, Rui Rio. O que achas de teres um líder da oposição que vai acusando o governo de estar a copiar propostas?
Acho que, para já, não está mal pensado ser uma sopa da casa, porque isso também é um hábito que vamos tendo nos últimos tempos entre vários partidos, a questão de copiar as propostas uns dos outros.
A Sofia São Cristova já lembrou isso também aqui há uns tempos.
Exatamente, eram as propostas do CDS que estavam a ser copiadas, às vezes até em ataques ao PSD, portanto, aparentemente estão todos a copiar. O que eu acho é que isto, para os eleitores, se alimentarem essa narrativa, é um sinal de que, na verdade, não há grandes diferenças entre uns e outros e que as propostas de uns e de outros podem perfeitamente ter a assinatura, mesmo que ideologicamente fossem partidos bastante diferentes. Por outro lado, parece-me também que Rui Rio aqui, e isso é a questão pegando naquilo que eu estava a dizer, teve uma frase engraçada, um período de respostas interessante quando estávamos a fazer a entrevista, que é quando ele tendo vindo assumir que muitas das propostas do PS eram copiadas daquilo que ele estava a dizer, a pergunta óbvia era: "Então acha que o programa do PS é um bom programa?" E curiosamente, ele teve muita dificuldade em dizer que não era um bom programa. Primeiro disse que não o tinha conhecido.
A primeira reação dele: "Isso é uma pergunta que faz sentido."
É uma pergunta que faz sentido. E depois dizia: "Mas eles ainda não apresentaram todas." E nós fizemos essa pergunta várias vezes, uma pergunta que eu confesso que quando preparei a entrevista não estava a pensar explorá-la com repiques, mas como ele não quer aquelas perguntas que obviamente um político normalmente diz: "Não, como é evidente, não me revejo nada naquilo ou tenho uma ou duas ideias que eventualmente..." Mas ele não. Eu acho que faz parte da forma de ser do Rui Rio, que não quer entrar naquilo que é expectável, nem naquilo que é hábito nos políticos, mas fê-lo.
E aí a garantia de que não há qualquer ingenuidade por parte do presidente do PSD, nem qualquer tolice, porque ele próprio o disse nessa entrevista.
E é sempre bom que isso fique registado numa entrevista. Vamos passar para a segunda sopa que temos selecionada para esta semana, que é uma sopa a ferver. Rui Pedro, tens estado mais caladinho.
É, tenho, porque eu não disse a minha sopa da casa.
Então vá, qual é a tua?
Mas como a minha sopa a ferver já ardeu, que é uma sopa que vamos ter a seguir, também podia guardar, mas posso dizer já.
Oh meu Deus, sim, diz.
É que eu tenho o menu à frente. Os ouvintes não, mas eu tenho o menu à frente, eu já sei o que é que vem aí. Não, mas a sopa da casa é um bocadinho insonsa relativamente às vossas, tenho que admitir. Mas tem a ver também com a entrevista aqui. Rui Rio disse que apoiaria Mário Centeno para o FMI. Também é uma coisa que António Costa tinha falado na entrevista ao Observador e portanto está relacionado.
Pareceu menos efusivo, aliás.
Sim.
No apoio à candidatura.
Talvez interesse mais a Rui Rio.
Sim, o Marques Rio disse logo que daria todo o apoio dentro daquilo que fosse possível.
Do que a António Costa, mas como cantava o José Mário Branco: "Não há graça que não faça o FMI." E eu acho que com Centeno no FMI, se Portugal ficar com a pasta da Comissão Europeia relativamente aos assuntos económicos, também é uma possibilidade. E Vítor Constâncio, há pouco vice-presidente do BCE, foi durante vários anos, eu acho que isto é todo um outro nível. Porque eu acho que o PSD do Passos Coelho ia além da troika. O PS de Costa é a troika comanda a troika. Isto fica tudo aqui na casa, isto para não falar de outras coisas do gênero Vitorino nas migrações ou Terres na ONU, que faz quase lembrar aquela frase que o Soares utilizava muito aplicada, mas aqui aplicada aos cargos de topo, que é: quanto mais o planeta aquece, mais força tem o PS. E aquela imagem.
E pronto, conta também a tua sopa a ferver.
