Vinho

Por trás de um bom vinho, há sempre uma grande adega

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Douro, Alentejo, Bairrada. Há adegas espalhadas pelo país que merecem uma visita. Não só pelo vinho mas pelas formas arquitetónicas: umas futuristas, outras que recriam um saca-rolhas.

A adega da Herdade do Freixo foi idealizada durante 10 anos e só agora viu a luz do dia.

© Fernando Guerra

Herdade do Freixo

É uma adega subterrânea, com certeza, que se desenrola em espiral até atingir os 40 metros de profundidade. Quando as uvas da vinha plantada sobre os seus três pisos crescerem, ninguém a conseguirá distinguir na paisagem. E que paisagem: ao todo são cerca de 300 hectares que traduzem o melhor do Alentejo, numa herdade situada entre a Serra D’Ossa e Évora, no concelho do Redondo. A Aldeia do Freixo emprestou o nome ao projeto que foi idealizado durante 10 anos e só agora viu a luz do dia. A invulgar arquitetura do edifício, a lembrar um Guggenheim subterrâneo, ficou a cargo de Frederico Valsassina e é um chamariz, mas foi pensada ao pormenor em nome do vinho, uma vez que contribui para a redução das amplitudes térmicas durante o ano. Até ao momento existem cinco vinhos da Herdade do Freixo, todos com indicação “Vinho Regional Alentejano”.

Visitas a partir de 6,50€ por pessoa, marcação prévia aconselhada. De terça a sábado, às 11h30 e às 15h30 (tel.: 266 094 830). Herdade do Freixo, Freixo, Portugal. www.herdadedofreixo.pt

Herdade do Moinho Branco (Adega da Ribafreixo Wines)

A moderna adega da Ribafreixo Wines, de morada fixa na Herdade do Moinho Branco, vizinha próxima da vila da Vidigueira, abriu as portas mesmo a tempo de receber a vindima de 2012. Ao todo são quatro mil metros quadrados que dão lugar a tecnologia e metodologia de ponta (das tradicionais barricas de carvalho às mais modernas cubas de inox ou prensas especializadas de vácuo), tendo produção para mais de 1 milhão de garrafas. As linhas direitas do edifício — com loja de vinhos, sala de provas e restaurante no interior — marcam a paisagem da propriedade que se estende por 114 hectares resultantes da soma de um conjunto de parcelas de terrenos agrícolas em tempos abandonados.

Visitas a partir de 2,50€ por pessoa mediante marcação, todos os dias das 11h00 às 16h00 (tel.: 963 559 964/284 436 240/tours@ribafreixo.com). Adega Moinho Branco, Vidigueira, Portugal.

Quinta do Portal

A 6 de outubro de 2010 inaugurava-se o armazém de estágio e envelhecimento de vinhos da renomeada Quinta do Portal, no Alto Douro Vinhateiro. A data ficaria para memória futura de amantes de vinho e não só: foi o arquiteto Álvaro Siza Vieira quem a pensou, desenhou e, com recurso a xisto e cortiça, fê-la erguer-se entre um mar de vinhas. De lá para cá, o edifício de linhas direitas caiu na graça de enófilos e pessoas da área. A comprová-lo estão as distinções que já leva no currículo ainda recente, incluindo o “Prémio de Arquitetura do Douro 2010/2011”, tal como recorda a Revista de Vinhos.

Visitas guiadas e provas de vinho a partir de 7,50€ por pessoa, das 10h30 às 13h00 e das 14h00 às 16h30 (aconselha-se marcação; tel.: 259 937 000/969 519 021/reservas@quintadoportal.pt). EN 323 Celeirós, Sabrosa

Quinta da Gaivosa

Desde 2015 que é o berço dos novos vinhos da família Alves de Sousa, que vive por entre os socalcos do Douro de há cinco gerações para cá. Projetada pelo arquiteto transmontano António Belém Lima, a adega distribui-se por dois pisos altos, plantados à entrada da Quinta da Gaivosa. Como de esperar, é dotada de uma loja de vinhos e de uma sala de provas, mas é no topo que fica o terraço panorâmico com vista para os vales envolventes. O exterior do edifício moderno é revestido a tijolo e o chão é feito de xisto, sendo que toda a estrutura foi pensada de forma a integrar na paisagem duriense — para tal foi preciso um investimento de mais de um milhão de euros. Diz o arquiteto que a pensou e desenhou que a adega é como uma garrafa de vinho: ambas escondem o “tesouro” do vinho ali produzido.

