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Olá, bem-vindos à Vixi Suave. O meu nome é Miguel Santos Carrapatozo, sou jornalista e editor adjunto de política do Observador. Vamos acompanhar em permanência esta campanha presidencial e, como não poderia deixar de ser, serviremos a refeição mais deliciosa da política portuguesa com a ajuda dos nossos brilhantes repórteres na estrada. O dia acaba por ficar marcado pela entrada em cena de Luís Montenegro. O primeiro-ministro agitou, e muito, a corrida presidencial com críticas duras a André Ventura e a Henrique Oliveira e Melo, e com um apelo direto ao voto dos eleitores de António José Seguro e João Cotrim Figueiredo. Numa homenagem ao Petinom, pelo qual era conhecido o jovem Luís Montenegro, a sopa de hoje terá de ser uma sopa de ervilha. Rui Pedro Antunes, começo por ti. Estás a seguir a corrida de Henrique Oliveira e Melo, que foi particularmente visado por Luís Montenegro. De que forma é que o almirante está a tentar contrariar este apoio importante do primeiro-ministro a Luís Marques Mendes?
Olha, Miguel, como está escrito no livro que é a cabeça de Montenegro, o ervilha depois teve uma derivação pra vilha, que ele não gosta tanto e acho que o almirante está a dar gás a essas declarações no sentido de criticar o próprio primeiro-ministro. E mais do que isso, está a acusá-lo, de alguma forma, de querer condicionar e escolher o seu candidato para a Presidência da República. Portanto, o almirante ainda não tinha respondido, porque estava nessa hora a almoçar com talvez a última pessoa que venceu uma eleição a Luís Montenegro, que foi o Rui Rio, e nesse almoço ele não tinha tido capacidade de reação. Então guardou hoje pra todo o dia este ataque a Luís Montenegro. É claro que este é um ataque que acaba por ser duplo, às vezes até triplo, porque ele também ataca ao mesmo tempo António José Seguro, mas ele quer, obviamente, visar Luís Marques Mendes e uma das formas de o fazer é tentar anular essa arma que de alguma forma Luís Marques Mendes deve considerar que lhe dá votos, porque senão não o colocaria a abrir a campanha, ou pelo menos deve ser esse o cálculo da AD, e portanto está a tentar atingir Luís Montenegro de alguma forma, dizendo que o primeiro-ministro está até a usurpar o cargo que tem e a não honrá-lo, não só por estar a apoiar Marques Mendes, ele disse até considera normal, mas pela forma como está a atacá-lo a ele, ao Oliveira e Melo. E ficou particularmente agastado, por exemplo, com o fato dele o ter comparado a André Ventura. Dizer: "O primeiro-ministro pode chamar-me o que quiser", ele usa até esta expressão, "mas não me pode chamar populista, porque eu até digo coisas que são difíceis de ouvir". E portanto muito agastado com Oliveira e Melo com Luís Montenegro, a querer criticá-lo muito, até porque faz parte desta campanha de Oliveira e Melo querer provar que é mais independente que todos os outros candidatos que são apoiados por um partido e portanto, esta entrada de Luís Montenegro na campanha ajuda essa parte da narrativa de que Marques Mendes é o candidato de Luís Montenegro, o candidato do PSD, o candidato até do governo, e por isso está a tentar aproveitar isso, o tal ervilha, para de alguma forma melhar a sopa, continuamos aqui nas nossas metáforas do Vixi Suave, e atacar Luís Marques Mendes.
E teremos seguramente muitas mais oportunidades para falar desta relação complicada entre Luís Marques Mendes e Henrique Oliveira e Melo. Rui Pedro Antunes, muito obrigado. Sei que tens de seguir para uma ação de campanha.
Vamos seguir para Viseu. Exatamente.
Boa sorte e boa viagem. Pedro Jorge Castro, estás aqui comigo no estúdio. Foste escolhido ou escolheste acompanhar a campanha de João Cotrim Figueiredo. Em menos de 24 horas, o candidato liberal já falou de Francisco Sá Carneiro, de Pedro Passos Coelho e acusou Luís Marques Mendes de fraqueza. João Cotrim Figueiredo sente que as suas hipóteses de sucesso estão dependentes do combate particular que vai travar com Luís Marques Mendes?
