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Olá, bem-vindos à Vixi Suave. Ainda estamos no inverno, mas as temperaturas estão muito quentes para a época do ano. Afinal, parecendo que não, ainda estamos no princípio da legislatura e já os partidos estão com muita dificuldade a entender-se, seja por causa dos juízes do Constitucional, seja por causa da nova lei das PPP ou do aeroporto do Montijo, anda tudo às turras e o presidente da República até já veio tentar arrefecer os ânimos. Mas estará a ser Marcelo excessivamente pessimista? É verdade que uma andorinha não faz a primavera, mas esta semana vimos sinais de que a pomba da paz anda por aí. Senão, vejamos o que Joacine Katar Moreira contou sobre André Ventura, logo ele, no programa Cinco para a Meia-Noite da RTP.
É um homem que nunca me maltrata.
Não?
Cordialíssimo comigo, irônico. Ele ainda me dizia: "Olha, Joacine, se o seu partido não quiser, fala para o Chega!"
Ele não disse isso.
O Chega às balas.
Ele não disse isso.
Fala para o Chega.
É um fofinho o André Ventura. Vamos falar dele nesta edição, até porque foi um dos entrevistados da semana no Observador. Falaremos também de tudo um pouco com o João Alexandre, editor da rádio, a jornalista Rita Tavares e o jornalista Rui Pedro Antunes. Eu sou o Pedro Benevides, editor de política do Observador e esta é a Vixi Suave. Olá a todos, boa tarde. Eu estou constipado, como se percebe pela minha voz, mas posso desde já dizer que é apenas uma leve constipação, não tenho qualquer outro sintoma, mas se calhar começaria a distribuição de sopas por uma canjinha. O que vocês acham? Porque se calhar os tempos estão aqui a precisar de qualquer coisa, João Alexandre.
Isto tem que ver com gripes, não é?
Tem a ver com gripes, eu diria com gripes e com outros vírus que andam por aí e que andam a ocupar aqui as manchetes da atualidade.
Saúde 24, balanço de atividade, oito milhões de chamadas para a Saúde 24 em 10 anos de funcionamento.
Bom, este era os números de 2017. Isto por quê? Porque eu estive a fazer uma pesquisa há bocadinho a propósito destas questões gripais, neste caso do coronavírus, e também destes problemas como, por exemplo, da linha de Saúde 24, porque houve um homem que caiu em tempos de guerra, o até agora líder deste serviço, que era dos serviços partilhados do Ministério da Saúde, Henrique Martins. E ora bem, o que acontece é que, por exemplo, esta questão da linha de Saúde 24, já em 2009, mais ou menos, no Parlamento, já Francisco Jorge ia ao Parlamento falar, ele era diretor-geral de Saúde nessa altura, já ia nessa altura ao Parlamento também responder por causa da linha de Saúde 24 e da falta de eficácia da linha de Saúde 24. Portanto, agora nesta altura de surto de coronavírus, falamos desta questão da linha de Saúde 24 e se está ou não a ser eficaz, e se está ou não com tempos de espera muito longos, e se o governo está ou não a investir neste serviço, que é um serviço de emergência, é o serviço para o qual o próprio primeiro-ministro e a própria ministra da Saúde diz que os portugueses se devem dirigir caso apresentem algum tipo de sintoma, caso tenham alguma dúvida. Portanto, esta é uma questão que já não é de agora. Eu queria só relembrar isso, brilhar aqui um bocadinho com dados também.
E fizeste bem, até porque este foi um caso que faz recordar palavras do primeiro-ministro no próprio debate quinzenal, onde quando foi questionado sobre a manutenção da confiança na atual diretora-geral de Saúde, António Costa teve uma frase que, na verdade, também marcou esse debate.
Estamos a viver uma epidemia e um risco de uma pandemia. E há uma coisa que é certa: no meio da batalha, não se mudam os generais. Travam-se as batalhas, vencem-se as batalhas, e é isso que faremos com a nossa diretora-geral da Saúde.
E, portanto, não se mudam os generais, mas aparentemente há outros rankings dentro da estrutura militar que se podem mudar.
Sim, o Henrique Martins deve ser major ou coronel, não sei bem as hierarquias militares.
Houve alguém que dizia nos membros do governo que era, na verdade, um soldado raso.
Raso também não me parece.
Também acho que é um bocadinho exagerado.
