Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia estão esta sexta-feira reunidos em Bruxelas para discutir o fornecimento de armas ao exército minoritário curdo no Iraque.  A reunião foi convocada pelo ministro francês Laurent Fabius, que espera conseguir pressionar os restantes Estados membros a ajudarem militarmente as forças curdas. Mas, como escreve o New York Times, não se espera uma decisão unânime no final do encontro.

“Não estamos preparados para participar na entrega de armas. Como sabem, não somos um grande exportador de armas, não somos um grande poder militar. Podemos ajudar de outras formas, através da ajuda humanitária, como já estamos a fazer”, disse Sebastian Kurz, o MNE da Áustria. Do lado alemão, a ministra da Defesa Ursula von der Leyen afirmou que o país está a analisar que tipo de equipamento militar pode enviar, parecendo, no entanto, desviar a questão do envio de armas. “As armas já estão a ser entregues por outros países. Os curdos estão mais familiarizados com as armas da antiga União Soviética, como Kalashnikovs, e também equipamento pesado. A Alemanha não tem esse tipo de armas”.

Na quinta-feira, o Reino Unido aparentemente mudou a sua posição e disse estar preparado para “ponderar favoravelmente” qualquer pedido para equipar as forças curdas. Segundo o New York Times, essa mudança está relacionada com a pressão que a França e a Itália têm vindo a exercer junto dos restantes países da UE para fornecerem material militar ao exército minoritário curdo. Na quarta-feira, a França admitiu que iria fazê-lo.

A intervenção no Iraque tem sido discutida, ao nível europeu, em termos humanitários, depois de na quarta-feira a França, a Alemanha e o Reino Unido terem prometido intensificar os esforços para ajudar a minoria Yazidi presa na montanha Sinjar e ameaçada pelas altas temperaturas, pela fome ou a morte pelos jihadistas do ISIS. Na quinta-feira, o Pentágono e o presidente Barack Obama anunciaram ter posto fim ao cerco à montanha. As forças norte-americanas garantiram que a situação está resolvida, mas alguns líderes Yazidi negaram essa afirmação e disseram que na montanha há ainda dezenas de milhares de elementos desse grupo minoritário.

O New York Times escreve que a atual crise no norte do Iraque constitui um dilema moral para a Europa. Nas últimas semanas, alguns jornais noticiaram casos de jovens europeus que se juntaram ao ISIS. Os serviços de segurança dos dois lados do Atlântico já alertaram para o risco de que alguns destes militantes possam querer defender a causa jihadista nos seus países.

A reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia acontece um dia depois de o primeiro-ministro iraquiano Nuri Kamal al-Maliki ter anunciado renunciar ao poder, após pressão dos Estados Unidos e do Irão e rumores de que um golpe militar poderia estar em curso. Os EUA já deram a entender que a saída de Maliki pode abrir caminho a uma intensificação do apoio militar prestado ao país.

Falando ao país através da televisão, Maliki disse que se afastava em favor de Haider-al-Abadi, para “facilitar o processo político e a formação do Governo”. Al-Abadi tinha sido nomeado  pelo presidente Fuad Masum primeiro-ministro do Iraque na segunda-feira, mas Maliki recusou renunciar ao cargo que ocupou durante oito anos e encheu as ruas de milícias e forças especiais.

Depois de ter ajudado Maliki a chegar ao poder, Washington pressionou-o a sair e apoiou Abadi, por considerar que apenas um novo líder poderia unir o país num momento de grande crise política e humanitária, com os jihadistas do ISIS a controlarem partes do território.

A grande questão, escreve o New York Times, está em saber se Abadi, xiita, tal como Maliki, conseguirá tornar-se uma figura nacional num país muito dividido. Tem à sua frente a difícil tarefa de criar um Governo de união nacional que consiga um compromisso entre as três principais comunidades iraquianas – a maioria xiita e as minorias sunita e curda.