Excelente pergunta. Aliás, uma pergunta tão boa que eu próprio coloquei hoje a João Cotrim Figueiredo quando ele falou aos jornalistas em Santarém, depois da visita a um lar, onde foi tentar mostrar que também se preocupa com os candidatos mais seniores e idosos, e não é apenas o candidato líder no eleitorado jovem. Mas antecedi a pergunta de contexto. Disse que ele tinha feito ontem um ataque duro a Marques Mendes e ele centrou-se mais nessa parte e fugiu à outra, a tentar rebater que não tinha sido nada um ataque duro e voltou a atacar de forma bastante dura e assertiva o candidato Luís Marques Mendes. Sobre Luís Montenegro e sobre a entrada de Luís Montenegro na campanha, ele disse que registava que estivesse a ser feito já um apelo pras pessoas votarem na sua segunda ou terceira opção, em benefício do voto útil, pra evitar os candidatos populistas. Não se esticou muito a criticar Luís Montenegro, até lhe chamou peso pesado, como presidente do partido com mais assentos parlamentares em Portugal. Claro que ele tem este problema, ele não pode hostilizar o eleitorado da AD, porque é precisamente desse eleitorado que está a vir uma fatia importante dos eleitores que estão a impulsionar os seus números nas sondagens. Mas uma coisa é não hostilizar o eleitorado da AD, outra coisa é atacar forte e feio em Luís Marques Mendes. E fê-lo, portanto aproveitou tudo o que pôde, não pra criticar Luís Montenegro, nem propriamente a entrada de Luís Montenegro na campanha, disse que ele aliás tem toda a legitimidade, embora tenha estranhado o timing, disse que foi um bocadinho cedo e precoce, digamos assim, e que isto é sinal de fraqueza, é prova de fraqueza, ou que lhe parece uma prova de fraqueza a Luís Marques Mendes, porque se Luís Marques Mendes estivesse a conseguir agregar todo o eleitorado da AD, não seria preciso vir o primeiro-ministro, ou o presidente do PSD, aliás, fazer um apelo destes ao voto útil neste contexto. De fato, os números mostram isso, os números das sondagens que são conhecidas mostram que João Cotrim Figueiredo é o candidato, a seguir a Luís Marques Mendes, claro, que melhor entra neste eleitorado da AD, e ele de fato, sem uma grande fatia desse eleitorado, não tem nenhuma hipótese de seguir em frente. Já assim são discutíveis as hipóteses dele ir à segunda volta Mas o que o mantém nesta corrida e o que o mantém nesta luta em empate técnico com os outros candidatos que podem seguir em frente, é precisamente a capacidade que ele tem de entrar neste eleitorado da AD. Isto levanta questões muito interessantes até para o futuro e tendo em conta também o passado, porque nas campanhas eleitorais da Iniciativa Liberal, também cobriste uma delas e portanto sabes disso, está sempre em cima da mesa este namoro da IL ao PSD. São os partidos mais próximos ideologicamente. É isso que explica também a facilidade de penetração de Cotrim Figueiredo neste eleitorado. Mas agora, vendo esta rutura, este confronto permanente.
Até no Parlamento, aliás, Mariana Leitão afastou-se muito de Luís Montenegro nos últimos meses.
Sim, mas aqui não há namoro possível antes de acabar a primeira volta, porque é um ou outro. Claramente, há ali eleitorado que disputam os dois. Há de haver muita gente indecisa entre os dois candidatos, e portanto Cotrim Figueiredo não vai ser meigo com Marques Mendes e vai tentar fazê-lo sem hostilizar Luís Montenegro e sem hostilizar os potenciais eleitores da AD, que é aqui um equilíbrio bastante difícil, mas que eu acho que vai ser bastante curioso e interessante de seguir nos próximos dias.
Pedro, muito rapidamente, tu hoje ainda vais assistir a um jogo de futebol organizado pela campanha de Cotrim Figueiredo, mas mencionaste uma preocupação que o candidato está a ter, que me parece bastante interessante, que é o contacto com o eleitorado mais velho. Muito rapidamente, consegues explicar se isso vai ser uma preocupação permanente ao longo da campanha?
Sim, é curioso porque obviamente foi-lhe perguntado se isto era para combater precisamente as sondagens que davam resultados fracos nesse tipo de eleitorado. E ele começou por questionar as sondagens: "Não sei se isso é bem assim". Mas são as mesmas sondagens que lhe dão a vitória no eleitorado jovem, portanto, se são boas e válidas para essa vitória entre os mais jovens, têm de ser válidas também para o eleitorado mais idoso. Tanto assim é que vem esta preocupação, já vem dos apelos que ele tem feito para os netos convencerem os avós. Eu acho que isso já é bastante significativo. E sim, ele não está nos lares propriamente para convencer os eleitores que estão ali.
Para convencer os filhos e os netos.
