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Olá, bem-vindos à Vichi Suaze. Contados os votos das legislativas, as candidaturas presidenciais não perderam tempo. O PSD deu apoio a Marcos Mendes e o almirante apresentou-se perto de onde o mar começa e a terra acaba. Ou será o contrário? O tabu foi longo, mas quem espera sempre Alcântara. E foi ali, na Gare Marítima de Alcântara, que o VMelo entrou na maior viagem da sua vida.
Já não me lembrava há muito tempo de termos tido tanto entusiasmo, tanta alegria.
Portanto, o Partido Socialista não contemporizará com qualquer iniciativa que obste à viabilização do governo que decorre das eleições.
Nós não vamos celebrar nenhum acordo permanente de governação nem de incidência parlamentar.
O que é que agora não fazem mais um ou dois? Quer dizer, foi sempre assim.
Precisamos de um presidente diferente, usando a palavra com contenção, com substância e com propriedade.
Que não é uma prioridade do governo e lá mais pra frente poderemos discutir esse assunto.
Sem alarmismos, mas também sem ingenuidades.
Ora bem, nós prometemos aqui não ter nem contenção, nem substância e muito menos ainda propriedade. Eu sou o Rui Pedro Antunes, sou editor de política do Observador e comigo tenho os jornalistas da seção de política do Observador, Miguel Pereira Santos, Rita Tavares e Mariana Lima Cunha. Vai começar a Vichi Suaze. Ora, vou...
Começa tu, Rui, tens tanta coisa pra contar.
Por acaso podias contar-nos mais sobre a tua noite, Rui.
Sobre a Gare Marítima de Alcântara.
Então lancei vocês a sopa.
Então vou dizer, é sopa de
Sopa marítima.
Marítima.
Sopa marítima.
Uma sopa marítima.
Aquelas sopas que parece que ainda sabe a mar. Sabem?
Aquelas de peixe, que têm mesmo peixe sem que o restaurante tenha gato.
Exatamente.
São delícias do mar.
Eu ontem estava a tentar, uma das coisas que por acaso não escrevi, estava a tentar identificar, porque na altura não consegui perceber muito bem, também estava sem óculos, a cor do fato do almirante, já que eu estava muito com aquela imagem sempre da farda branca. E eu acho que estava com o fato preto, o que é bom porque a ideia do nunca me comprometo. Na verdade, ele pronto, ok, educação melhor, saúde melhor. Em alguns momentos também no discurso não se compromete muito. Também diz que tem que ser mais ouvido, mas que também não se vai meter na governação. E portanto, foi muito interessante toda essa parte. E depois uma máquina extremamente bem oleada. Vocês não estão a ver o grau de profissionalismo.
Ficaste com medo de levar uma vacina assim de repente.
Sim. Eu perguntei logo-
Tem um cheirinho de máquina socrática, não tem? Pelo que contaste no teu texto, tem o Luís Bernardo a fazer essa comunicação.
Tem, exatamente. Eu, aliás, quando eu cheguei lá e vi tanta gente, perguntei se ia levar a Moderna ou da Moderna ou da Pfizer. Mas voltando a essa tua pergunta, Rita. De facto, estava lá o Luís Bernardo, que todo o país conhece por aquele célebre episódio de José Sócrates dizer: "Ó Luís, não sei se está bem assim a gravata."
Olha pra câmera.
A olhar pra câmera antes da bancarrota. E de facto, é uma empresa de comunicação que é um verdadeiro império e pôs a carne toda no assador, no sentido em que estava lá muitos assessores experientes que trabalham pra ele. E também, além disso, via-se que era tudo altamente preparado ao pormenor, quer as pessoas, por exemplo, enfim, eu acho que o termo não é correto e nem sequer é bom dizer, mas parecido a hospedeiros e hospedeiras, pessoas que estavam lá pra ajudar a sentar e apenas para ir buscar águas, etc. Mas era um staff muito grande, mas apesar de tudo, sem dúvida nenhuma que estava lá muita gente, muito espontânea, e na fila da frente os lugares estavam marcados. Ou seja, era propositado estar Isaltino, haviam papéis A4 a marcar. Eu por acaso também não escrevi isso na reportagem, guardei pra Vichi Suaze.
Privilégios quem é da Vichi Suaze.
