Já se sabe como morreu Ricardo III, rei de Inglaterra. O monarca, que foi o último da Casa de Iorque e também o último rei inglês a morrer em batalha, sofreu nove golpes no crânio depois de perder o capacete, enquanto lutava na Batalha de Bosworth, a 22 de agosto de 1485.

Uma equipa de cientistas estudou o esqueleto do rei e os resultados foram publicados esta quarta-feira pelo jornal médico The Lancet, revelando que, no total, Ricardo sofreu onze golpes, e que os fatais terão sido dois recebidos na parte inferior do crânio – e não o recebido na zona pélvica, como se chegou a pensar. Esse golpe poderá ter sido aplicado já depois da morte de Ricardo.

Para chegar a estas conclusões, a equipa da Universidade de Leicester recorreu a tomografias às ossadas e a outras técnicas de imagiologia computorizada que permitiram concluir que os ferimentos do monarca podem ter sido causados não só por golpes de espada mas também de outras armas medievais: lanças, facas, punhais, entre outras. Neste vídeo estão resumidas as principais conclusões do estudo:

“As feridas na cabeça de Ricardo são coerentes com alguns relatos contemporâneos da batalha, que sugeriam que Ricardo deixou o seu cavalo quando este ficou atolado e foi morto enquanto lutava com os seus inimigos”, explicou ao Guardian Guy Rutty, professor da Universidade de Leicester. Aliás, foi desse acontecimento que surgiu a famosa deixa da peça de Shakespeare sobre o monarca: “Um cavalo! O meu reino por um cavalo!”

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E quem eram os seus inimigos? Henrique Tudor, que, ao vencer Ricardo em Bosworth, pôs fim ao curto reinado de dois anos deste rei e tornou-se Henrique VII de Inglaterra, iniciando a dinastia Tudor no país, que duraria de 1458 a 1603. Foi desta casa que saíram alguns dos monarcas mais relevantes da História inglesa: Henrique VIII, Isabel I ou Eduardo VI.

As ossadas de Ricardo III foram descobertas em setembro de 2012 no subsolo de um parque de estacionamento de Leicester, no centro do Reino Unido. Desde então gerou-se um intenso debate sobre o que se devia fazer aos restos mortais do rei, tendo-se chegado à conclusão de que eles deveriam ser sepultados na catedral de Leicester. A cerimónia de inumação terá lugar a 26 de março de 2015.