Agora vai parecer que eu estar aqui a falar imenso tempo, porque vou colar duas sopas, mas muito rapidamente. A minha sopa a ferver é o padrinho, que não tem nada a ver com o Al Pacino, mas é Nuno Morais Sarmento, que terá sido o padrinho tanto de Duarte Marques como de Feliciano Barreiras Duarte para tentar integrá-los das listas ou defender a integração nas listas. Duarte Marques é deputado do PSD, Feliciano Barreiras Duarte também e não doutorado pela Universidade de Berkeley. E ao que parece, na reunião com a distrital, aconteceu mesmo, Nuno Morais Sarmento pegou-se com o presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, por causa precisamente deste ponto, do Duarte Marques.
Quase chegando a vias de facto.
De facto, parece que sim. No momento em que Nuno Morais Sarmento dizia que conhecia muito bem o distrito, o presidente da Câmara de Santarém, que já levava preparada, disse: "Pois conhece, mas a Câmara de Santarém não o consegue notificar para limpar os terrenos por causa dos incêndios." Então foi aí que as coisas descambaram um pouco e houve ameaça de missões. Em Braga as coisas também não estão fáceis, portanto o PSD neste aspeto está a ferver.
Está a ferver e regressando à entrevista de Rui Rio, aqui no Observador, ele próprio à medida que as notícias iam saindo, ao mesmo tempo que saíam as notícias sobre o que se estava a passar, o ambiente quente que se vivia na São Quentin Lapa, também saíam sondagens que não eram propriamente favoráveis e Rui Rio reagia no Twitter fazendo referências a uma suposta influência da maçonaria e obviamente que esse era um assunto que não podíamos deixar de falar na entrevista que lhe fizemos.
Se não for eu a escrever, tenho conhecimento do teor do tweet.
Tem a prova?
Sim. Pode estar uma palavra ou outra que, mas o conteúdo sim.
Deixe-me perguntar-lhe aqui outra questão.
Mas se quer saber, esse que está aí a falar fui eu.
Pôs lá o emoji, o emoji da lupa.
Com uma lupa que é, se calhar, precisa de ser de lupa. Para descobrir quem é.
Eu pedia para me deixar falar, mas Rui Rio não me deixava falar, mas tinha este dado interessante: foi ele que pôs uma lupa, um emoji com uma lupa quando fez essa referência.
O orgulho.
Aos jornalistas que supostamente também por influência de fontes ligadas à maçonaria, estariam atentos a uma sondagem da Pitagórica que era particularmente negativa para o PSD. Portanto, eu diria que esta é também claramente para mim a sopa a ferver. Rita e João, vocês têm propostas diferentes?
A minha sopa a ferver é a campanha que está aí a ferver. Esta semana viu-se este caso do PSD e das listas em alta fervura. Realmente não é comparável sequer ao PS, mas o PS também teve ali os seus casos com Braga e Guarda.
É, eu também ia por aí, por essa questão das listas de modo genérico e aqui também com o PS, com essa demissão, pelo menos do Secretariado da Federação Distrital da Guarda.
Não foi mesmo uma demissão, e há críticas internas, até com o Pedro Nuno Santos a fazer críticas.
Falta de diálogo, falta de informação por parte da direção de António Costa.
No fundo é muita interferência do António Costa e da Direção Nacional na elaboração das listas, que também são deixadas às-
Mas tu estiveste na apresentação dos candidatos, dos cabeças de lista do Partido Socialista, mas o ambiente eu diria que no PS que se vive é bastante diferente daquilo que se vive no PSD.
Pois, eu não sigo o PSD, eu sigo o PS, mas tenho aqui um dado curioso também. Na convenção nacional de sábado passado, que foi onde o António Costa aprovou por unanimidade o programa eleitoral, notava-se perfeitamente que o que estava ali em causa para o partido propriamente dito, como as listas ainda não tinham sido apresentadas, era exatamente essa elaboração das listas. Havia ali aquelas conversinhas, focos de conversas muito diferentes. António Costa a falar muito tempo com a Jamila Madeira, que depois foi cabeça de lista por Faro. Enfim, havia ali esse ambiente. E ontem, na apresentação dos cabeças de lista, tudo bastante mais distendido, já estavam os cargos distribuídos, cargos garantidos para a próxima época política. Enfim, era bastante diferente.
