“Não farei rigorosamente mais nenhuma proposta para reformar a segurança social até às eleições de 2015” foi a resposta de Passos Coelho ao chumbo de quinta-feira da Contribuição de Solidariedade por parte do TC, mas trazia uma supresa: chamar o PS para encontrar consenso sobre uma nova reforma. O primeiro-ministro diz querer resolver este “problema nacional” em conjunto com o maior partido da oposição, esperando agora que os socialistas se pronunciem sobre o possível entendimento.

Na rentrée do PSD que acontece todos os anos na festa do Pontal, em Quarteira, o primeiro-ministro enumerou todas as propostas rejeitadas pelo Tribunal Constitucional para encontrar uma forma de tornar a Segurança Social mais sustentável, lamentando – indiretamente – que para o Ratton uma reforma consista em não se mexer “nos direitos adquiridos, apenas nos direitos em formação”. “Quer dizer, só os jovens é que podem perder direitos, os outros não podem. É uma estranha forma de ver a equidade e solidariedade” criticou Passos.

A sugestão do Governo é agora abrir as vias de comunicação com a oposição, para em conjunto se encontrar uma forma de resolver o problema. Apesar de “o PS estar no meio da sua disputa interna”, o primeiro-ministro quer saber o que o partido pensa sobre a reforma e garantiu desde já que: “Ganhe quem ganhar as eleições, a seguir a 2015 faremos a reformas que conseguirmos acordar até à eleições”. No entanto, já se antecipam conflitos com Passos Coelho a acusar os socialistas de terem falhado as reformas de 2005 e 2007.

Os desvarios do BES e o novo país de Passos Coelho

Estando em período de férias, Passos Coelho esteve afastado da polémica do BES, mas esta sexta-feira o assunto veio à baila. “Pela primeira vez o dinheiro dos contribuintes não servirá para pagar os desvarios dos bancos”, sublinhou o ministro refutando as críticas da oposição ao empréstimo concedido para resolver a crise no GES. O primeiro-ministro considera que o seu mandato significou o fim dos “privilégios” e da “falta de ética de muita gente que vivia entre a política e os negócios”.

“Por mais desagradável que seja, é melhor saber e enfrentar as más noticias do que varrer para debaixo do tapete e usar o dinheiro dos contribuintes”, disse o primeiro-ministro

 

Esta sexta-feira, o primeiro-ministro apresentou um país que considera ter corrigido o essencial dos desequilíbrios herdados em 2011. “Temos metade do défice, invertemos a tendência de endividamento, uma balança externa equilibrada, taxas de juro comparam-se com as melhores de zona euro, estamos a convergir para um padrão de confiabilidade e temos hoje uma economia com perfil exportador”, congratulou-se o primeiro-ministro.

Esta diferença, diz o social-democrata, faz com que os portugueses saibam “silenciosamente distinguir o trigo do joio”, garantindo que o partido vai falar “ao longo de todo o ano” com os eleitores e que se vai apresentar às eleições de 2015 com “cara lavada e costas direitas”.

Segundo Passos Coelho estas diferenças face a 2011, fizeram com que o país tenha uma “nova economia” e uma “nova sociedade”. “É mesmo preciso ir ao fundo dos problemas para edificar uma sociedade mais justa e mais próspera” concluiu o presidente do PSD, dizendo que ainda falta ao Governo terminar a reforma do Estado e desenvolver a descentralização do poder administrativa – temas que segundo Passos não lhe fazem perder o cabelo só a ele, “mas a muitas pessoas no Governo”.