Visitas à adega por 15€ por pessoa, mediante marcação, com prova de cinco vinhos incluída (tel.: 254 822 111). Quinta da Gaivosa, Pousada da Cumieira 2214, Santa Marta de Penaguião.

Adega de Alijó/Gran Cruz – Douro

Tubos e mais tubos estão no centro de operações desta adega futurista que, vista de longe e à noite, protagoniza um retrato fotográfico sem igual. Foram precisos dois anos só para a planear, trabalho que ficou a cargo da dupla Alexandre Burmester e Jorge Toscano, e 16 milhões de euros para a construir — é uma das mais recentes adegas no país, oficialmente inaugurada em junho de 2014. Inserida no Alto Douro Vinhateiro, já considerado Património Mundial pela UNESCO, a adega da Gran Cruz foi edificada sobre um antigo estaleiro e apresenta uma forma arredondada — no interior, não há paredes onde pôr o olho, apenas uma tonalidade metálica dominante e proveniente das muitas cubas de inox onde o vinho é fermentado. Em boa verdade, são duas adegas numa só: uma delas especial e, por isso, apostada nos pequenos volumes e nos vinhos “especiais” do Porto e do Douro, e a outra, mesmo ao lado, dedicada aos grandes volumes.

Visitas a partir de 5€ por pessoa, com prova de vinhos incluída, mediante marcação (tel.: 913 111 900 ou geral@myportocruz.com). Zona industrial de Alijó, Alto da Giesteira, Alijó. www.porto-cruz.com

Quinta do Encontro – Bairrada

Leva o rótulo de “adega de design” e é fácil perceber porquê. Inaugurada em 2008, depois de pensada e projetada pelo arquiteto Pedro Mateus, foi construída em forma de barrica. Como se mais alusões ao vinho fossem precisas, no interior a deslocação faz-se num percurso em espiral que pretende reproduzir o fuso do saca-rolhas. E é precisamente ao longo desses corredores ondulados, que deixam o visitante aceder a um total de quatro pisos, que é possível encontrar a adega, a loja e o restaurante (de terça a sexta-feira ao almoço, há um menu do dia no valor de 12,50 euros com entrada, prato principal, um copo de vinho, sobremesa e café). Rodeada pelas vinhas da propriedade, e com as serras do Caramulo e Buçaco ao fundo, a quinta em Anadia faz jus ao nome, não fosse ela um constante (re)encontro com o vinho e a sua produção.

Visita guiadas para grupos, mediante reserva, 2€ por pessoa (inclui degustação do espumante QdoE). Visitas individuais (gratuitas) de terça a sábado, às 11h30, 15h30 e 18h30; e ao domingo, às 11h30 (tel: 231 527 155 / 232 960 140). Rua de São Lourencinho, São Lourenço do Bairro, Aveiro. www.quintadoencontro.pt

Adega Mayor – Alentejo

Na planície alentejana de Campo Maior ergue-se, majestosa, a criação do arquiteto Álvaro Siza Vieira que surgiu, em 2007, para homenagear o vinho e a vida. Um edifício horizontal, caiado a branco e dividido em três pisos, o último destinado a receber turistas ávidos por um copo de vinho com o selo Adega Mayoré aí que se encontra a sala de provas, que se abre para um terraço panorâmico dotado de um espelho de água central. E se no exterior os olhos contornam o pouco que há para contornar do edifício de linhas retas, no interior há espaços monumentais destinados à produção e armazenamento dos néctares que, ali nascidos, já ganharam fama (e proveito).