Muito bem. E com esta distribuição de sopas, havia aqui uma que eu gostava também de atribuir, que era a sopa que está por fazer. A minha referência tinha a ver com Pedro Santana Lopes, que queria fazer referência ao apelo que fez aos partidos de direita para que se sentassem para terem uma estratégia conjunta de combate aos resultados que a esquerda aparentemente vai ter nas legislativas e era uma sopa que estava por fazer, não só porque para já ainda não se sentaram à mesa, como o próprio Santana Lopes e o partido de Pedro Santana Lopes, que é apenas um ingrediente, ainda não se consubstanciou em nada de verdadeiramente comestível em termos eleitorais.
Na lógica desta linguagem moderna de emojis, tanto ao som que ouvimos de Rio como a essa proposta de Pedro Santana Lopes, a minha resposta é: "lol".
Rita, tu tens alguma sopa que está por fazer?
Tenho uma que tem a ver aqui um bocado com estes bastidores de preparação e de tentar convencer os partidos políticos a trazerem cá os líderes para as entrevistas nesta fase pré-campanha, que há uma sopa que vai ficar por fazer aqui no Observador e é pena, que é a do Partido Comunista Português, que o líder do partido parece que não quer vir dar uma entrevista ao Observador e nós tivemos a oportunidade de perceber por quê numa carta que nos foi enviada assinada por Jorge Cordeiro, que é do Secretariado do Comitê Central, a falar de notícias do Observador, nomeadamente numa notícia que saiu em janeiro sobre a Rede Vermelha, que foi até o Rui Pedro Antunes que a assinou, a falar em insinuações e suspeições levantadas por essas notícias.
Que teríamos uma agenda contra o PCP desde o início do ano. Na verdade, é o único exemplo que têm para apontar.
E depois dizem que vão manter as orientações que em cada momento entendem ter. Portanto, a orientação que o PCP entende ter é não vir cá, vai ser uma sopa que vai ficar por fazer. Felizmente, vamos conseguir fazer as outras.
Lamentavelmente, precisamente.
Lamentavelmente por duas razões: porque não vêm e porque os argumentos continuam a ser estes.
O convite fica aí aberto, João, que tu consegues dizer muito rapidamente, porque eu sei que a tua sopa que ficou por fazer é muito internacional e não é possível.
Sim, era um gaspacho espanhol, um salmorejo, que tínhamos aqui preparado. É a Espanha e a questão de Pedro Sánchez ter falhado ontem a investidura. Acompanhamos aqui no Observador numa emissão especial. E o que fica por fazer agora é tudo isto, é Pedro Sánchez tentar formar governo e perceber se há ou não novas eleições. De modo sucinto, é isto.
E atacamos aqui, de certa forma, o território da Filomena Martins e o seu jet lag. Fomos para outras paragens, mas vamos parar agora um pouco para a segunda parte da Vichy Soisse, que virá já a seguir. E regressamos para a segunda parte da Vichy Soisse. É nesta parte que temos o nosso convidado já sentado à mesa, desta vez Duarte Marques, ainda se pode dizer assim, deputado do PSD. Vamos ver se vai ser deputado na próxima legislatura. Há de haver tempo para conversar sobre isso. Mas primeiro gostava de falar sobre um dos assuntos que tem claramente dominado a semana política e que tem a ver com os incêndios, onde acabou por ter um papel de algum protagonismo, sobretudo na denúncia de algumas coisas que têm corrido mal. Tem sido muito crítico da estratégia do governo e a pergunta que eu lhe queria fazer no início desta conversa é se há aqui uma responsabilidade política clara quando se repetem casos destes onde se fala constantemente da falta de meios.