Mas só dizer uma coisa, que sou absolutamente fã da linha Saúde 24. Às vezes até ligo para lá para evitar pagar taxa moderadora por quando é encaminhado. Mas acho que funciona muito bem. Não sei agora em tempo de crise, porque não tenho acesso a isso e, portanto, este registo de interesse inicial. Mas só para dizer uma coisa, acho que, neste caso, mudar uma figura depois do que o primeiro-ministro disse, que pode não ser um general como é a diretora-geral de Saúde, é uma figura relevante, principalmente na gestão deste sistema e desta linha que é importantíssima neste combate para a contenção do vírus e para não haver cadeias de transmissão. Mas há aqui um ponto que me parece, do ponto de vista político, que é o efeito que o vírus pode ter politicamente. Eu acho que aqui é o mesmo líder de governo, o mesmo chefe de governo que teve Pedrógão e que meses antes de Pedrógão substituiu cargos de topo na estrutura da Autoridade Nacional de Proteção Civil, colocando pessoas próximas do PS. Por exemplo, no comando distrital de Leiria, pôs um advogado a gerir operações de proteção civil. E o que eu quero dizer é: Luís Gomes Pinheiro é conhecido como até uma pequena estrela, no sentido em que é bom no nível da gestão, conhecimento em vários fóruns, não está em causa a competência dele. Mas olhando para o currículo de Henrique Martins, além de ser licenciado em Medicina, de ser um médico, tem mestrado, pós-graduação, PhD, doutoramentos em gestão hospitalar, tem conhecimento técnico de saúde. Olhando para o currículo de Luís Gomes Pinheiro: tem a ligação ao PS. Foi envolvido nos vistos gold, mas nunca foi arguido nem nada, portanto, isso é até uma injustiça fazer essa referência, mas é tido como uma pessoa da área do PS. Mas o que me preocupa é que ele é licenciado em Direito, uma pós-graduação em Direito Penal Econômico. Tudo o que ele fez foi na área do Simplex, etc, nível de governante. E, portanto, tem muitas qualidades, mas não são propriamente na área da saúde e perdeu-se todo esse know-how que Henrique Martins tinha numa altura como esta. Uma das pós-graduações que ele tem é em gestão de informação por tecnologia, etc.
E a única justificação dada pelo governo até agora é que estamos no fim da comissão de serviço de Henrique Martins e é por isso que sai.
Por acaso acabou em dezembro.
Mas prolongou as funções até agora.
Vejam só que ele recebe essa notícia no dia em que sai uma manchete no Público a falar da incapacidade da linha de Saúde 24.
Mas a única justificação dada pelo governo é: acabou a comissão de serviço
Foi uma coincidência, foi uma mera coincidência.
E não vemos qualquer tipo de avaliação também do trabalho que foi feito por parte de Henrique Martins.
Exatamente.
É preciso uma canjinha pra quem anda com o vírus, mas isso pro governo não está a ser canja nenhuma e às vezes dá a sensação de que António Costa e o Rui Pedro falava aqui na questão dos incêndios, não consegue medir logo à partida a verdadeira dimensão dos problemas. Talvez tenha aqui alguma falta de sensibilidade para o impacto que as situações podem provocar no país, porque ele começou esta semana a visitar o centro de contacto da linha SNS 24, a linha de saúde 24, e a valorizar o trabalho das pessoas que estão ali, a visitar, a dar um conforto a quem estava estão assoberbado de trabalho nesta fase do campeonato. E acaba a semana a despedir o presidente da entidade que é responsável pela linha de saúde 24, que ele elogiava no início da semana, porque durante a semana houve um jornal que fez o trabalho de perceber e perante queixas que existiam sobre a incapacidade da linha dar resposta a quem a procura, veio dizer que, afinal, não está a trabalhar como se pretende numa altura de epidemia. Portanto, dá-me aqui a sensação que António Costa não mede bem à partida, e volto a dizer, a questão dos incêndios se calhar até é um bom exemplo para isto, mas será que não houve uma aprendizagem?
Fica a dúvida.
Se houver o caos, o governo vai perder capital político. Ou seja, vai cair tudo em cima do governo, porque é quem está a liderar. E, portanto, esperemos todos que não, e o alarme social não é bom, mas se tivermos, de facto, um grande número de infetados e sair fora do controle, não há dúvida nenhuma que quem vai perder com isso politicamente é o governo.
E depois há o outro impacto, que é importante, que é o impacto económico. Que também está a ser analisado.
E António Costa já disse que vão ser revistas as metas de crescimento até maio, abril.
Já admitiu isso no debate de 15 de abril.
As nativas de 15 de abril já vão prever o efeito do coronavírus.
Estavam a prever esse efeito. Bom, passamos da nossa canja quentinha para curar maleitas para o oposto disto. Vamos servir aqui uma sopa fria, que, na verdade, não fomos nós que servimos, mas foi, eu diria, o presidente da República quando nesta quinta-feira à tarde fez um discurso pra ocasião dos 30 anos do jornal Público, fez um discurso que eu diria que foi bastante mais temperado, mais condimentado do que aquilo que ele tem servido nos últimos tempos, em que tem feito questão de fazer um posicionamento ao nível político bastante discreto, com intervenções que não aquecem nem arrefecem. E desta vez, inesperadamente, resolveu fazer aqui um discurso com marcas muito fortes, que vamos falar sobre elas seguramente agora nos próximos minutos, mas antes vamos recordar uma passagem daquilo que disse Marcelo Rebelo de Sousa.
