Union Jack. O nome está na ordem do dia muito por causa do referendo que, esta quinta-feira, determina se a Escócia permanece, ou não, nos limites fronteiriços do Reino Unido. É uma questão de laços históricos, políticos e económicos que interferem no estilo de vida tanto de ingleses como de escoceses. Não é, por isso, de estranhar que a tão aguardada decisão venha a ter implicações na moda. E porquê? Porque a bandeira do Reino Unido, batizada precisamente de Union Jack (que junta a cruz de São Jorge, a bandeira de Inglaterra, a cruz de Santo André, da Escócia, e a cruz de São Patrício, a representar a Irlanda), tem vindo a marcar presença em passarelas, ruas e guarda-roupas de várias celebridades (e comuns mortais).

O futuro da bandeira é incerto, bem como o desfecho do referendo. Se sim, se não, o Guardian interroga-se a propósito dos tempos vindouros: séculos depois da criação da Union Jack, no seguimento da junção das coroas inglesa e escocesa, a perspetiva de uma saída por parte da região famosa pelo whisky coloca no centro da questão a futura forma do emblema — o que será feito da cruz azul e branca de S. André?

“O que aconteceria na eventualidade de a Escócia dizer sim não é claro. Especialistas constitucionais sugerem que o resto do Reino Unido não seria necessariamente obrigado a abandonar a bandeira atual, no entanto, Lord West, vice-presidente do comité de heráldica do Parlamento inglês, sugeriu na semana passada que era um “absurdo” imaginar que o azul de S. André permanecesse”, escreve o mesmo jornal inglês.

https://twitter.com/SpiceGirlsNet/status/323534017326620672

Mas recuemos a 1997, aos BRIT Awards, quando a ex-Spice Girl Geri Halliwell apareceu diante do público, e das câmaras, com um vestido justo — e o padrão da Union Jack estampado em toda a dimensão da (curta) peça de roupa. O Mirror descreve o momento como determinante. A julgar por uma sondagem realizada em 2010, que coloca o vestido no top 10 dos mais icónicos dos últimos 50 anos (chegando a bater aquele de noiva usado pela princesa Diana), o jornal britânico terá razão. A roupa que, então, passou a simbolizar poder feminino e um Reino Unido mais cool, “vestiu” outras ocasiões: a peça, embora em diferentes formatos e feitios, foi continuamente repetida ao longo dos anos por várias personalidades dentro e fora da geografia britânica. São exemplo as supermodelos Kate Moss e Naomi Campbell, mas também as cantoras Taylor Swift e Rita Ora.

<> at Lexington Avenue Armory on November 13, 2013 in New York City.

Desfile de moda Victoria’s Secret, 2013 – Dimitrios Kambouris

New Yorker pega igualmente no tema em questão, chegando a chamar à Union Jack “um dos mais comoventes e bem-sucedidos designs da história”. E numa altura em que a discussão em torno da independência escocesa está cada vez mais acesa, também as tendências mais fashion ganham destaque — a semana da moda de Londres terminou esta terça-feira e serviu de pretexto para alguns estilistas mostrarem a sua posição política. Foi o caso de Vivienne Westwood: no domingo, 14 de setembro, as modelos desfilaram com botões com a palavra “Yes” inscrita, referente ao nome da campanha pela independência. A controversa estilista inglesa de 73 anos já antes tinha partilhado uma mesma opinião num vídeo publicado no seu site.

Falando ainda de designers, estes têm favorecido a bandeira desde os anos 1960, quando Pete Townshend introduziu o blazer Union Jack. Também Westwood usou versões esfarrapadas do emblema em t-shirts especialmente concebidas para a banda Sex Pistols. Mas mais nomes juntam-se a uma mesma lista: Paul Smith, Katharine Hamnett, Alexander McQueen e até Stella McCartney.

A isso acrescenta-se o revivalismo que deu de si nos últimos anos, sobretudo a propósito de eventos de índole desportiva — Jogos Olímpicos de Verão, em Londres, e o triunfo de Andy Murray na competição de ténis Wimbledon realizada em 2013. Regressando ao presente, o certo é que as dúvidas quanto ao futuro da bandeira que triunfou nas lides da moda dissipam-se ou adensam-se já a partir desta quinta-feira. Até lá, o suspense fica no ar.

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Andreia Reisinho Costa / Observador