Manos Matsaganis: “Estratégia do governo grego tem sido ridícula”

06 Abril 2015781

Manos Matsaganis, economista grego, fez um discurso em Harvard que lhe mereceu fortes críticas. Não se pode dizer que o governo é "outra coisa que não fantástico", explica em entrevista ao Observador.

O economista grego Manos Matsaganis diz-se um “homem de esquerda” mas está “aterrorizado” com o governo Syriza. “Aterrorizado” com a estratégia “ridícula” que tem sido seguida na relação com os parceiros europeus, com a aliança com um “charlatão” como Panos Kammenos, vindo da extrema-direita, e com o risco de que a Grécia caminhe, como um sonâmbulo, para o abismo da saída do euro. Porquê? Porque há muita gente disposta a ser “catastroficamente heroica” no governo. Depois de um discurso em Harvard que lhe mereceu fortes críticas porque “não se pode dizer que o governo é outra coisa que não fantástico”, Manos Matsaganis falou com o Observador a partir do jardim adjacente ao seu “pequeno apartamento em Berkeley”, nos EUA, onde está a passar um ano em trabalho académico. À entrada em mais uma semana decisiva para Atenas, propomos-lhe uma entrevista a um grego influente, que não se retrai nas palavras.

Fez no início de março um discurso, em Harvard, em que se disse “aterrorizado” perante a subida ao poder do Syriza, apesar de se considerar um homem de esquerda. Porque se sente assim?

O Syriza explorou o filão a que se chama “política do ressentimento”. Existe tanta raiva e insatisfação na Grécia desde a crise que se tornou claro que uma abordagem política populista como a do Syriza e dos seus aliados poderia tirar grande partido desse ressentimento. E foi exatamente isso que aconteceu. Sinto-me “aterrorizado” porque uma política de ressentimento não é uma base saudável para políticas democráticas. Houve alturas em Atenas em que, para muita gente, bastava pôr uma série de pessoas na cadeia e dar um tiro a outras que os problemas se resolveriam dessa forma.

A que é que esta situação vai levar o país?

É difícil prever. Neste momento, o governo está a sentir as consequências da enorme divergência entre a realidade e o universo paralelo que criaram através da sua retórica, garantindo que “sair da crise seria tão fácil, basta livrarmo-nos destes traidores estrangeiros e a crise acaba e o emprego volta” e outros disparates. Isto está tão longe da realidade que existe um choque muito grande no governo. Não é muito fácil prever como é que esta dissonância cognitiva vai ser resolvida. Uma hipótese é que Alexis Tsipras tente marginalizar a ala mais extremista do seu governo e procurar um caminho mais moderado, talvez formando alianças com forças mais moderadas. Esse é o cenário benigno. O cenário menos benigno é que, perante esta dissonância cognitiva, podem escolher manter-se fiéis à retórica e caminhar para o abismo, ou seja, a saída da zona euro e, provavelmente, da União Europeia também. Viramo-nos para a Rússia, para a China e sabe-se lá para onde mais. É uma questão de psicologia humana. Sou um economista, não sou um perito em prever como as pessoas reagem sob pressão extrema, mas a situação é muito tensa e é impossível prever o que vai acontecer.

Existe também uma dissonância cognitiva entre algumas promessas que foram feitas, que levariam necessariamente à saída do euro, e o facto de o Syriza não ter um mandato para tirar o país do euro. Estamos perante uma equação impossível?

É uma equação impossível, sem dúvida, e é isso que complica esta situação. É verdade que as sondagens mostram que a maioria dos gregos quer permanecer no euro. Mas as mesmas sondagens mostram que a maioria – talvez estejamos a falar das mesmas pessoas – aprovam a tática negocial do novo governo, quer tenham votado neles ou não. As pessoas são contraditórias, existem impulsos contraditórios dentro do mesmo ser humano, portanto é difícil prever o que vai acontecer.

O governo está a sentir as consequências da enorme divergência entre a realidade e o universo paralelo que criaram através da sua retórica, garantindo que "sair da crise seria tão fácil, basta livrarmo-nos destes traidores estrangeiros e a crise acaba e o emprego volta" e outros disparates.
Manos Matsaganis

Como avalia a negociação até agora, dois meses depois das eleições?

A estratégia negocial do governo grego tem sido um desastre completo. O resultado mais palpável destas negociações tem sido um reforço dos ultra-liberais que existem na União Europeia. Quando o Syriza foi eleito, houve uma onda de simpatia na Europa e até mesmo nos EUA, não tanto por uma identificação com a política do Syriza, mas por um sentimento geral de que a austeridade tinha ido demasiado longe. E que, para inverter a queda da economia europeia e a polarização dentro da União Europeia, alguma coisa tinha de ser feita. E isso teria de começar com a revisão do peso dado à austeridade nas políticas. Basta dizer que até Mario Draghi [o presidente do BCE] estava a defender isso e tem feito o que pode – ou até mais – para promover esta reflexão.

