O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) pede desculpa aos cerca de 42.000 passageiros que voam diariamente na TAP pelos incómodos causados pela greve de sábado, mas defende que “não restava outra opção” para evitar outro verão “vergonhoso”.

“Quero deixar claro que estamos a fazer isto [greve] por uma TAP sólida e lamentamos afetar os nossos passageiros, mas compreendam que em função do que tem vindo a acontecer não nos restava outra opção “, afirmou à Lusa o presidente da SPAC, Jaime Prieto.

O porta-voz dos pilotos garante que não vai haver “guerras mediáticas sobre quanto é que a operação ficou afetada”, alertando que o recurso à greve é, antes, “uma guerra para que se acabe com a danificação da operação”.

“Lamentamos o impacto que vai ter nas suas vidas e esperamos que o resultado desta ação seja uma nova postura para uma TAP viável e sem verões como este a que assistimos, que é vergonhoso em toda a linha”, acrescentou.

Para minimizar o número de passageiros afetados pela greve de 24 horas, os trabalhadores do centro de atendimento da TAP têm feito horas extraordinárias no sentido de contactar os cerca de 42.000 passageiros que, em média, viajam por dia na transportadora portuguesa para reagendar a sua viagem.

“Desde que nos foi entregue o pré-aviso de greve, começámos a trabalhar para minimizar o impacto para os passageiros”, adiantou à Lusa fonte oficial da companhia liderada por Fernando Pinto.

Ainda assim, em dia de greve, a companhia deverá assegurar metade da operação, considerados os voos abrangidos pelos serviços mínimos, os voos realizados pela Portugalia (PGA) e ainda pelos aviões que estão frestados a outras companhias (com a respetiva tripulação).

O Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social determinou como serviços mínimos para a greve dos pilotos a realização dos voos de regresso a Portugal (Continente ou regiões autónomas) e de onze ligações a países lusófonos ou com grandes comunidades emigrantes.

Irão realizar-se três ligações às ilhas dos Açores e Madeira: Lisboa/Horta/Lisboa, Lisboa/Funchal/Lisboa e Lisboa/Porto Santo/Lisboa.

Serão também efetuados voos para países lusófonos: um voo para o Brasil (Lisboa/Brasília/Lisboa), outro para Moçambique (Lisboa/Maputo/Lisboa) e um terceiro para Angola (Lisboa/Luanda).

Os pilotos da TAP terão também de cumprir serviços mínimos para destinos onde reside uma comunidade emigrante significativa, incluindo Estados Unidos (Lisboa/Newark/Lisboa), França (Lisboa/Paris/Lisboa), Suíça (Lisboa/Genebra/Lisboa), Reino Unido (Lisboa/Londres/Lisboa) e Bélgica (Lisboa/Bruxelas/Lisboa).

O SPAC considerou “excessivos” os serviços mínimos definidos, defendendo que afetam o efeito prático da paralisação. Já a TAP diz que são poucos, tendo em conta as obrigações de serviço público da companhia.

“Com este tipo de serviços mínimos, degrada-se o efeito prático da mesma [greve], na medida em que pode até ser pernicioso para futuras situações em que se possa considerar que o direito à greve está a ser condicionado por este tipo de decisões”, declarou Jaime Prieto.

A 24 de julho, um dia antes de os pilotos terem decidido avançar para a greve, a TAP anunciou “medidas excecionais” para compensar os funcionários pelo trabalho extraordinário realizado desde 01 de junho para minimizar o impacto das perturbações na companhia junto dos passageiros, de acordo com uma circular a que a Lusa teve acesso.

A TAP cancelou 468 voos entre 01 de junho e 30 de julho, o que equivale a uma taxa de cancelamentos de 2,3% nos últimos dois meses, de acordo com os últimos números divulgados pela companhia aérea portuguesa.