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Bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. Conosco temos João Azevedo, que é membro do Secretariado Nacional do PS, é também o presidente da Federação do PS Viseu e é o recém-eleito presidente da Câmara Municipal de Viseu, o outrora cavaquista. Bem-vindo, João Azevedo, à Vixi Suave. Acho que não me enganei em nada, não é?
Não, acho que não. Eu sou o presidente da Mesa da Comissão Política da Federação do PS de Viseu.
Era exatamente isso que eu queria dizer. Viseu consegue pela primeira vez em 50 anos de democracia ter um presidente de câmara do Partido Socialista. Vencer no cavaquismo foi mais um mérito seu ou um demérito de um Fernando Ruas desgastado por anos e anos de presidência, mesmo com uma pequena interrupção para ir para Bruxelas?
É uma mistura das duas causas, são duas causas que apontaram para a nossa vitória. Naturalmente que o atual presidente de câmara que teve uma importância elevada há uns anos com a projeção de Viseu num patamar diferenciado, mas depois a partir de determinada altura começou a perder alguma vitalidade política, começou sempre a repetir as mesmas estratégias e, portanto, é um desgaste natural, são muitos anos. E depois a alternativa apresentou-se também de uma forma muito clara, com programa político claro, com grandes equipas, que é uma honra liderar estas equipas, pessoas que vieram da cidade civil, que se envolveram muito emocionalmente e politicamente. E portanto, foi como digo, uma mistura desses dois factos que levaram a uma vitória que não era normal, que nunca foi, que nunca aconteceu. Nunca aconteceu em Viseu desde que há eleições do poder local e é uma honra enorme fazer história a partir deste ato político. A autoridade política também só se conquista com determinação, resiliência e confiança das pessoas e depois com a consequência eleitoral, que é ganhar eleições.
Eu vi que ontem também deixou uma palavra para Fernando Ruas, mas na verdade o que acabou por fazer foi dizer Fernando Rua, com uma vírgula pelo meio.
Não.
Venceu com apenas 779 votos. Eu digo apenas, mas sei que é uma vitória importante e sofrida. Tem os mesmos vereadores do que o PSD, que são quatro.
Certo.
Quem pode desempatar é o Chega, Bernardo Peçanha até dos mais moderados do partido. Admite vir a negociar com ele ou prefere ainda assim o PSD como parceiro?
Primeiro vamos tomar posse, depois vamos ver o quadro político. Há uma coisa que eu tenho a certeza: quem não estiver alinhado para políticas de desenvolvimento, para criar condições políticas para os viseenses terem uma vida diferente, melhor, com investimento público e privado no conselho, será penalizado, terá nota negativa. Quem estiver por bem e quiser acompanhar essa nossa decisão e o nosso programa, certamente que terá a nota positiva das pessoas e portanto, todos seremos responsabilizados pelas nossas opções políticas, uns e outros.
Não estamos a falar aqui de coligações formais, mas os acordos pontuais e mesmo posteriormente.
Eu vou dizer uma coisa: eu acho que as pessoas vão ter a responsabilidade de fazer a sua atuação política de uma forma séria e na defesa dos interesses dos viseenses. Quem não o fizer será penalizado. Portanto, eu estou muito tranquilo quanto a essa matéria. Tenho também, felizmente, muitos anos de experiência na gestão autárquica, no quadro da vereação e estou convencido de que as pessoas estarão por bem. Se não estiverem por bem, há consequências.
O Bernardo Peçanha parece-lhe alguém, não sei se já teve a oportunidade de o conhecer, que tenha essa seriedade e essa serenidade, acima de tudo, suficiente para se conseguir sentar à mesa, apesar daquilo que é a vozearia habitual do Chega como partido.
O vereador Bernardo Peçanha tem que assumir as suas responsabilidades neste quadro eleitoral. E portanto, como lhe digo, o Bernardo Peçanha será avaliado pela sua prestação política, que nós não deixaremos de anunciar. E portanto, o que eu quero dizer é que quem estiver por bem, está por bem. Quem estiver com politicismo político-partidário terá um combate feroz da minha parte.
Foi quase profético quando disse na Rádio Observador que não tinha razões nenhumas para colocar de parte quem quer que seja. Estava já a antecipar que podia necessitar negociar.
Ouça, isto é um quadro natural. Há linhas vermelhas que nós não abdicamos, eu já fiz essa afinação política. E portanto, a minha relação no quadro autárquico é uma. Agora, como digo, eu tenho a certeza absoluta que iremos colocar à disposição de todas e de todos um quadro que é satisfatório para os oito eleitos, mais o presidente de câmara que sou eu. E portanto, quem não quiser fazer isso terá consequência, isso eu não tenho dúvidas nenhumas. E os viseenses não irão perdoar, porque os viseenses quiseram uma mudança, quiseram uma alternativa e se houver alguém a tentar condicionar essa alternativa, serão ainda mais penalizados nas próximas eleições. Eu só não tenho dúvidas nenhumas sobre isso.