Baixar a temperatura do ambiente vivido, resistir à tentação sistemática, venha de onde vier, poderes ou oposições, do aceno a crises políticas apelando a dissoluções, definir rumos minimamente estáveis e agir no quadro parlamentar que os portugueses escolheram. Não se julgue que alguém de meridiano bom senso possa recorrer, no intervalo de tempo em que isso será possível, ao voto popular antecipado, a pretexto de indefinições estratégicas decorrentes de imprevisibilidade política.
Ora, um discurso carregado de mensagem política de Marcelo Rebelo de Sousa, que quis entrar na atualidade com bastante estrondo depois de uma presença relativamente discreta nas últimas semanas. Para quem é que vocês acham que se dirigia esta mensagem? Porque eu acho que este discurso tem aqui várias leituras e várias pistas possíveis.
Ele diz que é para todos, mas quer dizer, lê-se cada frase e ouve-se António Costa do outro lado. Não se pode começar a legislatura com ambiente de fim de ciclo. Depois tem lá uma parte que é: perderam o pé, as pessoas não se entendem. E tem uma coisa muito engraçada, que é a conclusão dele, que é: se ninguém fizer nada por mudar este funcionamento do sistema político, alguém poderá preencher os vazios que vão deixando e depois é tarde demais pra acordar.
Está preocupado com Ventura, Rita? É isso?
Dá-me a ideia que sim. Eu acho engraçado que, para já, é a primeira vez que ele intervém. Estavas a dizer que veio com estrondo. É a primeira intervenção que ele tem depois de haver um concorrente pras próximas presidenciais.
Exatamente.
Bom, André Ventura anunciou candidatura no sábado.
Um concorrente assumido. Podia ser, haverão mais.
O concorrente assumido, é o primeiro. Portanto, também não acho que seja completamente estranho que o Marcelo Rebelo de Sousa venha fazer isto agora, porque ele não quer complicações nestes meses que faltam até às presidenciais.
Tu dirias que este é o primeiro discurso de candidato a presidente da República de Marcelo Rebelo de Sousa?
Sim, eu não via um discurso de Marcelo Rebelo de Sousa tão cheio de conteúdo político há muito tempo. É incrível, cada frase é uma frase que não é interpretação política, aquilo é claríssimo.
Eu só não concordo e antes de irmos à conclusão, porque isso também está ligado com a última sopa que temos pra servir nesta parte. Eu só não concordo que seja só para António Costa, ou seja, muito direcionado para António Costa. Sobretudo esta passagem que nós estávamos a ouvir, eu acho que ele está a falar também para Rui Rio Que nos últimos tempos tem mostrado uma postura de oposição mais, não queria usar a palavra feroz, porque essa até tem uma conotação mais associada a outro protagonista político que já não está na política activa, e esta semana também esteve na ribalta, que é José Sócrates. Mas parece-me que ele está também, de certa forma, a avisar o PSD que, sobretudo naquela questão dos juízes do Constitucional, e nós demos conta disso também esta semana, onde o PS garante que houve várias conversas que envolveram até António Costa com Rui Rio, e depois na última hora o PSD acabou por, acreditando na versão do PS, diz que não houve nenhuma negociação, acabou por roer a corda e, portanto, não houve entendimento nestas matérias que podiam ser feitas de forma relativamente fácil. É verdade que cabe ao governo e cabe ao Partido Socialista ter a iniciativa da negociação, mas, por outro lado, eu acho que Marcelo Rebelo de Sousa está também a avisar o PSD que não vale a pena apostar numa estratégia de eleições antecipadas ou tentar corroer o ambiente político de forma que isso seja inevitável, porque ele não vai entrar nesse jogo.
Eu estou a meio caminho entre os dois.
O senhor Presidente que é isto, é alguém que faça estas pontes, é exatamente isto.
Pesa um bocadinho isso. Ele está a avisar os partidos que são antipopulismo ou os partidos do centrão, para dizer o seguinte: se houver aqui um caos, eleições antecipadas vão me pôr na berlinda. E se me puserem na berlinda, corre o risco de dar mais força ao populista André Ventura. No limite dos limites, no caos, vamos imaginar que o Covid sai fora de controle, o PSD faz uma oposição feroz, a esquerda força a queda do governo, o que acontece? No caos, Marcelo tem que aparecer.
Mas, portanto, a ideia é estejam todos quietos que é bom para todos?
Não, ou pelo menos este tipo de coisas, tipo juiz do TC. Exato. Se o PS e o PSD não custa nada chegarem a acordo nesse ponto. E é isso que ele está a dizer. Cheguem a acordo mais um ano, depois eu tomo posse e voltam lá a fazer eleições.
São desentendimentos que dificilmente por um eleitorado isto é compreendido, diria.
