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Olá, bem-vindos à Vício e Suave. O meu nome é Miguel Santos Carrapatoso, sou jornalista e editor adjunto de política do Observador. Tenho ao meu lado um dos delfins mais professores da telefonia portuguesa, o jornalista Diogo Teixeira Pereira, e duas das caciques de sempre, as jornalistas de política Mariana Lima Cunha e Rita Penela. É este núcleo duro de respeito que me vai ajudar a explicar uma semana que começou com o CDS a fazer psicanálise na tasca e acabou com o PSD em modo bar aberto. Pelo meio, o PCP ousou dizer as duas palavrinhas proibidas: voto contra. Os comentadores ficaram aos papéis, o bloco quer assinar novos papéis, João Leão começa à procura de papel e até Rui Rio quis enfiar os papéis das eleições internas na gaveta. Só Marcelo foi clarinho: no orçamento, no party. Resta saber se António Costa não terá mesmo de meter os papéis da reforma mais cedo.

E temos a humildade, como sempre tivemos ao longo dos seis orçamentos anteriores, de ouvir, negociar e sairmos daqui sempre com orçamento melhor do que aquele que o apresentámos. Portanto, não tenho nenhuma razão para não achar que obviamente este ano deve acontecer o mesmo que aconteceu nos seis anos anteriores.

O que é natural é que o orçamento passe, o que é natural é que não haja crise. A faca e o queijo estão nas mãos dos partidos políticos, são eles que vão votar o orçamento.

Eu lamento profundamente que o partido tenha chegado a este estado em que depois de umas eleições autárquicas, em que não averbamos uma vitória aritmética, mas averbamos uma vitória política, que no espaço de 15 dias já estejam a tentar destruir tudo aquilo que o partido conseguiu.

Não tenho medo, não tenho receios, não estou nervoso, não vou estar aqui a atacar ninguém, nem a inviabilizar e estas coisas. Há uma coisa que realmente é estranha, é que o PSD ponha nas mãos do doutor António Costa o seu próprio calendário interno. É uma coisa um pouco estranha. Portanto, mais uma vez, o PSD entrega ao doutor António Costa o supremo privilégio de escolher a data em que nós temos eleições. Isto para mim não é assim uma coisa normal, é estranho.

Foi neste caldinho imprevisível que Paulo Rangel decidiu apresentar, com toda a liberdade, disse ele, a candidatura à liderança do PSD. Contra Rio ou sem Rio, com sucesso ou sem sucesso, logo se saberá. Nós por aqui seguimos mais ou menos bem-sucedidos, nem sempre bem-sucedidos, é verdade, mas sempre livres. Portanto, venha daí a refeição mais deliciosa da política portuguesa. É verdade, são muitos temas para uma semana muito cheia em termos políticos. Começo por ti, Mariana. Escolhi pra ti uma sopa sem sabor e vais perceber porquê. Vamos falar sobre o orçamento, sobre a posição do PCP, e sem sabor por quê? Porque eu não sei dizer se isto é crise, se não é crise, quem é que sabe? Se é uma dramatização, se é bluff, se é mesmo pra levar a sério. Diz-me tu, Mariana.

Eu também gostava de saber dizer, Miguel, mas a sopa ainda está a apurar, acho eu. Agora durante estas semanas, tivemos aqui uma nuance nova. O Bloco de Esquerda acabou aliás de fazer uma conferência de imprensa pra dizer que está tudo na mesma. Ou seja, continuamos sem fumo branco e sem sabor. Ou seja, depois do governo ter vindo dizer que foram se conhecendo algumas medidas que seriam supostamente de aproximação à esquerda, o Bloco temeu que se estivesse a instalar essa narrativa de que há uma grande aproximação e que os partidos de esquerda têm de ceder, e veio explicar agora ponto por ponto, de forma exaustiva, porque é que quando se fala dos temas no geral é um bocadinho diferente depois de ir às medidas em concreto. A impressão com que fico é que eu tenho algumas dúvidas, não consigo perceber exatamente por que António Costa, retirando da equação a hipótese que possa de facto ter tido alguma tentação ou alguma vontade de criar uma crise, se excluirmos essa hipótese, tendo em conta o que se conhecia das reivindicações dos partidos, tendo em conta o voto contra do Bloco no último orçamento, que ao que tudo indicava era pra manter, tendo em conta também o que poderia ser a fragilidade do PCP depois destas autárquicas, em que voltou a sofrer umas quantas perdas pesadas, por que é que avançou com uma proposta tão recuada de orçamento pra generalidade? Há quem diga que este orçamento é muito à esquerda. Olhando mais do que pros temas, porque é verdade que tem coisas pro SNS, que já se falaram medidas pro trabalho, etc. Mas olhando para o que eram as reivindicações muito concretas dos partidos, percebe-se que de facto o orçamento é muito recuado para o que já existia de negociação e para o que o governo já conhecia. Portanto, não sei se houve aqui algum excesso de confiança, alguma tentação de António Costa, se de facto há aqui alguma impressão de que o PCP poderia estar refém, até por não ter aparentemente grande interesse em ir a eleições, mas acho que o governo fez as contas por baixo e que agora está a ter de agir um bocadinho, como se costuma dizer, a correr atrás do prejuízo. E isso coloca os partidos de esquerda numa posição em que sentem que podem subir a parada. Eu acho que o Bloco agora com esta posição do PCP sente que ainda Ainda pode esticar mais um bocadinho a corda, porque neste momento Costa não tem garantia de nenhum dos lados de que possa avançar e, portanto, tem mesmo de tentar trabalhar para um acordo à esquerda se quer que este orçamento passe. Sendo verdade que o PCP não fechou a porta e apresentou esta possibilidade de voto contra como um ponto de partida da negociação e não como um ponto de chegada, e deixou isso bastante claro, também é verdade que subiu imensamente a parada, que fez coisas que não costumava fazer. O PCP sempre disse que não misturava, por exemplo, o dossiê laboral com o orçamental e desta vez está a pôr essa carta também em cima da mesa, coisa que há uns meses negava taxativamente que fosse fazer. O PCP, seja por influência talvez dos resultados autárquicos, que embora o partido negue, seja, e isto também é plausível, porque vê não só que o governo fica muito na mão do PCP para a aprovação, viu o bloco a dizer mais uma vez que vota contra e vê o crescimento que está previsto para o próximo ano e portanto calcula que tem margem para esticar aqui um bocadinho mais a corda e para passar a bola ao governo de novo.