E agora, dois meses depois?

A presença negocial do governo tem sido tão ridícula, para ser inteiramente honesto, com as suas diabruras e a sua argumentação idiota, a insistir em temas como as reparações de guerra, um assunto em que, discutindo na altura e da maneira certas, a Grécia até tem alguma razão. O efeito final disto é que pessoas como [Wolfgang] Schäuble [ministro alemão das Finanças] ficam com a sua posição reforçada. Porque fica claro na cabeça das pessoas que a alternativa a alguém como Schäuble é alguém como [Yanis] Varoufakis [ministro grego das Finanças]. Não há sequer comparação. Quem simpatizava com o Syriza pelas razões que mencionei, agora deve sentir-se dececionado.

Mas se este governo conseguir obter um maior alívio nas metas orçamentais, isso já não é alguma coisa? Mesmo que não seja tudo o que foi prometido na campanha eleitoral?

Sim, acredito que sim. Mas qualquer governo que estivesse no poder iria conseguir negociar uma suavização das metas orçamentais, com a Comissão Europeia, com o BCE e até com o FMI. Quando as eleições antecipadas foram marcadas, a economia grega estava a recuperar um pouco, ainda que não se possa dizer que estivesse em crescimento robusto. Mas, pelo menos, tinha-se terminado a recessão. Agora, voltámos aonde estávamos há três anos, com a economia em recessão profunda, desemprego em alta, bancos completamente sem liquidez, crédito empresarial inexistente, investimento externo congelou e as receitas fiscais estão a cair. Já não existe qualquer superávit primário, foi-se. Nem o governo nega isso, que o cenário está mais negro do que se previa. Ou seja, podemos ter um superávit menos exigente mas apenas porque a situação já se deteriorou significativamente.

Qualquer governo que estivesse no poder iria conseguir negociar uma suavização das metas orçamentais, com a Comissão Europeia, com o BCE e até com o FMI
Manos Matsaganis

Porque é que acha que quando as eleições foram marcadas (no final de dezembro) não se passou a mensagem às pessoas de que iria haver um alívio de qualquer forma, e que não seria preciso eleger um partido mais radical?

Uma das maiores infelicidades da crise grega é que os partidos que tiveram responsabilidade de levar a Grécia para a crise, com défices enormes, falta de competitividade, foram as mesmas forças políticas que, depois, aplicaram o memorando da troika. E fizeram-no sem qualquer alteração na forma como faziam política. A política grega permaneceu mais ou menos na mesma, com corrupção e clientelismo. A forma como geriram o programa foi terrível e contribuiu para que o impacto das medidas e a recessão fossem piores do que se previa. Não se distribuiu os sacrifícios de forma equitativa nem houve preocupação com as franjas mais frágeis da população. O que, na minha opinião, tem sido uma grande diferença entre a Grécia e Portugal. Não digo que algumas pessoas não tinham razões para criticar o governo em Portugal, mas o vosso governo fez um esforço muito maior – na minha análise – para proteger os mais frágeis. Por outro lado, julgo que o que contribuiu para a vitória do Syriza foi a perceção de que o trabalho difícil já tinha sido feito nos últimos anos e que, com um crescimento baixo mas positivo, podíamos dar-nos ao luxo de chamar os outros. “O que é o pior que pode acontecer?”, terão perguntado muitas pessoas. É claro que, como estamos a ver, há muita coisa que pode correr mal.

Mas, apesar de muita coisa estar a correr mal, o Syriza continua à frente nas sondagens.

Sim. Julgo que isso só se pode explicar por mais uma coisa que distingue a Grécia de outros países do Sul da Europa: o nacionalismo. O orgulho dos gregos foi ferido e as pessoas gostam de ver Varoufakis a desafiar Schäuble e [Jeroen] Dijsselbloem [presidente do Eurogrupo], apesar do facto de o que eles estão a fazer ser catastrófico a médio prazo. No imediato, contudo, as pessoas gostam de ver um grego a tentar chegar lá e virar a Europa de pantanas. Porque a maioria das pessoas não acha que a Grécia está a sofrer pelos desequilíbrios que vinha acumulando mas, sim, porque “a Grécia, na sua longa História, voltou a cair nas armadilhas dos interesses estrangeiros”. Acredito que este efeito não será muito duradouro, mas, para já, está a permitir ao governo manter boa parte do seu apoio.

