A zona euro poderá, afinal, escapar a uma nova recessão técnica. Um dos indicadores avançados seguidos de perto pelos investidores, o índice de gestores de compras (PMI), divulgado nesta quinta-feira, surpreendeu pela positiva e atenuou os receios de vários economistas de que a zona euro possa registar um crescimento negativo na segunda metade do ano. O melhor registo neste conjunto de dados voltou a pertencer a Espanha, o que indica que o país vizinho estará a liderar o crescimento na zona euro.

O índice PMI, divulgado pela consultora britânica Markit, mostrou nesta quinta-feira que a atividade económica na zona euro acelerou ligeiramente em outubro. O indicador subiu para 52,2 pontos, contra os 52 pontos do mês anterior, sendo que um valor acima de 50 pontos indica uma expansão da atividade. Essa “fronteira” foi superada, inesperadamente, pelo indicador relativo à atividade na indústria. Os analistas previam um valor de 49,9 pontos mas o indicador subiu para 50,3 pontos.

A Markit publica este indicador para oito países da zona euro, um grupo em que Portugal não se inclui e onde voltou a destacar-se Espanha. O índice compósito para Espanha está nos 55,3 pontos, o ritmo de expansão económica mais rápido quando comparados os dados Alemanha, França, Itália e do país vizinho. Um “tweet” de Eric Burroughs, jornalista da Reuters, mostra a evolução dos dados PMI.

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Desemprego em Espanha em mínimos desde 2011

O índice PMI acima de 55 pontos em outubro, conhecido esta quinta-feira, não foi a única boa notícia recebida pelo governo liderado por Mariano Rajoy esta manhã. O  Instituto Nacional de Estatística (INE) espanhol revelou que a taxa de desemprego em Espanha era no final de setembro de 23,67% da população ativa, ficando, pela primeira vez desde 2011, abaixo dos 24%.

Segundo o Inquérito da População Ativa (EPA, na sua sigla espanhola) também divulgado esta quinta-feira, o número de desempregados caiu em 195.200 durante o terceiro trimestre do ano, para um total de 5.427.700.

Apesar de, tradicionalmente, o terceiro trimestre do ano ser sempre um dos de maior criação de emprego, esta redução do desemprego foi a maior registada num período entre julho a setembro em toda a série histórica de dados da EPA.

Também esta quinta-feira, a economia espanhola cresceu 0,5% no período entre julho e setembro, menos uma décima do que no trimestre anterior, segundo dados preliminares avançados pelo Banco de Espanha.

Num boletim económico o Banco de Espanha defende que a economia continua no percurso de recuperação iniciado no final do ano passado, graças à “progressiva normalização” das condições de financiamento, a níveis de confiança “relativamente robustos” e a uma evolução favorável do mercado laboral.