Deixa-me estender aqui a corda ao Diogo Teixeira. Primeiro uma explicação aos nossos ouvintes. O Diogo está aqui em representação do João Alexandre, que teve um pequeno problema mecânico. João, onde quer que estejas, nós estamos contigo.

Vai daqui um abraço.

Vai daqui um abraço. Diogo, a Mariana falava ali de uma tese que pode fazer algum sentido, que o governo apresentou um orçamento bastante recuado, foram as palavras da Mariana. Achas que António Costa pode ter tido a tentação de neste orçamento, sabendo que ia provocar a reação que provocou nos seus parceiros de esquerda, nomeadamente no PCP, pode ter tido a tentação de provocar uma crise?

Antes de te responder essa pergunta, deixa-me só dizer que os problemas mecânicos do João Alexandre não foram provocados por mim com o objetivo de estar no lugar dele neste momento. Espero que isso fique claro.

Eu não estava a sugerir isso.

O Diogo foi só fazer a rodagem do carro dele à Amadora e ficou com o lugar do João.

Espero que isso fique claro. E se isto é tão claro assim, a resposta à tua pergunta será mais difícil de dar.

Estiveste a ganhar tempo, até dizes que não tens resposta para mim.

Exatamente. Estive a tentar desviar as atenções.

Por isso é que eu disse que tu és um dos delfins mais proficiosos da telefonia portuguesa.

Exatamente.

Porque já tens as manhas todas.

Tenho todas. Estou a tentar desviar a atenção da pergunta que tu me fizeste, tal como provavelmente o governo está a fazer e António Costa está a fazer dos problemas que o governo tem para resolver, colocando aqui estes entraves ao orçamento. Eu sei que nestes programas tenho pouca experiência, mas também é comum citarem-se outros comentadores. E ontem a Manuela Ferreira Leite na TVI dizia uma coisa que pode ser interessante também, que é: por que o governo decide apresentar um orçamento, depois de o ter negociado até de forma detalhada com os partidos, numa altura decide aprovar um orçamento que sabe que vai ser rejeitado. Por que isso acontece? Eu acho que essa é uma dúvida legítima, precisamente porque o governo teve várias reuniões com os parceiros da esquerda e mesmo assim decidiu apresentar na assembleia este documento.

Eu estava alinhada com a Manuela Ferreira Leite e não sabia.

Exatamente, não te citei a ti, Mariana, porque já tinha aqui apontado citar a Manuela Ferreira Leite, no fundo, e portanto não gosto muito de fugir também ao meu guião. E depois essa questão é importante. E agora parece que temos também, como dizia a Mariana, o Bloco de Esquerda aqui a dizer que ainda não houve nenhum avanço, mas que se mantém esse impasse, ainda assim o Bloco de Esquerda parece que está empenhado em tentar abrir a porta a essa negociação e disse que se o governo ainda está também preparado para negociar mais este orçamento, há essa abertura também por parte do Bloco de Esquerda. Mas esta é uma questão que fica, saber se o primeiro-ministro e o governo querem abrir essa crise ou não. E até numa altura curiosa quando, por exemplo, ontem o primeiro-ministro foi falar com os deputados do PS à Assembleia da República, apareceu assim quase de surpresa naquela reunião.

Inopinadamente.

Inopinadamente apareceu na reunião, não foi detrás de um carro, mas foi na Assembleia da República e a própria Marta Temido foi ao Porto a uma iniciativa do partido também apresentar o orçamento. Marta Temido que é o grande trunfo dos socialistas neste momento, é a ministra estrela neste momento. Não sei, disse isto tudo para dizer que não sei se o objetivo é criar uma crise política.