Sim, e portanto ele está a avisar o Costa: "Vá lá, faz lá agora essas vontades ao Rio, e tu Rio faz lá essas vontades ao Costa, se não querem que o Ventura me venha chatear, porque para vocês é mais útil eu estar aqui do que estar aqui o Ventura ou estar aqui alguém."
Sendo que o calendário também não é favorável propriamente para crises políticas, porque vamos chegar a um período muito rapidamente em que o presidente está impedido de dissolver a assembleia, e isso vai durar bastante tempo, até depois da eleição do próximo presidente da República, ou mesmo se for reeleito. Em todo caso, e a Rita já tinha referido isso na sua intervenção, há uma conclusão que Marcelo tira disto tudo e que tem a ver com a dificuldade que os partidos têm tido de ocupar determinados espaços, o que faz com que os eleitores se virem para outras propostas políticas. Portanto, ele faz aqui um alerta, que nos últimos anos tem feito com frequência, sobre o risco dos populismos. Mas esta semana eu diria que o fantasma de André Ventura acabou por fazer-se ouvir com mais estrondo. Nós entrevistámos André Ventura esta semana no Observador. Foi o convidado do programa Sob Escuta aqui da Rádio Observador. A Rita Tavares, aliás, com o Miguel Pinheiro, fizeram essa entrevista, que deixou algumas marcas e teve como título, precisamente, um ataque ao presidente da República.
Acho que é muito difícil um chefe da Casa Militar saber e o presidente não saber.
O presidente está a mentir.
Eu acho que está no caso Tanques e acho que por isso está condicionado no caso Tanques.
Não, mas está a mentir no caso Tanques.
Se ele disser que não sabe, na minha opinião, sim. Estou só a dizer na minha opinião.
E portanto, esta é a última sopa que temos para servir agora nestes três minutos que nos restam de conversa. Eu chamei-lhe aqui uma receita improvisada de sopa. Não tem a ver apenas com Marcelo Rebelo de Sousa, mas tem a ver, e já agora vou dar a palavra aqui à Rita Tavares, que preparou esta entrevista, para nos contar aqui alguns pormenores de como é que foi esse trabalho que não se viu no ar. E já agora, dares aqui também um contexto do porquê de eu estar a chamar aqui uma receita improvisada de sopa.
Acho que estás a chamar receita improvisada de sopa porque nós fizemos uma entrevista que foi muito centrada nas propostas políticas do André Ventura, que foi ir ao programa do Chega e tentar ir buscar algumas das propostas que passaram por entre os pingos da chuva nas últimas legislativas e foram votadas, foram a votos, e foi nelas que se basearam as pessoas que votaram em André Ventura e votaram na Assembleia da República.
Que não são propostas que façam necessariamente parte do discurso público do André Ventura.
Não, não são. E são propostas que, muito curiosamente, depois nós percebemos pelas redes sociais e pelas reações à entrevista, que há muitas pessoas que não conheciam, como a questão da taxa única de IRS e que depois ele pretende que acabe essa taxa. Enfim, as questões da educação.
O que era interessante é quando vocês insistiam nalgumas propostas.
Sim, e quando nós íamos a essas propostas concretas que estão no programa, André Ventura acabava por mudá-las sempre.
André Ventura parece sempre disposto a mudar todo o programa eleitoral a bem de uma boa entrevista também.
Sim, a bem de uma boa entrevista e consoante o público que tem à sua frente e o impacto que quer provocar e fala na alteração do programa que ele tem agora na grande reunião do partido. Portanto, foi engraçado ver isso e daí tu chamares a isto uma receita improvisada de sopa, porque no fundo, se tem cenoura a mais, tira-se a cenoura, põe-se mais batata. Se não gosta de cenoura, está bem, então vamos pôr aqui outra coisa que o programa tenha.
Se a receita diz que isto tem salsa a mais, também não faz mal, a gente mete mais alho.
Exato. Mas foi uma entrevista interessante de se preparar, porque também nós falávamos disto aqui na redação, que é como André Ventura é um político a quem nós se calar, não vamos para uma entrevista com o mesmo modelo de entrevista que aplicamos a outro político, porque ele próprio é um político diferente, que exige outra grelha de preparação. Enquanto os políticos normalmente fogem dos terrenos mais polêmicos e das questões mais polêmicas para eles, André Ventura faz exatamente o contrário. Passa a entrevista toda a querer ir para esse terreno, que é o terreno onde ele se sente mais à vontade e é onde é mais combativo e é onde consegue deixar o seu discurso mais à solta. E aqui a questão foi mais pelas propostas políticas dele, mas foi engraçado, até porque ele depois chegou aqui já muito tarde. Marcada para 17h30, ele chegou às 21h por causa de uma comissão parlamentar onde tinha estado cinco horas a ouvir a Ministra da Saúde.
E mesmo assim deu uma bela entrevista, que recomendo quem não leu, para ler no observador.pt ou ver o próprio vídeo.
É mentira!
