O ministro da Economia, António Pires de Lima, deixou os deputados socialistas atónitos depois da sua intervenção no Parlamento, esta quinta-feira. Pires de Lima, quase soletrando cada palavra, desafiou António Costa a não ceder à “tentação” de aumentar as taxas e de criar “taxinhas” na zona de Lisboa, quando apresentar o Orçamento da Câmara de Lisboa para 2015.

“Só espero que, depois de termos [Governo] resistido ao aumento de taxas, que a Administração Local, aqui na zona de Lisboa, liderada pelo autarca, que é também candidato socialista a primeiro-ministro, o doutor António Costa, quando apresentar o Orçamento da Câmara de Lisboa para 2015, tenha o mesmo poder para resistir às tentações que teve o Governo”.

Já num registo mais sério, António Pires de Lima garantiu que o Governo tem “todas as razões para acreditar” que as suas previsões “são mais consistentes” do que as que foram feitas pelo FMI ou pelo BCE.

O ministro da Economia está ser ouvido em reunião conjunta das comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Administração Pública e de Economia e Obras Públicas, no âmbito do debate na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2015 (OE2015).

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“Temos todas as razões para acreditar que as nossas previsões são mais consistentes do que aquelas que são dadas por organismos internacionais”, disse o governante, em resposta a questões do deputado socialista Pedro Nuno Santos.

“Aliás, organismos internacionais que os senhores deputados sempre criticaram no passado, ou é agora que o PS se vai colar às posições e previsões do FMI [Fundo Monetário Internacional] e do BCE [Banco Central Europeu]? Não percebo este alinhamento de posições quando os senhores sempre os criticaram e às vezes até têm dificuldade de os receber”, comentou o ministro.

Em média, as previsões do BCE e do FMI “apontam para um desvio de 0,4% no PIB [Produto Interno Bruto], connosco é só 0,2%”, disse Pires de Lima, acrescentando que isso demonstra que as instituições “decidiram ser conservadoras com todos os países do euro”, pelo que “não é uma situação específica de Portugal”.

“Não vale a pena perder tempo a analisar cenários macroeconómicos feitos em gabinetes, o que me interessa é a realidade concreta das empresas a operar em Portugal que está a desmentir as profecias negativas das previsões há 18 meses”, disse.

O ministro, que apontou “falta de pudor” ao deputado socialista sobre as críticas tecidas ao executivo, criticou a posição do PS em relação aos dados do desemprego.

“Os senhores ainda estão a validar a previsão [de taxa de desemprego] do BCE, que é de 13,6%, quanto ontem [quarta-feira] conhecemos dados do desemprego que são de 13,1%”, criticou o governante.

António Pires de Lima lembrou que foram criados 100 mil postos de trabalho, dos quais 38 mil na indústria transformadora, 28.000 no comércio por grosso e retalho e 19 mil nas atividades financeiras e seguros.

“O PS inventou uma realidade, uma ilusão”, criticou.

“Vamos superar as previsões de desemprego, no sentido de ser mais baixo do que está no orçamento. É essa a minha convicção. Já aconteceu em 2014 e deverá acontecer em 2015”, sublinhou o ministro.

“Só um país que investe e só um país que cresce é [que é] um país capaz de ser campeão na redução do desemprego a nível da União Europeia. Não há nenhum país na Europa que tenha reduzido o desemprego em 2,4 pontos percentuais ao longo dos últimos 12 meses” como Portugal, concluiu.

A taxa de desemprego caiu para os 13,1% no terceiro trimestre deste ano, uma queda homóloga de 2,4 pontos percentuais e um recuo de 0,8 pontos face ao trimestre anterior, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).