O Partido Socialista acusou o PSD de passar “um cheque sem cobertura” por o partido ter sido eleito com base num programa eleitoral em que dizia que “não era preciso cortar salários nem, aumentar impostos” e diz que tudo fizeram para evitar a intervenção externa em Portugal. “Nós sempre fizemos tudo para impedir a intervenção estrangeira em Portugal”, afirmou o deputado socialista, e ex-ministro da Economia e do Trabalho de José Sócrates, Vieira da Silva.

A intervenção do deputado, durante o debate do Orçamento do Estado para 2015, criou grande agitação na sala, principalmente do lado das bancadas da maioria parlamentar PSD e CSD-PP. Depois de algum tempo de ruído dos deputados, Vieira da Silva continuou lembrando algumas das afirmações de Passos Coelho sobre o tema. “Não foi o PS que disse que tinha toda a disponibilidade para governar, foi doutor Passos Coelho, não foi o Partido Socialista que disse que ia cumprir e mais além, foi o doutor Passos Coelho”, afirmou Vieira da Silva.

O ex-governante, que fez questão de assumir perante os deputados os cargos que teve nos governos de José Sócrates, disse então que foi eleito com base nas políticas que levou a cabo enquanto integrante governante do PS, ao contrário da maioria que teria sido eleita com base em promessas eleitorais não cumpridas.

“O que passou a maioria foi um verdadeiro cheque sem cobertura. Os senhores estão ai sentados com base num programa eleitoral que afirmava que, para corrigir os problemas nas contas públicas, não era preciso cortar salários, nem aumentar impostos”, disse.

O deputado do CDS-PP Ribeiro e Castro, fez questão de responder lembrando declarações de Vieira da Silva que remontam a 2010 em que dizia que as “medidas de austeridade são necessárias para o crescimento económico do país” e que a contestação “é algo que faz parte da vivência de um sistema democrática”. Ribeiro e Castro terminou dizendo que foram governos socialistas que levaram à intervenção do FMI três vezes em Portugal.

Durante a sua intervenção, Vieira da Silva, explicou que o PS rejeita o orçamento “pelo que tem, de falta de credibilidade, acréscimo da carga fiscal, fragilização do estado social e recuo nas políticas de qualificação, e pelo que não tem, de recusa de corte com o passado falhado, de num sinal de prioridade aos mais frágeis, de ausência de caminho para um verdadeiro programa de recuperação da economia, de emprego e da sociedade portuguesa”.

Vieira da Silva terminou dando a garantia que o PS não dará apoio ao orçamento: “Este não é o orçamento que Portugal precisa, não será o nosso orçamento”, disse.