Após uma série potenciais acidentes graves, o governo federal americano, anunciou, nesta sexta-feira, o encerramento por tempo indeterminado dos laboratórios do Centro de Controlo de Doenças (CDC) que investigam a gripe e o antrax, em Atlanta.

Thomas Frieden, diretor do CDC, começou a fazer contas de cabeça nos últimos meses. Se o CDC tivesse múltiplos acidentes que, em teoria, poderiam matar tanto investigadores e pessoas, iria sem dúvida chamar para um maior controlo em outros laboratórios universitários ou militares que lidam com agentes patogénicos, escreve o New York Times.

Num acidente no mês passado, cerca de 75 investigadores foram expostos à bactéria do antrax. A  exposição ocorreu após um grupo de investigadores ter estado a trabalhar num dos laboratórios biológicos de alta segurança do CDC e não seguiu corretamente os procedimentos padrão para inactivar a bactéria do antrax. Depois transferiram as amostras, que podiam conter a bactéria ainda ativa, para laboratórios de baixa segurança do instituto, não equipados para lidar com a bactéria do antrax nesse estado. O período normal de incubação da bactéria é entre cinco e sete dias, porém existem casos documentados em que os sintomas só se manifestaram até 60 dias depois da exposição.

“Estes eventos revelaram um comportamento totalmente inaceitável”, afirmou Thomas Frieden.

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Noutro episódio, que veio a público nesta sexta-feira, o laboratório do CDC acidentalmente contaminou com uma estirpe “relativamente benigna” de gripe com uma H5N1, comummente conhecida como gripe das aves, que infectou cerca de 650 pessoas desde 2003, matando 386 delas. Felizmente, o departamento de agricultura apercebeu-se que a estirpe era mais perigosa que o esperado e alertou o CDC.

Somado a isto, Frieden anunciou que duas de seis amostras de varíola recentemente encontradas armazenadas no Instituto Nacional de Laboratórios de Saúde (NIH), desde 1954, continham o vírus vivo e capaz de infectar pessoas. “Todas as amostras vão ser destruídas logo que o genoma do vírus seja sequenciado. O NIH vai remexer os seus congeladores e armazéns à procura de mais material perigoso”, afirmou. É bom lembrar que Thomas Frieden chamou, em tempos, o CDC como “o laboratório de referência no mundo.”

“Estes eventos revelaram um comportamento totalmente inaceitável”, afirmou Frieden, lembrando que “uma situação como estas nunca devia ter acontecido” e que os laboratórios vão ficar encerrados por tempo indeterminado.

O diretor do Centro de Controlo de Doenças também sugeriu que estes quase-acidentes tiveram implicações para lá da agência, e que o mundo precisa reduzir ao mínimo absoluto o número de laboratórios que lidam com estes agentes patogénicos altamente perigosos.