Política

Primárias merecem “reflexão” mas partidos não vão atrás

Método escolhido pelo PS para desbloquear a crise interna merece atenção do PSD. Depois de Paulo Rangel, José Matos Correia diz que "vale a pena pensar" mas outros partidos não têm de ir atrás.

Primárias no PS mobilizaram mais de 240 mil eleitores, entre militantes e simpatizantes

© Hugo Amaral/Observador

As primárias socialistas para a escolha do candidato a primeiro-ministro foram as primeiras realizadas em Portugal e, dada a forte participação eleitoral, fizeram soar o alarme no interior dos restantes partidos.

O vice-presidente do PSD José Matos Correia afirmou ao Observador que “deve-se refletir, pensar, e tirar conclusões” sobre o método eleitoral usado pelo Partido Socialista, mas “não é por um partido o ter feito que o outro deve ir atrás”.

“Não sou apologista da ideia de que por um partido grande ter adotado este método o outro [o PSD, neste caso] também tenha de o fazer”, disse o social-democrata ao Observador, sublinhando que também nunca foi “especial adepto” da eleição do líder por diretas, onde todos os militantes do partido são chamados a votar. As eleições diretas no PSD começaram em 2006, com a eleição de Luís Marques Mendes, e têm sido desde então o método adotado para escolher o secretário-geral do partido.

As primárias do PS, que no domingo à noite deram uma vitória esmagadora a António Costa, surpreenderam todos pela elevada taxa de participação. Uma participação que Matos Correia realça ter sido elevada fundamentalmente por duas razões: por a campanha ter tido uma “agressividade anormal e nunca antes vista” e pelo fator “novidade“. “No início as diretas também mobilizaram muita gente [militantes]” e depois foram perdendo participação, diz.

Para o deputado e vice-presidente do PSD, as primárias do PS merecem atenção por terem sido “uma experiência nova”, mas merecem também algumas reticências. Segundo Matos Correia, as novas formas de eleger o líder do partido (tanto as primárias como as diretas) vieram diminuir a importância dos Congressos, que hoje se limitam a consagrar o nome já escolhido e que antes, segundo diz, tinham a vantagem de “permitir uma grande mobilização interna”.

Já antes, o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel se tinha referido à “ideia de abertura dos partidos à sociedade” como “uma ideia positiva”, apontando vantagens a esta forma eleitoral que, disse, “constitui um precedente muito relevante que os outros partidos vão ter claramente que considerar”. Ainda assim, e à semelhança de Matos Correia, deixou uma ressalva: se esta abertura à sociedade “se traduz necessariamente em primárias ou não, podemos ter dúvidas”, mas o passo dado pelos socialistas merece “reflexão”.

Ao Observador, o porta-voz do CDS, Filipe Lobo d’Ávila afirmou que “umas eleições em que votam 180 mil pessoas são impressionantes” e que “os partidos devem pensar em melhorar” a relação com os cidadãos, mas é tudo, para já. O CDS, aliás, já fez eleições diretas para a escolha do presidente mas, entretanto, Paulo Portas acabou com esse modelo, voltando o líder a ser eleito em congresso.

O PCP, por outro lado, afasta categoricamente qualquer possibilidade de vir a aplicar o método, afirmando que não se trata de um “exemplo de cidadania e participação ou abertura à sociedade”, ao contrário do que quis parecer. “O que as chamadas primárias revelaram desde o seu início foi essencialmente um processo de arregimentação de apoios e de mobilização de interesses e ambições pessoais ou de grupo instalados no PS”, declarou o partido questionado pelo Observador.

Para os comunistas, a escolha deste método eleitoral por parte do Partido Socialista tratou-se de uma “fraude” e da “construção de uma ilusão” face ao objetivo de eleger o candidato a primeiro-ministro.

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