O Presidente da China, Xi Jinping, mostrou-se esta quinta-feira divertido quando o homólogo norte-americano, Donald Trump, lhe exibiu o retrato que mandou colocar na Casa Branca do antecessor Joe Biden, como “caneta automática”.

Desde que regressou ao poder, Trump tem insistido que Biden sofria de declínio cognitivo e que a assinatura do ex-presidente em documentos importantes foi feita por assessores automaticamente – algo que o democrata nega.

“Este é Trump e esta é a caneta automática; é o Biden”, disse o Presidente norte-americano a Xi, que se riu juntamente com a equipa que os acompanhava, segundo um vídeo partilhado nas redes sociais pela Casa Branca por ocasião da visita de Estado de três dias que o líder chinês está a realizar a Washington.

Trump mostrava a Xi a chamada “Calçada da Fama Presidencial”, uma galeria de retratos que o republicano mandou instalar há um ano na colunata da ala oeste da Casa Branca.

A legenda da foto do dispositivo dedicada a Biden – que governou entre 2021 e 2025 após derrotar Trump nas eleições presidenciais de 2020 – afirma que “o dorminhoco Joe Biden foi, de longe, o pior Presidente da história dos Estados Unidos”. A galeria está repleta de imagens de Trump em todo o mundo, emolduradas a dourado.

Trump mostrou ainda a Xi uma fotografia de ambos, tirada quando o Presidente norte-americano visitou Pequim em maio.

“Quem é aquele? Não o reconheço!”, brincou Trump. “Temos muito respeito pelo senhor (Xi). Mantemos isso exposto. Já está aí há um ano. Muito respeito”, afirmou Trump.

Biden e Xi reuniram-se em três ocasiões durante a presidência do democrata (2021-2025), um período marcado por tensões bilaterais recorrentes, com a Casa Branca a identificar a China como principal rival estratégico.

Xi realiza desde quarta-feira a sua primeira visita de Estado a Washington em 11 anos, numa altura em que os rivais geopolíticos se debatem com uma longa lista de assuntos espinhosos, incluindo os riscos da inteligência artificial (IA) sem controlo, Taiwan, tensões comerciais relacionadas com tarifas e a questão do Irão – país com o qual Pequim mantém laços económicos estreitos.

Durante o passeio pela Casa Branca, numa visita a que Trump deu a maior importância, este exibiu ao líder da China comunista alguns dos seus pontos favoritos.

Após 90 minutos na Sala Oval, Trump acompanhou o homólogo até à nova plataforma de aterragem de granito que construiu para o seu helicóptero Marine One, levando mesmo Xi para dentro da aeronave, acompanhados por um pequeno grupo de conselheiros e intérpretes.

O roteiro incluiu ainda o enorme estaleiro de construção nas proximidades e que, um dia, será um salão de baile. Xi observou duas enormes torres de betão em construção enquanto Trump acompanhava atentamente a expressão do líder comunista chinês ao falar sobre o projeto, fora do alcance de audição dos repórteres que os seguiam.

“Tivemos uma grande reunião e ele tem um grande interesse no granito”, disse Trump após mostrar o local a Xi. “É um especialista em pedras, além de muitas outras coisas – e adora um bom granito”, afirmou.

Durante a visita, Trump tocou no braço de Xi repetidamente e com entusiasmo; o líder chinês chegou mesmo a retribuir o gesto, uma única vez, estendendo a mão para dar uma palmada de volta a Trump.

O líder dos democratas no Senado norte-americano, Chuck Schumer, criticou esta quinta-feira a receção de Donald Trump a Xi Jinping, comparando-a com a visita de Vladimir Putin ao Alasca, no ano passado. “Este homem tem uma atração inata por ditadores”, afirmou Schumer, num discurso no plenário do Senado, referindo-se ao Presidente norte-americano.

Entre os republicanos, o presidente da Comissão das Forças Armadas do Senado, Roger Wicker, afirmou que teria desaconselhado uma visita com semelhante aparato, tendo em conta as divergências entre Washington e Pequim.

A Casa Branca justificou a receção como uma retribuição da visita de Trump à China, em maio, defendendo que o Presidente procura manter relações diplomáticas que permitam promover os interesses norte-americanos.

Xi foi recebido quarta-feira na base aérea de Andrews por Trump pessoalmente, um gesto raro para um Presidente norte-americano.

O programa inclui uma cerimónia militar na Casa Branca, conversações bilaterais e um jantar de Estado, em que participam os líderes das principais tecnológicas norte-americanas.

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