Autárquicas 2017

Taxas, taxinhas, turismo e o “colapso dos transportes”. O segundo debate dos candidatos a Lisboa

O turismo voltou a estar no segundo debate entre os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa. O turismo levou a que se debatessem "taxas, taxinhas" e o problema dos transportes na capital.

Os cinco candidatos à Câmara Municipal de Lisboa — Fernando Medina (PS), Assunção Cristas (CDS), Teresa Leal Coelho (PSD), Ricardo Robles (BE) e João Ferreira (CDU) — estiveram esta quarta-feira num debate transmitido pela TVI24. O turismo foi o tema central e, por arrasto, a taxa turística, a habitação e o “colapso dos transportes”.

“Taxas, taxinhas”

Ricardo Robles, candidato pelo Bloco de Esquerda, gosta de viajar e de conhecer novas culturas — já o tinha dito no último debate e voltou a dizê-lo — e, por isso, não vê no turismo um “problema” mas uma “vantagem”. Reconheceu, porém, a necessidade de lidar com “este crescimento do turismo” e apresentou três soluções: limitar o número de hotéis existentes no centro da cidade, distinguir o alojamento local do turismo de habitação e garantir que a taxa turística não seja gerida pelos donos dos hotéis mas pelos municípios.

O candidato à Câmara de Lisboa propôs um aumento de mais um euro na taxa turística, que daria uma receita de 30 milhões de euros para “investir no direito a habitação e aquisição de património para arrendamento controlado”. Fernando Medina, atual presidente da Câmara de Lisboa, relembrou contudo que, há dois anos, quando avançou com a proposta da taxa turística, “todos os partidos foram contra”, acrescentando ainda que “o Bloco de Esquerda liderou uma proposta de tornar ilegal a taxa turística”.

O candidato pelo BE alertou que tinha no seu programa de 2013 a taxa turística, ao contrário do PS e esclareceu que o partido votou contra porque o valor da taxa era colocada num fundo de desenvolvimento turístico gerida pelos donos dos hotéis. Assunção Cristas, candidata pelo CDS, alerta que foi contra a taxa turística, na altura, porque o país “precisava do turismo para animar a economia” e esta taxa era vista como um entrave “para desenvolver esta área”.

Por sua vez, Teresa Leal Coelho, candidata pelo PSD, aponta que “não é a taxa turística que vai resolver os problemas” nem outras “taxas, taxinhas”. “Não podemos ficar apenas dependentes do turismo e é isso que tem acontecido. É preciso reordenar aquilo que resultou do turismo e que não foi planeado”, disse Teresa Leal Coelho.

Afinal, qual é o monumento mais visitado de Lisboa?

João Ferreira, candidato pela CDU, defende que os problemas da capital do país resultam do facto da atividade turística estar nas “mãos do mercado” e alerta para o número de novos hotéis aprovados no último mandato. O candidato apontou ainda que “o turismo está muito concentrado numa zona muito pequena da cidade”, alertando que “Lisboa tem condições para aumentar a atratividade turística” fora de um núcleo restrito de freguesias do centro.

Assunção Cristas alertou, porém, que a freguesia de Lisboa com mais hotéis é Avenidas Novas e não o centro histórico, como tinha sido mencionado pelos adversários. Em contrapartida, a candidata destacou que o monumento mais visitado da capital é o Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, onde não existe uma quantidade relevante de hotéis. Mas Medina interveio para defender que é o Castelo de São Jorge.

A candidata pelo CDS defendeu ainda que “não há em Lisboa turistas a mais, há gestão urbana a menos em varias áreas”, enumerando-as: habitação, higiene urbana, e transportes.

“Gosto muito de elétricos”, revela Assunção Cristas

No que toca às questão dos transportes, os candidatos estão de acordo ao concluir que há problemas nessa área. Não são tão claros a tentar especificar as soluções que têm os resolver. A candidata pelo CDS, que desde criança andou no elétrico 15 e gosta muito desse meio de transporte, alertou que “só se consegue retirar carros da cidade com a extensão do metro”. Ricardo Robles falou num “colapso dos transportes” e na necessidade de se “olhar para a cidade e perceber qual é a zona que não é servida”, destacando a zona ocidental.

Fernando Medina defendeu a proposta de uma linha circular para o metro. Em contrapartida, João Ferreira acha que com a aplicação dessa proposta, “as outras linhas vão tornar-se outras periféricas”. O candidato pela CDU acusa o CDS de ter levado o “metro a uma situação de colapso”, defendendo que “é preciso repor os níveis de serviço mínimo de metro”.

Dos cinco candidatos, quais vão ser vereadores?

Se não ganhar as eleições, Assunção Cristas garante: “Se me quiserem como vereadora, certamente que serei”. Ricardo Robles, para quem “um bom resultado é reforçar a presença do Bloco na Câmara Municipal”, admite que se candidata “para ser vereador”. João Ferreira diz-se pronto para “assumir todas as responsabilidades” e admite querer “criar uma alternativa de governo. O atual presidente, Fernando Medina, não pede uma maioria absoluta e não revelou se tem intenções de formar uma coligação se não o conseguir.

Teresa Leal Coelho fechou o debate ao responder a uma pergunta que se recusou a responder ao Observador, admitindo a possibilidade de ficar como vereadora se não ganhar as eleições.

Carpool: a pergunta simples de que Teresa Leal Coelho fugiu 3 vezes

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