A partir do dia 1 de setembro deste ano, já não vai ser possível fabricar na União Europeia (UE) aspiradores com motores superiores a 1.600 watts. A UE quer incentivar o consumo de aparelhos com maior eficiência energética e defende que uma menor potência não é sinónimo de menos eficácia na limpeza.

Ao Observador, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) defende que a medida é positiva para o consumidor, já que a eficiência energética (que mede a relação entre o consumo de energia e a capacidade de aspiração do aspirador) permite uma poupança na conta da luz. Na revista da DECO Proteste de setembro, que sairá dia 27 de agosto, vai ser publicado um estudo sobre aspiradores, mas ainda sem a nova norma europeia em conta.

Mais de metade dos 96 modelos testados já não poderão ser produzidos, pois excedem os 1.600 watts. E entre os seis aspiradores que obtiveram a melhor classificação (com e sem saco), apenas um, electrolux ucanimal ultracaptic, está dentro da nova norma, com 1.400 watts de potência.

Outra das novidades é que os aspiradores vão ter a mesma etiqueta que já vemos nas máquinas de lavar e frigorificos, que os classifica de A (mais eficiente) a G (menos eficiente). Apenas os modelos com um baixo consumo, menor ruído e uma boa capacidade de aspiração poderão alcançar a melhorar classe.

eficiência energética aspiradores

A partir de setembro os aspiradores vão ter esta etiqueta energética da União Europeia

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A UE sustenta a medida com a necessidade de cumprir o potencial de economia de energia de 20% previsto para 2020. E defende que não existe relação entre alta potência e eficiência do aspirador. “A razão principal para as vendas persistentes de aspiradores de alta potência e baixa eficiência está na perceção que os utilizadores finais têm de que um consumo de energia mais elevado está associado a uma melhor eficácia de limpeza”, pode ler-se num regulamento de 2013 da Comissão Europeia. Essa perceção leva-os a escolher aspiradores com elevado consumo energético e, portanto, baixa eficiência. Em consequência disso, “o consumo de energia dos aspiradores tem aumentado constantemente nas últimas décadas”.

Os testes feitos pela DECO vão ao encontro da UE. “Como demonstram os nossos testes comparativos, a potência não é um bom indicador sobre a eficácia de limpeza”, pode ler-se no estudo que vai sair a 27 de agosto, e a que o Observador teve acesso.

No entanto, há empresários britânicos que já contestaram a medida. É o caso de “Sir” James Dyson, dono da Dyson e conhecido por ter inventado o aspirador Dual Cyclone, que apresentou uma ação legal no Tribunal Europeu contra as regras da UE, alegando que eles discriminam alguns aspiradores sem saco da sua empresa. Outra crítica frequente é a de que os aspiradores são testados novos e vazios e não têm em conta a perda de sucção derivada do uso.

Daqui a três anos, em setembro de 2017, o número máximo vai ser reduzido para 900 Watts. As novas regras não se aplicam às seguintes categorias de aspirador: aspiradores de líquidos, líquidos e sólidos, com bateria, robots, industriais e central.

As lojas vão poder escoar o stock de aspiradores com mais de 1.600 watts, mas não podem importar aparelhos fora das normas.