“Na próxima semana, saio das matas. Estou à espera do acordo nas negociações (entre o Governo e a Renamo) na segunda-feira”, disse Afonso Dhlakama, em declarações ao canal privado de televisão moçambicano STV. O presidente da Renamo não precisou o local onde pretende fixar residência, se em Maputo, junto da família, ou em Nampula, de onde saiu antes de se instalar na Gorongosa.

Afonso Dhlakama tem estado desde quarta-feira a aparecer publicamente, despedindo-se das comunidades e anunciando que está a preparar uma “saída triunfal” rumo às eleições presidenciais de 15 de outubro, informaram hoje à agência Lusa habitantes da região da Gorongosa.

As declarações de Dhlakama surgem no dia em que vários órgãos de comunicação social noticiaram a debilidade do seu estado de saúde. O diário estatal Notícias informou, na edição de hoje, que “Dhlakama pode estar gravemente doente”, dando conta de que na quinta-feira o líder da Renamo esteve a apenas alguns metros das posições das Forças de Intervenção Rápida, a cerca de 30 quilómetros da Gorongosa, e que pediu ajuda “devido à degradação acentuada do seu estado de saúde”.

Em declarações à Lusa, a dirigente da Renamo e deputada Ivone Soares desmentiu estas informações.  “Ainda quinta-feira falei horas a fio com o presidente Dhlakama e posso garantir que ele goza de ótima saúde”, disse Ivone Soares, que também espera a saída em breve do l+ider da Renamo da Gorongosa para iniciar o trabalho político para as eleições gerais (presidenciais, legislativas e assembleias provinciais) de 15 de outubro,

O líder da Renamo também negou à STV que a sua saúde careça de cuidados especiais e assegurou estar “intacto” para concorrer à votação. “Eu estou bem de saúde, não sei quem é que me quer ver morto”, afirmou Afonso Dhlakama, manifestando saudades da sua família e sobretudo do seu pai, “que também está em lugar incerto, perseguido pela Polícia e pelo Exército”.

Renamo e Governo anunciaram na terça-feira terem 95% das negociações fechadas sobre a composição das forças de defesa e segurança e desarmamento do maior partido de oposição, esperando-se um acordo na próxima semana, após mais de um ano de negociações bloqueadas.

A Renamo cessou no início de julho os seus ataques na estrada N1, a única que liga o sul e o centro do país, mas persistem relatos de confrontos com o exército na província de Sofala.