Aquela questão do José Luís Carneiro pôr no compromisso autárquico que não devia haver esse tipo de acordos. Não está a incumprir nesse compromisso?
Não, eu assinei esse compromisso, eu estive no início, na génese desse compromisso.
Certo.
Portanto, não estou a incumprir.
Mas ao admitir essa aproximação.
Não. Aquilo que eu disse ao Observador foi que era com todas as pessoas que fossem eleitas Podem de que partidos forem.
Mas agora já sabemos quem são os eleitos, já sabemos que o Chega que pode desempatar.
Pode não desempatar, pode ser um vereador do PSD a desempatar, ou dois, ou três. Ninguém sabe disso e eu tenho excelentes relações com as pessoas, faço isto sempre num quadro de entendimento com todas e com todos e o PSD também tem excelentes autarcas eleitos que podem certamente ter essa capacidade.
Só para ficar claro, José Azevedo, não exclui o Chega dessas conversações?
O Chega é que vai ter que saber se se exclui ou não. Como lhe digo, essa opção não é minha. Eu nunca iniciarei um processo de entendimento com o Chega. As nossas políticas são claras.
Se acontecer, a culpa não é sua, é isso que está a dizer, a José Luís Carneiro.
Não. Eu já disse e reafirmo: o nosso programa político é claro. Quem quiser acompanhá-lo, acompanha, quem não quiser, não acompanha. E isso traz suas consequências políticas. Até porque o nosso programa político foi ratificado com uma maioria relativa ontem. O povo quis a diferença, quis esse programa político. Quem não o quiser, aliás, eu nem vi bem qual é o programa alternativo do Chega, nem sei bem qual é.
Certo, deixe-me avançar aqui. Disse que ficaria envergonhado, a expressão é sua, se fosse presidente da câmara há 35 anos e tivesse barracas à porta da cidade.
Isso mesmo.
Vai seguir em Viseu o exemplo de Ricardo Leão e acabar com as barracas à porta da cidade?
Há duas questões fundamentais. A primeira: eu quando referi isso, tinha a ver com as novas construções, os novos núcleos de casas urbanos ilegais. Isso não vai acontecer conosco. Barraca que esteja edificada num dia, os serviços municipais têm que atuar imediatamente. Agora, a questão aqui é esta: nós vamos ter que ter aqui um plano de ação que vai demorar algum tempo, ter a ver com o primeiro direito, sempre a respeitar as pessoas, com grande humanismo e, mais do que isso, respeitar as crianças. As crianças não podem viver naquele quadro social e habitacional. Nós temos que olhar bem para este fenômeno que tentaram apagar, que tentaram normalizar, mas que existe em Viseu. Nós iremos ser muito claros sobre essa matéria e nós temos na equipe gente muito qualificada para tratar deste assunto e dos outros assuntos.
Em Lisboa, Carlos Moedas ganhou. Desilude-o de alguma maneira que o autarca que se defendeu no caso do Elevador da Glória, dando como exemplo o Jorge Coelho, tenha sido escolhido para se manter na liderança da maior autarquia do país?
Naturalmente que sim. Eu fiquei muito insatisfeito. Não é desiludido, mas essa justificação que o atual presidente da Câmara de Lisboa usou é uma justificação que não é verdadeira, que não lhe fica bem, que não lhe ficou bem. Lamento profundamente que ele o tenha feito, não só pelo fato de não ser verdade, como também em memória de uma pessoa que já não está entre nós, que não se pode defender. Eu estarei sempre a defendê-lo, ao Jorge Coelho.
Olhando aqui um pouquinho para o país, o bom resultado, apesar de o PS ter ficado atrás do PSD, é mais mérito do atual secretário-geral, José Luís Carneiro, ou do anterior, Pedro Nuno Santos?
Eu peço desculpa, que eu não percebi a primeira parte da pergunta.
Estava a perguntar se o resultado do PS, que apesar de ter ficado atrás do PSD, o PS tem considerado bom, é mais mérito do atual secretário-geral ou de quem começou a preparar este ciclo, que foi Pedro Nuno Santos?
Isto é um processo dinâmico. O anterior secretário-geral fez a liderança política durante algum tempo e as coisas foram crescendo, como digo, num processo dinâmico, e o atual secretário-geral assume as suas responsabilidades no quadro atual. É uma coisa que sai de um e vai em direção do outro, são os dois responsáveis pelo quadro político que aconteceu. Há uma coisa que eu quero aqui dizer: o número de câmaras que o Partido Socialista ganhou é um número que honra o Partido Socialista. Se forem ver o quadro eleitoral desde a década de 90 até agora, está equilibrado nesse número, mais cinco pra frente ou menos cinco pra trás. O resultado em 2021 foi um resultado excepcional, mas há uma coisa que é preciso referir: nós tivemos 1,8 milhão de votos no valor acumulado, como tivemos em 2021. Esse valor acumulado representa que nós consolidamos ou conseguimos manter o eleitorado no quadro atual.
