O ministro demissionário da Administração Interna, Miguel Macedo, deverá assumir o lugar de deputado na Assembleia da República, para o qual foi eleito nas legislativas de 2011 pelo círculo de Braga.

Macedo ainda não comunicou a decisão ao líder parlamentar, Luís Montenegro, mas em conversas que tem tido com pessoas próximas, soube o Observador, admite assumir o lugar de deputado – foi eleito pela primeira vez em 1991 e apenas houve um breve período, entre 2002 e 2005, em que esteve afastado das listas de deputado não tendo sido eleito.

O social-democrata demitiu-se no domingo do Governo por entender que não tinha a autoridade política necessária para continuar a exercer funções, depois de ser conhecida a sua relação de amizade e de negócios com um dos detidos no âmbito da operação Labirinto – que investiga eventual corrupção na concessão de vistos gold. Trata-se de António Figueiredo, presidente do Instituto dos Registos e Notariado (IRN). Macedo foi sócio de Ana Luísa Oliveira Figueiredo, filha do presidente do IRN, na empresa Golden Vista Europe, tendo vendido a quota em 2011 quando entrou para o Governo. Macedo foi ainda apanhado em escutas ao presidente do IRN.

Macedo fez uma declaração ao país no domingo para anunciar a demissão e esta segunda-feira já não foi ao Ministério da Administração Interna.

A sua demissão foi elogiada por vários setores, tanto no PSD como na oposição. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, comparou ainda esta decisão à atitude que o então ministro socialista Jorge Coelho tomou, em 2001, quando caiu a ponte de Entre-os-Rios.