Havia papéis a marcar, portanto, ele quis mesmo sentar Isaltino Morais perto dele, quis mesmo ter ao lado dele António Tavares, da Santa Casa da Misericórdia do Porto, Provedor. E portanto, quis mesmo rodear-se e ter ali por perto Carlos Carreiras, etc. Não muito longe, Mário Ferreira da TVI, que estava logo na segunda fila.
Um bocadinho mais longe, Francisco Rodrigues dos Santos, não sei.
Sim, um bocadinho mais para o outro lado.
Também se calhar estratégico.
E portanto, foi assim. Mas pronto, queria perceber também a vossa sopa marítima, mas mais quem são os contra almirante, não no sentido militar do termo, mas aqueles que eventualmente vão contra o almirante.
Ontem, uma hora depois do almirante falar, o António José Seguro falou naquele comentário semanal que ele tem na CNN Portugal. E eu confesso que estava na expectativa, porque ele disse que vai anunciar na CNN a sua decisão. Estava um pouco na expectativa de perceber se por acaso poderia dar algum sinal. Na verdade, até deu, porque assumiu tudo. Que quer ser candidato, que pode ser candidato, mas que ainda continua na sua fase de reflexão e ponderação, ou seja, que ainda não tem a certeza se deve ser candidato. Mas depois, tudo o resto que diz, parece-me que ele acha que deve ser candidato, só ainda está a fazer caixinha mais umas três semanas sobre isso.
Vamos lá ver se não é, ele era o exilado das Caldas, não era assim que lhes chamavam? Depois ele teve aquele tempo de, vamos lá ver se não é queima intentona das Caldas, que depois não chega a ser o que se propôs.
António José Seguro, toda a postura dele é de uma figura que Desenha o quadro e o contexto político que estamos a viver, para se colocar nele como uma figura que pode ajudar a desbloquear, como uma figura que é da esquerda, mas não é tão à esquerda assim, mas é da esquerda, e ele até usa uma expressão que é: o regime está desequilibrado, porque a direita está com uma força grande, como quem diz: "Agora se calhar é melhor contrabalançar aqui com alguém do outro lado." Tem um problema ainda no Partido Socialista, que ele ontem também frisa, o Público escreveu esta semana que José Luís Carneiro já falou com António Vitorino. Ontem perguntaram-lhe na CNN se também já falou com António José Seguro, e Seguro diz que não, de forma muito lacónica. Diz que não teve nenhuma conversa sobre isto com o José Luís Carneiro.
Eu acho que eles falam todos os dias.
Se calhar sobre isto não, se calhar sobre tudo o resto, sim. Não sabemos se a conversa vai acontecer ou não, não sabemos sequer se isto tem alguma leitura, mas sabemos que dentro do Partido Socialista, António José Seguro está longe de ser unânime. A ala costista não acha que é boa ideia e tem dito isso de forma muito clara nos últimos meses. Mariana Vieira da Silva voltou a dizer esta semana, mas já tinha dito no passado, Fernando Medina também, ninguém dessa ala acha que António José Seguro seria o melhor candidato. E para José Luís Carneiro, que quer um partido unido nesta fase, também vai ter um problema, sabe que tem um problema, se tiver de lidar com isto daqui para frente e com uma divisão de águas. Não sabemos se será assim, sabemos que António Vitorino ainda está a refletir também. Provavelmente aqui está a haver um jogo de marcação, ou seja, avanças tu, não avanço eu, e até serve de justificação para não avançar. Enfim, pode haver aqui esse cálculo. Mas também houve uma frase que é importante de José Luís Carneiro quanto a mim esta semana, que foi na entrevista que ele deu à RTP3, quando ele diz que terá o apoio do PS aquele candidato que, eu não estou a citar precisamente, mas sei que ele faz uma relação entre isso e a unidade do partido.
Será que isso é uma margem para não apoiar António José Seguro?
Ou pelo menos ainda estar a fazer uma tentativa de perceber se há alguém que possa ser mais consensual, mas depois a partir daí vai ter de travar António José Seguro, que me parece que é muito difícil travar nesta fase já.
Mariana, diz-me lá, tu foste também assistir ao Conselho Nacional, enfim, estive a parte que foi aberta do Conselho Nacional, onde houve o apoio a Marques Mendes. Como é que é esta estratégia, não de contra-almirante, mas contra o almirante do PSD?