O problema do governo não é o que pretende fazer, é o que faz, aquilo que diz que faz e que não faz, e sobretudo não fazer tudo o que está ao seu alcance. Eu concordo com o governo quando digo que mesmo que façamos tudo bem para evitar os fogos, se nós não mudarmos a paisagem e o território, nada disto vai impedir que existam fogos. O que nós temos que avaliar é se fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para reduzir o risco. E a mim, o que me irrita, e é por isso que eu sou tão crítico, Duarte Cabrita, é que o Ministro da Administração Interna passa a vida a anunciar as melhores soluções, sempre que depois, na prática, não estão no terreno. Ou seja, em vez de termos um ministro da Administração Interna, temos um ministro da Propaganda e da Peixada. Este é um assunto de grande responsabilidade, é um assunto que tem que ser decidido por um governo com a oposição. Fazer as coisas bem feitas, porque vai produzir frutos de 10, 15, 20 anos. E enquanto não mudarmos o território e a floresta, os meios de combate são essenciais para conseguir impedir a propagação dos fogos, mas não vão impedir os fogos, isso é verdade. Agora, nós que vivemos no terreno, que conhecemos a realidade, não podemos ficar calados quando vemos o ministro anunciar coisas que depois não são verdade, não estão no terreno. O ministro não pode ficar contente quando metade dos meios aéreos não estão no terreno quando começa a época de fogos. Isto é uma irresponsabilidade.
Mas o ministro parece relativamente satisfeito com aquilo que tem sido a aplicação dos planos de prevenção. Falou até em resultados positivos, pelo menos no que diz respeito à prevenção dos incêndios.
A Câmara de Mação é vista por toda a gente como o melhor exemplo no país na prevenção, a reduzir os danos e o potencial de tragédia.
Menos pelo Ministro da Administração Interna.
Não, pelo próprio ministro da Administração Interna e pelo próprio primeiro-ministro, que vão ao terreno dar sempre Mação como exemplo. Mas nós sempre dissemos, há 10 anos que dizemos isto: mesmo isto que nós fazemos só reduz 10% do risco. E aí vê-se o resultado. Ardeu tudo. Nós sempre alertamos que isto um dia arde tudo. Por quê? São territórios que não têm gente. Para lhe dar um exemplo, concelhos como Mação, concelhos como Vila de Rei, como Proença-a-Nova, concelhos como Oleiros. No nosso caso, em concreto, 75% dos proprietários não vivem lá. É um concelho pequeno que tem 85 mil prédios rústicos.
Mas o que é que falhou aí? Chegou a perceber?
Não, aí falhou uma desproporção de meios. No sábado e no domingo, no Conselho de Mação, não havia meios.
Mas na velocidade da resposta, é essa a resposta a ter aparecido?
Sim, mas essa resposta é estrutural. Ou seja, eu digo que essa velocidade de pôr meios no terreno não é culpa deste governo, é o sistema que é assim. Por isso é que nós temos que alterar o sistema e ter mais meios. Por exemplo, o caso dos meios aéreos Nós não podemos ter só dois meios aéreos a sobrevoar e a descarregar, porque depois são pesados, porque depois quando vão abastecer e têm que parar, não há outros para ficar. Fala-se muitas vezes da GNR e dos militares. Nós não podemos andar todos a fazer o mesmo. Os bombeiros andam a apagar o fogo, a impedir que o fogo chegue às casas e se calhar os militares, a GNR, etc, têm que andar a fazer o resto, que é o rescaldo, que é a consolidação. Por que os fogos voltam a arder com tanta força? Porque essa consolidação não é feita.
Mas os três helicópteros lá acabaram por ser mobilizados.
É isso que mais me chateia, é que os helicópteros pesados que estavam parados, por irresponsabilidade da empresa, de quem contratou a empresa, e afinal era tão fácil que no dia a seguir começaram a voar. Repare, isto é grave por quê? Porque aqueles helicópteros pesados são de ataque inicial. Um que faltava, devia estar em Ferreira do Zêzere, que era a 10 minutos de carro, portanto, de helicóptero é dois minutos do início do fogo de Vila de Rei. Se calhar não estávamos aqui agora a ter esta conversa. Por isso é que eu digo, nós temos que ver se fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para reduzir o risco. E o governo não tem feito.
Gostava de ter visto Rui Rio ser mais duro com o governo do que foi aqui na entrevista no Observador, em que disse que não via com bons olhos as palavras do ministro e do primeiro-ministro.
Eu percebo que o presidente do PSD, no dia dos fogos que estavam a decorrer, não quis tomar posições e essa é a prática dele. Aliás, penso que isso é respeitável e nós todos sabemos.
