As cerca de 600 crianças que frequentavam as escolas nas povoações de Chã das Caldeiras já retomaram as aulas em estabelecimentos de ensino de São Filipe, Mosteiros e Cova Figueira, as três cidades da ilha cabo-verdiana do Fogo. A indicação foi dada à agência Lusa pela ministra da Educação, Fernanda Marques, que garantiu que essa foi uma preocupação inicial do Governo logo após a retirada dos habitantes de Portela e Bangaeira, na sequência das erupções vulcânicas que começaram a 23 de novembro.

“Temos distribuídas, de São Filipe aos Mosteiros, passando por Santa Catarina (concelho cuja principal cidade é Cova Figueira), todas as crianças do pré-escolar e do ensino básico de Chã das Caldeiras. Em Mosteiros (norte) fizemos duas salas com todas as crianças do pré-escolar e do básico”, disse Fernanda Marques. A partir da segunda semana, acrescentou, foram distribuídas por turmas das suas próprias classes maioritariamente pelas escolas de Mosteiros e de Santa Catarina.

Em relação aos alunos do ensino secundário, houve transferência de alunos para outras escolas, tendo em conta que algumas famílias de Chã das Caldeiras, planalto onde se situa Portela e Bangaeira e que serve de base aos vários cones vulcânicos do Fogo, se instalaram em São Filipe, salientou Fernanda Marques. Por essa razão, sublinhou, ainda poderão existir alguns casos pontuais de alunos que ainda não retomaram as aulas.

“Mas a nossa estratégia é acolher todos e acolhê-los bem e estarmos preparados para fazer um reforço em relação à aprendizagem no final deste primeiro trimestre e ao longo do segundo. Toda a estrutura educativa está a trabalhar para que tenham o mínimo sobressalto possível dentro de toda a situação existente”, acrescentou. “Toda a estrutura de acompanhamento está montada. Temos estruturas de orientação escolar profissional e vocacional, que estão a ser reforçadas por todos os psicólogos e assistentes na ilha desde o primeiro momento, utilizando os recursos existentes, adaptados, naturalmente, a uma situação que é nova para todos nós”, frisou.

Até agora, 19 dias após o início das erupções, a lava destruiu as povoações de Portela e Bangaeira, obrigando à retirada de cerca de 1.500 habitantes, parte deles, cerca de 850, instalados nos três centros de acolhimento entretanto criados e os restantes em casa de familiares ou amigos. Grande parte da vasta área agrícola de Chã das Caldeiras também foi devastada e a prioridade do Governo cabo-verdiano está agora focada na reinstalação dos desalojados e na geração de fontes de rendimento para as famílias.