Uma fotografia e um mundo de possibilidades para fazer dela o que se quiser. O Instagram veio revolucionar a arte de fotografar, ser fotografado e conseguir um resultado perfeito. Mas para usar corretamente a rede social de fotografias e vídeos é preciso entender a lógica. O investigador de marketing e redes sociais Dan Zarrella é o autor do estudo “A ciência do Instagram”. Dan conta que a ideia nasceu das várias questões que lhe eram colocadas quando discursava em conferências sobre o futuro das redes sociais. O especialista em redes sociais sentencia: “Medindo o impacto das imagens e do vídeo no Facebook e no Twitter e nas novas plataformas exclusivamente visuais como o Instagram e o Pinterest, é claro que temos de nos voltar para a importância do conteúdo visual”.

A “ciência do Instagram” resultou da análise de mais de um milhão de fotografias (mais precisamente 1,494,175) de mais de 500 mil utilizadores (538,270) escolhidos ao acaso. A primeira conclusão diz respeito às #hashtags que usa na legenda das fotografias. O investigador encontrou uma correlação positiva entre o aumento número de tags e o aumento de likes e comentários. O Instagram permite colocar até 30 tags por imagem, e o conselho passa por se aproximar deste número, escolhendo palavras que se relacionem com o conteúdo da fotografia.

Mas primeiro há que fotografar. Depois de ajustar ao tamanho que prefere (o investigador não define dimensões ideais), chega o momento de escolher um filtro adequado para disfarçar imperfeições e realçar o melhor — as cores que mais favorecem a fotografia, o contraste que sobressai mais o que quer destacar, o nível de luz que torna a fotografia mais bonita. No momento de decidir o filtro que quer colocar, saiba que o melhor filtro é… não colocar filtro nenhum. As fotografias sem alteração são as que recebem mais gostos, de acordo com o estudo.

Nos mais eficazes, seguem-se o filtro Willow (a preto e branco), o Valencia (salienta as cores) e o Sierra (aclara a fotografia). O Brasil Post, jornal que resulta da associação do Huffington Post com a Abril, elaborou o ranking de filtros do Instagram com os pontos fracos e fortes de cada um. Na análise de Dan Zarrella, é esta a estatística a ter em conta.

filtros instagram The Science of Instagram

“The Science of Instagram”. Os filtros do Instagram que fazem mais sucesso.

Se lhe perguntarmos se prefere um dia cinzento ou um dia de sol, provavelmente vai escolher a segunda hipótese. É essa “tendência natural” para a luminosidade que o investigador aponta no que toca à luz da fotografia. No Instagram não é diferente. As fotografias com mais luz são as mais populares e, portanto, vão conquistar mais fãs.

luz insta "The Science of Instagram"

“The Science of Instagram”. Quanto mais luz, mais gostos e comentários terá a fotografia.

É importante saber que, por vezes, quanto mais modificações fizer nos seus registos fotográficos, pior. As fotografias que ficam com elevados níveis de saturação tendem a ter menos “gostos” do que as fotos com menos saturação, é o que consta na “ciência” do Instagram.

instagram2 "The Science of Instagram". A relação entre os níveis de saturação e os comentários/gostos por utilizador.

“The Science of Instagram”. A relação entre os níveis de saturação da fotografia e os comentários/gostos por utilizador.

Os utilizadores do Instagram preferem ver rostos de pessoas quando abrem a página da rede social. As fotografias que incluem uma ou mais caras têm mais gostos que as restantes, concluiu Dan Zarrella. Se colocar uma fotografia com rostos, tem 35% mais possibilidades de obter um “gosto” dos seus seguidores. Por outro lado, os fãs do Instagram parecem preferir fotografias mais “cheias” do que sóbrias. Ou seja, as fotos com mais coisas a acontecer são as que tendem a reunir as preferências. Para analisar este ponto, o investigador analisou o número de arestas (edges) em cada fotografia.

edges "The Science of Instagram"

“The Science of Instagram”. Um exemplo das arestas em cada fotografia.

Com o guia completo para uma utilização mais feliz, é pegar no aparelho que tiver à mão, fotografar e testar a fórmula.