Sim, mas isto foi ontem, na entrevista ao Observador.
Eu acho que ele foi duro. Rui Rio fala pouco, mas quando fala, é duro. Eu sei que falou várias vezes com o presidente da Câmara de Mação antes de anteontem e portanto, logo após os fogos. E é um princípio que ele tem, eu respeito e eu percebo, porque não é altura de fazer política. Eu, por exemplo, não costumo criticar durante os fogos, mas aqui neste caso dos Kamovs, eu critiquei porque eu sabia que aqueles helicópteros podiam levantar voo, porque sabia que eles iam para o terreno. E o facto é que ontem já estavam a apagar fogos e, portanto, achei que a minha intervenção seria útil para despoletar uma situação que podia proteger mais as pessoas. Mas também concordo e disse isso muitas vezes: "Deixem lá acabar o fogo, já falamos sobre isso." E no caso de há dois anos foi assim, neste caso foi a IGAI que criticou a forma como a ANPC... A ANPC não mudou quase nada. Vocês se forem ver o que é que mudou. Na área do território, da floresta e da limpeza mudou muita coisa, é verdade. Mas na área do ataque, na área do combate e na área da coordenação, na área dos meios de ajuda à decisão operacional dos bombeiros, isso não mudou nada. Os comandantes são os mesmos, aqueles que falharam são os mesmos. Por exemplo, o comandante de Castelo Branco que falhou é o mesmo, o de Leiria é o mesmo, são todos os mesmos.
E o PSD tem conseguido fazer o suficiente para sublinhar essas falhas, por exemplo, no que diz respeito à estrutura da Proteção Civil?
João, nós temos feito o nosso trabalho. Eu sou muito crítico e tenho sido muito crítico na Assembleia da República sobre esta matéria. O ministro da Administração Interna recorrentemente vai à Assembleia da República mentir. Vai lá mentir. Isso é indigno de um ministro. Quer nos meios, quer na formação, quer no investimento, as denúncias têm surgido, as críticas têm surgido e o ministro limita-se a mentir. E, portanto, o ministro da Administração Interna não existe, é o ministro da propaganda. Apesar de se ter feito mais algum investimento, fica muito aquém daquilo que era necessário e, sobretudo, a propaganda vai muito mais além do que aquilo que está a acontecer. Porque no que diz respeito aos bombeiros, por exemplo, à Força Especial de Bombeiros ou aos bombeiros voluntários, têm sido maltratados, têm sido desprezados, não tem havido nem investimento, nem cuidado, nem atenção e, sobretudo, tem havido muita incompetência. Vamos lá ver, se passado dois anos da tragédia de Pedrógão, em que se mudaram os comandos, quase todos, só porque tinha o cartão do Partido Socialista e não assumem as suas responsabilidades e nada mudou desde aí, acham isto normal?
Deixe-me falar de outro assunto que também tem causado alguma polêmica. Curiosamente, um assunto que até surgiu na opinião pública mais depois das atividades parlamentares terem terminado, que tem a ver com o grupo de deputados do PSD e do CDS que pediu a fiscalização sucessiva do Tribunal Constitucional no que diz respeito à questão da identidade de gênero e, sobretudo, às normas que fixam medidas no sistema educativo para que se promova o direito à autodeterminação e que se impeça que haja discriminação, violência, enfim, bullying e uma série de comportamentos. Quer explicar qual é a sua posição?
Uma coisa é aquilo que nós consideramos e que toda a gente considera que deve ser ensinado nas aulas, que é não haver discriminação, haver respeito pela diferença, haver o direito a tudo, e as pessoas têm que ser livres e serem respeitadas pelas suas escolhas. Toda essa pedagogia tem que ser feita e nós consideramos, obviamente, que isso faz sentido e deve ser tido em conta. Outra coisa é a forma como isso é feito e alguns detalhes que são uma espécie de incentivo. É isso que a ideia que fica.
Mas onde é que isso está escrito na lei, que há um incentivo?
Aquilo que acabou de ler da autodeterminação, para os deputados que propuseram isso e, sobretudo, para os seus promotores, criava bastantes dúvidas e, portanto, a ideia foi pedir essa fiscalização para ver se podia ficar.