Visitas mediante marcação prévia a partir de 2€ por pessoa (grupos com um máximo de 50 pessoas, não inclui prova de vinhos), entre diversas atividades de enoturismo (incluindo voos de balão de ar quente). Herdade das Argamassas, Campo Maior (tel: 268 699 440). www.adegamayor.pt

Adega Mãe – Torres Vedras

Leva três anos, mais coisa menos coisa, a morar entre vinhas e vinhedos (passe-se a redundância). A Adega Mãe, à semelhança da anterior, também nasceu em jeito de homenagem — desta vez à matriarca da família responsável pelo projeto (a mesma do bacalhau Riberalves), de nome Manuela Alves. Aqui, o visitante tem acesso ao coração da adega, onde fica a conhecer as prensas do vinho que é influenciado pelo clima atlântico e pelos solos argilo-calcários, as cubas onde é armazenado e onde se sujeita ao processo natural da fermentação, o laboratório da casa e a divisão onde o cheiro a barricas de carvalho francês é omnipresente. Há ainda uma sala de prova, loja e salão de eventos que, a julgar pelas fotografias, é digno de receber um qualquer jantar real.

Visitas com prova incluída a partir de 6€, sujeitas a marcação (tel. 261 950 105). Estrada Municipal 554 – Fernandinho, Ventosa, Torres Vedras. www.adegamae.pt

Quinta do Vallado – Douro

A construção de xisto, da autoria do arquiteto Francisco Vieira de Campos, integra-se na paisagem duriense que a rodeia. Mas mais do que contribuir para um cenário curioso, é o resultado evidente da fusão entre modernidade e tradição. Foi apenas em 2009 que a adega (e respetiva cave de barricas) juntou-se à secular Quinta do Vallado, datada de 1716. A meia dúzia de quilómetros do centro histórico da Régua, a quinta pertenceu, em tempos, à lendária Dona Antónia Adelaide Ferreira. A propriedade ainda hoje se mantém na família da mulher que ficaria conhecida como “Ferreirinha” (vai na sexta geração). Por tudo isso, e muito mais, visitar a adega é, também, recuar no tempo e ouvir um pouco da história que ali se fez e continua a fazer.

Visitas à adega e à cave, com provas de vinhos incluída, todos os dias, às 12h00 e às 15h45, a partir de 15€ por pessoa (duração média 1h30; participação máxima de 16 pessoas), mediante marcação (tel: 254 318 081/enoturismo@quintadovallado.com). Vilarinho dos Freires, Peso da Régua, Portugal. www.quintadovallado.com

Herdade do Rocim – Alentejo

Situada entre Vidigueira e Cuba, no Baixo Alentejo, a herdade estende-se por cerca de 120 hectares — 70 dedicam-se às castas aí trabalhadas e 10 são de olival. Por aqui, nas terras de um Alentejo plano, a adega é caso de encanto e descrita por quem a fez nascer como um “ponto de encontro de tecnologia e afetos”. Se é certo que a ciência contribuiu para uma cada vez melhor transformação das uvas em vinho, os néctares ali criados e servidos não estão isentos de paixão da parte de quem os trabalha. Além de apostar na produção de vinho, a adega também abre as portas à cultura e ao lazer — com áreas desenhadas para receber reuniões empresariais, conferências, visitas escolares ou, simplesmente, a curiosidade dos turistas –, tendo ainda como objetivo dar um contributo sustentável ao desenvolvimento da região.

Visitas guiadas de segunda-feira a sábado, das 11h00 às 19h00 (última visita às 18h00), mediante marcação (tel: 284 415 180). Estrada Nacional 387, Cuba, Alentejo. www.herdadedorocim.com

Artigo publicado inicialmente a 27.09.2015 e atualizado a 20.09.2017.

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