Não, mas nem é só isso. É para mostrar que se preocupa com eles. Se calhar é para outros idosos que ainda estão em casa e que até vivem em melhores condições, serem sensíveis a esta preocupação que ele tem e não o verem exclusivamente como um candidato representante dos jovens. Deixa-me só dar este exemplo: no lar onde ele esteve hoje, depois falei com a vice-presidente do lar, que o esteve a guiar na visita, e há 10 pessoas que vão votar. Dez. As outras nem sequer têm discernimento já para ir votar. Essas são levadas pelos familiares ou levadas pelo próprio lar. Não são estes 10 votos que vão fazer a diferença, mas se calhar há duas dezenas de jornalistas, estavam mais jornalistas do que votantes no lar. E as imagens do João Cotrim Figueiredo a tratar as velhinhas por minha querida e a dar-lhes beijinhos, enfim, isto é que mostrará essa preocupação dele com o eleitorado mais sénior e pelo menos combate essa percepção de que ele só se preocupa com os jovens ou de que é apenas um candidato para os jovens. Portanto, sim, também depende disso as hipóteses de sucesso de João Cotrim Figueiredo nesta corrida.
A última candidata que fez uma campanha à base de lares foi Maria de Belém, não correu particularmente bem, mas veremos.
Mas não liderava no eleitorado jovem.
Se a sorte de João Cotrim Figueiredo será diferente. Inês André Figueiredo, estás conosco em linha, estás a acompanhar André Ventura, que é aparentemente o favorito a vencer a primeira volta e que também aproveitou estas declarações de Luís Montenegro para acusar o primeiro-ministro de ter medo das presidenciais. Esta dinâmica dá argumentos à campanha do líder do Chega, ele que é e que se está a tentar afirmar ainda mais como líder da oposição?
A entrada de Luís Montenegro na campanha de Luís Marques Mendes serviu para André Ventura empolar, digamos assim, o discurso de sempre contra o sistema, dos candidatos que diz serem mais do mesmo, todos iguais. Disse que Luís Montenegro tem medo que ele chegue a presidente da República porque, palavras de André Ventura, se calhar não está a cumprir o seu papel como deveria cumprir. E no meio disto tudo, previu que Luís Marques Mendes vá ser uma marioneta no Palácio de Belém, mostrando que haverá aqui uma ligação tão grande entre o governo e o presidente da República que este nunca será interventivo ao ponto que André Ventura acredita que é necessário. O candidato apoiado pelo Chega sabe que há uma parte do eleitorado de Luís Marques Mendes que lhe pode ser útil e não perderia a oportunidade de mostrar que quer fazer diferente, que o Presidente da República, como chegou a dizer, não é eleito para ter uma relação fácil com o governo. E no fundo, disse também que se for eleito presidente, será bastante diferente. Aliás, já depois das declarações em que reagiu a essa entrada de Luís Montenegro na campanha, hoje, esta segunda-feira em Sines, deu seguimento ao mesmo pensamento. Chegou a dizer que quem quiser um presidente não interventivo, que nem sequer precisa de votar em André Ventura, recusando-se a ser um presidente corta-fitas, como lhe chamou. Mas ainda sobre o Luís Montenegro, André Ventura acusou-o também de desespero por aparecer na campanha eleitoral e por tê-lo feito tão cedo e garantiu que ele próprio não vai andar desesperado a pedir os votos dos outros partidos para chegar à segunda volta. Mas sabemos que André Ventura também sabe que o fundamental nestas eleições presidenciais é conseguir garantir a fidelidade dos eleitores do Chega, porque se isso acontecer, tem tudo para ficar perto dos 23% que conseguiu nas eleições legislativas e que à partida lhe dariam tranquilamente uma vitória na primeira volta destas eleições presidenciais. De resto, é mesmo nesta vitória Não só na primeira como na segunda volta, que André Ventura tem estado a falar. Em Sines está muito frio e o candidato aproveitou também isso para dizer que acredita que o vento que se faz sentir é apenas um bocadinho do que vai acontecer no dia das eleições. Antecipou que vai ser um tsunami, um furacão. Portanto, vamos também aguardar como é que André Ventura se vai adaptando ao longo destas eleições, também na forma como se coloca relativamente aos outros candidatos, porque na verdade sabe que o eleitorado do Chega lhe é suficiente para ter um bom resultado, mas com certeza que não vai ser meigo, por assim dizer, até porque esse não é o perfil de André Ventura com os adversários.