Mas qual é a vossa dúvida, concretamente? Que é isso que não ficou claro.
A dúvida são os exemplos que têm acontecido nalgumas escolas, com base nessa interpretação que é feita, de quase uma promoção. A dúvida é essa, da promoção de algumas opções. Parece que há uma espécie de, não é de legitimação, porque elas são legítimas e devem ser. É uma espécie de promoção.
Mas promoção como?
De promoção, de apologia de certas opções.
Mas é promoção da ideologia de gênero e há casos concretos que consigam consubstanciar esta posição e estas dúvidas?
Eu fui um dos que assinaram, não fui eu que preparei, portanto, a profundidade com que vi esses casos não foi a mesma das pessoas que fizeram o texto, devo confessar. Mas há casos muito concretos de apologia de certas opções. E aqui a nossa questão é: não é apologia das opções. O que nós devemos defender é a apologia do respeito pela diferença. Os alunos são todos iguais.
Que aliás, está consagrado na Constituição e noutras normas.
Claro que está consagrado.
Falam especificamente na necessidade de prevenir e combater a discriminação e a promoção do gênero. Por que é a favor disso, mas é contra isso no ensino?
Não, uma coisa é a apologia e, sobretudo, a falta de controle que há sobre quem a faz Se a Rita me dissesse que eram os professores do ensino público ou privado que faziam esse tipo de explicação e trabalho, se calhar não estava tão preocupado. O problema são relatos que surgiram de alguma apologia e isso deve ser igual para todos.
Mas a apologia não está escrita na lei, portanto, o Tribunal Constitucional quando vai avaliar, não vai avaliar essas questões que está a levantar. Portanto, qual é a eficácia e qual é o objetivo de uma fiscalização de uma lei dessas, dando ainda por cima a imagem que parece que a lei impeça a discriminação de pessoas e de crianças, sobretudo nestas circunstâncias.
Como a Rita dizia muito bem, a própria Constituição já prevê essa proibição da discriminação. A questão não é essa. Qualquer um de nós, não recebemos lições nem de tolerância, nem sequer de democracia de ninguém sobre este assunto. Cada um faz aquilo que bem lhe apetece e deve ter a liberdade de o fazer. E não somos censores do regime, como alguns tentam ser. Aqui a ideia é também impedir que haja alguma apologia de certas opções, que é aquilo que parece que está a acontecer. E essa questão da autodeterminação, a forma como ela é apresentada, deixou preocupações.
Não sei se ficou claro o ponto que fez relativamente à questão do Tribunal Constitucional, mas temos de avançar para outras matérias onde também está envolvido, nomeadamente, um tema quente que envolve o seu partido, que tem a ver com a constituição das listas do PSD. O seu nome tem sido muito falado e segundo relatos muito fiáveis que nos chegaram a nós e a toda a comunicação social, motivou quase ali uma troca de argumentos entre dirigentes da direção atual.
É normal haver trocas de argumentos, debates políticos.
Sim, quando chega a vias de facto, como se relatou, é que já talvez seja mais incompreensível para quem está de fora. Como é que é? Vai nas listas ou não vai nas listas, afinal?
Entre quase, eu vi este facto, vai uma grande diferença. As pessoas têm discussões acaloradas, eu não assisti. Eu devo dizer que sobre este assunto, oficialmente, ainda não sei nada. Li o que li nos jornais e obviamente falei com pessoas do partido para saber o que tinha acontecido. Aquilo que eu sei é que o processo só termina na próxima semana. Eu tenho a minha consciência tranquila.
Isso sabemos todos. A questão é que não há de ter estado ausente das conversas que têm sido tidas e que lhe dizem respeito a si.
Estive mais ausente do que vocês podem imaginar. Eu recebi muitas chamadas de pessoas surpreendidas por o meu nome ter sido retirado da lista proposta, isto é verdade. O meu nome foi proposto por várias concelhias, por várias organizações. E portanto, recebi mais chamadas do que fiz. E não estando nas minhas mãos a decisão, resta-me esperar pela decisão do presidente do partido.
Mas quer ser deputado ou não quer ser deputado?
Eu gostava de continuar a fazer este trabalho. Eu gosto de ser deputado, eu gosto de fazer política, eu gosto de servir as pessoas.