Deixa-me trazer para a conversa a Rita Penela, que ao contrário de ti pode ter pensamento próprio e não citar a Manuela Ferreira Leite. Vamos lá ver se a Rita Penela consegue.

Estou a tomar muita pressão.

Rita, agora ao contrário, faço-te a pergunta ao contrário. É verdade que João Leão já veio dizer que havia margem para negociar e para dar mais uns bombons à esquerda. No final do dia, isto pode ter sido uma estratégia de António Costa e do governo apresentar um orçamento tão recuado para depois aparecer novamente a salvar a pátria e a garantir mais um orçamento e mais estabilidade por oposição à direita, que continua em guerras intestinas.

Se foi, não sei se corre assim tão bem. Desculpa a desilusão e também não tenho resposta, mas acho que nunca quis tanto ser mosca na vida como nesta altura. É comum, nos orçamentos todos gostávamos de ser moscas, mas de facto, não sei. Eu queria só discordar aqui do Diogo. Desculpa, Diogo. Quando ele diz que esta última conferência do Bloco de Esquerda mostra muito empenho ou algum empenho do Bloco para seguir em frente nas negociações do orçamento, eu vejo um Bloco a fazer aqui um all in total e à espera daquilo que o PCP vai fazer. No fundo, um pouquinho aquilo que aconteceu no ano passado.

Rita, desculpa interromper. Não achas que o Bloco está a assistir a tudo isto de cadeirinha?

Estão a adorar, acho eu. Lá está, quem me dera ser mosca, porque foi o que aconteceu no ano passado. O Bloco pôs-se à margem, disse que não, e depois acabou por ser o PCP a fazer viabilizar, e as deputadas não inscritas e o PAN, claro, fazer passar este orçamento do Partido Socialista, com toda a discussão se depois isso trouxe algumas vantagens ou desvantagens ao Bloco de Esquerda. Depois as eleições seguintes foram presidenciais e também na altura discutimos que não seriam propriamente as melhores eleições para se fazer esse tipo de leituras. Mas agora vejo o Bloco de Esquerda com uma postura, e estava a acompanhar a questão da conferência de imprensa e estava a reviver um pouquinho aquilo que aconteceu ano passado. Meter as coisas todas lá pra dentro, a carne toda no açougue, e agora é deixar arder. Vamos lá ver como é que foi. Pior que está não fica. O presidente já veio dizer que sem orçamento também não há duodécimos, há eleições e vamos ver as coisas arder e a partir daí poder negociar o que quer que seja. Se foi a estratégia de António Costa, creio que se foi, está a correr muito mal, até porque do lado do PSD também não está propriamente agradável.

Obrigado, Rita, por teres feito essa passagem brilhante para servir a nossa outra sopa.

É uma postura de ponte. Exato.

Para servir uma sopa gelada. Diogo, agora começo por ti. Espero que não cites a Manuela Ferreira Leite desta vez.

Vou ver o que ela disse sobre o orçamento.

É pra falar sobre o PSD. Gelada, por quê? Porque Rui Rio ontem sofreu uma grande derrota no seu Conselho Nacional. É a primeira derrota interna que sofre. Rui Rio queria adiar as eleições pra depois da aprovação ou não do orçamento. Os conselheiros do PSD decidiram ao contrário. Paulo Rangel surgiu com uma candidatura mais do que anunciada e Rui Rio parece estar aqui em maus lençóis. O que achas?

Está, claramente. O resultado desse não adiamento das eleições internas, como queria Rui Rio, mostra que Paulo Rangel já está com uma parte do partido do seu lado, porque conseguiu que essa vontade de Rui Rio não fosse avante e, portanto, de certa forma, temos aqui um primeiro medir de pulso à forma como o PSD está neste momento e se calhar também por isso, porque Rui Rio também conhece bem o partido e ele próprio está a fazer as contas à luta que quer travar. Ele próprio saberá ou não, mas a minha interpretação é essa, saberá que pode ser muito difícil ganhar o partido numas eleições diretas, sejam elas já na data que está proposta ou numa data mais pra frente. E também por isso acaba por se manter num certo impasse, não revelando sequer se vai ser candidato ou não, numa altura em que Paulo Rangel já se assumiu. Era importante também ouvirmos Rui Rio sobre isso e ouvir também a posição dele sobre se vai avançar ou não. Ele próprio estará ainda a fazer contas e saberá nesta altura que pode ser muito difícil ganhar essa guerra interna.

Claro, e eu como gosto de perguntas muito difíceis, Mariana: Rui Rio vai ser ou não candidato?

Não digas que não concordas comigo, Mariana, por favor, senão eu não volto.