Não houve preocupação com as franjas mais frágeis da população. O que, na minha opinião, tem sido uma grande diferença entre a Grécia e Portugal. Não digo que algumas pessoas não tenham razões para criticar o governo em Portugal, mas o vosso governo fez um esforço muito maior para proteger os mais frágeis.
Manos Matsaganis

Acredita que a Grécia irá acabar por sair da zona euro?

Julgo que ninguém na Europa quer que a Grécia saia. Mas a verdade é que a paciência acaba, e os eleitorados fora da Grécia fartam-se dos sucessivos empréstimos à Grécia. Dentro da Grécia, há quem ache que estaríamos melhor com os chineses ou com os russos. Ainda assim, acredito que não há apoio racional para que a Grécia saia do euro. Mas o meu receio prende-se com o facto de os acidentes poderem ocorrer. Como demonstra o livro de Christopher Clark Sleepwalkers [sonâmbulos], é possível caminhar sonambulamente – sem pensar racionalmente nas consequências dos atos, no seu conjunto – para que aconteça algo tão grave como uma guerra mundial (a Primeira Grande Guerra). Dizem que Yanis Varoufakis é um perito em Teoria dos Jogos, mas tenho as minhas dúvidas.

E Alexis Tsipras, como avalia a sua estratégia?

Alexis Tsipras está numa situação difícil e a perceber lentamente que as coisas na Europa não são tão fáceis como ele tinha, estupidamente, antecipado. Terá achado que a eleição do Syriza iria, automaticamente, inspirar um movimento de partidos anti-austeridade em várias partes da Europa, como o Podemos, o Sinn Fein. Mas o resultado mais palpável destes dois meses é que a Europa se uniu contra a Grécia. A mensagem que a Grécia está a receber dos seus parceiros, que estão a mostrar ser muito compreensivos, é: “organizem-se, resolvam os vossos problemas e voltem ao rumo que estava a ser seguido, digam-nos que medidas querem tomar para assegurar orçamentos sustentáveis e para reformar a economia grega, a administração pública, o Estado Social, e depois falamos”. Mas não foi assim que Tsipras previu que as coisas iriam acontecer e isso explica, provavelmente, porque é que tanto tempo foi desperdiçado até agora. Por outro lado, os seus eleitores e os seus deputados e parceiros de partido não aceitam que a retórica dos últimos anos não foi real. A proporção de deputados do Syriza que assumirão uma posição intransigente será maior do que a proporção de cidadãos gregos. Alguns deputados veem como preferível fazer alguma coisa catastroficamente heroica do que cair na realidade e tentar fazer alguma coisa construtiva.

Tsipras encontrou nos Gregos Independentes e em Panos Kammenos a solução para formar um governo maioritário. Há que recear uma coligação entre a extrema-esquerda e a extrema-direita?

Claro que sim. Em muitas ocasiões ao longo dos últimos anos, os manifestantes de extrema-esquerda e da extrema-direita concluíram que tinham alguma coisa em comum. E preferem ir para a cama com o Sr. Kammenos do que alguém como [Evangelos] Venizelos [líder dos socialistas do PASOK], o odiado líder pelo partido socialista que, aos seus olhos, é responsável pela crise. Temos, portanto, a geografia política virada de pernas para o ar. Existe um duelo não entre esquerda e direita mas, sim, um duelo entre os partidos pró-Europa, que admitem que é preciso, pelo menos, trabalhar dentro do Memorando, contra os partidos anti-austeridade e anti-programa. O meu receio é que uma união exclusivamente por haver inimigos comuns nunca é algo duradouro e não se sabe o que pode acontecer um dia.

Uma declaração polémica de Kammenos foi a ameaça de inundar a Europa de imigrantes ilegais, incluindo jihadistas, se a Europa não ceder nas negociações. Como é que declarações como esta ajudam à posição da Grécia?

Não ajudam em nada. Em alturas de radicalismo, todos os tipos de impulsos irracionais vêm ao de cima. E as vozes sensatas e moderadas são ofuscadas pelas vozes dos charlatães. Charlatães que recorrem a teorias da conspiração para suportar as suas opiniões vergonhosas. Um desses charlatães é o Sr. Kammenos, que se tornou ministro da Defesa, que é uma pasta sensível, num governo supostamente de esquerda. Isto mostra quão irracional a política grega se tornou. Kammenos é um charlatão, não há uma forma simpática de o dizer. Não digo que seja um idiota completo, porque é tudo calculado, ele sabe que é assim que se conseguirá manter na ribalta política. Se a opinião pública grega cair na realidade, a sua importância desaparecerá. É um dos protagonistas da política grega, que posso dizer mais?

Há o risco de o governo cair e se formar um governo de salvação nacional?