O Duarte foi um dos nomes mais indicados na reunião, depois acabou por não ir na lista porque foi votada uma lista ou foram votados outros nomes, mas acabou por ser repescado, se assim se pode dizer, pela direção. Ontem, uma das acusações que houve na terça-feira, foi precisamente que tinha um padrinho. O Nuno Morais Sarmento é o padrinho e vai ser o responsável por esta integração nas listas?
O meu padrinho é Manuel Henrique Dias Correia, é o meu padrinho de batismo, esse é o meu padrinho.
E político?
Segundo eu sei e segundo me foi dito de várias pessoas, a decisão não é do Nuno Morais Sarmento, nem do Silvano, nem do Zé ou do Manel. Houve uma decisão da Comissão Política Nacional para propor nomes às distritais e portanto, será uma decisão da Comissão Política Permanente e do presidente do partido, mas eu sobre isso já disse que não quero falar até ao dia da decisão. E portanto, não há uma decisão individual de ninguém do partido, aliás, nem do próprio presidente do partido.
Mas custa-lhe de fora, estando de fora, estar a assistir este espetáculo?
Claro que custa, sobretudo porque gosto muito do PSD, porque gosto muito de algumas pessoas envolvidas e sobretudo, não gosto de ver o meu nome metido numa polêmica. Eu acho que toda a gente percebe o que é que se está a passar. Eu não serei deputado ou deixarei de ser por ter um padrinho ou menos um padrinho. Eu penso que as pessoas reconhecem o meu trabalho e o meu empenho. Se não for deputado, não é grave. Tenho muita coisa para fazer na vida.
Mas entrar numa lista onde tem o distrital contra o seu nome naquela lista não dá uma ideia, não dá um sinal de alguém agarrado ao poder?
Não.
Que é contra tudo e contra todos de continuar no Parlamento.
Não. Porque se for falar com as pessoas do meu distrito e com os militantes e sobretudo com os cidadãos, vai ver que não é bem assim.
Então e relativamente às sondagens que têm saído para o PSD, são várias, mas os números, na verdade, não andam muito diferentes uns dos outros. A tendência é de queda e estamos a falar de resultados que podem dar o pior resultado sempre do PSD. Como é que olha para isto? Está preocupado ou vai fingir que as sondagens não têm importância?
Há alguma hipocrisia quando se diz que não se liga às sondagens. Claro que se liga. Eu prefiro sempre sondagens a subir e positivas do que negativas, não vale a pena inventar. Mas também já vi sondagens no último governo do Pedro Passos Coelho, também diziam que ia perder as eleições e ganhou. Aliás, ia perder por muito e conseguiu ganhar.
Na verdade, quase todas davam a vitória a Passos Coelho, tirando uma em particular, que depois na última semana deu também.
A seis meses das últimas eleições.
Mas nós não estamos há seis meses.
Mas há poucos atos, não tinha esta distância.
Mas com estes números que agora estão a apresentar-se nestas últimas sondagens.
Estes números são preocupantes. Este número sobre o intervalo é bastante mais largo.
Sim, há um intervalo ali que é importante olharmos. Eu gosto muito de olhar para duas coisas nas sondagens. Gosto de ver a tendência, é muito importante, e ver os indecisos. E se vocês forem olhar para os indecisos e na abstenção, há uma grande abstenção de pessoas que dizem que se forem votar, votam PSD. E isso é muito importante. Ou seja, há cerca de um milhão de portugueses que diz que se for votar, que não têm votado, não votou na última vez, mas que se for votar, vota PSD. E isso é um manancial de oportunidade brutal para o partido.
Como é que podem motivar essas pessoas?
Com as propostas. Eu acho que com as propostas, com alternativa ao Partido Socialista e à esquerda.
E acha que há isso em relação ao PSD?
Eu acho que há boas propostas que têm surgido, sobretudo na área da saúde, na área dos impostos, na área da educação, na área das infraestruturas surgiram coisas boas também de certeza. Na área ambiental, o PSD tem-se conseguido diferenciar nos últimos tempos com algumas propostas novas e eu espero que isso seja feito, apresentado e concretizado em factos até às eleições. Eu acredito que é possível dar a volta. Vamos ver, não vale a pena inventar. A situação não é fácil, mas a possibilidade de crescimento é muito grande e eu acho que até lá as pessoas começam a ver cada vez mais a máscara de António Costa a cair. António Costa perde máscaras todos os dias.