Não, o que eu dizia era verdade.
É mentira!
É uma frase não de Joacim Catar Moreira, mas de António Costa, com esta referência que terminamos a primeira parte da Vixi Suave. Até já. Bem-vindos à segunda parte. Temos agora a mesa posta, vamos servi-la propriamente dita a Vixi Suave, é o que fazemos sempre com os nossos convidados. E hoje o convidado que se senta à mesa conosco é António Pires de Lima, ex-ministro da Economia, administrador de empresas, consultor da banca estrangeira. Foi um destacado dirigente do CDS e, como percebemos esta semana, sobretudo no que diz respeito à questão do aeroporto do Montijo, ainda não perdeu essa influência junto da nova liderança, apesar de termos assistido a algumas cenas de alguma tensão no último congresso do CDS que o envolveram. António Pires de Lima, bem-vindo à Vixi Suave.
Boa tarde!
Deixe-me começar por lhe perguntar, antes de irmos à questão do CDS, sobre o aeroporto do Montijo. É um dos defensores claros dessa solução. Aliás, devo dizer que ainda ontem publicou um artigo de opinião aqui no Observador e revela que foi uma conquista do CDS sobre o PSD, que preferia Alcochete quando estavam no governo de coligação. O que nós temos neste momento é que o PSD aparentemente se recusa a mudar a lei, porque não quer fazer mudanças para casos concretos. O PS ainda está a negociar. Acha que, tendo em conta este ambiente político, que o Presidente da República caracterizou ontem no discurso que fez, acha que pode fazer com que a opção do Montijo vá morrer na praia?
Boa tarde. Espero que não, mas deixe-me começar por fazer uma precisão. A escolha do Montijo no governo de que fiz parte não foi uma vitória do CDS sobre o PSD, porque o PSD defendeu essa solução enquanto liderado pelo doutor Pedro Passos Coelho.
O PSD anterior é que tinha outras-
Isso é outra coisa.
É verdade.
A questão que se põe é se a escolha do Montijo num governo do doutor Passos Coelho e proposta por um secretário de Estado próximo do PSD, o doutor Sérgio Monteiro, que trabalhou comigo, foi um hiato na história do PSD ou se é uma decisão permanente e coerente do PSD a partir de 2014, 2015. Isso é aquilo que nós estamos para ver em função da forma como decorra este processo.
Mas que interpretação é que faz com o ambiente que se está a viver aqui?
Eu acredito que o doutor António Costa quer genuinamente executar a obra do Montijo. É um político pragmático e que sabe que essa é a solução mais racional, mais econômica e também a única que estará disponível num prazo relativamente curto, três anos, apesar de já se ter perdido muito tempo desde 2015 até 2019. E também não estou, sinceramente, a ver o doutor Rui Rio embarcar numa vertigem de uma grande obra pública, invertendo completamente aquela que foi a decisão do governo de Pedro Passos Coelho.
Estava a falar de Alcochete, porque além do tempo que demoraria, que é cerca de sete anos a construir, tinha um custo bastante superior.
É um custo que nem sequer está exatamente estimado, mas que será sempre pelo menos cinco a sete vezes superior ao custo da opção do Montijo, para além de pôr os portugueses e todos aqueles que precisam de viajar de avião para Lisboa a uma distância de 40 km. Portanto, nós podemos compreender que há sempre muitos grandes interesses que são legítimos, mas que se podem manifestar a favor de uma opção como Alcochete, desde logo os transportes, os construtores, se calhar alguns setores financeiros que se posicionam como financiadores de um projeto destes. No passado, sempre se pensou em termos do AISC, OTA ou Alcochete. Foi, de facto, o governo do PSD e do CDS e quando eu estava como Ministro de Economia, que apresentou esta alternativa, a alternativa do Montijo, a alternativa de Portela+1, que foi sempre uma escolha clara do CDS desde há muitos anos. Mas eu espero que no final o bom senso impere, que o doutor António Costa consiga convencer as autarquias que ainda estão renitentes em dar o seu parecer positivo, autarquias vinculadas ao Partido Comunista, que sempre foi contra a privatização da ANA e teve reservas relativamente ao Montijo, e que se esse processo negocial não acabar com resultado positivo, o PSD saiba pôr o interesse nacional à frente daquilo que são os jogos partidários, porque o que seria completamente inaceitável é que uma obra pública inadiável e de interesse nacional, na qual PS, PSD e CDS estão de acordo em termos de decisão, não fosse para frente porque há uma autarquia ou duas autarquias que põem o seu interesse local à frente daquilo que é o interesse nacional.
O atual líder do CDS, na moção que foi aprovada em congresso, a Moção de Estratégia Global, defendia a opção Alverca. Trinta e cinco dias depois, no último domingo, na Feira do Queijo da Serra de Celorico, veio dizer que afinal defendia a opção Montijo. Nós, no Observador, questionámos o líder do CDS na segunda-feira e ele, nas declarações que nos deu, disse que alterou a posição após falar com António Pires de Lima. O que lhe pergunto é: o que é que lhe disse para ele mudar de opinião?