O meu guião até agora é concordar com Manuela Ferreira Leite e vou manter por aí. O que eu ia dizer, recuando até ao dia das eleições autárquicas-

Vais recuar ou vais responder à minha pergunta? Ou estás a usar a estratégia do Diogo, então

Não, é uma estratégia de vou usar aqui contexto para te responder. Eu ia dizer só que recuando até ao dia das eleições autárquicas, e obviamente que Rui Rio terá muito mais informações sobre o estado do aparelho do PSD do que eu, mas pelo menos de percepção pública, se eu fosse o Rui Rio estaria a pensar como é que chegamos aqui, porque há menos de um mês estávamos a ver uma série de reflexões sobre como Rio estaria, como parecia lógico, tendo tido um resultado bastante razoável, nalguns casos até surpreendente nas autárquicas, a ter aqui um novo boost sentido por toda a direita, um balão de oxigênio, podia ter ganhado uma nova vida com esses resultados. Aqui é que se percebe que provavelmente o aparelho do partido não é assim tão benevolente na análise ou tão facilmente convencido. E eu ainda agora estava a ouvir o António Aleixo Amar aqui na Rádio Observador a fazer outra leitura, que é: houve, de facto, aqui um sinal de que pode haver uma viragem à direita no país, tem é de haver outro protagonista, porque os sinais que temos tido ao longo da liderança do Rui Rio é que ele não convence e não mobiliza. E portanto, eu acredito que Rio, nesta altura, possa estar muito mais desmotivado do que ou estava ou dava a entender que estava, pelo menos na fase das autárquicas, não sei. Entretanto, foram sucedendo até notícias de perdas de apoio no aparelho e, portanto, ele, como eu dizia, saberá fazer essas contas melhor do que eu, certamente, mas acho que tem razões pra estar agora muito mais desmotivado do que estava pra avançar. Ainda há semanas, eu sempre achei que Rui Rio fosse mais do estilo de ir à luta e de ir ao choque, mas devo confessar que depois daquelas contas que ele fazia ontem com equações um pouquinho confusas, fiquei na dúvida. Só uma nota rápida, quando digo Que podem estar a pensar no PSD como é que chegamos aqui. Isto lembra-me que também se aplica um bocadinho ao que o PS e o António Costa devem estar a pensar. O PS satisfeito a pensar que Rio ficava e que era o melhor que lhe podia acontecer, tendo tido o susto nas autárquicas e agora o susto no orçamento, acho que o PS aparentemente muito confortável da campanha, se calhar mudou um bocadinho entretanto.

Muito bem, rapidamente e antes de acabarmos esta nossa primeira parte da Vixi Suave, Rita Penela, uma última consideração sobre o PSD, de CDS falaremos mais à frente, e uma inconfidência. Rita Penela, sempre que acompanhamos estes conselhos nacionais mais extensos, envia-me uma mensagem a dizer: "Estou a acompanhar tudo com pipocas."

Era só para ti, Miguel.

Rita Penela, quais serão as cenas dos próximos capítulos?

Mal posso esperar. Entretanto, tenho que consultar eventualmente uma nutricionista, porque a pipoca deixa marcas. Mas acho que ninguém percebe muito bem o facto de Rui Rio não ter avançado imediatamente com uma candidatura. Acho que fragiliza um pouco a posição do ainda líder do PSD e parece que está, ou pelo menos a imagem que passa publicamente, é que está a equacionar isso e isso à partida já o fragiliza numas futuras diretas, que acho que ninguém conceberia que ele não avançasse para uma candidatura, que seria uma coisa um pouco difícil de compreender. Mas é um bocadinho aquele gif, não o gif das pipocas, mas o gif está tudo a arder lá atrás e está alguém muito espantado cá à frente sem perceber o que é que aconteceu. E creio que é isso, porque mesmo essa vantagem das autárquicas, já ninguém se lembra. Isto acontece muito a questão da bolha. Quem está lá dentro vive tudo muito intensamente, mas quem está cá fora não está a perceber muito bem o que se está a passar aqui, porque de repente é um governo que pode cair, é um PSD sem líder e ficamos aqui confusos.

Muito bem, e por falar em tudo a arder, nós na segunda parte da Vixi Suave teremos Filipa Naccareta Correia, presidente da Mesa do Conselho Nacional do CDS. Portanto, não faltarão assuntos para falar na segunda parte da Vixi Suave. Já sabe, fique conosco, fique com o Observador. Olá, bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. Vamos ter conosco Filipa Naccareta Correia. O nosso convidado ainda não chegou. Eu sempre sonhei em dizer isto, é o que dá, são os problemas de fazer rádio em direto. Portanto, temos de aguardar um bocadinho. Sabemos que está preso no trânsito. As más línguas dizem ou podem dizer que isto é a clássica hora CDS. Enfim, Diogo, ajuda-me aqui a perceber o que vamos falar e o ponto em que está o CDS. Aliás, eu tinha reservado uma sopa para falar na primeira parte, não tivemos tempo, infelizmente, mas era um caldo com chouriço, porque os caldos com chouriço geralmente servem-se nas tascas. Portanto, eu queria que falasse um bocadinho do estado de sítio em que se encontra o CDS.

Foi um caldo servido, não numa tasca, mas num conselho nacional que alguém disse que parecia uma tasca.

