Novo Banco

Novo Banco: despedimentos são “inevitáveis”, Banco de Portugal aprova

Para cumprir regras comunitárias, os custos operacionais do Novo Banco têm de baixar 150 milhões de euros, em 2016. A redução de trabalhadores "é uma inevitabilidade", diz a administração.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

A redução de trabalhadores no Novo Banco, que implicará o despedimento de 500 pessoas, “é uma inevitabilidade” face às regras comunitárias, que obrigam a instituição a reduzir os seus custos operacionais em 150 milhões de euros, já em 2016. Quem o afirma é o Conselho de Administração do banco, num comunicado a que o Observador teve acesso.

O Conselho de Administração (CA) do banco apontava, inicialmente, para uma redução de 1000 trabalhadores. Contudo, “o esforço que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos meses, nomeadamente por via de reformas antecipadas, irá permitir limitar o esforço de redução de colaboradores (…) para um número não superior a 500”, explica a administração do Novo Banco.

A necessidade de redução do número de pessoas e dos custos operacionais do banco, justifica o CA, resultam da “interrupção do processo de venda do NOVO BANCO”. Esta interrupção, que “tornou necessário submeter um Plano de Reestruturação à Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia (DG COMP)” — plano esse “validado pelo nosso acionista, o Fundo de Resolução” —, levou à necessidade de adotar as medidas em causa, explicam os responsáveis.

O Conselho de Administração do Novo Banco acrescenta ainda que, “na sequência da apresentação dos resultados de 2015 do Grupo”, os responsáveis comprometeram-se a discutir o Plano de reestruturação, numa primeira fase, junto dos sindicatos e da Comissão Nacional de Trabalhadores (CNT) do grupo.

Algo que terá acontecido esta segunda-feira, segundo adianta o comunicado, que esclarece que o Conselho de Administração e o Diretor de Recursos Humanos do Novo Banco se reuniram neste dia com a Comissão Nacional de Trabalhadores e com várias estruturas sindicais: o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI), o Sindicato dos Bancários do Norte (SBN), o Sindicato dos Bancários do Centro (SBC), o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQATB), o Sindicato Independente da Banca (SIB) e o Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira (SINTAF).

As negociações entre Conselho de Administração, Comissão de Trabalhadores e Sindicatos deverão continuar, já que, esclarece o comunicado, o grupo prosseguirá um “trabalho conjunto” com estas estruturas, “com vista a definir as vias mais adequadas para alcançar a redução total imposta pelas autoridades”.

Banco de Portugal dá aval aos despedimentos

Num comunicado divulgado esta tarde, o Banco de Portugal dá luz verde ao plano de restruturação do Novo Banco:

O Banco de Portugal reitera o seu apoio à implementação, pela equipa de gestão, do plano de reestruturação oportunamente apresentado e aprovado pelas autoridades europeias.

E tece elogios à gestão atual, deixando uma palavra de apoio aos trabalhadores, ao mesmo tempo que diz acreditar na preservação da confiança na instituição bancária por parte dos clientes.

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