Deixa-me só dizer, Rui, que ontem quando estava acompanhando o discurso através do que tu ias escrevendo aqui no site, porque estive entre Belém e o Conselho Nacional. Ontem foi a espécie de bingo da política nacional, que aconteceu tudo e mais alguma coisa. E eu estava entre as audiências em digitação Luís Montenegro e o Conselho Nacional do PSD, e fiquei com a ideia de que o almirante Gouveia e Melo, lembrei-me que podia pedir a ajuda de António Costa Silva para as citações e metáforas, para diversificar um bocadinho o repertório, porque António Costa Silva ficou conhecido por meter poemas e metáforas em todas as suas-
Ou até Luís Bernardo, porque ele lidou com José Sócrates, que também era um citador compulsivo.
Há de ter de começar a aquecer essa parte, porque aquela coisa do onde o mar acaba e a terra começa, etc., não parecia muito inspirado. Agora, falando de Marques Mendes e dos contra-almirantes. Marques Mendes acho que tem duas dificuldades, que são as vantagens de Gouveia e Melo nesta corrida. Uma é que aparentemente as grandes vantagens na corrida, pelo que as sondagens vão dizendo, pelos dados que temos, são ser anti partidos e ser o anti Marcelo, e Marques Mendes não é nenhuma destas coisas. É um bocadinho até o contrário. Ou seja, acho que Marques Mendes vai ter aqui um processo difícil de marcação de Marcelo, de quem foi conselheiro e de quem foi próximo e é obviamente uma figura que intuitivamente uma pessoa não separa Marcelo do PSD.
E até pelo percurso, foram os dois mentores da fundação.
Aliás, é curioso, porque nós tivemos Marques Mendes muitos anos a fazer precisamente ali uma cópia quase a papel químico do percurso que Marcelo Rebelo de Sousa foi fazendo, como que pensando que se fizesse o mesmo percurso, iria seguir os seus passos, obter alguma da mesma popularidade, etc. O que eu acho que era muito difícil, porque Marcelo, de facto, é uma personalidade muito própria e muito única. E agora, chegados aqui ao momento em que finalmente se tiram as dúvidas e se apresentam os candidatos, percebemos que se calhar, a avaliação que se fez à luz da popularidade que Marcelo Rebelo de Sousa chegou a ter não pode ser a mesma, era feita há uns anos, e que é preciso haver uma demarcação. Eu diria que sobretudo haverá a percepção sobre o papel de Marcelo Rebelo de Sousa no peso que dava à palavra no papel de presidente da República, mas também, e acho que politicamente é a mais relevante, na maneira como autoinfligiu a si próprio muitos dos problemas que depois se viraram contra si, como é o caso da maneira como decidiu dissolver a Assembleia da República, por exemplo, por não haver orçamento de Estado, que é uma prática que foi muito questionada e que o almirante já prometeu que não fará igual.
Até porque isso desobrigava os governos de apresentarem o segundo orçamento.
Negociarem, não é? Ter aquelas soluções que toda a gente depois nestas alturas vem dizer que a Europa é muito mais madura do que nós, porque aguenta meses sem orçamento.
O almirante na noção de estabilidade tem um problema que, por exemplo, neste caso, agora, mesmo que o almirante não quisesse dissolver a assembleia, tinha de o fazer.
Sim, claro.
A rejeição de uma moção de confiança é automática.
Sim, eu acho que o caso mais duvidoso no percurso de Marcelo é mesmo a questão de fazer aqui valer um chumbo de um orçamento à dissolução de uma Assembleia da República.
E depois outra regra constitucional que ele também fez aqui paralela, que foi aquela de dizer que um primeiro-ministro eleito com maioria absoluta ficava do seu lado.
Sim, ficava preso.
Ficava preso ao cargo para sempre.
Sim, que não podia ser substituído por outro, mas depois ainda andou a tentar.
Tentou corrigir, mas já não foi a tempo.
Portanto, acho que houve uma série de erros autoinfligidos de Marcelo, de quem os candidatos agora se querem distanciar, e o almirante obviamente parte muito mais bem posicionado para esse distanciamento. Agora, também nós ouvimos ontem um discurso de 16 minutos com uma série de lugares comuns, em que ainda é difícil fazer uma distinção séria sobre o que o almirante vai ser.
Ora bem, Miguel, não sei se queres dizer alguma coisa sobre isto ou se já vamos para o Gaspars, que é uma sopa fria de várias-
Está calor.