Alguém? João Almeida, ex-candidato à liderança do CDS.

E portanto, é sobre isso que estamos a pensar no Conselho Nacional do CDS. É difícil fazer este exercício depois de tudo aquilo que aconteceu nesta semana, pensar que houve um Conselho Nacional do CDS, já é difícil lembrar-nos disso. Mas, mais uma vez, a crise no partido veio ao de cima. Diz Francisco Rodrigues dos Santos que quem perdeu o partido nunca aceitou essa derrota. E a verdade é que já houve vários conselhos nacionais do CDS bastante animados e o último não desiludiu e foi também ele muito animado.

Muito bem, já temos conosco Filipa Naccareta Correia, já chegou, bem-vindo. Espero que tenha sido uma boa viagem. Sei que apanhou muito trânsito.

É verdade.

Pode ser mote para tomar medidas quando for vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Sim, é verdade, o trânsito voltou. Acho que nós estivemos a viver um tempo de pandemia que nos adormeceu um bocadinho sobre a noção daquilo que é o tráfego habitual da cidade e naturalmente que esse é um grande desafio que o novo executivo terá pela frente.

Olhe, vamos então diretos ao ponto, porque temos já menos tempo do que gostaríamos. Esta entrevista acontece poucas horas depois de um Conselho Nacional do PSD em que se discutiu e se rejeitou o adiamento das eleições internas até à aprovação do Orçamento do Estado. Francisco Rodrigues dos Santos também já admitiu a hipótese de adiar o Congresso do CDS em caso de crise política. Pergunto-lhe muito concretamente, seria útil ao CDS adiar as suas eleições internas?

Útil? Bom, eu acho que a primeira questão que tem que se colocar é que, em primeiro lugar, esta direção mostrou uma vontade inequívoca de clarificação, que levou à antecipação do calendário do Congresso, e isso representa uma atitude também política, de quem não tem receio dessa clarificação e, pelo contrário, até a deseja. Agora, a verdade é que a política é dinâmica, estamos a ver tempos intensos, com grandes novidades, e a verdade é que há aqui a noção, parece-me, por parte do governo, que o seu tempo está a terminar. A situação em que o país se encontra é uma situação grave. Foram dados alguns sinais também no âmbito das eleições autárquicas, que as pessoas estão cansadas e não estão a acreditar no rumo deste governo e naturalmente que o governo, pressentindo essa realidade, ou seja, que o tempo está a terminar, também tendo a noção de que a própria direita, a afirmação daquilo que seria o espaço de uma alternativa, está num processo de clarificação importante e, portanto, o governo tenta jogar também com isso. Ou seja, o tempo está a terminar, vamos simular ou provocar mesmo uma crise política.

E nesse caso, o CDS deve fazer o quê? Adiar as eleições internas?

Eu, como presidente do Conselho Nacional, julgo que não me devo antecipar a decisões que terão sempre que ser do Conselho Nacional. O Conselho Nacional decidiu convocar o Congresso e ele está convocado Portanto, essa não é uma decisão da direção, é uma decisão de um Conselho Nacional que a direção tem que respeitar.

Teria de haver uma nova...

Naturalmente. Eu não quero antecipar essa discussão.

Mas tem uma posição pessoal.

O que compreendo é, por um lado, que da parte de quem tem a responsabilidade de condução política no CDS, não há receio dessa clarificação, há uma vontade até que leva a antecipar esse calendário, mas por outro lado, há uma noção do país, da situação em que nos encontramos e da necessidade de não correspondermos a uma espécie de chantagem política ou de um oportunismo por parte do governo, dizendo que o CDS estará à altura de responder e não permitirá que nada se sobreponha à afirmação de uma alternativa para o país que eu julgo que os portugueses precisam.

Antes de começarmos esta conversa, estávamos aqui a falar do Conselho Nacional, precisamente do CDS, que foi no início da semana e com uma semana tão acelerada, até já nos esquecemos mais ou menos que ele aconteceu, porque entretanto houve as questões do Orçamento do Estado, o Conselho Nacional do PSD também. Mas eu tomei nota aqui de algumas das expressões que foram usadas por lá. Virgem ofendida, tasca, luminárias, partido da Igreja Maná, Calimero. Acha que estas expressões dignificam o CDS?

Sinceramente, acho que não. Acho que o CDS tem vivido um tempo de grande confronto político. Eu protagonizei no partido momentos de grande divergência política e sempre soube fazer, preservando aquilo que é o respeito institucional que é merecido, sempre, mesmo diante de quem nós possamos ter discordâncias, e eu tive sempre no passado, mas sempre respeitei quem estava em situação de representar o partido. E, por outro lado, julgo também que todos nós temos que ter a noção que temos que reforçar a instituição do partido, que está numa altura desafiante, numa altura exigente. Portanto, se nós contribuímos para uma degradação dessa imagem, nós estamos a fazer mal não apenas aos nossos adversários, mas estamos a fazer mal a todos nós. E eu julgo que isso poderá estar a acontecer. Parece-me, na minha leitura, que é legítimo pensar que algumas pessoas o estão a fazer porque têm a noção, neste momento, que são minoritárias e preferem, talvez, que o partido se degrade a um ponto mais grave, porque elas sabem não estar nesse futuro do partido.

