Luís Marques Mendes disse que, em 2014, o défice das contas públicas se vai situar entre os 3,7% e os 3,8%, números abaixo da meta negociada com Bruxelas. O social-democrata avançou ainda que as receitas nos impostos estão acima do previsto e que os fundos estruturais estarão disponíveis a partir de janeiro. Sobre o BES, Mendes afirma que a estratégia de Ricardo Salgado foi delineada pelo seu advogado, Daniel Proença de Carvalho, e que “não bate a bota com a perdigota”.

O antigo líder do PSD diz que “há exagero” nos receios sobre o cumprimento da meta de 3% no défice do próximo ano, já que este ano e segundo os dados que o comentador disse este sábado possuir – durante o seu espaço semanal de comentário na SIC – o défice do país vai ficar entre os 3,7% e os 3,8%, ou seja, abaixo dos 4,5% negociados com Bruxelas. A impulsionar estes resultados, estão segundo Mendes, as receitas dos IVA e do IRS que estão 600 milhões e 200 milhões (respetivamente) acima do esperado. Estes resultados tornam ainda “mais fácil cumprir o défice do próximo ano”, considerou ainda o advogado.

Outra notícia que o comentador considera positiva é que os planos operacionais do fundos estruturais até 2020 já estão fechados e que a comissária do Desenvolvimento Regional, Corina Creţu, estará em Portugal na próxima sexta-feira para assinalar este facto. Em 2015 estarão disponíveis quatro mil milhões de euros através dos fundos estruturais e as candidaturas para projetos abrem em janeiro.

As contradições de Ricardo Salgado

Sobre o BES, especialmente sobre a audição de Ricardo Salgado no Parlamento, Marques Mendes diz que o antigo banqueiro foi à Assembleia “ensaiar aquilo que ele considera ser a melhor estratégia para enfrentar os tribunais”. No entanto, o social-democrata diz que a estratégia preparada por Daniel Proença de Carvalho, advogado de Salgado, “não bate certo com a verdade nem com a realidade” – “Estava a ouvi-lo e a primeira imagem que me ocorreu foi, esta narrativa é parecida com José Sócrates quando entrou a troika”.

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Alguns dos pontos onde Mendes encontrou contradições foram: o argumento da crise internacional, já que esta também “atingiu BPI, BCP, todos os bancos”; o argumento que “o Governo não deu apoio para o Grupo Espírito Santo, mas “emprestava dinheiro para a recapitalização do BES”, algo que segundo Marques Mendes Salgado não queria porque isso implicava colocar um administrador do Governo no BES e “descobrir as contas”; e ainda que “o contabilista falsificou as contas”. Neste ponto, Marques Mendes questiona: “Mas alguém acredita que ele fez isto sozinho? Qual era o interesse? Ir parar à cadeira? Só se fosse tonto”.

Mendes diz que as próximas audições que terão interesse para o caso são a de Álvaro Sobrinho, que se realiza no dia 18 de dezembro e a de Machado da Cruz, contabilista do GES, que ainda não esta marcada. O antigo líder do PSD disse ainda recear que a comissão de inquérito possa “resvalar para jogos políticos” já que “a maioria está interessado em culpar, o PS quer culpar o governador” e o “PCP e BE estão contra o sistema capitalista”.