Foi de cravo vermelho na lapela que Mário Soares se apresentou no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, esta quinta-feira. O ex-Presidente da República reuniu em livro textos escritos desde outubro de 2013 até à atualidade e, para além das preocupações com o futuro político e económico do país, Soares mostrou inquietações ambientais.

“Não quero fazer discursos”, avisou Mário Soares à plateia cheia de “amigos”, familiares e caras conhecidas, como Almeida Santos, Francisco Pinto Balsemão e Edite Estrela. Mas, sobre os vários temas que versam os textos que escreveu e entrevistas que deu a meios de comunicação portugueses, americanos, espanhóis, franceses e até iranianos, desde final de 2013 até à atualidade, foi em relação ao ambiente que Soares se mostrou mais preocupado.

Para além da política, “uma das coisas que me tem ocupado nos últimos tempos é a questão do ambiente”, disse o ex-Presidente da República. “Tenho lido muito sobre o que poderá vir a ser da Terra no futuro e estou extremamente preocupado com o ambiente”. Soares lembrou o inverno rigoroso que fustigou várias localidades e praias portuguesas, mas também outras alterações climáticas por todo o mundo, e admitiu: “Estou convencido de que a Terra pode sucumbir”.

Soares criticou a globalização e os mercados que atuam com “ganância” sem pensarem no dia de amanhã. “O que leva as pessoas a só quererem ganhar dinheiro sem pensar no futuro? Estão a contribuir gravemente para pôr o planeta em causa”, concluiu.

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Viriato Soromenho Marques foi o convidado para prefaciar o livro Em Defesa do Futuro. Presente na apresentação, o professor de filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa disse que “a característica mais importante de Mário Soares é a capacidade de se ater ao que é essencial” e de “antecipar o perigo antes que ele se instale, tal como aconteceu no pós 25 de Abril”.

O professor catedrático arrancou os primeiros aplausos da sala ao dizer que “estes três anos de Troika mostram que Mário Soares está preocupado com os portugueses e com a Europa”, e que por isso continua a arriscar a sua saúde, expondo-se. “Mas não está na sua natureza a autopreservação”, acrescentou.