Não é fácil inovar em Portugal. Quem o diz são as empresas que participaram no Barómetro Internacional do Financiamento da Inovação, que é apresentado esta quinta-feira, em Lisboa e que envolveu 1500 empresas internacionais. Oito em cada dez empresas inquiridas pela consultora Ama CG afirmaram que Portugal é um país onde é difícil inovar, quando a média dos dez países inquiridos no estudo se fixou nos 72%.

Contudo, cerca de 77% das empresas portuguesas consideram-se inovadoras e 44% afirmam que a inovação é uma prioridade para serem competitivas. Nuno Tomás, managing director da Alma CG considera que o facto de as empresas portuguesas darem mais importância à satisfação dos clientes enquanto condição para a competitividade, do que à inovação, “está em linha com a menor expressão que estas empresas concedem à inovação disruptiva”. Exemplos: promover ruturas com mercados existentes e criar uma nova oferta com base em novos mercados.

Para cerca de 53% das empresas que participaram no estudo, o investimento em Investigação & Desenvolvimento (I&D) é primordial para serem inovadoras, mas 61% valoriza mais o repensar continuamente a organização e os processos. Apesar de considerarem que é difícil inovar em Portugal, 92% das empresas inquiridas considera-se competitiva, quando a média global do estudo, que envolveu dez países, se fixou nos 83%.

Quanto ao financiamento de I&D, 86% dos investimentos das empresas portuguesas são suportados com capitais próprios e 55% está dependente do crédito bancário. “O perfil de financiamento nacional, com a maior dependência dos capitais próprios e dos créditos bancários, tendo em conta o contexto de contração económica, que se vive, e o acesso ao crédito, pode estar na origem da maior dificuldade sentida pelas empresas portuguesas em inovar”, lê-se no comunicado que acompanha o estudo.

Cerca de 29% das empresas que usufruem de incentivos fiscais referiram que estes benefícios permitiam manter as atividades de I&D em Portugal, funcionando como garantes do seu desenvolvimento e crescimento. Cerca de 30% disse o mesmo relativamente aos incentivos a fundo perdido e os empréstimos reembolsáveis.