António Costa considera que a execução do programa da troika foi um “falhanço” e afirma que o Governo de Passos Coelho e Portas só está em funções por vontade de Cavaco Silva. Numa entrevista ao Diário Económico, que é aliás marcada por alguma tensão entre o entrevistado e os jornalistas, António Costa rejeita a ideia de que os executivos socialistas sejam mais despesistas que os de direita e define como principal problema de fundo do país a falta da competitividade da economia. Um exemplo:

“(Diário Económico) Não atribui nenhum mérito à forma como o Governo executou o programa?
Infelizmente não. Ninguém o faz. Nem cá, nem em lado nenhum, diga-se…”

“Enquanto continuarmos a achar que o problema está no Governo em funções e nesta perspetiva de curto prazo, não saímos daqui. Para fugirmos dessa discussão, temos de olhar para estratégias consistentes e concertadas”, defendeu o candidato às primárias do PS, para quem a principal preocupação, diz, “é construir uma alternativa ao atual Governo” e não a oposição interna a António José Seguro. Sobre o adversário, Costa acusa o PS dos últimos anos de nunca ter sido “uma alternativa séria.” “O PS nunca apresentou uma visão estratégica para o país, nem foi capaz de se diferenciar da agenda governativa”, diz.

Agenda essa que, defende o também autarca de Lisboa, foi acompanhada por uma explicação que, no seu entender, não corresponde à verdade. “Enquanto a imprensa económica continuar a repetir acriticamente a doutrina que o Governo vendeu como causa da crise, o país não a conseguirá enfrentar”, refere.

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“(Diário Económico) Não se pode culpar a Europa, quando um país vai pela terceira vez à bancarrota em 40 anos. É porque não fez tudo bem.
Não aceito esse discurso. Esta crise não foi uma crise nacional, foi da zona euro…”

Apesar das divergências políticas com Durão Barroso, para António Costa, que lembra que votou favoravelmente a eleição de Barroso para presidente da Comissão Europeia, esse cargo “foi uma distinção” para Portugal, “mesmo que possa não ter a melhor política ou não ter feito o melhor mandato”, comenta.