Foi mais do que uma conversa, foi uma troca de mensagens que, a pedido dele, ocorreu sexta-feira. Eu já tinha procurado sensibilizar a direção do CDS através do Filipe Lobo d'Ávila, que é de quem eu sou mais próximo Para a importância do CDS não vacilar naquilo que era o apoio à execução do Montijo. Depois disso, o Francisco Rodrigues dos Santos procurou conhecer as minhas razões para defender o Montijo. Eu dei-lhas de uma forma rápida e através de uma mensagem. Ele pediu-me cinco razões para defender o Montijo, eu dei oito e parece-me que de uma forma arguta, rápida, revelando o sentido daquilo que é o interesse nacional, mas também sentido da oportunidade. O Francisco Rodrigues dos Santos acolheu o meu discurso e fez do meu discurso o dele a partir de domingo, o que eu só posso registar como um ato de inteligência e um ato positivo. Portanto, quero saudar o CDS por isso.
Acho que o Francisco Rodrigues dos Santos já está a ganhar mais cultura democrática.
Isso é uma questão que teremos de ver ao longo do tempo. Eu fiz esse discurso no congresso, não me arrependo de o ter feito e aceitei com grande espírito de fair play a reação do congresso a esse mesmo discurso. Fi-lo na base daquilo que eram declarações por escrito que faziam parte da moção do congresso, que no meu ponto de vista eram declarações bastante infelizes relativamente àquilo que deve ser um registo de aceitação dos adversários.
A quadrilha metal.
A quadrilha que tomou de assalto o poder, mas também podia ter pegado noutros exemplos e qualificações que o Francisco usou ao longo da campanha interna ao qualificar uma parte do partido como a direita cobarde. Felizmente, nestes dois meses de exercício de liderança, esse registo mais bélico por parte do candidato a líder do CDS parece ter sido amenizado e eu acho que é preciso dar tempo ao tempo. O Francisco Rodrigues dos Santos ganhou o congresso de forma legítima, não seguramente com o meu voto, que preferia que fosse o João Almeida o presidente do partido, mas é preciso dar tempo ao tempo.
Ele ainda está a aprender, é isso? Precisa dessa voz da experiência das pessoas mais antigas no CDS?
Eu acho que é preciso dar tempo ao tempo. Não, eu não vou usar esse tom paternalista, mas diria apenas que ele foi eleito legitimamente. A sua avaliação deve ser feita no tempo próximo, no tempo próprio. E sempre que pedem a minha colaboração no partido, aconteceu isso muitas vezes com Paulo Portas, mas também aconteceu com outros líderes do CDS que eu não elegi, estou-me a lembrar do doutor José Ribeiro e Castro, sempre que pedem a minha colaboração para algum assunto específico no partido, eu dou-a. Portanto, já demonstrar essa disponibilidade ao Francisco Rodrigues dos Santos e há aspetos na sua liderança neste mês e meio que eu valorizo positivamente.
É isso que queria perguntar, se está agradavelmente surpreendido com algum aspeto destes. Já passou um mês e meio, portanto, apesar de tu já teres dado aqui alguns sinais de como é que está a agir como líder e não como candidato num congresso onde normalmente as declarações são mais inflamadas, o que lhe parece positivo neste novo líder do CDS?
Desde logo, esta posição oportuna, esta mudança de opinião rápida, mas oportuna e que serve o interesse nacional relativamente ao tema do Montijo. Acho muito importante que o CDS não tenha procurado fazer política no pior sentido da palavra relativamente a este tema. A execução do Montijo é muito importante e saúdo esta posição da direção do partido e do Francisco, em concreto. Por outro lado, há outro aspeto positivo que eu gostava de salientar, que tem a ver com a normalização, a descrispação das relações com o Partido Socialista. Como sabem, eu vinha defendendo esse caminho há muito tempo e falei dele tanto em órgãos da comunicação social antes das eleições, como depois no próprio congresso, e creio que a bem do regime e da saúde democrática do nosso regime, e a bem da utilidade do CDS, foi importante que a nova direção tivesse tido o cuidado e a preocupação.
Há um exemplo concreto que é a questão da redução do IVA da energia, onde o CDS acabou por ser o primeiro a dar a mão ao governo nessa matéria.
Não se trata de dar a mão.
E não há aqui um risco também junto do eleitorado do CDS, do eleitorado tradicional do CDS, de verem o CDS demasiado colado ao PS?
Não, o CDS não está colado. O CDS tem é de saber dialogar com todas as forças políticas e nomeadamente com aquelas que podem ser nossos parceiros preferenciais, o PSD, ou que estão no poder e podem acolher as nossas ideias. É importante que o CDS procure exercer a sua influência para que uma governação para a qual não votámos e com a qual não estamos de acordo, possa acolher algumas das nossas ideias.
