Lisboa

Demasiados turistas? Medina defende que Lisboa se deve preparar para receber mais

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Oferta para Lisboa no Airbnb triplicou desde 2014 para 13 mil casas, revela a Bloomberg. O presidente da câmara defende que a cidade se deve preparar para receber mais turistas.

MÁRIO CRUZ/LUSA

Um aumento de 21% no número de noites dormidas — 5,25 milhões de turistas passaram pelo menos uma noite em Lisboa no último ano — e 13 mil casas e quartos anunciados no Airbnb, um site que disponibiliza oferta alternativa a hotéis. Estes são alguns dos números citados pela agência Bloomberg que expressam o boom turístico que tomou conta da capital portuguesa nos últimos anos.

Num trabalho focado sobre a explosão da oferta de alojamento não convencional, que triplicou desde 2014, a agência Bloomberg foi ouvir o presidente da câmara de Lisboa. Fernando Medina reconheceu que o processo de expansão turística “cria uma série de mudanças significativas na cidade”, mas defende que a maioria dessas mudanças é positiva. Sobre o crescimento desta atividade, o autarca considera que é a primeira vez que o “turismo está a permitir às pessoas participarem no desenvolvimento da cidade”. Fernando Medina defende ainda:

Não devemos ter medo desta nova dinâmica, não devemos ter medo do crescimento. Pelo contrário, precisamos de preparar a cidade para receber ainda mais turistas”.

A reportagem destaca o contraste entre a abertura portuguesa às novas formas de oferta hoteleira e a posição restritiva assumida recentemente por cidades como Londres, Berlim, Amesterdão e Barcelona. Londres estabeleceu um limite de 90 noites por ano, valor que baixa para 60 noites em Amesterdão. Barcelona e Berlim deixaram de dar licenças a proprietários para alugar casas e apartamentos, num esforço para manter os preços da habitação (sobretudo alugada) acessíveis aos residentes e proteger os locais de um excesso de turistas.

Segundo o responsável pelas relações públicas da Airbnb para a Península Ibérica, Andreu Castellano, Portugal é um dos líderes a nível europeu a responder às necessidades de regulação da economia partilhada, o que neste caso significa tomar medidas para facilitar a oferta de camas e alojamento alternativos destinados a turistas.

O fim faseado das rendas antigas nos centros urbanos e a venda de centenas de edifícios públicos em leilões são algumas das iniciativas destacadas neste artigo. Outra das grandes diferenças é a ausência de limite anual ao número de noites que os proprietários da oferta privada podem ceder para dormidas. Portugal exige o registo destas unidades como arrendamento de curto prazo, mas a política mais liberal em relação ao alojamento alternativo tem também ajudado a atrair eventos como a conferência Web Summit, um dos principais eventos mundiais de startups.

A situação de Lisboa difere da das cidades europeias que optaram por restringir os arrendamentos de curto prazo. A capital portuguesa tem sido a grande protagonista do surto de crescimento turístico, um dos bons resultados da economia portuguesa depois da crise económica. O turismo tem vindo a crescer a 13% ao ano desde 2013.

Uma das mudanças mais evidentes desta política é o regresso em força do investimento ao mercado imobiliário, mas sobretudo alimentado por investidores estrangeiros que representaram cerca de 90% do valor recorde de dois mil milhões de euros que foram aplicados no ano passado. A subida em 25% desde 2013 no preço das propriedades em algumas áreas de Lisboa será uma boa notícia para alguns, mas para quem quer viver na capital corresponde ao reverso da medalha deste boom.

A Bloomberg realça ainda o difícil equilíbrio entre o crescimento do turismo e das receitas e a preocupação em manter a cidade autêntica e acessível aos seus residentes.

Corrigidos os dados da Bloomberg sobre o número de ofertas de casas em Lisboa no Airbnb.

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