Mas deixe-me só perguntar, algumas destas expressões, e eu por acaso lembro-me de algumas: virgem ofendida, luminárias, Calimero, foram usadas pelo líder do CDS. E ele está a desrespeitar os seus adversários? Está a contribuir para a degradação da imagem do partido?

Eu acho que há aí graduações. Eu não quero estar a concretizar ou a fazer comentários personalizados sobre esta ou aquela expressão, mas eu acho que há graduações nelas. Eu estou-me a referir a uma imagem de confronto político que facilmente...

Promovida também pelo líder do CDS, quando usa estas expressões.

Eu julgo, sinceramente, que muitas vezes o líder do partido tem respondido, em vários momentos, a ataques que são desrespeitadores dele próprio e os próprios portugueses costumam dizer: "Quem não se sente, não é filho de boa gente". E portanto, há muitas vezes uma impaciência e uma não aceitação de um diálogo que é um diálogo confrontacional, mas desrespeitoso também. Agora, o que digo a uns, digo para os outros. Eu acho que o partido tem que retomar um respeito. Eu temo que isso possa não acontecer já no próximo congresso, mas julgo que isso é muito importante, sobretudo quem gosta deste espaço político, quem entende que o CDS faz falta ao país, não pode permitir uma fragilização da sua presença institucional, da sua marca, tem que a reforçar e, portanto, é importante que mesmo na preparação do congresso, todos contribuam para este processo, interrompam o processo de degradação, digamos assim, e contribuam para um processo em sentido contrário, de afirmação institucional.

Entretanto, na RTP, Diogo Feio não fazia uma descrição muito diferente da que está a fazer deste Conselho Nacional, mas dizia que se estivesse no seu lugar, já teria feito um pedido de desculpas aos militantes e simpatizantes do partido. Acha que deve um pedido de desculpas?

Pelo contrário, pedir desculpas, de maneira nenhuma. O Diogo Feio não é membro sequer do Conselho Nacional, por isso só assim posso entender a sua afirmação de quem está fora, de quem não compreendeu o que se passou. O Conselho Nacional fez aquilo que um Conselho Nacional deve fazer e eu, em particular, na responsabilidade de condução do processo político, foi respeitar a vontade da maioria. Foi feito com toda a tranquilidade, foi de um modo muito clarividente, a vontade dos conselheiros nacionais foi bastante clara. Agora, não houve óbitos, não houve agressões. O Diogo Feio já esteve noutros conselhos nacionais em que aí sim, ultrapassou-se tudo o que era permitido, com grandes discussões, nomeadamente na altura com a Maria José Morgado Pinto, que teve a condução do Conselho Nacional, muito difícil na história, e claramente o último Conselho Nacional não fica na história por desrespeitar a vontade da maioria.

Este foi feio, mas não é o pior ponto a que o CDS consegue chegar. Seja como for, é inegável que está muito fraturado, talvez mais do que nunca. Teme que depois das eleições internas, como já se falou, possa haver uma cisão permanente e uma debandada de quadros?

O CDS, se reparar bem na sua história, viveu os momentos da alteração das lideranças sempre em rutura Foi assim com Lucas Pires, foi assim com Manuel Monteiro, foi assim com Paulo Portas. Eu devo dizer, como militante do CDS, lamento que assim seja. Eu acho que nós estaríamos todos a ganhar se nós fôssemos capazes de fazer mudanças de lideranças e de ciclos, acrescentando o passado, a memória, e fazendo-o somando e não subtraindo. Mas a verdade é que historicamente sempre foi assim.

Mas acredita que essa debandada pode ser uma consequência disso?

Em primeiro lugar, não é um facto novo, ou seja, também no passado outras lideranças para se afirmarem tiveram que o fazer em rutura. O que eu creio que está a acontecer é que da parte desta direção, tanto quanto me é permitido avaliar, houve e há uma disponibilidade para somar, com várias demonstrações disso mesmo, mas há também protagonistas do passado que não aceitam, de maneira nenhuma, que o processo político e o partido possa ser conduzido por outras pessoas que não eles.

Eu vou insistir precisamente essas pessoas que diz que não aceitaram o resultado do último congresso e que não aceitam a derrota do chamado portismo, podem protagonizar uma debandada de quadros, teme que isso aconteça?

Eu acho que as pessoas são livres. Nós não podemos amarrar as pessoas a nenhuma instituição e muito menos a um partido que é a expressão de uma liberdade de filiação e de militância. Eu não desejo isso de maneira nenhuma, mas creio que há sinais de alguns protagonistas que têm contribuído para uma degradação institucional do partido, e isso pode indiciar que essas pessoas não estão comprometidas com o futuro do partido.

Acha que há quem esteja a dar sinais de que quer sair num futuro próximo?

