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O Comando da PSP de Lisboa está a pedir às juntas de freguesia, onde vão fechar 14 esquadras, para adquirirem um viatura “monovolume”, caracterizá-la e adaptá-la ao uso da PSP. Chama-se projeto “Esquadras Móveis”, vai ao encontro de outras medidas já anunciadas pelo Governo – que opta por colocar alguns serviços públicos em carrinhas – mas o nem o Ministério da Administração Interna (MAI), nem a Direção Nacional da PSP se pronunciam sobre ele.

“Com estas viaturas e respectivas tripulações, pretende-se aproximar a polícia das pessoas, reforçar o sentimento de segurança e, sobretudo, melhorar o atendimento, tornando-o mais interativo, personalizado e humanista”, lê-se num dos pedidos a que o Observador teve acesso. O pedido para aquisição de uma viatura, no âmbito do projeto “Esquadras Móveis”, foi assinado pelo comandante da PSP de Lisboa, superintendente Jorge Maurício, a 27 de maio – quatro dias depois de a câmara municipal de Lisboa aprovar a proposta de reorganização do dispositivo operacional da PSP.

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Excerto do pedido enviado às juntas de freguesia pelo Comando da PSP de Lisboa

Negociações entre MAI, PSP e autarquia concluíram pelo encerramento de 14 esquadras, o que nas palavras do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, significa libertar 280 pessoas do serviços administrativo para o trabalho operacional. Mas alguns autarcas de Lisboa não vêem a decisão pelo mesmo ângulo.

O presidente da junta de freguesia de Carnide, Fábio Sousa, já convocou um protesto para esta quarta-feira, pelas 18.00, à porta das três esquadras da freguesia que vão fechar (Bairro da Horta Nova, Bairro Padre Cruz e Carnide). “Não se percebe como se fecha a esquadra no bairro Padre Cruz, o maior bairro municipal da Península Ibérica, onde foi instalada uma esquadra ainda antes de os moradores ali serem realojados”, disse ao Observador.

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Fábio Sousa foi um dos autarcas a quem a PSP pediu ajuda para adquirir uma carrinha, de preferência um monovolume. “Eu fiquei surpreendidíssimo porque, aquando as negociações com o Governo, nunca se falou em fechar esta esquadra. Aliás, eu até sugeri que a esquadra fosse instalada num edifício da junta, localizado no bairro, numa zona mais neutra, poupando-se assim nas rendas”, explicou ao Obervador.

“Há que apostar no policiamento apeado, que faça policiamento de proximidade, e nas patrulhas auto. Tira-se o pessoal da esquadra e coloca-se o pessoal fora”, disse ao Observador Paulo Rodrigues.

O autarca teme que o policiamento de proximidade, até agora desenvolvido na freguesia, esteja em risco. Uma visão não partilhada pelo presidente da Associação Sindical de Profissionais de Polícia (ASPP). “Não me parece que a esquadra seja resolução dos problemas de segurança. Uma esquadra com dois policias sem capacidade de reação torna-se num posto de informação. Há que apostar no policiamento apeado, que faça policiamento de proximidade, e nas patrulhas auto. Tira-se o pessoal da esquadra e coloca-se o pessoal fora”, disse ao Observador Paulo Rodrigues.

No entanto, ressalva, “não faz sentido tirar uma esquadra de um bairro para depois pôr uma esquadra móvel. Só se entende por curtos períodos de tempo, em situações onde só há afluência de pessoas um ou dois meses. Agora criar uma esquadra móvel para torná-la física, já não faz sentido”, disse. Paulo Rodrigues lembra que em bairros problemáticos, como é o caso de Chelas, o “trabalho policial estava comprometido” e que assim mais vale encerrar.

O Observador tentou saber, ainda nesta terça-feira, junto do Ministério da Administração Interna e da Direção Nacional da PSP, quantos pedidos de viaturas foram feitos e se o projeto se iria alargar a outras zonas do país. Até ao momento não obteve qualquer esclarecimento.

 

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