O Gaspars?
Sim.
O que queres nos trazer aqui que possa ter sido um choque e uma frieza com a realidade?
Acho que o choque é um bocado o dia seguinte das eleições para o Bloco, porque além de perder os quatro deputados no Parlamento Perde o grupo parlamentar e isso tem outras consequências para além da composição da AR, nomeadamente deixam de poder nomear representantes para a CNE, para a Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial.
Claro, tendo em conta também as bandeiras do Bloco de Esquerda, não estar nesse tipo de comissões é importante.
Sim, e para além disso, também não pode apresentar moções de rejeição ao programa do governo, que aconteceu, por exemplo, ano passado. Este ano podem seguir a proposta do PCP, mas não poderão fazer a sua própria proposta. E agora Mariana Mortágua vai ter a necessidade de se afirmar com menos armas do que tinha há um ano.
Claro, que é uma DURP. E por falar em frieza, uma DURP que é uma deputada.
Para quem não é nerd da política, explica o que é.
Deputada única sem representação parlamentar.
Exato. Se não for assim, é parecido. É uma deputada única. Rita, por falar em uma sopa fria, que também pode ser um balde de água fria, neste caso é o gaspacho e não o vichyssoise.
É um tacho de gaspacho.
Tu que há dois anos acompanhavas um partido do governo, há um ano e meio, agora acompanhas o terceiro partido parlamentar. Foste desqualificada. Como é que foi esta passagem? Já estava toda a gente à espera. À espera desde as eleições.
Sim, da convocação.
Não foi surpresa.
Aliás, estava tão à espera. Estava tão à espera.
Não foi na quinta-feira que houve isto, desde o dia 18 de maio.
O PS estava tão à espera que Carlos César, muito antes da hora, já tinha atirado a toalha ao chão e dito que, tal como se previa, o PS vai perder. Mas não é uma desqualificação, porque nisto que nós fazemos, eu acho que é sempre mais divertido ver coisas em erupção e, neste momento, o que há mais em erupção do que o Partido Socialista?
E todo o processo de reflexão e transformação do PS vai ser interessante de acompanhar.
Sim, vai ser longo. Esta semana foi interessante ver que houve aqui uma espécie de balão de oxigénio dado ao Partido Socialista por Luís Montenegro. Era o parceiro menos improvável do PS nos últimos meses, com o líder do PS que existia e com a crispação que se criou entre os dois. Mas de repente, ele quando fala já como primeiro-ministro indigitado e quebra o longo silêncio que escolheu fazer nestes dias, disse uma coisa que eu acho que fez os socialistas respirarem de alívio, que foi a questão da revisão constitucional, ao dizer que não é uma prioridade. Ao mesmo tempo que diz que vai negociar tudo com todos, que não há um acordo permanente de incidência parlamentar, também diz isto, e isto não é pouco, tendo em conta que o PS está agora, neste novo quadro parlamentar, excluído dessa maioria constitucional. E eu estou a tentar dizer as sílabas todas.
Não te ficou isso tão bem como dizer legislatura esquerdista ao António Costa.
Os tempos são outros, já não é constitucional.
No tempo do António Costa podias dizer.
Mas essa maioria já não inclui o PS, pode não incluir o Partido Socialista e havia a dúvida, durante esta semana, e dirigentes de ambos os lados a dizerem se era possível fazer ou se se devia fazer uma revisão constitucional deixando um partido desse arco e fundador da democracia de parte, o Partido Socialista, e havia esse receio no PS ser reduzido a essa total insignificância numa matéria dessa dimensão. E Luís Montenegro veio, de alguma maneira, agora dizer que isso não é uma prioridade, não tira a revisão constitucional do calendário, diz que lá mais para frente se pensa no assunto, mas neste momento em que ele também precisa de desbloqueios para iniciar a governação e descrispar um bocado o ambiente, até com o Partido Socialista, Luís Montenegro usou claramente esta falta de prioridade para a revisão constitucional, que já tinha a Iniciativa Liberal e o Chega a desafiarem no a fazê-la, para aligeirar o ambiente para o Partido Socialista.
E muito bem, nós temos que terminar aqui a primeira parte. Na segunda parte vamos ter um fundador do movimento Honrar Portugal, que tem como objetivo eleger como presidente o almirante Gouveia e Melo. Voltamos já a seguir.