Eu estou a fazer uma leitura daquilo que me parece bastante óbvio. Quem está comprometido com o partido quer que o partido seja reforçado e não enfraquecido, e quem acha que está nesse futuro do partido tem que contribuir para esse processo de afirmação do partido.

Deixe-me só ir aqui a um ponto muito concreto entre a tensão que se vive na direção do partido e o grupo parlamentar, que é cada vez mais evidente. Depois de uma clarificação interna, acha que figuras como Cecília Meireles e Telmo Correia, que são críticos assumidos da direção de Francisco Rodrigues dos Santos, devem deixar o Parlamento, isto se mantiverem uma linha de coerência? E olhando exatamente para o caso de Cecília Meireles, que uma saída permitiria a entrada de Francisco Rodrigues dos Santos no Parlamento, era útil para o CDS?

Vou lhe dizer, não personalizando na Cecília Meireles, nem nos exemplos que referiu, no Telmo Correia, eu acho que todos nós, no partido, devemos ter um sentido de serviço que nos leve a ponderar, colocar o partido à frente da circunstância pessoal em que estamos. E isso deve ser uma atitude de princípio, que deve vigorar em todos os partidos, não apenas no CDS. E portanto, às vezes, quando se coloca a discussão em termos pessoais, já isso em si indicia que há, eventualmente, uma abordagem que não é aquela que os eleitores esperam de nós, responsáveis políticos. Nós, responsáveis políticos, temos que a todo momento demonstrar que estamos para servir e não nos estamos para ser servidos.

Portanto, depreendo que em coerência, e dadas as posições documentadas de Telmo Correia e Cecília Meireles, se quisermos, deviam deixar o Parlamento, porque estão em caminhos opostos ao da atual direção do CDS.

Eu não tenho esse entendimento. Acho que não se deve retirar isso das minhas palavras, necessariamente. O que eu acho é que essa atitude deve existir, essa atitude, desde logo, de disponibilidade em relação ao serviço. Agora, isso não quer dizer que as pessoas tenham que sair ou que devam sair por divergir. Era o que faltava. Um partido político vive de divergência, vive de pluralidade.

Isto não é só divergência. Estes dois casos em concreto que nomeei são opositores frontais.

Essa pergunta, essa avaliação tem que ser feita também aos próprios, porque um grupo parlamentar emana de um partido e, portanto, se os protagonistas desse grupo parlamentar entendem que estão em condições de servir o partido e as direções e a condução política que é decorrente das decisões dos seus militantes, eles estão em condições de continuar em diálogo com essa direção. Se eles acham que não, e o que eu julgo que seria verdadeiramente inaceitável, era nós termos uma espécie de dois partidos a falar como se fosse uma cisão não aberta. Isso julgo que já iria para além de tudo o que é aceitável. Não estou a dizer que é o que se está a passar. Eu devo dizer, eu fui colega de bancada quer do Telmo Correia, quer da Cecília Meireles. Tive em reuniões com eles. A minha esperança sempre, como militante e como responsável do CDS, é que esse diálogo seja possível manter e aprofundar. Agora, é natural que se for a vontade dos congressistas, já foi no passado, mas se voltar a ser, que se mantenha este rumo de mudança com novos protagonistas, mantendo Francisco Rodrigues dos Santos como presidente do partido, tem que ser claro para todos no partido que quem manda é ele, quem dá orientações, direção e condução política é a direção do partido e, portanto, temos que ter a noção, todos nós, qual é o nosso papel no conjunto dessa instituição, que é um partido político que tem que se afirmar junto dos eleitores, tem sobretudo que falar para fora e tem que parar de falar para dentro. Eu julgo que isso é que é o grande desafio que temos pela frente.

Filipe Ana Correia da Correia, como estamos a ficar com muito pouco tempo, eu apelo à sua capacidade de síntese. O partido, em coligação, teve bons resultados em várias Câmaras importantes do país. A verdade, e isso é um ponto dos críticos, é que quando foi a votos sozinho, teve ou conseguiu uma média de votação de 1,4%. Muitas vezes ficando atrás do Chega e outras vezes ficando até atrás do Chega e da Iniciativa Liberal. Vou fazer duas perguntas numa, porque estamos mesmo a ficar sem tempo. O partido está bem? Acha que o partido está num bom caminho e se acha que o destino do CDS, como dizem os críticos, é ser os Verdes do PSD?

Sinceramente, eu acho que a realidade sempre se pode ver de vários pontos. Eu acho que há alguns sinais que nos indiciam que estamos a viver um tempo desafiante. Em muitas zonas, de facto, tivemos médias de votações abaixo daquilo que era habitual, mas devo lhe dizer que o partido está em uma situação muito longe daquela que foi referida durante muito tempo, até por altos responsáveis do partido. O partido não está morto, pelo contrário, o partido deu aqui sinais de vitalidade muito grande, porque referiu a média, mas eu podia lhe dar exemplos em todo o país e em todos os distritos, de conselhos onde nós crescemos muito, mesmo quando fomos sozinhos.

Não está morto, mas está ligado às máquinas. É isso?