Mas tendo em conta aquilo que foi o discurso de Francisco Rodrigues dos Santos também no congresso, os eleitores do CDS percebem uma maior aproximação, uma maior disponibilidade do CDS para dialogar com o Partido Socialista de António Costa, que foi tão criticado também por Assunção Cristas e ainda por Francisco Rodrigues dos Santos?
Não estou a perceber exatamente a sua pergunta.
Se os eleitores do CDS vão perceber que haja esta maior aproximação e esta maior disponibilidade para o diálogo do CDS com o PS, depois de um caminho feito pelo CDS de combate ao Partido Socialista de António Costa, quer por parte de Assunção Cristas, quer agora também por parte de Francisco Rodrigues dos Santos.
Esse caminho de combate puro e duro e de oposição que só dialogava com o Partido Socialista em momentos muito esporádicos, conduziu ao resultado que sabemos: 4,5%.
Acha que isso foi uma das explicações para o resultado do CDS?
Para mim foi uma explicação importante e que eu procurei dar e que não foi uma surpresa, porque eu antecipei-a tanto em mensagens que fui trocando com a anterior líder do CDS, como em entrevistas que dei, procurando avisar para esse caminho. Isto é, a partir do momento em que se percebeu que o PSD e o CDS não eram uma alternativa de governo ao Partido Socialista, estava claro para todos, pelo menos para mim, que aquele caminho de autossuficiência e de grande crispação até com o Partido Socialista, podia produzir um resultado desastroso, porque as pessoas não viam utilidade No voto do CDS. E esse caminho produziu o resultado de 4%. Eu acho muito bem que a nova direção do CDS, e era algo que eu já defendia, portanto não estou a dar nenhuma novidade, tenha uma relação de diálogo. Isso não significa que o CDS ponha jeito para aprovar orçamentos ou para estar ao lado do Partido Socialista. O CDS não vai estar seguramente do lado do Partido Socialista, porque o partido defende escolhas completamente diferentes naquilo que é essencial relativamente ao Partido Socialista. Agora, quando estão em causa assuntos daquilo em que o interesse nacional que está em causa. Assuntos que digam respeito a franjas importantes do eleitorado potencial do CDS. Eu acho que o CDS deve ter uma posição pragmática e que possa, aos olhos dos nossos potenciais eleitores, ser vista como útil. Portanto, nessa matéria eu só posso saudar esta descrispação das relações com o PS, sendo certo que o nosso parceiro preferencial nos futuros combates eleitorais é o PSD. Há outros aspectos nesta direção do CDS que eu gostaria que já tivessem sido corrigidos e que não foram. Por exemplo, parece-me que ao fim de um mês e meio é muito frustrante que as mulheres continuem a ter um papel de menorização nesta direção e, de uma forma geral, nos órgãos nacionais do CDS. Se se podia entender, eu não entendi, achei uma justificação parca, que entre as 04:00 e as 06:00 não tivessem sido encontrados nomes femininos, mulheres, para a direção do partido, já acho que é bastante difícil de perceber que um mês e meio depois o CDS não tenha uma vice-presidente mulher, o CDS não tenha uma porta-voz mulher.
Mas acha que isso é uma linha política de Francisco Rodrigues dos Santos ou é como ele diz e escolhe perante o mérito e, portanto, daqui deduzimos que não há mulheres com mérito no CDS?
Pois, eu espero que não seja essa a linha, porque seria retrocesso cultural e civilizacional muito grande no CDS, se chegássemos à conclusão que só os homens é que têm mérito ou que só os homens é que têm disponibilidade para exercer cargos relevantes na política. Francamente, esse é um aspecto que me incomoda bastante, porque eu acho que isso desvaloriza o partido e é uma falta de respeito pelas mulheres. Portanto, espero que, com o tempo, a direção do partido veja mais mulheres a ganharem protagonismo. E faço aqui o desafio ao Francisco Rodrigues dos Santos que escolha uma mulher para porta-voz do partido e uma mulher, de preferência, com ideias arejadas.
Tem algum nome possível?
Não, eu não. Isso é uma escolha que tem que ser feita pela direção do partido.
Deixe-me perguntar-lhe sobre um dos temas que naturalmente está a marcar a atualidade e que não tem saído da atualidade nas últimas semanas, que é o coronavírus. Na sua experiência no mundo empresarial, já se tem falado muito disso, sobre o impacto econômico que este vírus possa vir a ter. O que receia mais para as empresas, para a economia portuguesa, o que possa vir a acontecer?