No fundo, tendo em conta as últimas legislativas, foi um alívio.
Naturalmente que reforça o Partido Socialista no país, este resultado, porque depois do resultado eleitoral que tivemos nas últimas legislativas, houve a preocupação de reconquistarmos a confiança, e há a preocupação de reconquistarmos a confiança das portuguesas e dos portugueses. Temos essa obrigação e todos os autarcas que se candidataram pelo Partido Socialista tiveram a sua cota de responsabilidade também nisto, neste recrescimento, para que o PS se afirme mais uma vez como o grande partido português, a democracia. É um partido que nos honra a todos nós, a quem pertence, a quem é dirigente e quem é militante. Cá estaremos pra continuar a combater em nome dos ideais e dos princípios do Partido Socialista.
Mas José Luís Carneiro ainda chegou a definir duas faixias para estas autárquicas, que eram manter a Associação Nacional de Municípios, e chegou também a dizer que Lisboa e Porto eram conquistas fundamentais. Assim sendo, pode cantar vitória agora?
O secretário-geral do Partido Socialista Quando o secretário-geral do Partido Socialista afirmou fazer essas declarações, naturalmente que são declarações num quadro também de esperança e de convicção. E eu não tenho dúvidas nenhumas que não ganhámos Porto e Lisboa, mas ganhámos Bragança, Viseu, Coimbra, Évora e Faro. Quer dizer, ganhámos cinco capitais de distrito de grande importância. Temos nove capitais de distrito.
Por acaso foram tudo escolhas diretas de Pedro Nuno Santos? Essas que referiu.
Por acaso não.
Não?
Por acaso não.
A sua não foi.
A minha não foi. Já era.
Coimbra, Bragança, Évora.
Já era, mas a mesma coisa. Não querendo agora também puxar os galões, mas o resultado...
O mérito é seu, não é dos outros.
Não, não tem a ver com isso, mas o resultado que mais evidencia política no país foi o de Viseu, por razões óbvias que todos conhecem. O Partido Socialista nunca tinha ganho eleições em Viseu. Em Bragança penso que já tinha liderado. Em Évora também, Faro também e Coimbra também.
Claro. O PS terá um congresso algures na primavera. Há espaço para a oposição interna a José Luís Carneiro se movimente até lá ou não? Houve insatisfeitos.
Eu não percebi. O congresso será na primavera e...?
E se há espaço para que surja uma oposição interna a José Luís Carneiro e que essa oposição se movimente até lá. Porque havia alguns descontentes, não é?
O Partido Socialista é um partido plural, tem a liberdade total para poder fazer o que entender e desde que esteja militante e que tenha as condições necessárias para se candidatar, naturalmente que pode acontecer. Agora, uma coisa que eu tenho que declarar já à cabeça. Eu tenho a certeza de que José Luís Carneiro é a melhor opção neste momento para o Partido Socialista e faremos tudo para que ele seja líder até chegar a primeiro-ministro.
Mas mesmo que não tenha sido uma derrota e o PS esteja a querer olhar aqui para um copo meio cheio, a verdade é que também não se destacou nestas eleições José Luís Carneiro. Há sempre o risco de haver alguma impaciência dentro do Partido Socialista. O que nós estamos a tentar perceber é se acha que há espaço para existir isso agora e depois destas eleições autárquicas.
Não. Os militantes do PS e aderentes percebem bem qual foi o resultado das últimas legislativas. Foi um resultado que nos deixou todos nós muito preocupados, naturalmente. Não podemos ir esconder atrás de uma ideia que não seja essa. E estamos a tentar reconstruir a confiança que o PS tem que ter junto das portuguesas e dos portugueses. E o que eu quero dizer é o seguinte: estas autárquicas vieram recolocar o PS num patamar que estava em perigo a partir das legislativas. Podem me dizer: "Bem, mas nós perdemos ou não conquistamos a maioria das câmaras para liderar a Associação Nacional de Municípios Portugueses." Certo, é verdade, mas já tivemos outras lideranças da ANMP em governos socialistas. Como sabem, houve um período em que o governo era liderado por dirigentes do PS, em que o Partido Socialista ganhou eleições e a Associação Nacional de Municípios Portugueses era liderada por autarcas do PSD. Isto é o jogo da democracia, não é mal nenhum. O PS recolocou-se num patamar que eventualmente podíamos ter perdido na perceção política do país nas últimas eleições legislativas de 2022. Felizmente que agora já reconquistamos esse espaço e vamos fazer todo o possível para que isso se mantenha e que melhore naturalmente.