Não, de maneira nenhuma, longe disso. Essa é uma imagem que eu recuso totalmente. Repare, se considerar os sítios onde nós nos apresentamos sozinhos, portanto, não estou a falar das coligações, o CDS elegeu 30 vereadores, mais do que a soma do Bloco de Esquerda, do Chega, da Iniciativa Liberal, que estão todos os dias a ser referidos como partidos fortes. Nós sozinhos elegemos mais do que o conjunto desses todos. Nós temos seis câmaras. A Iniciativa Liberal, julgo que tem um vereador no país inteiro. Nós temos seis câmaras, nós tivemos uma vitória extraordinária em Ponte de Lima, onde tínhamos um grande desafio pela frente. O Vasco Ferraz, um grande autarca, estou convencido que o país o vai conhecer, mas depois também em Oliveira do Bairro, nós estávamos sem maioria e tivemos maioria. Em Santana nós tivemos um novo candidato, porque o candidato eleito nas últimas eleições, o presidente da câmara, foi para o governo regional, tivemos um novo candidato e reforçamos a nossa posição.

Muito bem.

Portanto, o CDS tem sinais fortes, está vivo e eu julgo que um interesse que ele tem despertado é porque não só dentro do partido, quem está a ser minoria neste momento, mas também fora, tem percecionado que precisamente o partido está mais forte, e aí o aspeto da coligação também é importante. Estas eleições caracterizam-se por ter sinalizado um novo ciclo político no país e o CDS faz parte desse ciclo. Aliás, em Lisboa, onde eu também o protagonizei, creio que demonstramos que o partido é indispensável ao novo ciclo, que é a afirmação de uma alternativa a este governo que está em poder do país.

Muito bem, Filipe Anacoreta Correia. Vamos avançar para o segundo segmento do nosso programa, que é a carne ou peixe. Só pode escolher uma opção de duas, portanto, venha daí a trilha. Quem levaria para uma semana de férias em Viana do Castelo? Paulo Rangel ou Rui Rio?

Eu para Viana do Castelo levava a minha família.

Não quer escolher nenhum dos dois.

Vai passar fome.

E agora tem mesmo que responder. Quem levaria para um passeio de tuk-tuk por Lisboa? João Gonçalves Pereira ou Assunção Cristas?

Assunção Cristas, que tem seu amigo.

Quem é que levava de mota para o próximo congresso? Nuno Melo ou João Almeida?

Eu na mota não ando em grandes viagens, portanto não vou para o Congresso de mota, estou a pensar ir de comboio também por razões ambientais.

Estamos a pensar que está ali num hotel perto e precisa de ir de mota para o congresso.

Ou que tenha um sidecar, por exemplo.

Provavelmente eles não quereriam vir comigo.

Nós garantimos o segundo capacete, nem assim.

Duas sem resposta, vamos tentar a última. Preferia ser ministro num governo com o Chega ou líder do CDS na oposição?

Aí claramente vegetariano. Nem uma coisa nem outra.

Muito bem, e agora como é hábito e praxe no nosso programa, o nosso convidado tem o direito de escolher uma música, a sobremesa, e explicar por quê, que música que nos trouxe.

Explico já?

Sim.

Bom, eu escolhi uma música de Lino de Santiago, que é Lisboa Nova ou Nova Lisboa. O meu pai viveu em Cabo Verde e faz parte de mim também uma pertença à lusofonia. Viviam em São Tomé, em Cabo Verde, e tenho uma paixão enorme pela música de Cabo Verde, em particular, que é de grande qualidade. Eu escolhi um autor já consagrado, embora seja novo. E esta música é uma música que fala de Lisboa e de uma Lisboa nova. E eu acho que não é preciso dizer muito, é a expectativa que eu tenho e que eu também sinto na rua, que estejamos a viver uns tempos que sejam promissores, de esperança. Nova Lisboa, vamos com ela.

Filipe Anacoreta Correia, muito obrigado por ter vindo à Vixi Suave.

Muito obrigado.

Quem nos está a ouvir, o nosso agradecimento é o mesmo de sempre. Já sabe, a Vixi Suave volta na próxima sexta-feira.

Esta nova Lisboa. Vem, sente, sente, sente. Está quente Lisboa. Sente, sente, sente. Esta nova Lisboa. Qual é a ideia? Qual é a ideia? Mas qual é a ideia? Qual é a ideia? De onde veio toda essa gente eu não sei. Dizem que estamos na moda manca, crê saber. Ali está tudo direto, mas não estou nessa. De vender a saudade ou amor à peça. Eu já não vou nem tentar. Se o batuco vai, deixa andar. Eu já não vou nem tentar. Mesmo sem saber, deixa até rachar. Vem, sente, sente, sente. Esta nova Lisboa. Sente, sente, sente. Esta nova Lisboa. Vem, sente, sente, sente. Está quente Lisboa. Sente, sente, sente. Esta nova Lisboa. Qual é a ideia? Qual é a ideia? Mas qual é a ideia? Qual é a ideia? Qual é a ideia? Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto