Na apresentação da nova equipa que decorreu durante a manhã desta quarta-feira, Juncker disse estar satisfeito por considerar que os seus comissários são políticos e não “meros funcionários” de cada Estado-membro. E tem razão. No total, há cinco antigos primeiros-ministros, quatro vice-primeiros-ministros e 19 ex-ministros. A comissão tem uma clara maioria de centro-direita, mas Juncker tentou equilibrar as forças políticas escolhendo para vice-presidentes (e supercomissários) dois socialistas, dois liberais e três comissários de direita.

Nesta Comissão, a experiência é mesmo um posto com vários antigos líderes de Estados-membros a conseguirem ficar como vice-presidentes, que vão coordenar vários comissários para as linhas políticas estratégicas para a União. O ex-primeiro-ministro da Estónia, Andrus Ansip fica a liderar a área do Mercado Digital, Valdis Dombrovskis, antigo primeiro-ministro da Letónia, está à frente do Euro, Alenka Bratušek, ex-primeira-ministra da Eslovénia, vai coordenar a pasta da União Energética e Jyrki Katainen, ex-primeiro-ministro da Finlândia vai comandar um dos temas centrais dos próximos anos, com a responsabilidade do Emprego e Crescimento.

Veja aqui como ficaram distribuídas as pastas:

Comissao-EuropeiaII A promessa de dar às (poucas) mulheres cargos de relevância também foi cumprida por Juncker, com três vice-presidentes e com comissárias em cargos de relevo para este mandato. Cecilia Malmström vai ser a cara do Comércio da União Europeia nos próximos cinco anos, liderando processos tão importante como a conclusão do Acordo de Parceria que vai instituir o livre comércio entre Estados Unidos e os 28 Estados-membros. Já o Mercado Interno e a sua regulação ficam na mão de Elżbieta Bieńkowska, comissária da Polónia.

Marianne Thyssen, comissária belga – e a última a ser indicada pelo seu Estado-membro -, fica com o Emprego e Věra Jourová, comissária da República Checa, vai liderar a Justiça e os direitos dos cidadãos europeus. Corina Crețu, comissária da Roménia, fica com a Política Regional e responsável pela coesão europeia e Margrethe Vestager, comissária sueca, consegue um importante portfólio económico com a Concorrência.

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Embora França, Alemanha e Espanha tenham conseguido pastas relevantes, a disparidade com outros países que chegaram mais recentemente à União, parece estar a desvanecer-se nesta alocação de pastas. Para além da consistente conquista de poder no Conselho Europeu, muitas vezes por se juntarem de modo a terem peso face aos países mais preponderantes politicamente, muitos do países que entraram nos alargamentos de 2004 e 2007 fizeram questão de enviar para Bruxelas figuras políticas relevantes, com impacto dentro das famílias políticas europeias de esquerda e de direita.