Catalunha

Puigdemont: “Será que alguém pode esperar um julgamento justo e independente? Eu não”

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O presidente destituído da Generalitat escreveu um artigo no The Guardian onde acusa Madrid de agir "à margem da lei" e o "todo-poderoso Estado" de sair em defesa de uma minoria na Catalunha.

Carles Puigdemont diz que os partidos independentistas "obtiveram níveis historicamente altos de apoio" em 2015

Robin Townsend/EPA

O presidente destituído do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, escreveu um artigo no jornal britânico The Guardian onde acusa o Estado espanhol de agir de “forma arbitrária, não democrática e, na minha opinião, à margem da lei” e diz que Madrid cometeu “um brutal ataque judicial para prender em massa e criminalizar os candidatos que promovem ideias que, há dois anos apenas, obtiveram níveis historicamente altos de apoio”.

Carles Puigdemont diz que a prisão preventiva de oito políticos do seu governo, entre os quais o vice-presidente Oriol Junqueras, é um “ultraje colossal que vai ter consequências sérias” e sublinha por várias vezes que os partidos independentistas, inclusive a coligação Juntos Pelo Sim, da qual faz parte, prometeram nas eleições de setembro de 2015 a realização de um referendo à independência da Catalunha.

“Os eleitores que nos apoiaram sempre souberam qual era o nosso objetivo. Ainda assim, dois anos depois dessas eleições, nós somos acusados de sedição, conspiração e rebelião por concretizarmos um programa eleitoral que nunca escondemos”, escreveu Carles Puigdemont, para depois ironizar: “É uma conspiração estranha, esta que recebe o voto popular”.

O presidente destituído da Generitat escreve ainda que, a partir de agora, a democracia espanhola funciona em “dois níveis” diferentes. “Pode ser-se pró-independência, não se pode governar. Pode ser-se acusado de rebelião se se cumprir uma promessa eleitoral. E se fores contra a independência mas não tiveres uma maioria parlamentar para governar, o todo-poderoso Estado sairá na tua defesa”, escreve.

Carles Puigdemont está atualmente na Bélgica, para onde fugiu um dia antes de o procurador-geral espanhol ter pedido a sua detenção. Dias depois, viria a faltar à intimação marcada pela Audiencia Nacional — a mesma à qual compareceram oito dos seus ex-ministros, que estão agora em prisão preventiva. Neste momento, a justiça belga, que recebeu um mandado de captura de Espanha, decide vai ou não extraditar Carles Puigdemont para Espanha. A decisão final será comunicada no dia 17 de novembro.

Sobre a perspetiva de um julgamento em Espanha, Carles Puigdemont referiu que o sistema judicial espanhol demonstra uma “clara ausência de independência e neutralidade” e diz que há “ligações entre o poder judicial e o governo visíveis aos olhos de toda a gente”.

“Será que alguém pensa que o governo destituído da Catalunha pode esperar um julgamento justo e independente, sem a influência política ou pressão dos media?”, pergunta. “Eu não. E é por isso que, além de continuar a defender a legitimidade de todos os nossos atos políticos, defendemos o nosso direito de querer a independência da Catalunha, de defender um modelo de sociedade no qual ninguém tem medo do poder do Estado.”

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