Vamos ver qual será o resultado do PSD. Ainda faltam bastantes semanas para as legislativas. Esta parte da nossa conversa terminou. Servimos a vichyssoise. Vamos para a segunda parte do menu, que é a carne ou o peixe. Ou seja, vamos dar aqui duas opções e vai ter de escolher uma rapidamente. Respostas rápidas é o que se deseja.
Se alguém for vegan, como é que responde?
Pode optar por isso, mas neste caso sabemos que não é e, portanto, tem a carne ou tem o peixe. Vamos então servir estas duas opções. Duarte Marques, o que o deixou mais triste: ver Durão Barroso a sair para Bruxelas ou ver Passos Coelho a morrer na praia em 2015?
Obviamente, Passos Coelho a morrer na praia em 2015. Sem dúvida nenhuma. Eu acho que Durão Barroso ir para Bruxelas foi uma questão importantíssima para Portugal, foi importante para Portugal, foi importante para a Europa, foi importante para o PSD e foi importante para os portugueses. Isso sem dúvida nenhuma.
Duarte Marques, preferia uma boa noite de copos com Santana Lopes no Lux ou uma boa noite de copos com Rui Rio no Lust?
Há muitos anos que não vou ao Lux, mas admito que para uma noite de copos não escolhia nenhum dos dois.
Tem de escolher. Daqui não pode ser vegan.
Entre um e outro, neste momento escolhia o que é do meu partido, portanto, o outro já não é do meu partido.
É mais fácil acertar com as vírgulas num texto ou entrar nas listas do PSD?
Eu acho que é mais fácil acertar com as vírgulas num texto.
Preferia comer arroz de cabidela da sua mãe todos os dias para o resto da vida-
Nem quero ouvir a segunda pergunta
...ou ser ministro por um mandato?
O arroz de cabidela da minha mãe-
Essa resposta já era positiva à partida.
Sim, claramente. E vocês deviam provar um dia, vão ver o que é que isso significa.
Para a próxima pode trazer. Acabou, isto é rápido, não temos muito tempo a perder.
Resposta direta.
Não foi isso que trouxe para a nossa sobremesa. Também arroz de cabidela não seria exatamente a melhor sobremesa, mas nós pedimos sempre a um convidado que traga uma sobremesa. O Duarte foi generoso e não trouxe apenas uma, trouxe duas. Uma que é mais invulgar e que começa desta forma. Queres explicar o que se passa aqui?
Eu tenho várias músicas que gosto.
É que eu para o carro gosto de ouvir.
Não, esta música é das músicas mais importantes atualmente da minha vida, que é quando a minha filha não quer comer, isto é infalível. Ela adora esta música e eu achei que era uma forma de serviço público também partilhar com os outros pais, que devem ter as suas estratégias, esta música que é tão eficaz e portanto é útil. Usem em caso de necessidade. Sei que vão ficar todos a cantar esta música. E também achei que era inovador trazer isto à rádio observador.
Vai sair daqui sem tirar da cabeça.
Nunca terminamos com uma música destas, mas se calhar, e pronto, este ano já feito esse conselho de serviço público, como disse, vou lhe perguntar qual é a música com que vamos de facto terminar este programa e porque é que a escolheu.
Não era esta?
Não, esta foi só para nós ouvirmos aqui para poder deixar essa mensagem.
Isso eu suponho que a outra é outra que eu mandei também anteriormente.
Exatamente.
"I Wish You Were Here", que é do Pink Floyd. E é uma música que eu adoro, que o meu pai ouvia muitas vezes e que eu, ao contrário das pessoas da minha geração, não sei porquê, sempre ouvi muito Dire Straits, Pink Floyd, Genesis e não ouvia o resto. E esta era uma das preferidas do meu pai e também sinto a falta dele e, portanto, quando escolho uma música preferida é sempre esta.
Muito bem, e é com essa que terminamos este programa. A vichyssoise já sabe que está sempre disponível em observador.pt e nas plataformas de podcast e repete-se também durante o fim de semana.
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