Olhe, eu creio que o impacto econômico, pelo menos no curto prazo, vai ser relevante. Não sei lhe dizer se vai ser severo ou apenas importante, mas eu acho que o comportamento das pessoas ao viajarem muito menos, ao exporem-se muito menos, ao irem menos aos restaurantes, vai afetar ou já está a afetar setores importantes da nossa economia, nomeadamente o turismo, alguns serviços, eventos, congressos, a aviação. As pessoas estão menos disponíveis para assumir riscos. Eu ainda esta semana tive a necessidade de me deslocar a Paris e o avião em que viajei só estava um terço ocupado. A TAP já anunciou o cancelamento de mil voos. Portanto, eu acho que o impacto econômico desta crise de saúde pública vai ser grande, ainda que do ponto de vista pragmático e prático, esta gripe seja uma gripe, se calhar, como muitas outras e não justifique pânicos.
Já agora, muito rapidamente.
Mas o comportamento das pessoas é afetado e, portanto, também acho que algumas decisões de investimento vão ser adiadas. E, portanto, eu creio que a economia portuguesa, à semelhança da economia europeia, vai sofrer no segundo e no terceiro trimestre.
Mas vai aguentar? Acha que está preparada para isso?
Eventualmente, se os efeitos do coronavírus forem dissipados durante os meses de abril e maio, como algumas pessoas indicam, devido ao calor e às medidas de saúde pública que entretanto foram tomadas, admito que este seja um efeito em V. Isto é, que a recuperação depois também possa ser rápida a partir do último trimestre.
Já agora queria só perguntar muito rapidamente como é que olha para a medida apresentada pelo governo, aquele anúncio de 100 milhões de euros, uma linha de crédito para ajudar a tesouraria das empresas nesta altura por causa do coronavírus?
Eu acho o anúncio importante. Outra coisa é a forma como depois as medidas são realmente disponibilizadas e implementadas. É fácil fazer anúncios na política, e este anúncio é um anúncio positivo, porque demonstra disponibilidade, mas eu também já tenho visto muitas vezes na política que o diabo não está nos anúncios, o diabo está na execução das coisas. E muitas vezes aquilo que é anunciado depois não tem nenhuma correspondência com a disponibilização e a execução, porque há uma enorme burocracia entre anunciar e saber fazer. Mas o anúncio em si, acho que é um anúncio positivo.
Vamos terminar esta parte da nossa conversa. Sabe que na "Vici e Suave" temos sempre um menu completo e, portanto, servimos a "Vici e Suave", agora vamos ter a carne ou o peixe, vamos dar-lhe à escolha duas opções e a ideia é que escolha uma rapidamente. Vai ser uma proposta para fazermos aqui isto muito rapidamente. Vamos então à carne ou peixe António Pires de Lima, vamos então. São duas hipóteses de resposta, a ideia é que escolha uma. António Pires de Lima, preferia beber uma Super Bock com o Chicão ou uma Sagres com o Assunção Cristas?
Super Bock, sempre. E com os dois, de preferência.
Preferia destituir Frederico Varandas como presidente do Sporting ou António Costa como primeiro-ministro?
Eu votei em Frederico Varandas, mas não sou a favor de destituições antes do tempo.
António Pires de Lima, onde é que há margem para se aplicar mais uma taxa ou taxinha: nas bebidas alcoólicas ou nos cigarros eletrónicos?
Acho que eu fui um bom exemplo de governante que resistiu, até onde pôde, à criação de taxas e taxinhas. Portanto, essa é uma resposta que eu acho que nem num caso, nem noutro eu defenderia.
Neste caso, fica com fome.
Fico com fome.
Para terminar, preferia voltar a ser ministro ou conselheiro económico do presidente da República, Paulo Portas?
Nunca se deve voltar ao sítio onde já se foi feliz.
Portanto, a resposta é conselheiro económico do presidente da República, Paulo Portas. Não quero verbalizá-la.
Não sei se o Paulo algum dia se vai candidatar. Se um dia acontecer, eu com certeza espero estar ao seu lado naquilo em que o puder ajudar.
Muito bem, terminamos aqui a Carne ao Peixe. Agora a sobremesa fica por conta do convidado, que escolheu uma música de Leonard Cohen, "Ain't No Cure for Love". É um romântico, é por isso que escolheu esta música?
Não, eu escolhi esta música por várias razões. Em primeiro lugar, porque estou a ler uma biografia excecional, que recomendo a todos aqueles que gostam de Leonard Cohen que leiam, do David Simmons, "I Am Your Man", e que revela bem o espírito absolutamente rebelde, poético, vadio de Leonard Cohen, que é um homem que foi um grande amante, teve muitas namoradas e mulheres, mas que sempre soube manter uma grande cumplicidade com todas essas amigas ao longo de toda a vida. Nunca perdeu uma relação. E, por outro lado, eu gosto muito da sua música. É uma música, porventura sombria, mas que às vezes tem muito a ver com o meu estado de espírito, nomeadamente no dia de hoje.
Muito obrigado, António Pires de Lima. "Ain't No Cure for Love", é assim que vamos terminar a vicissitude da semana, com a versão ao vivo em Londres. Até para a semana.
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