Cerca 4,9 mil milhões. Foi essa a quantia, com dinheiro de bancos e da troika, que serviu para a capitalização do Novo Banco, no processo de reestruturação do Banco Espírito Santo (BES) que usou o novo Fundo de Resolução. Em dezembro de 2013, porém, Ricardo Salgado considerava insuficiente, até, a verba de 6,4 mil milhões que ainda estava de parte, vinda da troika, para recapitalizar a banca em caso de necessidade. A hipótese foi nessa altura levantada pelo Banco de Portugal, pressionando Salgado para resolver os problemas financeiros do Grupo.

“Eu julgo que eles [Banco de Portugal] estão a ver mal o filme. Nem sei se esse fundo, perante uma desgraça como esta que nos poderia acontecer, seria suficiente”, desabafou o líder, numa reunião do Conselho Superior do BES, de acordo com o jornal i.

A confissão de Ricardo Salgado surgiu numa reunião do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo (GES), realizada a 9 de dezembro de 2013, avança esta sexta-feira o jornal i, já depois de Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, avisar o banco de que teria até dia 30 desse mês para resolver os problemas financeiros.

O líder do banco sempre recusou a ideia de que o Estado pudesse intervir na capitalização do BES. Salgado, aliás, a 7 de novembro do ano passado, noutro encontro do Conselho Superior, chegou a considerar “invejável” o facto de, à data, a instituição ser a única “sem intervenção estatal”. Depois, contudo, o governador do BdP dir-lhe-ia que o BES teria “sempre um fundo de capitalização disponível”.

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A 27 de novembro, escreve o i, Salgado sublinharia que tinha “indicações” de que “o Banco de Portugal [queria] uma solução positiva para o grupo” e estava “disposto a dar tempo”. O presidente do BES, contudo, avisou a administração do banco de “um grupo de pessoas, dos que destruíram o BCP, que adorariam destruir” o BES. “Isso é que me preocupa: que podem tomar uma decisão imponderada e arranjar um sarilho para Portugal e para todos”.

Ainda na edição desta sexta-feira, o jornal i noticia que Jorge Penedo, então administrador do ES Bank Panamá, uma filial da Espírito Santo Financial Group, chegou a passar uma noite “a pesquisar acordos de extradição com Portugal” — isto quando a entidade supervisora bancária do país da América Central já estava a fiscalizar a filial. “Nem dormi. Passar a vida na prisão com os colombianos e mais não sei o quê…”, terá dito à administração do BES.