Aos 22 anos, Lu Ming Shung, ou Inês Lu, prepara-se para viajar para Portugal, para a Universidade do Minho, onde vai continuar os estudos em português com um mestrado em língua e cultura para um dia ser professora.

Natural da província chinesa de Ninxia, junto à Mongólia Interior, Inês Lu concluiu este ano a licenciatura em estudos portugueses na Universidade de Estudos Internacionais de Xian e aposta agora “no mestrado em Portugal” sem saber muito bem o que vai fazer no futuro.

“Se encontrasse um bom emprego em Portugal gostava de ficar lá porque teria mais oportunidade de desenvolver o português”, disse não escondendo, contudo, a vontade de “fazer o doutoramento na Universidade de Macau”.

Nas perspetivas de futuro, Inês Lu, que está em Macau pela segunda vez a participar no curso de verão de português organizado pela Universidade de Macau, está a “aproximação entre os povos da China e de Portugal”.

“Também posso ficar em Portugal a ensinar chinês”, disse ao manifestar o desejo de fixar residência na Europa, um espaço que, contou, o pai lhe disse “ser muito agradável para viver”.

A escolha do português como curso surgiu depois do exame nacional a que os finalistas do secundário na China estão sujeitos: “A prova não é fácil e o meu resultado indicou-me o curso de língua e cultura portuguesas e não estou arrependida”.

A vontade de ensinar a língua de Camões levou Inês Lu a abrir, no Taobo, o mais popular sítio na Internet para compras na China, uma página para ensinar português e, garantiu, “já teve cinco alunos”.

“Cada aula de uma hora no ‘Yu wu jiang jie'”, o sítio que criou e que na tradução quer dizer ?a língua não tem fronteiras’, custa 80 yuan (cerca de 10 euros), disse ao explicar que à sua ideia juntaram-se outros colegas para ensinar francês, espanhol e italiano.

Apesar da vontade de ficar em Portugal, Inês Lu está “inquieta” com o que vai encontrar em Braga e assume por momentos o papel de entrevistadora: “Haverá ar-condicionado?”, questiona; “Como acha que me vou ambientar em Portugal. Não será difícil?”, acrescenta.

Sem grandes respostas às questões colocadas, a jovem estudante só não teme uma coisa: “o frio do norte de Portugal não será problema, porque na minha terra também faz muito frio e cai neve”.

Enquanto não faz as malas e segue para Lisboa também curiosa para perceber a razão de existir uma grande comunidade chinesa no país, Inês Lu vai “aperfeiçoando o português” em Macau onde, garantiu, “existem bons professores que ajudam os alunos a melhorar o nível de língua”.

“A Universidade de Macau tem excelentes professores e estes cursos de verão permitem um grande desenvolvimento do conhecimento da língua porque muitas vezes, e falo de mim, não temos nos nossos países grandes oportunidades de desenvolver os conhecimentos da língua e da cultura”, concluiu ao salientar ainda que além da língua, em Macau, os participantes do curso verão ainda se dedicam a outras atividades como a música e a dança.

“Aprendemos a cultura portuguesa e é através deste conhecimento que vamos conhecendo cada vez melhor os portugueses. Espero contribuir para que portugueses e chineses se conheçam ainda melhor”, afirmou.

Cerca de 370 jovens estudantes de português na Ásia estão na Universidade de Macau a desenvolver as suas competências linguísticas com a maioria dos estudantes – cerca de 220 – oriundos de universidades da China continental, mas também com jovens vindos da Tailândia, Vietname, Coreia do Sul, Hong Kong e Filipinas, além dos estudantes de Macau, o curso está dividido em quatro níveis: iniciação, básico, intermédio e avançado.