UNESCO

O cante alentejano pode ser da Humanidade

1.185

Há três anos foi o fado, esta semana é o cante alentejano que pode entrar na prestigiada lista de Património Cultural Imaterial da Humanidade. As reuniões começam hoje.

Sérgio Trefaut realizou este ano o documentário "Alentejo, Alentejo", sobre o cante alentejano

Gonçalo Villaverde / Global Imagens

Há três semanas, a UNESCO considerou “exemplar” a candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade. Esta segunda-feira começam as reuniões finais, na sede da UNESCO em Paris, com a votação da candidatura portuguesa prevista para quarta ou quinta-feira. Qualquer que seja a decisão, “o cante já ganhou”.

“O cante já ganhou muito neste processo. Nunca foi tão falado como hoje em dia, verificou-se a reativação de muitos grupos corais com pouca ou nenhuma atividade e também surgiram muitos grupos corais jovens no Alentejo”. Para o presidente da Câmara Municipal de Serpa, Tomé Pires, só o processo de candidatura já é “um ganho muito grande”, disse esta segunda-feira, por telefone, ao Observador, a partir do autocarro que transporta a comitiva portuguesa até Paris.

Paulo Lima, o responsável pelo processo, já está na sala onde tudo se vai decidir. Os representantes da Câmara de Serpa, da Casa do Cante, da Confraria do Cante Alentejano, da Casa do Alentejo, do INATEL e do grupo coral da Casa do Povo de Serpa (que vai cantar por breves minutos na apresentação da UNESCO) seguiram de autocarro até Paris e, esta manhã, ainda estavam a 100 quilómetros da capital francesa. O ambiente que se vive é bom. “As expectativas são altas, tendo em conta como tem corrido o processo da candidatura, desde que foi entregue em Lisboa até à última notícia [28 de outubro deste ano] de que era exemplar, a par de outras quatro de todo o mundo”, contou Tomé Pires.

A candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade deu formalmente entrada a 28 de março de 2013 no comité internacional da UNESCO. A confiança foi aumentando e, chegados a este ponto, todos se mostram “ansiosos no último sprint desta longa maratona”.

A 27 de novembro de 2011, o fado cantou vitória na eleição a Património Cultural Imaterial da Humanidade e abriram-se portas. Não é o prestígio pelo prestígio que está em jogo. “Em primeiro lugar há o reconhecimento, não de Serpa, mas da região do Alentejo e até do país”, explicou o presidente da Câmara de Serpa. Reconhecimento também “das pessoas que cantam, que souberam receber uma herança, tratá-la bem e em condições de a transmitir, sem lucro, mas apenas por gosto. Ver esse trabalho que é feito de forma voluntária é o maior ganho que podemos ter”.

De forma mais prática, a chancela da UNESCO ao cante alentejano “abrirá muitas portas”. Ao objetivo de salvaguardar e transmitir o cante, é preciso também “começar a pensar em tornar este ativo cultural numa ativo económico, para ajudar a sustentabilidade do cante e o desenvolvimento da nossa região”, disse.

A decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura está marcada para quinta-feira, mas a comitiva vai pedir a antecipação para quarta-feira à tarde por questões de logística. “Assim que soubermos a data certa da decisão, há uma iniciativa a ser preparada em Serpa, na Casa do Cante”, adiantou Tomé Pires. Habitantes, cantadores de grupos corais locais e todos aqueles que estiverem interessados vão poder acompanhar em direto os trabalhos, quem sabe com direito a festa no fim. Com o cante alentejano como banda sonora.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)