Muito bem, muito obrigada, Inês. E Deus nos ajude, porque serão 15 dias de metáforas com ventos, tsunamis e outras coisas parecidas. Miguel Viterbo Dias, termino contigo. Estás a acompanhar Luís Marques Mendes, ouviste seguramente a intervenção de todos os teus colegas e és o homem que tem resposta para todos os pontos que foram levantados. Consegues explicar o porquê de Luís Montenegro ter aparecido tão cedo e com esta intensidade?
Miguel, se não fosse capaz de conseguir, nem tu me convidavas para participar nesta edição. Primeiro, deixa-me dizer que ele veio muito alto entrar Vixi Suave quando nos juntamos no carro e começarmos a andar. E por isso, se houver aqui alguma quebra de rede, é disso.
Já houve uma, mas tu recuperaste bem.
É de estarmos aqui entre duas ações de campanha. Luís Montenegro entrou com esse discurso e marcou o tom destas primeiras 48 horas de campanha, porque quem cai agora na campanha de Luís Marques Mendes parece que está em quarta ou quinta-feira da segunda semana, que é o calendário em que mais ou menos as campanhas começam a apelar muito ao voto útil e à necessidade de concentrar o voto num só candidato. Isso aqui está a ser feito desde o dia um e está a ser feito por todos, porque não são só os mandatários de Marques Mendes, nem a estrutura política que anda com Marques Mendes, como por exemplo, o eurodeputado Sebastião Megalha, que o fazem, mas é o próprio candidato que não se coíbe também, desde logo, de avisar para essa necessidade e para essa urgência de concentrar o voto e de não dispersar qualquer tipo de voto logo na primeira volta. Isso aconteceu desde já no almoço onde estivemos, onde se percebeu também um bocadinho os principais adversários de Luís Marques Mendes. Houve tiros a Cotrim Figueiredo, também ao almirante Gouveia e Melo e, claro, a André Ventura, embora com André Ventura seja mais difícil ir buscar algum tipo de eleitorado, enquanto no que toca a Cotrim Figueiredo e ao almirante Gouveia e Melo, há uma urgência maior em segurar o eleitorado da AD em Luís Marques Mendes. E estes ataques aconteceram, tal como o apelo ao voto útil por parte do próprio candidato, que fez até uma referência um bocadinho tétrica a Sá Carneiro. Ele tem sido muito citado pelo candidato apoiado pela IL e pelo candidato apoiado pelo Chega.
Precisamente, Miguel, não quero interromper o teu raciocínio, mas para perceber exatamente o que quis dizer Luís Marques Mendes com essa frase, que é uma frase, nós há pouco falávamos de exageros, é certo que as campanhas têm sempre exageros, mas comparou Luís Montenegro a Francisco Sá Carneiro, que morreu a fazer uma campanha presidencial. Isto significa o quê? Esta dramatização tão cedo na campanha é sinal de quê?
É sinal de que a estrutura da campanha de Marques Mendes pode estar a perceber que há aqui muito eleitorado que está a fugir e que é preciso concentrar. E que a participação do primeiro-ministro na campanha não se torna um problema, porque todos os adversários têm castigado Marques Mendes com esta participação de Luís Montenegro e há aqui uma tentativa de inverter a narrativa para mostrar que a participação de um primeiro-ministro não é um sinal negativo, é sim um sinal de força dessa união de um setor político, de uma área política que tem conquistado as últimas eleições. E daí essa referência rebuscada a Sá Carneiro. É claro que não é preciso ir tão longe para um primeiro-ministro apoiar um candidato presidencial, mal seria, mas essa referência rebuscada à participação de Sá Carneiro na campanha, que o fez com o Soares Carneiro enquanto primeiro-ministro, participou muito ativamente na campanha. Desta vez, Luís Montenegro ainda só veio uma vez. Certo que quis logo ditar o tom ao entrar no primeiro dia oficial e que a participação do chefe do governo vai sendo conhecida um bocadinho dia a dia, é anunciada com poucas horas de antecedência, mas o que é certo é que deu gasolina a todos os adversários. E nessa tentativa de inverter desde já a narrativa, houve esta referência, como disseste, exagerada à participação de Sá Carneiro, mas que é também um lembrete a André Ventura, sobretudo, que anda sempre com o nome de Francisco Sá Carneiro na boca, e agora também a Cotrim Figueiredo, que se arroga um dos herdeiros de Sá Carneiro e de Passos Coelho, uma referência a que esta figura que outros idolatram, também participou numa campanha presidencial enquanto chefe de um governo.
Muito bem, Miguel Viterbo Dias e demais equipa, desejo-vos uma boa continuação da estrada. A Vixi Suave Especial fica por aqui. Voltamos amanhã, à mesma hora, com outros repórteres e para falar também de outros temas desta campanha presidencial. Até à próxima.