Depois de um longo braço de ferro, Federica Mogherini foi nesta sábado nomeada como a próxima Alta Representante para os Negócios Estrangeiros da UE, uma escolha que representa a chegada da ‘geração Erasmus’ ao palco europeu.

Aos 41 anos, casada e com duas filhas nascidas em 2005 e 2010, Federica Mogherini salta para os palcos da diplomacia europeia depois de, em fevereiro, ter assumido o cargo de Ministra dos Negócios Estrangeiros de Itália quando era uma quase desconhecida para o grande público. Questionada sobre sua juventude, na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio oficial, Mogherini lembrou que tem 41 anos e que o primeiro-ministro de que ainda é ministra dos Negócios Estrangeiros até é mais jovem. Matteo Renzi tem 39 anos, feitos em janeiro. Além disso, considerou, a sua escolha significa a emergência de “uma nova geração de dirigentes europeus”.

Federica Mogherini contrariou ainda as alegações de que é demasiado “amiga” da Rússia – numa altura em que o conflito entre Moscovo e Kiev, devido à instabilidade no Leste da Ucrânia, domina a política externa da UE – e lembrou que, como chefe da diplomacia italiana, visitou primeiro a Ucrânia e só dois dias depois foi a Moscovo.

Nascida em Roma, Mogherini fez os seus estudos na capital italiana, onde se licenciou em Ciências Políticas na universidade La Sapienza. A sua tese, sobre o Islão e política, realizou-a já no Sul de França, no Instituto de Pesquisa e Estudos sobre o mundo muçulmano e árabe (IREMAM), no quadro do programa europeu Erasmus, de intercâmbio de estudantes universitários.

Contra todos os que duvidaram das suas competências, e sobretudo do presidente da República, Giorgio Napolitano, sucedeu à carismática Emma Bonino como ministra dos Negócios Estrangeiros de Itália. Apesar da pouca experiência, desde que assumiu o cargo multiplicou-se em viagens ao estrangeiro, sobretudo à Ucrânia e Rússia, mas sobretudo ao Médio-Oriente.

Na cimeira europeia de julho, Mogherini falhou a indicação para Alta Representante precisamente à sua alegada falta de experiência na cena internacional e às críticas de alguns países do Leste que a acusavam de pouca dureza face à Rússia na crise ucraniana. Desta vez, o desfecho foi diferente.

Desde a juventude ligada à esquerda e a campanhas contra racismo e xenofobia, em meados da década passada foi escolhida para vice-presidente do European Youth Forum e da Ecosy, organização dos jovens socialistas europeus. Começou a ocupar-se da política externa no seio dos Democratas de Esquerda, partido que deu origem em 2007 ao Partido Democrático (PD), hoje no poder, em que esteve desde o início.

Tem um blogue em nome próprio em que dá conta do que faz e em que faz uma breve apresentação sobre si: “Adoro viajar (em qualquer lugar, sempre e de qualquer modo), de ler (romances, sobretudo negros) e de passar tempo com a minha família e com as pessoas que amo”.

Mogherini deverá iniciar funções como Alta Representante da União Europeia para a Política Externo a 01 de novembro, em conjunto com o restante colégio da futura Comissão Europeia liderada por Jean-Claude Juncker, que integrará como vice-presidente, como aconteceu com Ashton.