Acredito que Tsipras tenderá a ser cada vez mais moderado e quebrar com a ala mais extremista, eventualmente formando um governo de coligação com partidos mais moderados. Mas não podemos ter a certeza de que isso irá acontecer. Não se pode excluir nada, sobretudo se vier a haver controlos de capitais e se não houver uma solução de compromisso com o Eurogrupo. Se houver controlos de capitais as coisas vão-se precipitar. Se é possível um governo de salvação nacional? Sim, mas que governo de salvação nacional? Com quem? Com que programa? Ninguém pensou num plano B.

Não se pode excluir nada, sobretudo se vier a haver controlos de capitais e se não houver uma solução de compromisso com o Eurogrupo. Se houver controlos de capitais as coisas vão-se precipitar.
Manos Matsaganis

Porque é que não têm surgido, com sucesso, vozes alternativas na cena política grega?

Essa é uma das coisas que eu mais lamento, não termos conseguido criar uma alternativa tanto para o clientelismo como para o radicalismo populista. Tem havido algumas tentativas para ser diferente. O partido da Esquerda Democrática, que eu integrei como membro do Comité Central antes de me demitir com críticas às suas decisões, foi uma tentativa. O To Potami é outra. Julgo que se nos afastarmos e olharmos para a situação atual de uma perspetiva histórica, constatamos que as forças económicas que poderiam ter apoiado uma iniciativa política moderada e modernizante têm um papel reduzido na sociedade. Vejamos: a maioria das empresas gregas não exporta. Prosperam quando têm relações especiais com o Estado. Não temos uma dinâmica de classe média burguesa que exporta, que poderia insistir em políticas diferentes. Não temos sindicatos que vejam que é do seu interesse que a economia grega obtenha uma maior proporção do seu rendimento com a venda ao exterior, para promover o crescimento de que dependem. Os nossos sindicatos pertencem ao setor público em setores nacionalizados. Estão no centro do problema e do clientelismo e da corrupção. E nós, como políticos progressivos, não temos conseguido ser convincentes e estamos, agora, a pagar o preço. É muito difícil concorrer com o populismo, que promete que os problemas se resolvem em cinco segundos.

O governo tem colocado muita ênfase na luta contra a evasão fiscal. Quão bem sucedidos vão ser nesta tarefa?

Não muito. Todos os governos na Grécia prometem que vão lutar contra a evasão fiscal. E quando a troika pressionou os sucessivos governos a promover medidas de redução do défice, a luta contra a evasão fiscal esteve na ponta da língua de toda a gente. Sempre foi assim: “lutamos contra a evasão fiscal, recolhemos mil milhões de dracmas da noite para o dia, e não precisamos de cortar na despesa pública”. Como se pode, realmente, esperar lutar contra a evasão fiscal? É muito difícil. Os políticos são hostis a uma administração fiscal independente. Já vimos isso. Sob pressão da troika, criou-se a figura do secretário de Estado para o fisco. E encontrou-se a pessoa certa [Harry Theoharis], um homem excelente que trabalhava no setor privado – agora é deputado pelo To Potami. Mas o Nova Democracia e, também, os socialistas viraram-se contra ele, um homem que realmente levava a luta contra a evasão fiscal a sério mas que, por isso, ameaçava os interesses de quem apoia estes partidos. Então foi forçado a demitir-se. Mas podemos dizer que o Syriza apoia um homem como este? Claro que não. O Syriza acredita que um posto como este não deve ir para tecnocratas, têm de ser nomeados políticos. As ideias do Syriza para combater a evasão fiscal são muito primitivas e não imaginam a surpresa que os espera.

Disse que o seu discurso em Harvard causou muita controvérsia. Porquê, exatamente?

Porque a opinião de que o novo governo grego é alguma coisa que não fantástico, patriótico e progressivo não é partilhada por muita gente. É uma opinião minoritária, ainda que cada vez mais forte. Fui muito criticado, como é qualquer pessoa que diga coisas negativas sobre a “nação-mãe”. A este respeito, basta lembrar que um dos mais conhecidos cartoonistas gregos, Andreas Petroulakis, um homem excelente, acaba de ser processado pelo ministro da Defesa, Panos Kammenos, por se ter atrevido a criticá-lo de uma forma que não teve nada de pessoal ou ofensivo, apenas político. Um milhão de euros, consegue imaginar? É assim que Kammenos quer silenciar os seus críticos.

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Manos Matsaganis é economista e Professor da Athens University of Economics and Business. Nesta primavera de 2015 está em Berkeley, como Professor convidado na UC Berkeley’s Center for Equitable Growth. No passado deu aulas, também, na London School of Economics e na Universidade de Creta. Trabalhou, ainda, durante quatro anos, como assessor no gabinete do primeiro-ministro Costas Simitis, do PASOK.

(fotografia de Manos Matsaganis propriedade do think tank Policy Analysis Research Unit [Paru.gr], de que é coordenador.)

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