Os 4 mil milhões desaparecidos nos negócios entre o BES e a sua sucursal angolana, o BESA, vão ser alvo de um processo de contra-ordenação individual por parte do Banco de Portugal. O processo deve incidir sobre o acompanhamento que o grupo fazia das atividades em Angola e vem adicionar mais um ponto à longa investigação aberta em julho à gestão de Ricardo Salgado.
O Jornal de Negócios avança esta terça-feira que o Banco de Portugal abrirá este processo nos próximos dias, autonomizando-o assim da grande investigação que está a ser levada a cabo e põe em questão se houve ou não gestão danosa do grupo por parte da família, avaliando por exemplo se existiu exposição direta ou indireta do grupo financeiro e dos seus clientes.
Para além do volume de dinheiro envolvido no caso do BESA, perto de 4 mil milhões de euros, esta autonomização acontece porque o Banco de Portugal não quer que o BES “resulte em mais um megaprocesso de grande complexidade”, garantido assim que desta forma há “eficiência processual”, segundo avança o Negócios.
O BES tinha uma posição de 55,71% do BESA e esta participação ficou do lado “mau” do banco. O regulador português quer sobretudo compreender porque é que foi dada tanta liquidez a esta subsidiária, algo que acabou por resultar na necessidade de recapitalização do Novo Banco.