O obituário de Lai, empresário crítico de Pequim, foi publicado no jornal Oriental Daily na quinta-feira, com grande destaque. O jornal alterou o nome do magnata, substituindo-o por um carater chinês com fonética similar, mas manteve os detalhes biográficos idênticos aos de Lai.

O obituário indicava que Lai, de 65 anos, morreu no dia 07 de Agosto de Sida e cancro, acrescentando que não iria haver funeral porque os familiares também estavam doentes. Além disso, apresentava condolências aos funcionários da “Two Media”, empresa do Apple Daily, usando carateres chineses cuja tradução literal é descrita como “One Media”.

“Eles querem que eu morra? É assim tão simples?”, disse Lai em resposta ao óbito num vídeo realizado com um iphone. “Lamento desapontá-los”, acrescentou.

Até à data de hoje não havia esclarecimentos sobre a autoria do falso obituário e o Oriental Daily escusou-se a comentar o caso.

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Jimmy Lai e o Apple Daily, conhecido pelas posições críticas em relação a Pequim e pelo apoio ao movimento pró-democracia em Hong Kong, já foi objeto de outros ataques. A página de internet do jornal esteve inativa durante algumas horas, no que foi descrito como um ataque em larga escala lançado por piratas informáticos sofisticados.

Preocupações quanto à liberdade de expressão têm aumentado este ano, período em que também foram registados ataques a jornalistas, incluindo físicos, como o perpetrado contra o antigo editor Kevin Lau, antigo editor-chefe do jornal Ming Pao, que ficou gravemente ferido após ter sido esfaqueado, em fevereiro.

A implementação do sufrágio universal figura como o grande “cavalo de batalha” da ala pró-democrata da antiga colónia britânica.

Hong Kong realizou, em junho passado, um referendo informal, em que quase 800 mil pessoas votaram sobre a forma como o próximo chefe do Executivo da antiga colónia britânica deve ser eleito em 2017.

Também em junho, a China publicou um “livro branco” de Hong Kong, em que Pequim reafirma o seu controlo e soberania sobre o território. O Livro Branco também refere que o amor à China constitui um “requisito político básico” para qualquer futuro líder.

O chefe do Governo de Hong Kong é atualmente escolhido por um colégio eleitoral formado por 1.200 membros, representativos dos diversos setores da sociedade, dominado por elites pró-Pequim.

A China prometeu instaurar o sufrágio universal direto para a eleição do chefe do Executivo em 2017 e para o Conselho Legislativo (parlamento) em 2020. Mas todos os candidatos devem ser aprovados por um comité de nomeação, premissa que é recusada pelos democratas em Hong Kong.