A Fundação Champalimaud, que desenvolve atividade nas áreas das neurociências e do cancro, vai iniciar no próximo mês de janeiro, no seu centro clínico, a obra de construção do novo centro cirúrgico. No início do ano 2016 passará assim a ser possível realizar cirurgias com necessidade de internamento na fundação, anunciou esta sexta-feira, em conferência de imprensa, a presidente da Fundação, Leonor Beleza.

A nova unidade será composta por três blocos operatórios, 26 quartos individuais, com vista para o Tejo, cinco quartos de recobro e duas unidades de cuidados intensivos. A somar aos seis quartos já existentes na ala da cirurgia em ambulatório, inaugurada em junho deste ano, o centro ficará com uma capacidade próxima dos 40 quartos, frisou Leonor Beleza. A obra custará cerca de 10 milhões de euros.

O futuro quarto de internamento do centro clínico da Fundação Champalimaud terá casa de banho privativa e vista para o rio Tejo

Este “centro cirúrgico vai tornar-nos autónomos na capacidade de tratar doentes sobretudo com cancro”, começou por sublinhar a presidente do conselho de administração da Fundação, apontando para “princípios de 2016” a inauguração da nova unidade. O que acontece atualmente é que os doentes que precisam de ser operados e internados, são enviados para o Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, com quem a Fundação Champalimaud estabeleceu um acordo.

Em 2014, até outubro, foram feitas 24.673 consultas, 20.628 exames, 9.648 tratamentos de radioterapia e 3.606 tratamentos hospital de dia. A atividade tem tido “um crescimento grande”, assegurou Leonor Beleza, revelando que em outubro o centro “recebeu 362 pessoas para serem diagnosticadas ou tratadas, por dia”.

Questionada sobre quanto custará ao doente a diária nestes quartos e internamento e a cirurgia, a ex-ministra da saúde referiu que o acesso e os custos serão semelhantes aos que já existem em relação à Cruz Vermelha Portuguesa, variando consoante o tipo de doente, ou seja, se esse está abrangido por um subsistema de saúde público ou um seguro privado, ou nenhum dos dois.

Receber doentes do Serviço Nacional de Saúde? Só se houver concurso público

Quanto à possibilidade de doentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) poderem ser atendidos, operados e tratados neste centro, Leonor Beleza referiu que o Ministério da Saúde “tem entendido, e eu só posso dizer que acho que entende bem, que tem de usar toda a capacidade instalada que existe nos hospitais do SNS”. Mas se o ministério “um dia entender de outra maneira, se entender que outras entidades devem poder tratar doentes do SNS, nós encararemos essa hipótese desde que isso seja feito através de concurso público, num processo completamente claro para todo o setor”, frisou a responsável.

O acordo “chapéu” estabelecido ainda com a ex-ministra da saúde Ana Jorge, em abril de 2011, não tem sido aproveitado em pleno. O que tem acontecido é que pontualmente são enviados doentes do SNS para a Fundação, como acontece no caso do IPO que envia doentes para fazerem radioterapia e do Hospital de Évora que envia doentes para a medicina nuclear.

O centro clínico Champalimaud está equipado com a mais recente tecnologia para o diagnóstico e tratamento do cancro da mama, do pulmão, da próstata, do aparelho digestivo (vários cancros), ginecologia, hematologia, bem como das metástases. Em 2015 iniciar-se-á a dermatologia (cancro da pele), disse fonte oficial da Fundação ao Observador.