Governo

Governo considera que quotas para empresas cotadas na bolsa “não são ingerência”

A secretária de Estado para Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, acredita que a imposição de quotas de género nas administrações de empresas com acesso à bolsa "não é ingerência".

Nas administrações da EDP Renováveis, da Semapa, da Navigator e do Montepio não existe nenhuma mulher

MÁRIO CRUZ/LUSA

A secretária de Estado para Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, acredita que a imposição de quotas de género nas administrações de empresas com acesso à bolsa “não é ingerência”.

Não é ingerência. As empresas não são obrigadas a ter o sistema de quotas. O que estamos a dizer é que se quiserem ser cotadas têm de ter como critério o sistema de limiar de paridade. Ou seja, passa a ser mais um critério, entre outros, para aceder a bolsa, o que é diferente de impor”, explicou a governante à Lusa.

Em Nova Iorque, onde participa na 61.ª sessão da Comissão para Estatuto da Mulher (CSW), Catarina Marcelino disse ainda que “uma empresa é livre de dizer que não quer cumprir, mas então não poderá concorrer à bolsa.”

O governo lançou este mês uma proposta, que aguarda aprovação pela Assembleia da República, que obriga os conselhos de administração das empresa cotadas em bolsa a cumprir uma quota de 33% para o género menos representado a partir de 2020. A proposta estende-se também ao setor empresarial do Estado, onde o prazo é mais curto e as quotas terão de ser cumpridas até 2018.

“É uma medida que tem, de facto, eficácia. Olhámos para exemplos internacionais que já têm legislação aprovada. A França passou de uma expressão muito parecida com a nossa, na ronda dos 10% (estamos nos 12%), e neste momento está perto dos 30%. A lei força a que a mudança se faça”, explica.

Atualmente, não existe nenhuma mulher na liderança das cotadas no PSI-20, o índice de referência do mercado de capitais em Portugal. Quando a lei entrar em vigor, das 17 empresas que fazem parte do PSI-20, onze terão de fazer alterações nos conselhos de administração para cumprir as novas regras.

Catarina Marcelino diz ainda que a nova lei, que ainda não tem votação agendada, antecipa uma diretiva europeia bloqueada há anos e que as acusações de ingerência são erradas porque o mercado de capitais é regulado pelo Estado. “O sistema de mercado é um sistema público. Por isso, estou 100% confortável com esta medida. Não estamos a inventar a roda”, justifica.

Atualmente, apenas duas empresas do PSI-20 cumprem a fasquia exigida para 2020: a Corticeira Amorim e a Sonae, SGPS. Nas administrações da EDP Renováveis, da Semapa, da Navigator e do Montepio não existe nenhuma mulher.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Governo

O país pequenino onde uma mão lava a outra

José Manuel Fernandes
917

A Raríssimas não é raríssima. Pior: se virmos como desde o topo do Governo a um pouco por todo o Estado há demasiados amigos e familiares, percebe-se que o exemplo até vem de cima. E ninguém estranha.

António Costa

Pelos caminhos de Portugal

Paulo Tunhas
109

António Costa acha que “este ano foi particularmente saboroso para Portugal”. Houve, é verdade, os mortos dos fogos, houve Tancos, houve o caso da Raríssimas. Mas que importa isso?

IPSS

Raríssimas: o Estado é parte do problema

Rui Ramos

Mais do que por uma “vida de luxo”, a direcção da Raríssimas foi atraída por uma “vida de Estado”. Libertar a sociedade deste Estado gordo e promíscuo seria um meio de a libertar das piores tentações.

Brexit

Quem disse que sair da Europa era fácil?

Diana Soller

Esperemos que o executivo britânico se reorganize depressa. Ainda que o divórcio tenha tido até agora pouco de litigioso, uma das partes põe paus na engrenagem. E nas separações todo o cuidado é pouco

Crianças

Há Natais e Natais...

Rute Agulhas

Pais, mães, avós e restante família alargada. Deixemos as crianças viver a magia do Natal. Acreditar, mesmo que seja a fingir, no Pai Natal e nas renas, e na fábrica de brinquedos, e nos duendes.

Só mais um passo

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site