Com este resultado, que é um resultado de resistência e de regresso a um patamar de um dos dois maiores partidos. O PS e o PSD são as duas grandes potências autárquicas, não há dúvida disso, e isso fica claro que o PS não perdeu. Por isto, José Luís Carneiro deve ter a possibilidade de ser o líder do Partido Socialista quando ocorrerem as próximas legislativas, mesmo que sejam só no fim do atual mandato em 2029.
Naturalmente que sim. O calendário político é claro. Tivemos as eleições autárquicas ontem e devemos ter eleições presidenciais no início do próximo ano, onde o Partido Socialista ainda não decidiu qual é a sua opção de apoio ou não. Como sabemos, os candidatos não saem das decisões partidárias e depois, até às próximas legislativas, penso eu que o calendário vai ser direto às mesmas. Vamos ter decisões muito importantes no quadro parlamentar, vamos ter decisões no dia a dia. O PS é o partido alternativo para governar e devemos fazer. E o nosso secretário-geral, José Luís Carneiro, é uma pessoa muito experiente, com muita preocupação em fazer bem e tem camadas de conhecimentos que lhe vão permitir ter resistência para fazer este caminho longo, mas que sairá vitorioso.
Eu estava a ler há pouco um prefácio do António Costa num livro do Vital Moreira, em que ele dizia que as oposições deviam aprovar quase de forma automática os orçamentos do Estado e desdramatizar e devia ser quase uma aprovação automática e deixarem as grandes questões e as grandes reformas fora do orçamento de Estado. O Partido Socialista deve seguir este conselho do António Costa e até 2029 ir viabilizando os orçamentos.
Faço um paralelismo com aquilo que me começaram a perguntar no programa, naturalmente de uma forma completamente distinta e muito mais pequena, entre aquilo que é a aprovação de um orçamento municipal e de um orçamento nacional A responsabilidade é de todos e o António Costa recebeu e recebeu bem. Nós temos que estar sempre disponíveis para contribuir para que os portugueses tenham as melhores soluções, onde a governação certamente vai ter uma responsabilidade grande na melhoria da vida das pessoas. Ou seja, eu concordo com isso, subscrevo isso.
Dando o passo até às próximas eleições, a 19 de outubro o PS deve unir-se de forma inequívoca em torno de António José Seguro para Belém?
Naturalmente que eu vou estar à espera da reunião. Vamos ter amanhã a comissão central.
Mas terá uma opinião?
Vamos esperar por essa. Eu sou dirigente, como sabem, nacional do Partido Socialista. Tenho o dever e a responsabilidade de, no quadro da direção do PS, termos aqui uma conversa muito séria sobre isso e depois cada um de nós vai dizer aquilo que pensa sobre isso.
Mas deve fechar o apoio a um candidato?
Deve naturalmente declarar o apoio a um candidato.
Porque tendo um ex-líder do PS na corrida, torna-se mais difícil não o fazer em torno de Seguro, não é?
Naturalmente que sim, isso tudo são factos. Eu tenho a convicção de que o caminho está a ser feito e estamos a esperar por essa reunião.
Muito bem, seguimos agora para a fase do carne ou peixe, em que tem que escolher uma de duas opções. Vamos lá ver se não fica com fome. Com quem é que ia patinar na pista do Palácio do Gelo em Viseu? Fernando Ruas do PSD ou Bernardo Pessanha do Chega?
Fernando Ruas.
Na segunda volta das presidenciais, António José Seguro fica pelo caminho. Sobram Gouveia Melo e Marcos Mendes. Qual dos dois escolheria?
Não tenho ainda de tomar essa decisão.
Para ir a Alvalade ver o próximo jogo da Champions contra o Marselha, quem é que levava consigo? Luís Montenegro ou Mariana Mortágua?
Luís Montenegro.
Para terminar, vamos imaginar que o restaurante Cortiço decide fazer um dia de degustação com os melhores pratos que já confecionou. Levaria Pedro Nuno Santos ou José Luís Carneiro?
José Luís Carneiro.
Muito bem. Vamos agora avançar para a nossa sobremesa, que é a música que nos trouxe, que é a música de abertura do filme Gladiador. O porquê desta escolha?
É aquilo que nós representamos, a nossa equipa. Resiliência, força e muita coragem.
E portanto é com esse espírito guerreiro que escolhe esta música, quase ao estilo de Viriato, suponho eu.
Foi sempre assim na minha vida. Combate. Combate na democracia.
Muito bem, João Azevedo, termina aqui esta "Vixiçuas" especial, autárquicas, e regressamos na próxima quinta-feira.